Porque meu filho gosta tanto do Pokémon Go tecnoveste

Porque meu filho gosta tanto do Pokémon Go?

Publicado em Aplicativos, Redes Sociais, Variedades

O desenho do Pokémon foi criado na década de 1980 por Satoshi Tajiri, mas foi somente na década de 1990, por meio do desenho animado, que a marca se popularizou no Brasil. A Nintendo aproveitou-se desde o início da capacidade dos Pokémons virarem jogos e capitalizou em cima da marca em seus consoles, mas nda se compara ao que tem acontecido com o Pokémon Go, lançado há algumas semanas. Porque tornou-se o aplicativo mais bem sucedido de todos os tempos? Porque adultos estão jogando? Porque empresas estão pagando para fazer parte do jogo? Porque a imprensa se afeiçoou tanto ao joguete?

Para entender tudo isso, é preciso primeiro entender quais são as premissas do Pokémon e como as histórias se desenvolvem dentro desse universo. O enredo do desenho contava a história de crianças e adolescentes que iam à escola e uma de suas atividades era encontrar e treinar nos monstrengos. Tanto que o nome Pokémon, vem de pocket monsters (monstros de bolso, em inglês), só que ao invés de ficarem guardados nos bolso os bichinhos são aprisionados em pokebolas, para que depois sejam jogados em batalhas “mortais”, por meio das quais é possível fazer o seu “pupilo” evoluir.

A evolução dos pokémons permite que, assim como em um treino esportivo, os monstros fiquem cada vez mais fortes e tenham habilidades cada vez mais incríveis. Era a versão pós-moderna do bafo, ou jogo de figurinhas, em que as crianças se reuniam em torno de uma atividade ao ar livre para competir.

Envolvendo elementos que quase todos nos já experimentamos na infância (brigas na saída, jogo de figurinhas, reunião na hora do lanche, ciranda-cirandinha, discussão futebolística etc), o jogo constitui-se como a convergência perfeita entre esporte, tecnologia e brincadeiras de criança. De maneira, que consegue envolver as crianças da atualidade, mas também trás um sentimento nostálgico à juventude que curtia as tardes assistindo televisão vendo programas como Dragon Ball, Chaves e Yu Yu Hakusho.

A grande isca está em como a tecnologia foi usada para trazer à realidade um sonho das crianças que gostam do jogo. Porque utiliza realidade aumentada, permite que o usuário interaja com o mundo real enquanto desenvolve suas atividades no aplicativo. De maneira similar ao que o Oculus Rift e Google Cardboard ganharam seus públicos, o Pokémon Go – uma evolução do jogo Ingress da Niantic – consegue criar atividades relevantes para que os usuários não somente gastem seu dinheiro, mas também tenham experiências únicas e personalizadas.

A graça é encontrar pokémons pelas ruas do mundo e competir para ver que se torna o melhor treinador dos monstros de bolso. O hacker Mike Christopher criou, por meio de engenharia reversa, uma mapa interativo para facilitar a localização de pokémons – veja o post completo sobre o Pokémon Go Live Map – e grupos de programadores têm-se reunido para criar experiência que só poderiam ser pensadas depois do lançamento do jogo e com o que o público tem feito dele.

Juntando todos os jogadores de Pokémon Go foram feitas mais de 30 milhões de visitas à Pokéstops, o que foi capaz de gerar mais de 23 milhões de monstrengos capturados. Graças aos seus 1,3 milhão de Pokémon Gyms espalhados pelo mundo, muitos jogadores conseguiram aumentar seu nível de experiência e aprimorar suas técnicas de treinamento de Pokémons. Se formos contabilizar os 2,3 milhões ovos que foram chocados para se tornarem pokémons, foram necessárias mais de 52 milhões de pokébolas para guardar os bichinhos, resultando em 1,7 milhões de quilómetros caminhados pelas pessoas em busca da próxima criatura virtual.

O Pokémon Go não é apenas um jogo, é uma atividade social, uma maneira de conhecer novas pessoas. Sua inédita capacidade para superar o Mario Bros. como primeira franquia de jogos da Nintendo é muito grande, pois será muito difícil trazer à realidade um jogo onde o personagem principal é um mecânico bigodudo que mata criaturas, usa cogumelo e corre atrás de uma princesa.

No mundo dos consoles de jogos, em que a dominância alterna-se entre XBox e Playstation, ainda existe esperança para que a Nintendo seja alçada a novo patamar e saia do ostracismo ao qual tem sido relegada nas últimas duas décadas. Há potencial comercial muito grande sendo gerado agora, sobretudo no que tange o reavivamento dos produtos da franquia como lancheiras, cadernos, filmes de cinema, roupas, papéis de parede, parques temáticos etc.

O sucesso da marca Pokémon deve-se ao fato de que foi criado um universo bem amarrado e cheio de encanto para atingir os jovens. A aparente “inexplicabilidade” do sucesso do aplicativo Pokémon Go pode ser mitigada pela análise da inteligência por trás da tecnologia. A final, a tecnologia, quando bem empregada, não é um fim em si mesmo, mas um meio para que a vida das pessoas seja mais completa e cheia de alegrias.