ONG promove webinário sobre educação na primeira infância

Visão Mundial/Divulgação
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Encontro virtual gratuito ocorrerá na quinta-feira (6/8) no YouTube da ONG Visão Mundial com presença da pediatra Anna Grellert

Visão Mundial/Divulgação
O webinário tem o objetivo de mostrar para a sociedade a importância da educação de crianças de 0 a 6 anos

Com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância da educação na primeira infância e sobre os efeitos da violência no desenvolvimento infantil, a Visão Mundial, uma organização não-governamental humanitária especializada na proteção à infância, promove um webinário nesta quinta-feira (6/8), a partir das 18h no canal do YouTube da ONG.

As inscrições podem ser feitas neste link.

O encontro contará com a presença de Anna Grellert, médica pediatra especializada no desenvolvimento da criança e assessora regional para o tema de pais e filhos da Visão Mundial na América Latina e no Caribe.

A primeira infância é um período fundamental para o desenvolvimento cerebral. É importante que, nesta faixa etária entre 0 e 6 anos, meninos e meninas sejam cuidados com ternura. Isso facilita formar cidadãos aptos à convivência social e à cultura da paz.

As primeiras experiências das crianças, em especial os vínculos que criam com os pais e seus primeiros aprendizados, afetam todo seu posterior desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e social.

Encontro virtual debate a importância da conversa na primeira infância

Nenê do Zap/Divulgação
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O bate-papo “Nenê do Zap” será transmitido quinta-feira (6/8), na página do Facebook e contará com a presença dos artistas Bruno Gagliasso e Dira Paes

Nenê do Zap/Divulgação
Evento também terá a presença de duas especialistas para debater o tema

Na próxima quinta-feira (6/8), a partir das 16h, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e a Organização das Nações Unidas para Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) promovem o bate-papo virtual “Nenê do Zap”, que falará sobre a importância da conversa e da interação na primeira infância. O encontro será gratuito e transmitido pelo Facebook.

O encontro contará com a presença de Mariana Luz, CEO da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, e de Marlova Noleto, diretora e representante da Unesco no Brasil, além de vários convidados especiais, como os atores Bruno Gagliasso e Dira Paes. Os dois vão compartilhar como são as conversas e as interações com seus filhos e como as mudanças causadas pela pandemia interferiram ou intensificaram essa relação.

Moderado pela diretora de Comunicação da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, Paula Perim, o evento terá a participação de duas especialistas para ajudar o público a entender e aprofundar o tema: a pediatra Ana Escobar e a psicóloga Fernanda Lopes. Elas compartilharão dicas e orientações sobre o vínculo entre pais ou cuidadores e as crianças, abordando o desenvolvimento cognitivo e emocional nos primeiros anos de vida. A conversa também mostrará por que na primeira infância é tão fundamental que a criança seja acolhida, acompanhada e amada.

Envie um oi!

O contato do Nenê do Zap no WhatsApp é 11-99743-8964. No WhatsApp e nas redes sociais, o canal traz informações sobre a interação entre cuidadores e crianças de até 6 anos.

 

Teste se seu filho é viciado em telas e consiga ajuda em livro

Mundo Cristão / Reprodução
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Obra A Criança Digital, da editora Mundo Cristão, promete ajudar pais a dosar o tempo ideal para que os filhos fiquem expostos ao mundo virtual

Com alta acessibilidade, a tecnologia já faz parte do cotidiano de muitas crianças. Durante o isolamento social, pode ser que o contato com as ferramentas digitais tenha crescido.

Brincar com celular, tablet ou computador se tornou tão comum que fica difícil saber a dimensão dos impactos causados pelo uso exagerado das telas na infância.

Pensando nisso, a editora Mundo Cristão publicou o livro Criança Digital: ensinando seu filho a encontrar equilíbrio no mundo virtual, escrito pelo best-seller e especialista em comportamento familiar Gary Chapman e Arlene Pellicane.

Mundo Cristão / Reprodução
Livro promete ensinar pais a dosar tempo ideal para que os filhos fiquem expostos às telas

A obra tenta responder a algumas questões importantes sobre a relação das crianças com o mundo virtual: como saber quanto tempo as crianças gastam no meio digital? Como controlar o uso das tecnologias de forma equilibrada?

