Banco Central
Banco Central Crédito: Breno Fortes/CB/D.A Press Banco Central

Mercado reduz previsões e economia deve continuar fraca em 2020

Publicado em Economia
ROSANA HESSEL

Apesar de a reforma da Previdência estar caminhando no Senado Federal, o otimismo do mercado de que a economia vai reagir não está sendo retomado. As estimativas de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2020 caíram nesta semana, de acordo com as previsões do boletim semanal Focus do Banco Central (BC). Analistas admitem que o país não conseguirá crescer acima de 2% no próximo ano, em função da fraca atividade do país em meio ao desemprego elevado, atingindo 12,6 milhões de pessoas. 

“Não há sinais de uma retomada mais firme na economia brasileira no ano que vem. Há uma desconfiança de que o PIB não vai sustentar um crescimento acima de 2%, impondo um viés de baixa para as previsões de 2020”, explicou ao Blog o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa.

Conforme o boletim do BC divulgado nesta segunda-feira (9/9), a mediana das expectativas do PIB para o ano que vem passaram de 2,10% para 2,07%. Para este ano, a previsão foi mantida em 0,87%. “Não há um otimismo exacerbado do mercado com a aprovação da reforma da Previdência e seu impacto imediato na economia. A realidade é que não houve um choque de confiança suficiente para dar um crescimento mais forte na indústria e no consumo”, explicou Rosa.

Não à toa, as estimativas para a inflação oficial, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foram reduzidas pelo mercado pela quinta vez consecutiva, ficando em 3,54% nesta semana, abaixo do centro da meta do Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,25%. “A demanda interna continua fraca e, por conta disso, os preços não têm forças para subirem”, resumiu Rosa, acrescentando que, diante desse quadro de atividade fraca e custo de vida abaixo da meta, o Banco Central deverá dar continuidade ao ciclo de cortes da taxa básica da economia (Selic). Atualmente, os juros básicos estão em 6% ao ano e a expectativa de Rosa é que a Selic chegue a 5% até o fim do ano.