Poesia e poetas

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Não é raro ver um sujeito escrevendo num guardanapo, enquanto sorve uma cervejinha, um conhaque, um daiquiri… São os poetas de bar, movidos a álcool, inspirados pela musa que mora no fundo das garrafas. Ou não. Há também a poesia sóbria. Advogado de profissão, ele tem chegado para a etílica reunião meia hora mais cedo. É o tempo que tem […]

Tratando de chatos

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Ainda há cavalheiros. E meu amigo é um deles. Trata as pessoas com respeito, fala baixo, abre caminho para as moças, presta atenção em tudo o que dizem a ele, é solicito; enfim, é um homem meio perdido nesses tempos de falta de educação generalizada. É um sujeito fino. Mas até os cavalheiros perdem a fleuma. Me puxou num canto, […]

Mãos de defunto

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Eu nunca havia entendido porque o cemitério de Brasília se chama Campo da Esperança. O dicionário ensina que esperança é a crença em que alguma coisa muito desejada vai acontecer e acho que posso falar pela maioria: embora seja inevitável, ninguém espera morar ali. Pelo menos não tão cedo. O Zé Natal, que trouxe o primeiro ovo de seriema para […]

O último bastião

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O melhor nos filmes de mafiosos não é quando tem um tiroteio no depósito de uísque e começa a vazar líquido dos barris. Muito menos quando os gângsteres saem em disparada naqueles sedans pretos para uma noite de terror. Nada bate o momento em que o chefão beija o rosto de um carcamano feioso, o condenando a morte. É a […]

Entre uivos e canções

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Os suspiros brasileiros iam para Clark Gable e Rita Hayworth, emoções se misturaram entre John Wayne e Ava Gardner – atores norte-americanos mandavam nos cinemas na virada dos anos 1930 para 1940, quando o pesadelo da Segunda Guerra Mundial se sobrepôs aos sonhos de Hollywood; os estúdios de cinema estavam envolvidos no esforço de guerra contra os nazistas. Mas é […]

Um buda no choro

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Não é tarefa fácil reconhecer um buda. Pois era sempre essa a impressão quando encontrava Carlinhos 7 Cordas, músico que morreu há exatamente um mês; senão pelos defeitos – que não conheci –, as virtudes gritantes não permitiam dúvidas, expostas pelo olhar plácido e comportamento tolerante de um homem que usava seus violões e seus relógios, bens materiais, para escancarar […]

Outras palavras

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Cáspite! – A exclamação saiu da boca de um rapaz que certamente não tinha ainda seus 20 anos. E pelo jeito não sabia bem o que estava dizendo; pelo menos não ao se considerar o significado original da expressão carcamano-brasileira, usada para representar uma estupefação qualquer, sinônimo de caramba, poxa, nossa, vixe, e dezenas de outros. Mas o rapaz estava […]

O novo consultório

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Quando se fala em consultório médico todo mundo logo pensa numa estoica sala de branco imaculado, uma mesinha e uma maca; no canto, fica um armário com estetoscópio, aquela lanterna de cabeça e outros equipamentos para exames iniciais. Foi em ambientes assim que Dr. João Bosco Marinho passou mais de 50 anos, desde que chegou a Brasília, vindo da Paraíba. […]

Bobagens à granel

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Quando foi que a estupidez se tornou um estilo de vida? Até onde eu me lembro, a gente se esforçava para parecer mais inteligente, culto e sábio do que realmente era; muitos decoravam poemas inteiros, outros liam orelhas de livros para tentar substituir o nunca lido – daí a criação da expressão “de orelhada”, para definir qualquer conhecimento raso – […]

Poesias pioneiras

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Jorge Brito entrou exultante na padaria Pão Mineiro. Tinha conseguido um exemplar – exatamente o de número 11 – dos 50 volumes impressos de um opúsculo publicado pela editora Cultrix com a poesia Toada para se ir a Brasília, de Cassiano Ricardo. E mais: com a assinatura do autor. Era de se compreender a excitação do nosso livreiro-garimpeiro naquela manhã […]