Além disso, o livro serve para alertar os pais sobre como esse excesso pode afetar o desempenho de meninos e meninas em aspectos comportamentais

 

Mundo Cristão / Reprodução
Capa do livro Criança Digital

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O livro Criança Digital está disponível na Amazon , e no E-commerce Mundo Cristão , custando a partir de R$40,90.

A principal pergunta a se fazer antes de ler a obra é: seu filho é viciado em telas? Se a resposta for sim, a Editora Mundo Cristão assegura que o equilíbrio será encontrado com a leitura do livro. Para ajudar a responder essa pergunta, a editora preparou um teste rápido e gratuito para identificar. Confira:

Teste: seu filho passa tempo exagerado diante as telas?

As questões a seguir podem ajudar a determinar se o tempo diante das telas está prejudicando ou não a saúde geral de seu filho. Marque cada questão usando a seguinte classificação:

0 = Nunca ou raramente

1 = De vez em quando

2 = Geralmente

3 = Sempre

( ) Seu filho se irrita quando você pede que ele saia da frente da tela para jantar ou realizar outra atividade.

( ) Seu filho pede que você compre um aparelho digital, como um tablet, mesmo depois de você ter dito não.

( ) Seu filho tem dificuldade de terminar o dever de casa porque está ocupado vendo televisão ou jogando vídeo game.

( ) Seu filho recusa-se a ajudar nas tarefas domésticas porque prefere brincar com aparelhos eletrônicos.

( ) Seu filho pede para jogar vídeo game ou brincar com outra atividade diante da tela depois de você ter negado.

( ) Seu filho não pratica atividades físicas por ao menos uma hora ao dia.

( ) Seu filho não faz contatos visuais frequentes com outras pessoas da família.

( ) Seu filho prefere jogar vídeo game a brincar ao ar livre com os amigos.

( ) Seu filho não gosta de nada que não inclua aparelhos eletrônicos.

( ) Quando você proíbe o uso de aparelhos eletrônicos por um dia, seu filho fica irritado e manhoso.

Se a pontuação for:

De 10 para baixo: Seu filho não parece passar muito tempo diante das telas. Ele é capaz de exercer controle e atuar dentro dos limites.

De 11 a 20: Seu filho pode estar muito dependente das telas. Você deve monitorar esse tempo com mais critério e vigiar para que ele diminuía o contato com os aparelhos eletrônicos.

De 21 a 30: Seu filho parece estar viciado em aparelhos eletrônicos. Recorra a um conselheiro, pastor ou pai/mãe que você respeite para receber orientação.

Pesquisa revela que 84% dos adultos defendem usar violência com filhos

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Levantamento feito pelo Programa Criança Feliz (PCF) e pelo projeto Pipas mostra, ainda, que 27% das mães são afetadas pela depressão materna

Pesquisas feitas pelo Programa Criança Feliz (PCF), em âmbito nacional e, pelo projeto Primeira Infância para Adultos Saudáveis (Pipas), no Ceará, revelam dados preocupante sobre a educação de crianças.

Segundo o PCF, 77% dos pais de bebês de 6 a 11 meses responderam que são a favor de ralhar ou repreender a criança para educá-la, e 16% concordam com gritar ou bater na cabeça.

 Lucas Metz / Unsplash
Segundo pesquisa, 84% dos adultos disseram que acham necessário gritar, bater ou colocar de castigo para educar

Uma informação que levanta preocupações é quanto aos hábitos corretivos dos adultos com as crianças, mesmo com as bem pequenas. Questionados pelo Pipas, 84% dos adultos disseram que acham necessário gritar, bater ou colocar de castigo para educar.

Durante a pandemia, que envolve isolamento social e o fechamento de creches e escolas, o PCF e o Pipas temem que as crianças tenham um período ainda mais difícil por ficarem mais tempo, sendo que é um desafio ter alguém com disponibilidade ou condições para lhes dar atenção e lhes garantir os cuidados necessários sem violência.

Neste contexto, há riscos de exposição precoce e demasiada à TV, celulares e tablets e, principalmente, maior risco de negligência e violência. Os adultos podem até passar mais tempo em casa, mas o nível mais elevado de angústias e preocupações tende a prejudicar a qualidade das interações entre pais e filhos.

Depressão pós-parto

O levantamento nacional do Programa Criança Feliz constatou alto índice de depressão materna. O estudo identificou que 27% das mães entrevistadas sofrem com a doença.

Também preocupante foi o dado sobre o baixíssimo índice de amamentação exclusiva até os seis meses: somente 23% das mães cumprem essa recomendação. Naturalmente, a licença-maternidade de quatro meses das mães que trabalham com CLT não ajuda nesse sentido.

No Ceará, o levantamento feito pelo Pesquisa de base do Primeira Infância para Adultos Saudáveis (Pipas) observou que a maioria das famílias entrevistadas não segue a orientação da Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida.

Ana Paula Lisboa com Pickchart
Amamentação exclusiva de acordo com respondentes da pesquisa do projeto Pipas no Ceará

Leitura infantil

Ainda de acordo com a pesquisa de âmbito nacional do Programa Criança Feliz, embora a Sociedade Brasileira de Pediatria desaconselhe o uso de telas por crianças de até 2 anos de idade, 81% dos meninos e meninas de 6 a 11 meses assistem à TV, enquanto 27% dos bebês brincam com celular ou tablet também.

Somente 12% dos bebês de 6 a 11 meses possuem algum livro infantil, e apenas 27% dos pais de crianças nessa faixa etária contam histórias para elas. Quando a faixa etária aumenta, cresce também o número de livros, mas o índice fica ainda muito aquém do adequado. Cerca de 35% das crianças de 0 a 3 anos possuem livros infantis, percentual que sobe para 63% na faixa de 4 a 5 anos.

Vacinação

A pesquisa nacional do PCF indicou mais números que explicitam a fragilidade dos cuidados com a vacinação infantil. Embora o país tenha alcançado índices de vacinação infantil próximos de 100%, o levantamento mostrou que metade das crianças estavam com a vacinação atrasada.

Série de webinários debate retorno às aulas da educação infantil

Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal/Divulgação
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Organizados pela Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, os encontros virtuais visam debater a retomada escolar sobre as mais diversas perspectivas.

Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal/Divulgação
Confira a programação dos seminários on-line

A partir de quarta-feira (24/6), a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal promove uma série de webinários sobre o retorno às aulas do ensino infantil após a pandemia do novo coronavírus.

Com o tema “Volta às atividades na educação Infantil: como e quando voltar?”, os encontros virtuais visam debater a retomada escolar sobre as mais diversas perspectivas. As inscrições podem ser feitas pelo link.

Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal/Divulgação
Saiba quem vai participar no encontro de estreia, na quarta (24/6)

O primeiro webinário terá como foco a regulamentação das atividades e terá a participação dos deputados federais Idilvan Alencar (PDT-CE) e Pedro Cunha Lima (PSDB-PB). Além deles, marcarão presença Luis Antonio Miguel Ferreira, promotor de Justiça do Estado de São Paulo; e Luiz Miguel Martins Garcia, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

Sobre a Fundação

Desde 2007, a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal trabalha pela causa da primeira infância, com o objetivo de impactar positivamente o desenvolvimento de crianças nos primeiros anos de vida. As principais frentes de atuação da instituição, fundada em 1965, são a promoção da educação infantil de qualidade — creche para quem quer ou precisa e pré-escola para todos; o fortalecimento dos serviços de parentalidade, para apoiar quem cuida; a avaliação do desenvolvimento das crianças — o que não se pode medir, não se pode melhorar; e a sensibilização de toda a sociedade sobre o impacto, ao longo da vida, das experiências vividas na primeira infância.

 

 

CNJ abre vagas para pesquisadores em estudo sobre primeira infância

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O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em parceria com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), selecionará profissionais para compor a equipe responsável pela análise qualitativa da pesquisa “Diagnóstico da situação de atenção às crianças na primeira infância no sistema de justiça brasileiro”. Inicialmente, as inscrições começariam nesta quarta-feira (15/1),  mas a data de início de candidaturas foi adiada para 20 de janeiro. Para se inscrever, acesse a página do CNJ e escolha o eixo de maior identificação.

As sete vagas abertas são para consultores da equipe que produzirá dados em campo, utilizando metodologia comparativa para garantir a diversidade regional, de porte dos municípios, taxa local de violência, taxa de congestionamento, existência ou não de varas exclusivas, regiões de fronteira, serviços prestados pela rede ou demais critérios que se apresentem relevantes para o desenho da pesquisa.

A pesquisa completa contará com 18 pesquisadores para a formação de duas equipes: a de análises qualitativas e outra de análises quantitativas, com 11 profissionais. O trabalho visa conhecer, de forma mais abrangente, a situação do atendimento às crianças no sistema do Poder Judiciário.

Para isso, haverá cruzamento de dados e informações para financiar as ações do Pacto Nacional pela Primeira Infância, firmado neste ano entre o CNJ e diversos atores que integram a rede de proteção à infância no Brasil, que conta com adesão de cerca de 100 entidades públicas e particulares. O intuito do pacto é estimular a elaboração de políticas públicas para as crianças durante a primeira infância, fase em que estão mais vulneráveis.

Simpósio internacional de medicina fetal ocorre em São Paulo

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O Centro de Ensino Superior Especializado em Diagnóstico por Imagem (Cetrus) organiza o Simpósio Internacional de Medicina Fetal. O evento será em 19 de outubro em São Paulo, no Bourbon Convention Ibirapuera Hotel. O objetivo do simpósio é debater temas como a prática diária dos obstetras e fetólogos. Autoridades nacionais e internacionais participarão, alguns presencialmente e outros por videoconferência.

Fábio Peralta, Simone Pedra e Katia Bilardo: alguns dos especialistas que se apresentarão no evento

O valor da inscrição é R$ 1.200 e pode ser feita até 19 de outubro, no dia do evento. Mais informações podem ser encontrados no link.

Conheça alguns dos palestrantes:

Simone Pedra (Brasil): chefe do departamento de Cardiologia Fetal do Instituto Dante Pazzanese, chefe da Ecocardiografia Fetal do Hospital do Coração e influente pesquisadora em cardiologia fetal e intervenções cardíacas no feto. Falará sobre cardiopatias fetais, o que diagnosticar no primeiro trimestre, suspeita e prognóstico, além de intervenções no coração fetal a partir de resultados no Brasil e no mundo.

Fábio Peralta (Brasil): doutor em medicina pela Universidade de São Paulo (USP), pós-doutor em medicina fetal e responsável pelo setor de Medicina Fetal do Cetrus.

Daniel Rolnik (Austrália): professor de ginecologia, obstetrícia e medicina fetal da Universidade de Monash, autor do ASPRE trial e um dos grandes pesquisadores da atualidade em rastreamento e prevenção de pré-eclâmpsia. No evento, abordará as temáticas rastreamento e prevenção da pré-eclâmpsia em gestações únicas e gemelares.

Katia Bilardo (Holanda): professora de medicina fetal, diagnóstico pré-natal e tratamento do feto da Universidade de Groningen, organizadora do TRUFFLE trial e uma das mais influentes pesquisadoras em vitalidade fetal. Palestrará sobre diagnóstico e conduta na restrição de crescimento fetal e resultados pós-natais.

“Racismo afeta desigualdade na primeira infância”, diz professor de Harvard

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São Paulo – Você já parou para pensar que existe um link entre desigualdade na primeira infância e racismo? É isso que conclui, ao comparar uma série de estudos e indicadores, David Williams, professor de saúde pública, sociologia, estudos africanos e afro-americanos da Universidade Harvard. Ao observar resultados de saúde de crianças nos EUA, ele denuncia que existe forte tendência de as afrodescendentes se saírem pior.

Flávio Moret/ Divulgação

Ele veio ao Brasil para participar do oitavo Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, organizado pelo Núcleo Ciência pela Infância (NCPI), que ocorreu entre quinta-feira (3) e sexta-feira (4). O pesquisador explica que o fato de as crianças negras sofrerem com piores condições de saúde tem a ver com a discriminação, piores condições de renda e escolaridade das famílias, além de adversidades nos ambientes em que crescem.

Para completar, as mudanças fisiológicas pelas quais o cérebro e o corpo de crianças que precisam lidar cedo na vida com dificuldades passam podem ter consequências epigenéticas, sendo transmitidas para as próximas gerações. No EUA, a taxa de mortalidade infantil (número de mortes a cada 1 mil nascidos vivos) de negros é de 11,3. Em seguida, estão a de indígenas americanos (8,6), a de hispânicos (5), a de brancos (4,9) e, por fim, a de asiáticos (4,1).

Os dados, liberados em 2017, são do NCHS. Há uma grande diferença de nível de riqueza entre as raças. Para cada dólar que um branco tem, um asiático possui o equivalente a 81 centavos; um latino, 7 centavos; e um negro, apenas 6 centavos. A comparação se baseou em dados liberados pelo U.S. Census Bureau em 2014. A quantidade de anos de estudo é chave para o rendimento, e historicamente os negros têm e continuam tendo menor escolaridade.

Porém, mesmo em condições de escolaridade iguais, a mortalidade infantil dos filhos de negros continua sendo maior. “Nós pensávamos que, no mesmo nível de rendimento e escolaridade, a raça não deveria importar. Mas não foi o que verificamos”, explicou Williams. Entre os pais com até 12 anos de estudo, a taxa de mortalidade infantil dos filhos é de 15,1 entre negros e 9,2 entre brancos.

Aos 12 anos de escolaridade, a proporção é de 13,4 para 6,4. Na faixa entre 13 e 15 anos de estudo dos pais, houve 12,1 mortes entre cada 1 mil crianças negras e 4,8 entre brancas. Com mais de 16 anos de estudo, as taxas foram de 10,5 e 3,8, respectivamente. Os dados foram obtidos em estudo feito por Williams em parceria com outros pesquisadores (Braveman, Cubbin, Egerter, Pamuk e ele próprio, do AJPH).

 


David Williams com Eduardo Marinho e Naercio Menezes Filho. Flávio Moret/ Divulgação

 

Apesar de os resultados se referirem apenas aos EUA, Williams supõe que deve ser possível encontrar grandes diferenças raciais no Brasil também. Aqui, ao comparar adultos de 25 anos, é possível identificar grande discrepância de formação. Em média, os homens brancos têm 8,8 anos de estudo; e os negros, 6,9. Entre as mulheres, as brancas acumulam escolaridade de 9 anos; e as negras, 7,2. As informações são do Banco Mundial e de R. Gukovas et al.

Os dados também não são animadores para indígenas na América Latina. Cruzando informações do Panorama Social da América Latina, do Cepal e da Organização das Nações Unidas (ONU), é possível observar que a mortalidade infantil indígena é superior à das outras crianças nos países analisados, incluindo o Brasil. Aqui, a taxa de mortalidade indígena é de 21,9; contra 16,7 do restante das crianças.

O racismo afeta tudo

“Onde nascem as desigualdades raciais no nível socioeconômico? Grandes diferenças raciais ou étnicas no nível socioeconômico trazem consequências para toda a vida. E não são atos divinos, não são eventos aleatórios”, afirmou o professor de Harvard. “Essas diferenças refletem a implementação bem-sucedida de políticas sociais. O racismo produziu um sistema distorcido, fraudulento”, denunciou.

“Existe o racismo do indivíduo e existe o racismo institucional, que é incorporado às políticas, aos procedimentos, ao jeito que a sociedade usa seus recursos… É o racismo estrutural.” O preconceito racial afeta até mesmo a maneira como as crianças são tratadas no sistema educacional, já a partir da educação infantil.

“Negros, em especial os meninos, são mais suspensos e expulsos da pré-escola. Comparados aos alunos brancos da pré-escola, os negros têm 3,6 vezes mais chances de receber uma ou mais suspensões”, comparou. Isso apesar do fato de os afrodescendentes serem minoria nas instituições de educação infantil nos EUA.

