Foto: Breno Fortes/CB/D.A Press
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Suposto trem da alegria no Banco Central custará R$ 150 milhões ao ano

Publicado em carreira bancária, Governo federal

Vera Batista – Além do reajuste para oito categorias do serviço público, a MP 765/2016, aprovada na quinta-feira, trouxe surpresas que reacenderam batalhas históricas entre entidades de classe. Em carta aberta ao presidente da República, quatro associações de auditores e analistas de Tribunais de Contas, Judiciário, Ministério Público e Câmara dos Deputados pedem o veto ao Artigo 55, que altera a remuneração de servidores de ex-territórios e muda a exigência de escolaridade para técnico do Banco Central de nível médio para nível superior. Segundo a denúncia, o impacto financeiro desse possível trem da alegria é de, no mínimo, R$ 150,4 milhões por ano. São 5.309 analistas e 861 técnicos, com diferença de remuneração de R$ 13.103,60.

O documento aponta o “elevado potencial de efeito multiplicador em toda a administração, que pode gerar um ambiente de pressão para equiparações salariais futuras, com impactos de ordem orçamentária, fiscal e previdenciária incompatíveis com o novo regime fiscal”. Na análise de Luciene Pereira, presidente da Associação da Auditoria de Controle Externo do TCU, o artigo 55 “é uma emenda de contrabando”, sem diagnóstico prévio do Executivo.

Se não for vetado, causará o acirramento de conflitos, como ocorre na Receita. O fosso salarial entre os dois cargos de nível superior é de R$ 9.094,27. Caso os mais de 13,6 mil analistas venham a embolsar o mesmo que os 30,3 mil auditores, o impacto financeiro anual será de R$ 1,650 bilhão. O veto também conterá as pretensões de técnicos de planejamento, com diferença salarial para analistas de R$ 13.103. Uma equiparação elevaria as despesas em até R$ 48,7 bilhões. E entre carreiras de infraestrutura, com previsão de gastos extras, é de R$ 240 milhões. (VB)

O que prevê a MP

A medida provisória estabelece reajuste salarial para oito categorias de servidores federais, reorganiza cargos e carreiras, estabelece regras de incorporação de gratificação de desempenho a aposentadorias e pensões

Carreiras – Aumento parcelado até 2019 (%)*

Auditor fiscal e analista tributário da Receita Federal – 21,30
Auditor fiscal do Trabalho – 21,30
Perito médico previdenciário – 27,90
Carreira de infraestrutura – 27,90
Diplomata – 27,90
Oficial de chancelaria – 27,90
Assistente de chancelaria – 27,90
Policial civil dos ex-territórios (Acre, Amapá, Rondônia e Roraima) – de 35,30 a 53,1

*Apenas aumento de salário, sem considerar bônus de eficiência ou produtividade.

  • Juciano Marques Cardoso

    Chego a achar engraçado o teor da reportagem! Não se chega questionar o ELEVADÍSSIMO BÔNUS recebido pelos servidores da Receita Federal, pelos auditores do trabalho, pelos integrantes da AGU…. Não se questiona os salários de juízes e procuradores que ultrapassam em muito o teto do Ministro do Supremo, via penduricalhos como o auxílio moradia que são incorporados ao salário de forma líquida, em forma de indenização. Falam apenas do BC e da transformação do nível superior de técnicos que, em princípio, não gera NENHUM IMPACTO FINANCEIRO! Sr repórter, nos poupe! Sinceramente!!!! Que tal nos expor a real intenção dessa reportagem????

  • Ivan Souza

    Gostaria de saber qual a fonte de o repórter tirou esses números. O Bacen não chega a ter (passa longe) 5 mil cargos no total. Ou é muita tendenciosidade, ou desconhecimento. Sugiro solicitar, via LAI, ao Bacen informações de quantos cargos estão providos, e retificar a matéria, pois mostra total descompasso com a realidade.

  • Tarcisio

    Ridícula esta reportagem, deveria ter vergonha de publicar tantas falácias.