Houellebecq cria personagem trágico e comovente em ‘Serotonina’

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Desilusão, pessimismo, ironia e sexo formam cartilha inevitável quando se trata dos romances de Michel Houellebecq, mas essa combinação está especialmente provocativa e quase sentimental em Serotonina, o sétimo romance do autor francês. Aqui, essa mistura resulta em um livro comovente, embora essa definição possa soar estranha quando se trata do enfant terrible da literatura contemporânea francesa. Mas Florent-Claude Labrouste — que não gosta do próprio nome por achá-lo delicado demais para a virilidade de sua aparência — é comovente na sua miséria e endossa um paradoxo sempre presente na obra do francês: a possibilidade do amor e da felicidade como algo confinado ao plano da fantasia e ao fracasso certo.

A sensibilidade aguçada de Gabriela Aguerre

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O quarto branco não é uma biografia, mas não se pode descolar a história de Glória da de Gabriela Aguerre. Muito da experiência da autora, sobretudo no que diz respeito ao deslocamento e à busca da identidade, está nesse primeiro romance, que é para ser lido em isolamento e com atenção especial para a delicadeza com a qual as palavras são organizadas. O quarto branco é um livro sobre os sentimentos, sobre como lidar com o que a vida apresenta quando não se tem os instrumentos para fazer de um limão uma limonada.