 

Simpósio de primeira infância reuniu 300 pessoas. Flávio Moret/Divulgação

 

“As crianças negras representam 19% das que estão em idade escolar, mas são 47% das crianças na pré-escola que foram suspensas uma ou mais vezes”, comentou ele, com base em estudo de Gillam et al, Research Study Brief e Centro de Estudos da Criança de Yale. Essa pesquisa investigou se existe viés na pré-escola.

Foram testados 135 professores, que assistiram a 12 vídeos curtos mostrando quatro crianças desempenhando atividades diversas. Os educadores foram orientados a detectar “comportamentos desafiadores em sala de aula”. Os pesquisadores verificaram que os professores passaram muito mais tempo observando as crianças negras, em especial os meninos.

E, ao responder qual criança mais precisava de atenção, 42% indicaram o menino negro. O padrão foi verdadeiro tanto para educadores brancos quanto para negros. Além do racismo institucional, David Williams destaca que o racismo perpetrado por indivíduos também é “potente”, trazendo resultados negativos ainda durante a gestação. “O racismo que a mulher grávida enfrenta também impacta a criança.”

O peso do estresse tóxico

As crianças que nascem num ambiente pobre têm mais chance de sofrer com problemas como violência, separação e instabilidade; de viver em casas lotadas e barulhentas, frequentar creches e escolas sem qualidade. E a probabilidade de os negros lidarem com isso é maior, pois eles são a maior parcela dos pobres. Todos esses aspectos negativos desencadeiam consequências também negativas.

“O desenvolvimento do cérebro é afetado pelo ambiente em que a criança é criada”, afirmou Williams. As adversidades (como pobreza extrema, abuso físico ou emocional, negligência crônica, depressão materna grave, abuso de substâncias e violência doméstica) continuadas durante a primeira infância geram estresse tóxico.

“O estresse tóxico interrompe a arquitetura do cérebro e leva os sistemas de gerenciamento do estresse a responderem a limites relativamente mais baixos, aumentando assim o risco de doenças físicas e mentais”, alertou o pesquisador.

“O que as crianças enfrentam cedo na vida, ou ainda no útero da mãe, molda a sua biologia e seu risco de ter doenças. E pode impactar e trazer consequências para as próximas gerações a partir de mudanças no genoma”, disse. Ou seja, os efeitos podem passar de geração em geração, não ficando limitados à vida inteira daquela pessoa.

 

David Williams defende que a intervenção deve começar cedo. Flávio Moret/Divulgação

 

Tem saída

A partir de um contexto desanimador, David Williams explicou que tem solução. “Se a gente quer melhorar as desigualdades de saúde e em todos os outros aspectos, a saída é começar cedo. Se a gente intervir cedo, tem muito o que pode ser feito”, defendeu. Nesse sentido, programas de visitas domiciliares, como o Criança Feliz, durante a primeira infância podem ajudar.

“Nesses programas e visitas domiciliares, fala-se da criança, mas acabam falando do futuro da mãe, o que ela vai fazer, o que vai procurar.” No entanto, David Williams observa que implementar programas para a primeira infância isoladamente não basta. “É preciso agir também no ambiente, na capacitação dos pais, melhorar empregos…”

*A jornalista viajou a convite da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal

A primeira infância é problema de todo mundo, defende a atriz Denise Fraga

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São Paulo – O segundo e último dia do Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância juntou em torno do debate sobre o início da vida personalidades, além do médico Drauzio Varella, como a atriz Denise Fraga; a diretora de Responsabilidade Social da TV Globo, Beatriz Azeredo; e o diretor de campanhas da Purpose no Brasil, Caio Coimbra. O evento, organizado pelo Núcleo de Ciência pela Infância (NCPI), reuniu 300 pessoas presencialmente em São Paulo, além de diversas outras em 84 simpósios-satélites realizados em 84 localidades, das quais duas no exterior.

A atriz Denise Fraga fez uma importante reflexão sobre a necessidade de repensar comportamentos individuais e comunitários. Após se tornar mãe, ela começou a escrever uma coluna de crônicas na Revista Crescer, em que desabafa e faz pensar sobre maternidade, filhos e infância. “Se tem algo que nossos filhos vão nos dar é dúvidas. Aí me convidaram para fazer essa coluna, onde eu pudesse despejar tudo isso, e eu me descobri um ser escrevente”, disse.

Em uma de suas crônicas, Denise Fraga diz que “nossos pequenos nos dão um tesouro: a chance de nos reconectarmos com o que é essencial”, no sentido de estar no momento presente, observar com atenção plena objetos tão simples quanto uma colher. “Como eles são melhores do que nós, eles ainda têm algo que perdemos.” A atriz revelou se preocupar com o processo de “desumanização” que acomete a sociedade atual.

“Todos nós, nossa família, nossos filhos estão com o olho enfiado na tela, com a atenção dividida… Eu fico pensando no que a gente vai fazer com essa arma fantástica que está mais usando a gente do que a gente usando ela, que é o celular.” Toda essa dispersão e o excesso e a velocidade de informações acabam desviando o foco do que é realmente importante. “Eu li outro dia que aumentou muito o suicídio infantil, de 8 a 12 anos. Deveria soar uma sirene contínua infernizando nossos ouvidos. As crianças estão se suicidando. Aí tem alguma coisa muito errada”, alertou.

“E como a gente se atreve a não fazer nada?”, questionou. Ela defende que, assim como a omissão é um enorme erro, o comprometimento têm grande impacto. “São as pessoas que fazem a diferença. Eu fico mais esperançosa porque ainda tem gente fazendo, ainda tem muita gente legal neste mundo”, afirmou. “A gente tem que ficar atento para ter estraétigas de esperança. Eu sinto que há uma epidemia de melancolia. É uma sociedade absurda. Com quem você acha que vai ficar o filho de uma pessoa que ganha um salário minímo se ela não tem creche?”, perguntou.

A artista acredita que as tradições dos indígenas Maputi, do Chile, podem ser boa inspiração para moldar uma nova sociedade, que se responsabilize pelas crianças de forma coletiva, em vez de atribuir essa responsabilidade somente aos pais. “O que me marcou é que eles dizem: seu filho não é seu, seu filho é nosso. A missão de cuidar é de todos. Os índios fazem isso.” É preciso que o Brasil assuma essa postura com relação à primeira infância, que é onde começam todas as desigualdades. “Tem gente que diz: não é problema meu. Mas é problema de todos nós.”

Encontro de alumni

Na tarde desta sexta-feira (4), ocorreu um encontro dos ex-alunos do curso de liderança executiva em desenvolvimento da primeira infância, que é promovido em parceria entre a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e a Universidade Harvard.

No total, 580 pessoas já passaram pela formação, entre parlamentares, prefeitos, governadores, primeiras-damas e outros líderes, servidores públicos, educadores, trabalhadores de saúde e assistência social, integrantes do terceiro setor, entre outros que podem fazer a diferença no desenvolvimento da primeira infância em suas áreas de atuação.

O curso, inclusive, foi um dos propulsores que permitiu a criação e a aprovação, em apenas um ano, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, do Marco Legal da Primeira Infância. Como destacou o ministro da Cidadania, Osmar Terra, na quinta (3).

“Eu nunca tinha visto algo assim. O Marco da Primeira Infância foi aprovado no Senado e na Câmara por unanimidade. Tinha parlamentares de todos os partidos lutando por isso”. Ele destacou a importância da iniciativa. “O curso de Harvard foi decisivo para esse processo”, afirmou.

 

*A jornalista viajou a convite da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal

Violência sistêmica, pobreza e mães encarceradas são um ciclo que prejudica as crianças, reflete o médico Drauzio Varella

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São Paulo – O médico Drauzio Varella está preparando uma série de vídeos sobre a primeira infância, com o objetivo de passar conhecimentos de saúde de modo simples e prático, como habitualmente faz. Inspirado por esse momento de aprofundamento no tema e convidado para participar do oitavo Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância, ele traçou um paralelo entre a violência e a pobreza sistêmicas, a política de encarceramento e as consequências drásticas para as crianças, especialmente na primeira infância.

