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Banana para Bolsonaro: PIB de 2019 é o pior desde recessão de Dilma

Publicado em Economia

O presidente Jair Bolsonaro levou um comediante para dar bananas a jornalistas na porta do Alvorada nesta quarta-feira (04/04), mas a banana vai para ele. No primeiro ano de governo do capitão reformado, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 1,1%, o pior resultado desde a recessão provocada por Dilma Rousseff.

 

Olhando para a composição do PIB de 2019, quase tudo piorou, a começar pelos investimentos, que devem ser a alavanca do crescimento. No ano passado, os investimentos avançaram 2,2% contra os 3,9% de 2018. Também o consumo das famílias perdeu força, com salto de apenas 1,8%.

 

A taxa de investimentos em relação ao PIB subiu ligeiramente, de 15,2% para 15,4%, mas a taxa de poupança caiu, de 12,4% para 12,2%. Ou seja, além de não ter investimentos suficientes para garantir crescimento contínuo acima de 3% ao ano, o país não têm dinheiro suficiente para bancar os investimentos.

 

Isso mostra que o Brasil está cada vez mais dependente do capital estrangeiro para crescer. Mas como atrair capital externo se o presidente não passa a menor confiança aos donos do dinheiro? Tanto o ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já alertaram Bolsonaro sobre a péssima imagem do Brasil lá fora.

 

Desconfiança

 

Se for depender apenas dos investimentos internos, o Brasil continuará patinando. O governo não tem a menor capacidade de tocar obras, pois vai registrar, em 2020, o sétimo ano seguido de rombo em suas contas. O setor privado diz apoiar o governo, mas não se anima a tirar projetos de expansão das gavetas.

 

A falta de investimentos produtivos está na base da desconfiança dos agentes econômicos, que, semana após semana, estão revisando para baixo as previsões para do PIB de 2020. Para piorar, agora veio a onda do novo coronavírus, que abalou a economia global.

 

Enquanto continuar achando que está no palanque ou num picadeiro de circo, em vez de exercer o papel para o qual foi eleito, o de presidente da República, Bolsonaro só contribuirá para estimular um clima de incerteza que atrapalha seriamente o país.

 

Num quadro de normalidade, com inflação no chão e juros nos menores níveis da história, o Brasil deveria estar voando. Mas, com o governo fonte de crises constantes e de instabilidade política, o país corre o risco de patinar. Pior para os mais pobres e os quase 12 milhões de desempregados.

 

Brasília, 10h22min