Ingrid Klug comemora o fato de viver uma gorda "normal" em O tempo não para
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Ingrid Klug chegou a ‘O tempo não para’ quebrando preconceitos

Publicado em Entrevista

Atriz Ingrid Klug estreia em novelas como a Belém e avisa, direta: “É incrível uma atriz gorda poder interpretar uma personagem que não é estereotipada na televisão”

“Sou loira, tenho olhos claros e sou gorda. Mas sou alguém normal e minhas características físicas não interferem na minha competência em qualquer área”. E que ninguém duvide de Ingrid Klug, atriz que estreia na televisão como a Belém de O tempo não para. Direta, ela completa: “é incrível uma atriz gorda poder interpretar uma personagem que não é estereotipada na televisão.”

Belém leva temas urgentes, como assédio e gordofobia (preconceitos contra gordos) a uma trama bem-humorada como a novela das 19h.

“A Belém ironiza o fato de o corpo gordo ainda não ter sido normalizado, mas todo esse processo de exclusão deixa algumas marcas na personagem, é claro. Além de psicologicamente, estruturalmente, a nossa sociedade ainda não está completamente adaptada para incluir gordos. Principalmente os gordos maiores”, afirma.

O assédio que Belém sofre de Emílio (João Baldasserini), que a desqualifica sempre que pode é outra discussão que a personagem nos proporciona. “As mulheres estão cada dia mais unidas na luta contra misoginia e o machismo e, como consequência disso, estamos mais atentas aos diferentes tipos de assédio, né? Até os mais sutis, agora são percebidos por nós”, comemora Ingrid, sabendo que ainda há um caminho longo para percorrer.

Assim como deve ser longa a carreira de Ingrid nas telas e palcos brasileiros. Aos 8 anos na estrada e na primeira novela, ela já chamou a atenção por peças e vem arrasando em O tempo não para!

Leia a entrevista completa com Ingrid Klug!

Ingrid Klug estreia na tevê em O tempo não para
Ingrid Klug estreia na tevê em O tempo não para

O tempo não para é sua primeira novela. Porque demorou 8 anos para estrear num folhetim? Aliás, como surgiu a oportunidade para o papel?
Sempre quis estudar teatro e ter alguma experiência nos tablados para então fazer tevê. É claro que se tivesse surgido a oportunidade antes, eu iria me jogar na televisão, mas tudo acabou acontecendo como eu gostaria que fosse! Fiz dois testes que não passei, até que no terceiro teste, eu e Belém nos encontramos! (risos) Fiz meu cadastro na emissora quando alguns produtores de elenco me viram no teatro e depois que eles me conheceram me convidaram para esses testes que eu fiz!

Seu nome está muito ligado à comédia. Sente algum tipo de preconceito por causa disso?
Eu não tenho preconceito nenhum com a comédia. Pelo contrário, me orgulho demais de fazer humor. É claro que existe preconceito em algumas situações, mas sempre vai ter alguém pra falar, né? Eu não ligo não. O que importa é se eu estou feliz trabalhando.

A Belém vai discutir um tema que está em alta hoje em dia: gordofobia. Como será a abordagem desse assunto numa novela bem-humorada como O tempo não para?
O Mário (Teixeira, autor da novela) varia entre sutilezas e momentos bem objetivos ao falar sobre gordofobia. A Belém ironiza o fato de o corpo gordo ainda não ter sido normalizado, mas todo esse processo de exclusão deixa algumas marcas na personagem, é claro. Além de psicologicamente, estruturalmente, a nossa sociedade ainda não está completamente adaptada para incluir gordos. Principalmente os gordos maiores.

Outro assunto que Belém trará é assédio. Você acha que a sociedade faz avanços nesse campo?
Acredito que sim. As mulheres estão cada dia mais unidas na luta contra misoginia e o machismo e, como consequência disso, estamos mais atentas aos diferentes tipos de assédio, né? Até os mais sutis, agora são percebidos por nós.

Você acha que um ator homem teria chegado mais rapidamente ao patamar que hoje você se encontra?
Não sei. Apesar das diferenças de privilégios que ainda existem entre homens e mulheres no mercado de trabalho, acredito também no estudo e na dedicação que um ator deve ter à sua profissão. Onde há esforço, há alguma conquista.

A Belém vai se unir a Emílio (João Baldasserini) nas tramoias como Samuca. Como é estrear sendo uma vilã?
Para além de ser vilã ou não, é incrível uma atriz gorda poder interpretar uma personagem que não é estereotipada na televisão. E pode ser sensual e segura. É maravilhoso poder lidar com isso com normalidade. Sou loira, tenho olhos claros e sou gorda. Mas sou alguém normal e minhas características físicas não interferem na minha competência em qualquer área. E contracenar com João tem sido uma diversão. É um super parceiro. E não tem como não rir com ele.