Flávio Moret/Divulgação

Além de colaborar com o programa Fantástico, da TV Globo, Drauzio Varella atende, semanalmente, mulheres num presídio feminino de São Paulo. “As que têm 25 anos e não tem filhos ou são inférteis ou são gays. Outro dia, atendi uma de 28 anos que disse que estava muito feliz. Num presídio, é de se estranhar. Perguntei por que. Ela respondeu: é que nasceu meu neto, estou velha já. Tem outra de 40 anos que já tinha três bisnetos”, relatou. A natalidade das encarceradas, classificou ele, como crueldade, pois as crianças crescem sem as mães.

O que também tem relação com paternalidades falhas. “Os homens colocam filho no mundo e deixam para as mulheres. A mulher vai ter que trabalhar, mas não tem com quem deixar o filho. Aí, as decisões vão se atrapalhando, ela engravida de novo… Como essa mulher vai cuidar dessas crianças e ser a provedora do lar?”, questionou. “Temos que dar uma bolsa para as que não engravidarem”, brincou. “Porque temos que cuidar dessa criança, dar bolsa-escola e, depois, construir cadeia para elas, pois se perdem, conhecem criminosos…”, lamentou.

Muitas vezes, reflete o médico, o envolvimento com o crime se dá pelos contatos feitos nas periferias e, quando uma mãe recebe uma proposta de ganhar R$ 500 para transportar uma droga, até para dentro de um presídio, ela aceita para conseguir dinheiro para cuidar dos filhos. “Ou então elas aceitam levar droga para o namorado ou marido preso. Aí, pega com tráfico de entorpecentes, ela, que largou criança em casa, já não volta para casa. Vai para a delegacia, é presa em flagrante, e os juízes dão quatro anos de cadeia…”, continuou.

“Às vezes, essa mãe deixou o filho de 7 anos cuidando de dois irmãos menores… Aí ela não volta, ninguém sabe onde está, até que descobrem que ela está presa. E quem vai absorver três crianças? Cada parente pega uma, aí já destruiu a família.” E o pior de tudo, reflete o médico, é que não há nenhum ganho nisso. “Quem ganhou com isso? As crianças não ganharam, a mãe não ganhou nada, e a sociedade vai manter ela lá e também não ganha nada.” Para Drauzio Varella, é um mito afirmar que existe impunidade no país.

Flávio Moret/Divulgação

“Em 1999, o Brasil tinha 90 mil presos. Hoje tem 720 mil.” E eles vivem em situação de superpopulação cacerária. “Nós entregamos as cadeias para o crime organizado, que virou um poder paralelo. Numa cela com 30 pessoas, a gente não consegue garantir segurança. Quem garante será o crime que se organizou.” O envolvimento com o crime e passar períodos na prisão parece passar hereditariamente, mas não tem a ver com genética, mas com falta de oportunidades e condições. “Hoje, eu atendo meninas que dizem: você tratou da minha avó, da minha mãe, do meu avô no Carandiru… São gerações presas”, relatou Drauzio.

“Que sociedade é essa que vai punir alguém que já veio de uma situação inferiorizada. E, na cadeia, essa mulher conhece gente mais experiente e vai aprender como agir no crime”, apontou. Assim, a reclusão não traz consigo restauração ou preparo para reinserção à sociedade. Tudo isso é fruto de uma desigualdade enorme. “As pessoas de classe média reclamam: ah, roubaram meu celular. Vá à periferia ver o que as pessoas passam por lá”, instigou.

“Na periferia não tem espaço, não tem quadra ou campo para jogar bola. Ficam lá os moleques de 12, 13 anos fumando maconha na rua. Se não oferecermos perspectiva para esses meninos, não vamos ter paz nas ruas”, disse. “Não é possível manter esse nível de desigualdade e querer andar em paz na rua.” E o melhor momento para agir a fim de combater tanta desigualdade é a primeira infância, a fim de permitir que os filhos das famílias pobres cresçam, se não com condições de igualdade, mas, pelo menos, melhores do que sem intervenção alguma.

*A jornalista viajou a convite da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal