Vitor Hugo - Fabio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil Líder do governo na Câmara segue empenhado na construção de alianças no Congresso. Reunião com líder da Maioria, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), também está confirmada. Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Governo fortalece PSL e Major Vitor Hugo em nova etapa da articulação política

Publicado em Economia

RODOLFO COSTA

A Secretaria de Governo da Presidência da República, capitaneada pelo ministro Luiz Eduardo Ramos, iniciou, em conjunto com a liderança do governo na Câmara, exercida pelo deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), um processo de aproximação do PSL ao Palácio do Planalto, a fim de fortalecer o partido para construir uma base formal de apoio ao Executivo com apoio de outras legenda. Em um almoço na tarde desta terça-feira (10/9) na casa do vice-presidente nacional da sigla, Antônio Rueda, foi sinalizado que a articulação política irá destravar cargos e emendas de bancada para os pesselistas e para quem quiser votar com o governo. 

 

O encontro, que reuniu a ampla maioria dos deputados do partido, foi organizado por Vitor Hugo. Afinal, na nova etapa da articulação política conduzida por Ramos, ele será o responsável por dialogar cargos e emendas na Câmara. Antes, o processo era conduzido pela líder do governo no Congresso, Joice Hasselmann (PSL-SP), que passará a conduzir estritamente as pautas que cabem ao posto exercido por ela: as interlocuções referentes a sessões do Congresso, às Comissões Especiais de Medidas Provisórias (MPs), vetos presidenciais e votações de Projetos de Lei do Congresso Nacional (PLNs). 

 

Na prática, Ramos fortalece Vitor Hugo nesse novo processo. Nos corredores do Planalto e do Congresso, dizem que Ramos deu uma enquadrada em Joice, que teria reclamado sobre o fortalecimento dado ao líder do governo na Câmara. Na reunião desta terça, o ministro evitou transparecer quaisquer rusgas com a parlamentar e frisou que a líder do governo no Congresso fez tudo ao alcance dela na etapa articulatória anterior, exercida pelo ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. 

 

A partir de agora, frisou o ministro, a articulação será feita com critérios de fidelidade ao governo. Ramos comentou de o governo estar aparelhado com apadrinhados políticos de parlamentares que não votam com o Planalto. E garantiu que isso vai mudar, por respeito a quem é base do Executivo, a exemplo do PSL. “O PSL é mais do que a pedra angular da base. Ele é o próprio governo”, destacou Vitor Hugo ao Blog, vocalizando as palavras de Ramos. 

 

Liderança

Durante a reunião, a bancada do PSL evitou comentar a respeito da disputa interna pela liderança do partido na Câmara, atualmente exercida pelo deputado Delegado Waldir (GO). No entanto, mesmo sem debates sobre o assunto, o sentimento é de que ele já caiu. Parlamentares e interlocutores presentes informam ao Blog que 30 deputados assinaram uma lista pedindo novas eleições. Todos esses são favoráveis ao primeiro-vice-líder da legenda, Felício Laterça (RJ). 

 

A votação para decidir o futuro da liderança ainda não foi marcada, mas deve demorar para sair. Parlamentares querem celeridade no assunto. Como líder do governo na Câmara, Vitor Hugo adotou uma distância protocolar do debate, defendendo que a isenção de quem vier a vencer a disputa, mas admitiu que é importante uma maior união dentro do partido, até para possibilitar um melhor arranjo na composição com demais legendas para a formação da base. “Isso é imprescindível. Quanto mais for unido, mais fácil de atrair partidos para em torno do governo”, sustentou.

 

Base 

A construção da base vem sendo articulada por Ramos e Vitor Hugo com outros partidos. Além do PSL, dialogaram com o Podemos e o Patriota. O líder do governo na Câmara explica que as conversas para a formação da base iniciaram há “muito tempo”, mas frisa que a chegada de Ramos na articulação oficializou o processo. “Fez com que se ganhasse novo impulso”, explicou. 

 

A aprovação da reforma da Previdência na Câmara, comentou Vitor Hugo, aproximou outros partidos do governo. Mas não a ponto de cravar a construção de uma base formal. “Ficou claro que existe uma base aliada, não em torno do governo, neste momento, ainda, mas das pautas econômicas liberais. E como o governo nesta pauta também é liberal, mostra que tem grande possibilidade de avançarmos cada vez mais na construção dessa base formal”, destacou.