Marie Curie por Rosa Montero: um livro duro e delicado

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Nas fotografias oficiais, Marie Curie parece uma mulher fria e dura. Era, talvez, a única postura possível para que uma cientista do sexo feminino e com uma mente brilhante fosse levada a sério no final do século 19. O que não se vê nessas imagens é o lado passional e humano de Marie. Esse, que todos nós temos em algum momento da vida, foi devidamente calado e amordaçado. Afinal, estudar física e química, ser pioneira no ramo da radioatividade, conseguir isolar isótopos radioativos, descobrir o rádio e o polônio e ganhar dois prêmios Nobel era pouco para que uma mulher fosse reconhecida como algo mais do que uma simples dona de casa naquele fim de século. Marie, que além de tudo era polonesa, ou seja, uma estrangeira em uma França bastante preconceituosa, precisava parecer um homem para levar crédito.

A sensibilidade aguçada de Gabriela Aguerre

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O quarto branco não é uma biografia, mas não se pode descolar a história de Glória da de Gabriela Aguerre. Muito da experiência da autora, sobretudo no que diz respeito ao deslocamento e à busca da identidade, está nesse primeiro romance, que é para ser lido em isolamento e com atenção especial para a delicadeza com a qual as palavras são organizadas. O quarto branco é um livro sobre os sentimentos, sobre como lidar com o que a vida apresenta quando não se tem os instrumentos para fazer de um limão uma limonada.

Nova edição de ‘Reinações de Narizinho’ discute racismo e machismo

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É interessante a solução encontrada por Marisa Lajolo e pela Companhia das Letras para lidar com o racismo incutido em Reinações de Narizinho. Ficou decidido que as personagens de Emília e Narizinho questionariam os termos polêmicos, mas também aqueles menos corriqueiros nos dias de hoje, além das palavras um pouco mais rebuscadas. A solução funciona muito bem nos dois últimos casos e é até divertida, mas nem sempre convence quando se trata do ranço racista do autor. É difícil justificar o injustificável, mas é melhor que se aponte os trechos e se fale sobre eles do que deixá-los soltos. É sempre bom lembrar, no Brasil de hoje e especialmente para as crianças, que racismo, preconceito e machismo existem, estão até na nossa literatura e não se pode fazer vista grossa para eles

A perversão de Kristen Roupenian, autora de ‘Cat person’

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De vez em quando, surgem fenômenos literários como Kristen Roupenian, que conseguem adiantamentos milionários por livros que ainda não escreveram e, ao final, compensam o burburinho com textos que são puro deleite. Cat person e outros contos é um desses casos. O nome da autora viralizou na internet em dezembro de 2017, quando a revista The New Yorker publicou o conto Cat person. Roupenian  contava a história de um encontro meio desastroso entre uma moça de 20 anos e um homem de 34.

Morte da democracia e mentiras na política são temas de três lançamentos

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Não é coincidência a democracia estar em pauta. E não é coisa do Brasil. Quando Donald Trump conquistou o salão oval da Casa Branca, a possibilidade de este regime político estar mal das pernas já se anunciava. A ascensão de governos com aspirações totalitárias em todo o mundo acendeu os alertas de pesquisadores e cientistas políticos, que passaram a analisar […]

Ler antes de morrer e Nuvem literária: conheça as booktubers dos canais literários

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Isabella Lubrano e Juliana Cirqueira não tinham muita noção do que era possível fazer no YouTube até criarem um canal e começarem as postar vídeos com resenhas de livros. Aos poucos, as meninas viram o número de inscritos crescer para além dos três zeros. Foi uma surpresa. Ganhar fama como booktuber falando de livros em um país no qual se lê, em média, quatro livros ao ano, deixou Isabella e Juliana espantadas. Hoje, elas fazem sucesso com as resenhas, têm milhares de seguidores e, sobretudo, retorno das leituras propostas nos vídeos. As booktubers participam, nesta segunda (20/08) e nesta terça (21/08), de encontro com leitores no Espaço Z da 4ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura (BBLL).

Tiago Ferro fala de luto sem clichês em “O pai da menina morta”. Veja a resenha

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O pai da menina morta não é um livro autobiográfico. O autor, Tiago Ferro, publicou o relato autobiográfico sobre a morte de sua filha de 8 anos em 2016. Foi um belo e corajoso texto sobre o luto e Ferro achou que poderia continuá-lo quando embarcou em O pai da menina morta, em maio de 2017, um ano após a morte de Manuela. Mas o livro tomou outro rumo. Se tornou uma resposta a um momento em que a parte mais dura do luto estava encerrada, aquela em que a vida retoma e é preciso ressignificar o cotidiano para continuar encarando o mundo. E o negócio é que Tiago Ferro não faz isso de uma maneira banal.