Bobagens à granel

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Quando foi que a estupidez se tornou um estilo de vida? Até onde eu me lembro, a gente se esforçava para parecer mais inteligente, culto e sábio do que realmente era; muitos decoravam poemas inteiros, outros liam orelhas de livros para tentar substituir o nunca lido – daí a criação da expressão “de orelhada”, para definir qualquer conhecimento raso – […]

Poesias pioneiras

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Jorge Brito entrou exultante na padaria Pão Mineiro. Tinha conseguido um exemplar – exatamente o de número 11 – dos 50 volumes impressos de um opúsculo publicado pela editora Cultrix com a poesia Toada para se ir a Brasília, de Cassiano Ricardo. E mais: com a assinatura do autor. Era de se compreender a excitação do nosso livreiro-garimpeiro naquela manhã […]

Prisioneiro

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Tem uma história relativamente conhecida do homem que liga para o dono do bar e pergunta a que horas ele vai abrir o estabelecimento. Depois de ouvir que só abriria bem mais tarde, o homem insiste até provocar uma reação irritada do bodegueiro, dizendo que não vai abrir o bar mais cedo só porque ele quer entrar. Até que o […]

A falência da etiqueta

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Não faz muito tempo – ou talvez faça, porque a medida da passagem dos anos vai mudando na proporção que vamos envelhecendo – o Correio Braziliense publicou uma reportagem sobre ciclistas. Como ainda não havia tantas ciclovias e ciclofaixas, sinal que, sim, faz muito tempo. Mas já havia ciclistas com roupas coloridas e coladinhas ao corpo e bicicletas cheias de […]

Manias de cada um

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Manias são transtornos de comportamento. Algumas podem fazer bem, ou pelo menos não fazer mal, caso da ablutomania, uma obsessão por lavar as mãos e tomar banho, ou dos conscidisticlavos, que só pensam em cortar as unhas – e são diferentes dos onicófagos, que não param de roer unhas –, e os coreomanos, que não param de dançar. Alguns maníacos […]

Urubus malandros

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Pássaros migram. Esta era a única explicação que o meu amigo tinha para o repentino sumiço dos inquilinos alados que insistiam em tomar conta da cobertura do apartamento dele, no Sudoeste – e sujar. Nem escondia a alegria; voltou a convidar a namorada para tomar um vinho sem ser surpreendido com imundícies ou voos rasantes sobre a cabeça. Foram três […]

Quiosque sobrenatural

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Tem coisa que não se pode mudar. Dia desses fui ao quiosque do Ivan, no Setor de Diversões Norte, que o povo chama de Conic, para comprar o livro do Vicente Sá e voltei de mãos vazias pelo simples e acachapante fato de que o quiosque não está mais lá. Melhor dizendo, continua lá, mas fechado e com o perímetro […]

Entre lama e pulgas

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Tem gente que gosta das letras, dos livros. Mas o que o livreiro Jorge Brito ama de verdade são as páginas – e quanto mais amareladas, melhor. Há anos ele trocou a gerência do seu Armazém do Livro Usado, na 403 Norte, hoje tocado pelo filho, para se tornar um garimpeiro das letras. Jorge trocou o Ceará por Brasília em […]

Traduções perdidas   

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Tudo começou com um cafuné. Ou melhor, antes que me entendam mal: com a tentativa de traduzir o significado de cafuné para o inglês. Na falta de palavras, o gesto quebrou o galho, mas ainda assim ficou faltando explicar aquela sensação de quem recebe o carinho. É mais ou menos o que acontece quando se tenta explicar o que é […]