Quando a literatura encontra a zoologia

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Construído com viuvinhas, joões e marias, o pequeno universo enciclopédico de Maria Esther Maciel é um mundo muito delicado. Começou com uma pesquisa acadêmica sobre animais na literatura, iniciada há alguns anos. Dezenas de compêndios zoológicos de todas as épocas, incluindo os bestiários medievais, livros de história natural e manuais de zoologia fantástica passaram sob os olhos da pesquisadora. Depois de listar um sem número de animais e plantas de diferentes espécies, ela sentou para escrever a pequena enciclopédia de seres comuns. E, numa associação profundamente poética entre zoologia e literatura, construiu um breviário de sutilezas povoado por seres que não são nem monstruosos nem fantásticos, mas ganham certa magia na narrativa da escritora mineira e nas ilustrações de Julia Panadés.

Rosa Montero reedita livro sobre mulheres com 90 novos perfis de ilustres desconhecidas

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Rosa Montero é viciada em biografias. Em casa, em Madri, ela guarda uma biblioteca com centenas de volumes desse gênero. Neles a escritora espanhola vislumbrou, pela primeira vez, lá pelo início dos anos 1990, a vontade de escrever um livro inteiro sobre mulheres históricas desconhecidas. “Como leitora assídua de biografias, descobri várias mulheres fascinantes que eram completas desconhecidas”, conta Rosa. “Eram absolutamente fascinantes e eu caí nelas por pura casualidade, com biografias que me levavam a outras biografias.” Na época, ela decidiu se aprofundar nas histórias dessas figuras, que renderam várias colunas para o jornal El País e o livro Nós, mulheres, publicado em 1995. 

Cinco autores para pensar o racismo ontem e hoje

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Frantz Fanon foi um dos maiores pensadores pós-coloniais da França. James Baldwin, um dos nomes mais importantes da literatura americana dos anos 1950 quando o assunto é racismo e colonização. Ralph Ellison, também americano, venceu o National Book Award de 1953 com um livro no qual o personagem se tornava invisível graças à sua cor negra. A britânica Bernardine Evaristo tem sido celebrada como a voz literária negra mais importante da cena inglesa contemporânea quando se trata de escrever sobre a diáspora africana. A pandemia continua seu curso, ficar isolado ainda é o único remédio contra o coronavírus e, apesar de amargo, pode ser atenuado com boas leituras. Então, na esteira de um 2020 marcado pelos protestos contra o racismo em todo o mundo, que tal começar 2021 prestigiando autores preocupados em compreender questões cruciais para a sociedade contemporânea? O Leio de tudo fez uma seleção de lançamentos recentes disponíveis em e-book ou no site das editoras, todos assinados por nomes fundamentais do pensamento negro mundial. 

Angélica Freitas: Versos que atormentam

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Em 2008, a poeta Angélica Freitas passou uma temporada na Holanda, Não tinha um tostão no bolso, mas tinha uma bicicleta velha e um cartão de biblioteca. O combo permitiu muita leitura e o tempo deu início à gestação de Canções de atormentar. Nos anos seguintes, Angélica foi morar na Argentina e em Pelotas. Só voltou para São Paulo em 2017. “Escrevi muito nessa época, inclusive o poema que dá título ao Um útero eu escrevi quando estava em Delft. O que acontece é que eu abro o caderno e deixo as coisas acontecerem, normalmente, e às vezes elas acontecem. E quando elas acontecem é muito claro pra mim. Esses poemas são os que quero mostrar”, conta. 

Desencaixados e solitários

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Controle nasceu de uma encomenda para uma coletânea que envolvesse música e bandas específicas. A coletânea não saiu, mas Nanda, ou Maria Fernanda, tomou forma e o primeiro romance de Natalia Borges Polesso, felizmente, ganhou vida. Controle vem embalado por New Order e Joy Division em um texto cheio de referências afetivas para quem foi adolescente nos anos 1980 ou 1990.

Elas estão na Flip e são imperdíveis: quatro autoras para ficar de olho

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A brasileira Jarid Arraes fala do sertão, a nigeriana Ayòbámi Adébáyò observa o conflito entre tradição e modernidade, a canadense Sheila Heti explora a maternidade e a venezuelana Karina Sainz Borgo fala de uma Venezuela destroçada. Elas estão na Flip e trazem para a literatura uma perspectiva feminina, política, histórica e social.

Marie Curie por Rosa Montero: um livro duro e delicado

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Nas fotografias oficiais, Marie Curie parece uma mulher fria e dura. Era, talvez, a única postura possível para que uma cientista do sexo feminino e com uma mente brilhante fosse levada a sério no final do século 19. O que não se vê nessas imagens é o lado passional e humano de Marie. Esse, que todos nós temos em algum momento da vida, foi devidamente calado e amordaçado. Afinal, estudar física e química, ser pioneira no ramo da radioatividade, conseguir isolar isótopos radioativos, descobrir o rádio e o polônio e ganhar dois prêmios Nobel era pouco para que uma mulher fosse reconhecida como algo mais do que uma simples dona de casa naquele fim de século. Marie, que além de tudo era polonesa, ou seja, uma estrangeira em uma França bastante preconceituosa, precisava parecer um homem para levar crédito.

“Ritmo louco” é o melhor livro de Zadie Smith

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Ritmo louco, o quinto romance da inglesa Zadie Smith, tem tudo para ser um livro de formação. A narradora, uma criança nas primeiras páginas e uma adulta um pouco perdida nas últimas, é o retrato de uma geração multicultural, nascida em um cenário marcado por desigualdades cada vez maiores e cujas certezas não estavam tão enraizadas quanto as de seus pais.

Fofão da Augusta é tema de livro-reportagem

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Se Ricardo e Vânia cair nas suas mãos, reserve um tempo para sentar e lê-lo de uma vez, porque a reportagem de Chico Felitti é tão envolvente que fica difícil deixá-la de lado antes do fim. O livro conta a trajetória de Ricardo Corrêa da Silva, um morador de rua conhecido como Fofão da Augusta e cuja história Felitti perseguiu durante 13 anos. Cabeleireiro e maquiador famoso na São Paulo dos anos 1970 – trabalhou para Beth Carvalho e Tônia Carrero -, gay, artista e performer, mas também esquizofrênico, Ricardo era originário de Araraquara e foi para São Paulo para fugir da opressão conservadora natural das cidades do interior. Na capital, foi do céu ao asfalto e é essa ascensão e queda que Felitti conta em Ricardo e Vânia.

A sensibilidade aguçada de Gabriela Aguerre

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O quarto branco não é uma biografia, mas não se pode descolar a história de Glória da de Gabriela Aguerre. Muito da experiência da autora, sobretudo no que diz respeito ao deslocamento e à busca da identidade, está nesse primeiro romance, que é para ser lido em isolamento e com atenção especial para a delicadeza com a qual as palavras são organizadas. O quarto branco é um livro sobre os sentimentos, sobre como lidar com o que a vida apresenta quando não se tem os instrumentos para fazer de um limão uma limonada.