CBPFOT180520150113 Crédito: Gustavo Moreno/CB/D.A. Press. Brasil. Brasília - DF. Gastronomia. Comida Caseira. Costelinha ao velho chico do Restaurante Feitiço Mineiro.

Novo sócio tem planos para Feitiço Mineiro

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O Feitiço continua

Está preservada, na 306 Norte, a mais conhecida das criações do empresário Jorge Ferreira, poeta, sociólogo, mecenas e homem da noite, que chegou a ser dono de 12 estabelecimentos — o que levou o amigo letrista Fernando Brant a chamá-lo de “JK dos bares.” O Feitiço Mineiro, que completará 30 anos em outubro, passa a ser administrado pelo empresário cearense Marcos Bezerra, dono de duas lojas da grife de culinária italiana Pecorino, uma no Boulevard Shopping, outra no ParkShopping.

“Eu vou tocar o processo de revitalização e valorização do legado de Jorge Ferreira, enquanto minha mulher Selma, que trabalhou na casa por 11 anos, como gerente, tomará conta do funcionamento”, afirma Bezerra. Depois da conversação entre as partes, que começou em 1º de agosto, o negócio foi fechado, há pouco mais de uma semana, na base de meio a meio, com a operação totalmente entregue ao novo sócio, que também teve uma passagem de um ano na casa.

“Há algum tempo, venho pensando em me afastar da direção dos negócios e estava buscando parceria para preservar o Feitiço, devido à importância como reduto cultural e à empatia que sempre despertou na cidade até como um sonho para ser levado adiante”, explicou Denise Ferreira, a viúva de Jorjão. “Temos a segurança de que manterão a concepção voltada para a cultura, sobretudo, a boa música que sempre norteou a casa”, diz.

Bufê mineiro

No Feitiço, come-se a mais autêntica comida mineira feita no fogão à lenha (foto). Cerca de 30 pratos ficam alinhados em um bufê no horário do almoço. “Há sete anos, não se mexe no cardápio”, aponta o novo administrador, que não pensa em excluir pratos, mas acrescentar novos produtos. Entre os destaques da casa, incluem-se torresmo, leitão à pururuca, frango ao molho pardo, taioba, ora-pro-nobis, ovo estrelado e feijoada, essa última preparada somente às sextas e sábados, quando o bufê sai por R$ 38,50 por pessoa, na sexta e R$ 44,50, no sábado. Domingo, além do bufê, há sempre um prato especial e neste, será paella, tudo por 44,50 por pessoa. De segunda a quinta, o preço é R$ 29,90. Para os vegetarianos, o bufê sai por R$ 20 todos os dias.

Crédito: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press. Moela de galinha ao molho do Restaurante Feitiço Mineiro.

Os Bezerra querem trazer opções “num trabalho que será feito de dentro pra fora e, a partir da cozinha, melhorar o menu e o atendimento”, diz Marcos, que passou por todas as funções de salão em restaurante: cumim, garçom e maître. Nascido na área rural do Ceará, ainda menino emigrou para São Paulo e, aos 17 anos, começou lavando prato.

“Trabalhei com Erick Jacquin no Le Coq Hardy, onde aprendi a cozinhar”, orgulha-se. O casal se conheceu na capital paulista, quando Marcos gerenciou uma loja da rede América. Em 2001, vieram montar uma pizzaria em Alto Paraíso, mas por pouco tempo. “Em 2004, um amigo me apresentou a Jorge Ferreira, a quem ajudei a abrir o bar do Feitiço em 2005.” Tel. 3340-8868.

Novos planos

Liana Sabo/CB/D.A. Press. Marcos Bezerra, do Feitiço Mineiro.

Os novos administradores têm muito claro o que o Feitiço representa — “quase um museu de Jorge Ferreira”, observa Marcos, cuja mulher Selma de Souza só saiu do grupo para tocar o Pecorino. Por isso, estão empenhados em dar realce às comemorações do aniversário de três décadas com programação musical, que sempre foi um ponto forte da casa, petiscos novos, lançamento de drinques e de espumantes diversificando a carta de bebidas, até então centrada em chopes e cervejas.

Desde 1989, o restaurante congrega no ambiente informal e aconchegante políticos, artistas, jornalistas, boêmios, brasilienses de todas as origens. Grande Otelo, sempre que vinha a Brasília, fazia questão de dar um pulo lá. A casa também abrigou o último concerto do violonista Baden Powell. Em 23 de junho de 2013, Jorge Ferreira sofreu aneurisma e veio a falecer em 2 de julho, aos 54 anos. A poesia de Jorge sobrevive…