A primeira infância é problema de todo mundo, defende a atriz Denise Fraga

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São Paulo – O segundo e último dia do Simpósio Internacional de Desenvolvimento da Primeira Infância juntou em torno do debate sobre o início da vida personalidades, além do médico Drauzio Varella, como a atriz Denise Fraga; a diretora de Responsabilidade Social da TV Globo, Beatriz Azeredo; e o diretor de campanhas da Purpose no Brasil, Caio Coimbra. O evento, organizado pelo Núcleo de Ciência pela Infância (NCPI), reuniu 300 pessoas presencialmente em São Paulo, além de diversas outras em 84 simpósios-satélites realizados em 84 localidades, das quais duas no exterior.

A atriz Denise Fraga fez uma importante reflexão sobre a necessidade de repensar comportamentos individuais e comunitários. Após se tornar mãe, ela começou a escrever uma coluna de crônicas na Revista Crescer, em que desabafa e faz pensar sobre maternidade, filhos e infância. “Se tem algo que nossos filhos vão nos dar é dúvidas. Aí me convidaram para fazer essa coluna, onde eu pudesse despejar tudo isso, e eu me descobri um ser escrevente”, disse.

Em uma de suas crônicas, Denise Fraga diz que “nossos pequenos nos dão um tesouro: a chance de nos reconectarmos com o que é essencial”, no sentido de estar no momento presente, observar com atenção plena objetos tão simples quanto uma colher. “Como eles são melhores do que nós, eles ainda têm algo que perdemos.” A atriz revelou se preocupar com o processo de “desumanização” que acomete a sociedade atual.

“Todos nós, nossa família, nossos filhos estão com o olho enfiado na tela, com a atenção dividida… Eu fico pensando no que a gente vai fazer com essa arma fantástica que está mais usando a gente do que a gente usando ela, que é o celular.” Toda essa dispersão e o excesso e a velocidade de informações acabam desviando o foco do que é realmente importante. “Eu li outro dia que aumentou muito o suicídio infantil, de 8 a 12 anos. Deveria soar uma sirene contínua infernizando nossos ouvidos. As crianças estão se suicidando. Aí tem alguma coisa muito errada”, alertou.

“E como a gente se atreve a não fazer nada?”, questionou. Ela defende que, assim como a omissão é um enorme erro, o comprometimento têm grande impacto. “São as pessoas que fazem a diferença. Eu fico mais esperançosa porque ainda tem gente fazendo, ainda tem muita gente legal neste mundo”, afirmou. “A gente tem que ficar atento para ter estraétigas de esperança. Eu sinto que há uma epidemia de melancolia. É uma sociedade absurda. Com quem você acha que vai ficar o filho de uma pessoa que ganha um salário minímo se ela não tem creche?”, perguntou.

A artista acredita que as tradições dos indígenas Maputi, do Chile, podem ser boa inspiração para moldar uma nova sociedade, que se responsabilize pelas crianças de forma coletiva, em vez de atribuir essa responsabilidade somente aos pais. “O que me marcou é que eles dizem: seu filho não é seu, seu filho é nosso. A missão de cuidar é de todos. Os índios fazem isso.” É preciso que o Brasil assuma essa postura com relação à primeira infância, que é onde começam todas as desigualdades. “Tem gente que diz: não é problema meu. Mas é problema de todos nós.”

Encontro de alumni

Na tarde desta sexta-feira (4), ocorreu um encontro dos ex-alunos do curso de liderança executiva em desenvolvimento da primeira infância, que é promovido em parceria entre a Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal e a Universidade Harvard.

No total, 580 pessoas já passaram pela formação, entre parlamentares, prefeitos, governadores, primeiras-damas e outros líderes, servidores públicos, educadores, trabalhadores de saúde e assistência social, integrantes do terceiro setor, entre outros que podem fazer a diferença no desenvolvimento da primeira infância em suas áreas de atuação.

O curso, inclusive, foi um dos propulsores que permitiu a criação e a aprovação, em apenas um ano, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, do Marco Legal da Primeira Infância. Como destacou o ministro da Cidadania, Osmar Terra, na quinta (3).

“Eu nunca tinha visto algo assim. O Marco da Primeira Infância foi aprovado no Senado e na Câmara por unanimidade. Tinha parlamentares de todos os partidos lutando por isso”. Ele destacou a importância da iniciativa. “O curso de Harvard foi decisivo para esse processo”, afirmou.

 

*A jornalista viajou a convite da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal