Auxílio emergencial é solução, mas prorrogação vira problema para Bolsonaro

Auxílio emergencial
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Coluna Brasília-DF

Caberá ao governo explicar à população que o auxílio emergencial será de um terço até dezembro, retomando o valor proposto pela equipe econômica, em março. A oposição, obviamente, pedirá a prorrogação dos R$ 600. Mas a ideia da maioria dos partidos de centro é deixar que o governo diga quanto pode pagar, sem comprometer ainda mais suas contas. “Vamos esperar o governo se posicionar. Afinal, é ele que tem a chave do cofre”, diz o líder do DEM, Efraim Filho (PB).

A ideia é evitar que o presidente Jair Bolsonaro tente colocar, no Parlamento, a pecha de irresponsável, por propor um auxílio de R$ 600 que o governo diz não ter como pagar. No Domingo, por exemplo, o presidente afirmou que governadores quebraram a economia e agora querem o pagamento do auxílio. Até aqui, o governo surfou no “dinheiro do Bolsonaro”. Agora, se não puder pagar, terá de arcar, também, com as consequências.

Em tempo: junto com o auxílio emergencial, o governo terá um novo embate em torno do teto de gastos, tema que divide hoje o governo. Paulo Guedes é contra, enquanto o chefe da Casa Civil, Braga Netto, é visto entre os parlamentares como uma posição favorável. Nesse quesito, Guedes contará com o apoio do presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Vai dar ruim

Em conversas reservadas, oposicionistas calculam que Bolsonaro está encalacrado: se prorrogar o auxílio com valor muito inferior aos R$ 600, será criticado por quem se acostumou a viver com esse montante. De quebra, para qualquer gasto abaixo desse valor, será dito que, se não fosse a viagem x, a compra y, haveria recursos para o auxílio.

Na área

O governador do Maranhão, Flávio Dino, fez uma live com deputados federais do estado. Aos poucos e sem alarde, vai colocando seu bloco na rua, mas não sem deixar frustrações. Jamais diz que pedirá ao PT que apoie um não-petista para 2022.

No banco

Os lulistas pretendiam aproveitar a campanha deste ano para tentar mostrar que Lula ainda tem a força. Os candidatos pelo Brasil afora, porém, têm defendido que o momento é de renovação de quadros.

Cenário perfeito

Ninguém vai dizer a Lula que ele não precisa aparecer. A ideia é dizer que, em tempos de pandemia, é melhor o ex-presidente evitar aglomerações.

Curtidas

Joga em cima e garante embaixo/ Pré-candidato a presidente da Câmara, o deputado Marcelo Ramos é tratado nos bastidores como aquele que se apresenta para que o PL possa garantir a vice-presidência ou uma secretaria de peso na Mesa Diretora de 2021.

Por falar em Ramos…/ Integrante do Centrão, Ramos precisa que Lira se inviabilize para conseguir espaço em torno de sua pré-candidatura. E há outro detalhe: se Lira não conseguir emplacar o próprio nome, há Aguinaldo Ribeiro, também do PP.

Me deixa quieto/ Aguinaldo tem evitado falar da eleição para presidente da Casa. Está mergulhado na relatoria da reforma tributária. Assim, consegue evitar se expor cedo demais nessa briga e não se indispõe com os colegas que já estão na labuta por voos nos bastidores.

STF começa dividido/ A decisão do ministro Edson Fachin, contra o compartilhamento de dados da Lava- Jato e em sentido contrário ao presidente do STF, Dias Toffoli, e o procurador-geral, Augusto Aras, retoma a tensão na Casa.

Tarcísio e Marinho: dois ministros para elevar a popularidade de Bolsonaro

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Coluna Brasília-DF

Os ministros Tarcísio de Freitas, da Infra-Estrutura, e Rogério Marinho, do Desenvolvimento Regional, são vistos no Palácio do Planalto como os “ministros das entregas”. É com eles que o presidente Jair Bolsonaro conta atualmente para mostrar serviço junto à população. Tarcísio fez, esta semana, o que foi lido como “um gol de placa”, ao entregar a concessão antecipada das ferrovias Carajás e Vitória-Minas, e obter da Vale a construção de duas outras ferrovias.

Não por acaso, Tarcísio foi explicar esse tema na live presidencial de ontem. Marinho, por sua vez, tem recebido os louros da conclusão de obras no Nordeste, como o abastecimento de água na Bahia e Piauí, onde o presidente esteve ontem. Em tempo: ao ministro da Economia, Paulo Guedes, Bolsonaro deu a missão de arrumar dinheiro para que haja mais entregas à população, inclusive o Renda Brasil.

O auxílio é fundamental para o Nordeste, região que o presidente busca conquistar, a fim de reforçar seu eleitorado para 2022. Até aqui, as propostas de Guedes para tentar arrumar recursos carecem de apoios no Congresso, por onde devem passar.

Ativo precioso

A forma como o ex-ministro da Justiça e ex-juiz Sergio Moro foi às redes sociais defender a Lava-Jato, chamando-a de “a maior operação de combate à corrupção no mundo”, deixou na classe política uma certeza: ele é candidato em 2022, e a Lava-Jato sua bandeira. Até aqui, o partido que abriu as portas para recebê-lo foi o Podemos, do senador Álvaro Dias (PR).

Vai ter que engolir

A semana em que o Centrão se esfacelou deixa um recado claro para Bolsonaro. O capitão não tem saída, a não ser dialogar com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). É quem tem o poder de comando na Casa e navega em todos os setores.

Eletrobras na lida…

Técnicos da Eletrobras tiveram uma reunião virtual com Maia. Eles encaminharam um estudo com as oportunidades de investimento da companhia, nos próximos anos, em transmissão e geração de energia. O documento mostra que a estatal tem recursos para gerar empregos no pós-pandemia, por meio de projetos de infraestrutura, em linha com os objetivos do programa Pró-Brasil, e sem romper a regra do teto de gastos.

…E na roda

Os técnicos argumentam que a Eletrobras lucrou R$ 24 bilhões nos últimos dois anos, tem mais de R$ 12 bilhões em caixa e um nível de endividamento reduzido. A estatal está na lista de privatizações do governo, mas depende de autorização do Congresso. Maia, no entanto, reafirmou aos servidores da companhia que o assunto não entrará na pauta dos próximos meses.

CURTIDAS

Sul vira campo minado/ Com a pandemia em alta no Sul do país, há entre os aliados do presidente muitos com medo de que ele perca votos na região. Afinal, o governo federal não teve uma coordenação nacional efetiva de combate ao coronavírus, faltam medicamentos básicos e sobra cloroquina, um remédio que não tem eficácia comprovada. E, por isso, não pode ser usado por todos pacientes.

Desativar minas!/ Depois do Nordeste, é para o Sul que Bolsonaro segue, a fim de conferir, in loco, a sua popularidade.

As voltas que o mundo dá/ Rogério Marinho (foto) não conseguiu votos para se reeleger à Câmara dos Deputados e, hoje, é uma das apostas para uma eleição majoritária, seja o Senado, seja o governo estadual.

Por falar em Senado/ Davi Alcolumbre (DEM-AP) tem votos hoje em quase todos os partidos. Até Álvaro Dias já topou conversar.

Pós-covid, Bolsonaro retorna com o velho discurso de culpar os outros pelas crises

Bolsonaro
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A contar pela primeira declaração depois do período de confinamento por causa da covid-19, o presidente Jair Bolsonaro vai atirar o discurso de jogar para os governadores toda a crise econômica que vão no rastro do novo coronavírus. Ao dizer a seus apoiadores que precisava voltar ao trabalho, o presidente afirmou que “tem muitos problemas para resolver, que outros fizeram para botar no meu colo. Acabaram com o emprego no Brasil, tem que trabalhar para recuperar isso aí”

A declaração foi vista como o retorno do presidente à velha estratégia política, de culpar os governadores e prefeitos pelas mazelas decorrentes da pandemia. Assim, ele tenta tirar de cena a situação de risco de colapso ao sistema de saúde, situação que levou os governadores a adotarem o distanciamento social, seguindo a orientação dos infectologistas para preservar a vida das pessoas.

A aposta de muitos políticos é a de que a volta de Bolsonaro ao trabalho virá junto com o retorno da tensão entre os entes federados e a União, o que respingará no Congresso. Ciente disso, o próprio presidente tratou de manter os seus apoiarem fiéis mais próximos e fez um gesto a eles, visitando a deputada Bia Kicis no último sábado. Só tem um probleminha: Se sair do estilo paz e amor, o presidente não terá apoio para levar adiante as reformas do jeito que deseja. Aí, sim, terá um problema no seu colo.

Agosto será decisivo para Dallagnol, que deve ser removido da coordenação da Lava-Jato

Deltan Dallagnol
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Relator do caso de Deltan Dallagnol no Conselho Nacional do Ministério Público, o advogado Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho pautou para 18 de agosto o pedido de remoção do procurador da coordenação da Lava-Jato em Curitiba. A solicitação foi feita pela senadora Kátia Abreu (PDT-TO).

A senadora considera que Dallagnol terminou por expor a Lava-Jato por causa de seus métodos e, por isso, é hora de o procurador deixar a coordenação da força-tarefa, a fim de não comprometer o todo. As apostas de quem conhece o conselheiro são as de que Bandeira de Mello acolherá o pedido.

Até aqui, ele deu 10 dias de prazo para que três pessoas se pronunciem sobre o pedido de Kátia Abreu: o procurador-geral, Augusto Aras, o corregedor nacional do Ministério Público, Rinaldo Reis Lima, e o conselheiro Otávio Luiz Rodrigues Jr, relator de processo disciplinar contra Dallagnol.

A pauta em agosto ocorre 20 dias antes do prazo que o procurador-geral, Augusto Aras, tem para decidir sobre a prorrogação da Lava-Jato. Com Dallagnol fora, acreditam alguns, será um problema a menos para a continuidade das investigações em Curitiba. E, de quebra, uma avenida para que os acusados apresentem recursos contra a operação. Agosto sempre é um mês da bruxa solta na política. Desta vez, acreditam muitos, a bruxa vai focar seus agouros em Dallagnol.

Sem pai, nem mãe

A forma como o governo entrou na reforma tributária, com a proposta mais tímida, deixou o Poder Executivo praticamente sem representação no plenário para discussão do tema. Até aqui, o governo está no escuro e ninguém apareceu para defender o projeto de Paulo Guedes.

Hora de preparar terreno…

Um grupo pretende sugerir ao senador Antonio Anastasia (PSD-MG) que aproveite o embalo da relatoria de modificações do regimento interno para incluir um dispositivo que permita a reeleição de Davi Alcolumbre para mais um mandato de presidente do Senado. O senador será contactado em breve.

…E sentir o clima para Davi

Obviamente, não teria futuro, porque a Constituição não permite a reeleição dentro da mesma legislatura, mas seria uma forma de levar o tema para discussão no plenário da Casa. Assim, Davi teria uma noção mais clara de quais são as suas chances.

Ciro e PT cada vez mais distantes

A eleição de Fortaleza promete separar ainda mais o PT e o ex-ministro Ciro Gomes. O PDT colocou na roda de pré-candidatos o deputado federal Idilvan Alencar. O parlamentar foi secretário de Educação, tem braços nos sindicatos e tira votos de Luzianne Lins, a candidata petista.

Curtidas

Põe para escanteio/ Muitos deputados não querem votar este ano o projeto de lei das Fake News já aprovado no Senado. Alguns foram pedir ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que deixe o tema na geladeira. Por enquanto, não será pautado. Hoje, não há maioria e nem consenso para levar o assunto ao plenário.

Por falar em Maia…/ Deputados comentam que o presidente da Câmara incensou, pelo menos, quatro pré-candidatos à sua sucessão. Arthur Lira (PP-AL), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Elmar Nascimento (DEM-BA) e Baleia Rossi (MDB-SP).

… ele não vai decidir nem tão cedo/ Maia não fará qualquer gesto agora. Afinal, a eleição é só em fevereiro de 2021 e, com a pandemia na roda, tem o argumento perfeito. Tem dito a amigos que é preciso pensar na vida das pessoas, deixando esse processo eleitoral para o momento certo.

Bolsonaro, o retorno/ A visita do presidente à deputada Bia Kicis (PSL-DF) encerrou, na visão dela, o episódio do voto contra o Fundeb e a consequente destituição do cargo de vice-líder do governo. “Foi um gesto simbólico de que desentendimentos não abalam um relacionamento sólido de amizade e de aliança”, comentou. Para o presidente, é um problema a menos dentro da intrincada articulação política que terá que comandar a partir desta semana, quando voltar ao Planalto, recuperado da covid-19.

Por falar em covid…/ O vírus continua por aí, não há vacina, nem medicamento plenamente eficaz. Não é hora de baixar a guarda. Cuide-se, caro leitor, e bom domingo.

Mesmo derrotado na Câmara, Bolsonaro será o maior beneficiado com aprovação do Fundeb

Bolsonaro
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Coluna Brasília – DF, por Denise Rothenburg

O texto do Fundeb não saiu do jeito que o governo queria, mas, no geral, o presidente Jair Bolsonaro não terá do que reclamar. Eleitoralmente, há quase que um consenso na política de que ele será o maior beneficiado. Cresce a convicção de que o presidente tem conseguido sobreviver, ainda que aos trancos e barrancos, sem um projeto fechado e generoso para a área de educação e outros braços da assistência social. Foi assim com o auxílio emergencial: o valor original era de R$ 200 e terminou em R$ 600 — quantia que ganhou o nome popular de “dinheiro do Bolsonaro”. Com o Renda Brasil em gestação não será diferente.

O novo programa, idealizado para substituir o Bolsa Família e agregar novos brasileiros, terá o apoio de praticamente todos os partidos. No Congresso, está criada a Frente da Renda Básica, coordenada pelo deputado João Campos (PSB-PE), inclusive com direito a um conselho consultivo.

O maior defensor dessa proposta no país por décadas foi o presidente de honra dessa frente, o ex-senador Eduardo Suplicy (PT-SP), sob o nome de renda mínima. Porém, a perspectiva de ser efetivada no governo de Bolsonaro renderá dividendos eleitorais ao presidente. A forma desastrada como o governo federal gerencia a pandemia será passado. A preços de hoje, avaliam aqueles que costumam enxergar mais longe, restarão as boas iniciativas, invariavelmente benéficas para quem está no poder.

Serra e os outros

A suspensão da busca e apreensão no gabinete do senador José Serra foi recebida com alívio por vários antigos alvos da Lava Jato. Se a moda pega, qualquer juiz de primeira instância poderia pedir o mesmo em relação a casos antigos que tramitam nas esferas judiciais.

Muito além os tucanos

Aliados do presidente Jair Bolsonaro passaram o dia se desdobrando em referências a todas as ligações políticas do empresário José Seripieri Filho — o Júnior, antigo dono da Qualicorp, preso na operação da Polícia Federal que investiga a campanha do senador José Serra (PSDB-SP) de 2014. Querem deixar claro que ele tinha muitos laços, do PT ao PSDB. Porém, nada ligado ao atual presidente.

Por falar em PSDB…

Os tucanos veem hoje apenas duas grandes apostas para 2022: João Doria, em São Paulo, e Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul. Da velha guarda, resta o senador Tasso Jereissati, do Ceará.

Contágio

“Quando São Paulo está gripado, nós pegamos uma pneumonia”, do secretário de Fazenda do Paraná, René Garcia, ao mencionar a estreita ligação econômica entre os dois estados.

O reverso da pesquisa/ Amigos do presidente Jair Bolsonaro acreditam que vai ser difícil tirar o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) (foto) do imbróglio de Fabrício Queiroz. Já tem gente se preparando para dizer a Bolsonaro que, talvez, seja preciso “sacrificar” politicamente 01 em nome da preservação do projeto presidencial.

Amigos, amigos… /… sem negócios à parte. Que ninguém aposte num rompimento entre o líder da maioria, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), e o líder do PP, Arthur Lira (AL). Quem os conhece garante que eles não terão um embate em torno da Presidência da Câmara.

Bom sinal/ O fato de o governo enviar a sua primeira proposta de reforma tributária limitada ao PIS Cofins foi vista no meio político como uma forma de testar a própria capacidade de articulação da base, vontade de dialogar, e ver se há espaço para avançar em projetos mais ousados. A meta, dizem os deputados com pontes na equipe econômica, ainda é o imposto sobre transações
eletrônicas, bem mais à frente.

Está tudo muito bom, mas.../ O Congresso só vai discutir para valer a reforma tributária quando voltarem as sessões presenciais. Até setembro, calculam alguns, será só o “aquecimento”.

Ação do Facebook abre nova frente sobre atuação de bolsonaristas nas redes sociais

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Brasília DF – Carlos Alexandre de Souza

A decisão do Facebook de banir contas e páginas de bolsonaristas abriu uma nova frente sobre a atuação do clã presidencial e de apoiadores nas redes sociais. Mais de 70 contas foram desativadas, por infringirem as regras de conduta estabelecidas pela gigante da tecnologia. Acusado de ter uma postura permissiva em relação ao discurso do ódio, o Facebook justificou a desativação como medida necessária para coibir “comportamento inautêntico”, leia-se a criação de contas falsas e outras artimanhas para aumentar a presença digital. Especula-se, em Brasília, se os procedimentos e as investigações da empresa de Mark Zuckerberg podem ter algum vínculo ou implicação com inquéritos em curso no Supremo Tribunal Federal e no Tribunal Superior Eleitoral. Fake news, ameaças a autoridades e mensagens antidemocráticas são algumas das ações sob investigação. A atitude corretiva do Facebook é mais um indício de como é preciso olhar com atenção o que acontece na sociedade virtual do século 21, com desdobramentos na vida real. Esse é precisamente o propósito dos poderes Legislativo e Judiciário ao se debruçarem sobre o fenômeno das fake news.

As estatísticas mostram como as redes sociais são a plataforma política do bolsonarismo. Pesquisa realizada pela FSB Congresso indica que os três parlamentares que mais influenciam nas redes pertencem ao grupo aliado do presidente. A campeã das mídias é Carla Zambelli (PSL-SP), envolvida em episódios explosivos do governo Bolsonaro e da política nacional. Basta lembrar a saída de Sergio Moro e as operações da PF contra governadores suspeitos de corrupção no enfrentamento da covid-19. A deputada Bia Kicis (PSL-DF) assumiu a segunda posição, ultrapassando Eduardo Bolsonaro. Kicis é investigada, no Supremo, nos inquéritos que apuram a produção de fake news e a promoção de atos antidemocráticos.

Sem suspeição

O presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, manteve o ministro Alexandre de Moraes na relatoria do inquérito que investiga ações criminosas contra a democracia. Toffoli negou pedido apresentado pela defesa de Sara Giromini, extremista que cumpriu prisão temporária em Brasília e hoje está de tornozeleira eletrônica.

Vem pra cá

Roberto Jefferson, aliado de primeira hora de Jair Bolsonaro, convidou o presidente a se juntar às fileiras do PTB para a eleição de 2022. Seria o retorno à legenda da qual o ex-capitão fez parte entre 2003 e 2005. Em 2018, o então candidato disputou a eleição pelo PSL, mas se desligou do partido no ano seguinte. Os dissidentes formaram o Aliança pelo Brasil, que busca ser reconhecido pela Justiça Eleitoral.

 

Bicada tucana

O PSDB respondeu em alto tom à declaração de Paulo Guedes de que, se o Plano Real tivesse sido tão extraordinário, o PSDB não teria perdido quatro eleições seguidas. Paulo Guedes tem uma mágoa antiga dos tucanos por não ter participado da criação do plano econômico que salvou o Brasil da hiperinflação. Em carta, o partido afirma que o Posto Ipiranga do governo tem se notabilizado como o ministro “da semana que vem”, aquele que muito anuncia e pouco entrega.

CURTIDAS    

 

Choque de renda / Estudo da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado ontem, detalha o impacto da crise econômica provocada pela covid-19 no bolso do trabalhador. O rendimento médio dos informais caiu de R$ 1.302,71 para R$ 288,98 na pandemia. Eles receberam, portanto, 22% da renda habitual. É precisamente esse público que o programa de auxílio emergencial busca socorrer.

Grana curta / Trabalhadores formais apresentaram redução de renda, observa a SPE. Os empregados domésticos com carteira assinada, por exemplo, receberam 81% do seu rendimento habitual depois que foram afastados das casas dos patrões devido à quarentena. E os demais empregados formais do setor privado, 75,2%.

Exceção / No comparativo elaborado pela SAE, somente servidores público e militares não sofreram queda significativa de renda na pandemia. Essas categorias receberam ao menos 90% dos rendimentos originais nesses tempos de pandemia.

Vulneráveis / A Câmara aprovou um auxílio de R$ 1,5 bilhão para socorrer a população mais vulnerável na pandemia. Os recursos, oriundos do Fundo Nacional de Assistência Social, vão beneficiar crianças, adolescentes, vítimas de violência e outros brasileiros em situação crítica. O texto, de autoria da deputada Flávia Arruda (foto), do PL-DF, segue para sanção presidencial.

Colaboraram Rosana Hessel e Marina Barbosa

Congresso e governo têm visões opostas sobre programa de apoio a empresas

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Brasília DF – por Carlos Alexandre de Souza

A comissão do Congresso que fiscaliza as ações do governo no combate à covid-19 testemunhou a existência de mundos paralelos no enfrentamento da pandemia. Durante a sessão, o representante do ministério da Economia, Carlos Costa, elogiou o “desempenho espetacular” do Programa Nacional de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Pronampe). O técnico ressaltou a liberação de R$ 3 bilhões nos últimos dias, após o governo oferecer mais garantias às instituições financeiras para liberação de crédito. O tom triunfalista do governo contrastou com o ceticismo dos senadores. A senadora Kátia Abreu (PP-TO) lembrou que o Pronampe socorreu somente 0,25% das empresas que poderiam ser beneficiadas. O senador Izalci Lucas (PSDB-DF), por sua vez, lembrou que seriam necessários R$ 200 bilhões em financiamentos para evitar uma onda de falências — valor muito acima dos R$ 15 bilhões que têm sido anunciados até então. É importante ressaltar, nessas visões antagônicas sobre a situação crítica dos microempreendores, o papel do setor financeiro, frequentemente acusado de impor barreiras na liberação de empréstimos.

Problemão

Participante da reunião na comissão, o presidente da Confederação Nacional das Micro e Pequenas Empresas (Conampe), Ercílio Santinoni, alertou, em entrevista ao Correio, para o tamanho do problema. Esse segmento da economia responde por 27% do PIB e 52% dos empregos formais no país.

Imagem ruim

O confronto de visões também está presente na questão do meio ambiente. O vice-presidente Hamilton Mourão terá de convencer empresas e investidores nacionais e estrangeiros de que o governo está comprometido em combater o desmatamento. Não é o que o mundo está vendo até aqui.

CURTIDAS

De novo, a educação / Pela segunda vez, o presidente Bolsonaro fez um comentário desabonador sobre a qualidade do ensino no país. Disse que a educação “não está dando certo”. Na semana passada, comentou que “a educação está horrível no Brasil”. A avaliação negativa sobre a pasta do ex-ministro Abraham Weintraub (foto) não impediu o presidente, contudo, de indicá-lo para um cargo executivo no Banco Mundial.

MP das aéreas / A Câmara aprovou o texto-base da Medida Provisória (925) de socorro ao setor aéreo. A proposta determina que as companhias aéreas terão prazo de até 12 meses para devolver aos consumidores o valor das passagens compradas entre 19 de março e 31 de dezembro de 2020 e canceladas em razão do agravamento da pandemia. Deputados devem analisar, hoje, os destaques da medida provisória.

Receitas sem prazo / No Senado, os parlamentares aprovaram projeto de lei que torna válido, por tempo indeterminado, o prazo de receitas médicas e odontológicas enquanto durar a pandemia. O texto vai para sanção presidencial.

Bolsonaro adota postura mais transparente em relação ao novo exame de covid-19

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Coluna Brasília-DF

É sintomática a reação do presidente Jair Bolsonaro ante a perspectiva de um novo exame para detectar a infecção por covid-19. Ontem, na porta do Alvorada, o chefe do Executivo adotou cautela e transparência. Pediu a apoiadores que se mantivessem afastados e anunciou que havia se submetido a um raio-x dos pulmões. A nova postura de Bolsonaro difere frontalmente do ocorrido em março e abril. Naqueles meses, o estado de saúde do presidente — havia uma suspeita de que ele contraíra covid-19 — se tornou uma batalha judicial nos tribunais superiores de Brasília, sob o argumento de que seria uma informação privada. Ontem, de máscara, Bolsonaro comportou-se de maneira contrária da época em que minimizava a “gripezinha” e se orgulhava do “histórico de atleta”.

Presidencial

Com o gesto de ontem, Bolsonaro traz novamente a polêmica da covid-19 para si. O resultado do exame presidencial, se divulgado, realimenta discussões com desdobramentos políticos: a prescrição de hidroxicloroquina, o uso da máscara, o respeito ao isolamento, o negacionismo.

O que dirá Bolsonaro?

Bolsonaro poderá dar ou não detalhes sobre o seu estado de saúde. Mas não terá como evitar os desdobramentos políticos de uma possível infecção. Vem mais
bate-boca e controvérsia por aí.

EUA, again

Mais uma vez, a covid-19 conectou os governos do Brasil e dos Estados Unidos. No sábado, dois dias antes de anunciar a suspeita de covid-19, Bolsonaro se encontrou com o embaixador dos Estados Unidos. Em março, mais de 20 pessoas da comitiva presidencial brasileira contraiu covid-19 após viagem oficial ao país
de Donald Trump.

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Em nota, a representação norte-americana informou que o embaixador Todd Chapman “não apresenta nenhum sintoma, mas está tomando as devidas precauções e fará os testes apropriados”. No sábado, dia da Independência norte-americana, Chapman teve um almoço privado com Bolsonaro, cinco ministros e o deputado Eduardo Bolsonaro. A embaixada ressaltou que mantém cooperação com o governo brasileiro e desejou melhoras para Bolsonaro.

Igual a Londres?

Boris Johnson, outro chefe de governo que minimizou os efeitos da pandemia, anunciou que estava infectado em um vídeo pelas redes sociais. Curado, agradeceu o sistema público de saúde britânico pelo tratamento que recebeu.

Salles na mira – O Ministério Público Federal pediu o afastamento de Ricardo Salles do cargo de ministro do Meio Ambiente, por entender que ele atua contra os interesses da pasta. Doze procuradores assinam a ação por improbidade administrativa, movida após a reunião de 22 de abril. Na ocasião, Salles disse quer era preciso “passar a boiada” em regulações ambientais.

“Viés ideológico” – Em nota, o Ministério do Meio Ambiente afirma que “a ação de um grupo de procuradores traz posições com evidente viés político-ideológico em clara tentativa de interferir em políticas públicas do Governo Federal.”

Novo normal – Relator da reforma tributária, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) disse esperar mais do governo do que o entusiasmo de Paulo Guedes. Segundo ele, é preciso ter um plano mais consistente para o cenário de pós-pandemia, muito mais
crítico e desafiador.

Pautas remanescentes – “O marco do saneamento, por exemplo, a gente discute desde o governo passado. A Eletrobras também vem sendo discutida há tempo. Acho que, politicamente, não pode ficar dependendo da pauta remanescente do governo passado, de coisas desconexas. Precisa apresentar um plano mais efetivo, que dê uma visão de para onde o país deve caminhar com esse novo desenho fiscal da pandemia. É um projeto estruturado que estamos aguardando”, comentou.

Promessas – No último domingo, em entrevista à CNN, Guedes prometeu quatro grandes privatizações em 90 dias. A ver.

Ao contrário do Senado, Câmara não tem a menor pressa em analisar uma lei sobre fake news

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A prorrogação do inquérito das fake news, no Supremo Tribunal Federal, até janeiro de 2021, tem, entre seus objetivos, conter o uso indiscriminado desse golpe baixo ao longo do processo eleitoral deste ano. Até aqui, a avaliação geral é a de que as mentiras foram fartamente utilizadas na campanha de 2018 e agora, com o inquérito, muitos vão pensar duas vezes antes de partir para esse tipo de ataque aos adversários.

Paralelamente, na Câmara dos Deputados, não há a mesma pressa que houve no Senado para analisar uma lei a respeito. Entre os deputados, prevalece a ideia de que a opinião não deve ser perseguida, nem tampouco é passível de punição. Porém, montar uma rede para espalhar inverdades a respeito das pessoas, sim. É nesse caminho que a Câmara pretende atuar para corrigir o curso do projeto das fake news, aprovado na semana passada pelo Senado. A avaliação de vários deputados é a de que os senadores jogaram para a plateia e terminaram por ferir as liberdades individuais. Por isso, a ideia, agora, é deixar o tema decantar, sem correria para votação.

Base azeitada, mas…

Os parlamentares foram avisados da liberação de R$ 13,8 bilhões em recursos não só para o combate à covid-19, como também outros benefícios aos municípios. Entretanto, muitos estão uma arara. Em Belo Horizonte, por exemplo, para onde foram R$ 24 milhões, alguns anunciaram como se fosse tudo da sua lavra individual deixando outros a ver navios. O valor, porém, é a soma de várias emendas e tem gente querendo faturar sozinho. A confusão já está criada.

Carona na PGR I

O ex-presidente Lula aproveita o embalo da disputa entre a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a força-tarefa da Lava-Jato para chamar Deltan Dallagnol e, por tabela, o ex-juiz Sergio Moro, para a briga. “O Dallagnol montou uma quadrilha com a Força Tarefa da Lava-Jato e isso está ficando claro. Espero que, em algum momento, a Justiça leia os autos do meu processo para esclarecer a farsa que promoveram para me tirar do processo eleitoral de 2018”, escreveu Lula, referindo-se ao procurador, autor do famoso Powerpoint que colocava o petista como o chefão de uma quadrilha.

Carona na PGR II

Lula sonha em voltar às ruas e ser ovacionado em comícios no pós-pandemia, sem ouvir acusações. Apostará nesse discurso na campanha de 2020, embora não seja candidato. Quer, no mínimo, retomar o papel de líder máximo da oposição, espaço vago no Brasil.

Te conheço

Enquanto os petistas fazem subir a hashtag #LavaJatoTraiuAPatria, e tentam recuperar a imagem de seu maior líder, os outros partidos veem na estratégia mais um movimento para não ceder espaço a outras legendas de esquerda, agora ou no futuro. A avaliação geral é aquela feita pelo presidente do PDT, Carlos Luppi, no CB.Poder da última terça-feira: em 2022, os partidos devem caminhar separados.

O que está em jogo

Paralelamente à estratégia do PT, está a disputa todo um arsenal de informações sobre anos de investigações a fio. Inclusive com suspeitas de “camuflagem” de nomes de autoridades, como revelado ontem pelo site Poder 360, sobre Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre.

Deputado João Roma
Crédito: Vinicius Cardoso Vieira/Esp. CB/D.A Press.

Se deu bem I/ Em tempos de pandemia, sem as grandes festas de Salvador para comemorar o 2 de Julho –– dia da independência da Bahia ––, o deputado João Roma (Republicanos-BA, foto) aproveitou a exposição da sessão de promulgação da emenda que adiou as eleições deste ano para falar da data, cuja importância histórica é pouco difundida.

Se deu bem II/ Choveram mensagens, ontem, por causa de seu discurso. “Dois de julho de 1823 não é a independência da Bahia, e sim a consolidação da independência do Brasil. Ninguém está pedindo feriado, mas é preciso enaltecer a importância histórica”, disse o deputado, referindo-se à data em que as tropas portuguesas se renderam.

Enquanto isso, no Alvorada…/ A quantidade de pessoas sem máscara, na live presidencial, chamou a atenção. E o clima de festa, diante de tantas tragédias no país, idem. Primeiro, a sanfona comemorou a inauguração do Eixo Norte da transposição do São Francisco e, depois, o presidente Jair Bolsonaro mencionou que visitará as áreas devastadas pelo ciclone bomba no Sul do país.

… a live continua popular/ Também houve uma cobrança aos governadores sobre a reabertura do comércio, “com responsabilidade”, disse o presidente. Sinal de que o discurso contra o distanciamento social, de vez em quando, é modulado. A população que assistia nas várias plataformas, quase 200 mil, agradece.

Pronunciamento no sábado e visitas, a nova onda de Bolsonaro

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Coluna Brasília-DF

O presidente Jair Bolsonaro não pretende entrar com os dois pés na eleição deste ano, mas vai preparar o caminho para tentar recuperar os eleitores quando o pesadelo da pandemia acabar. No sábado, fará um pronunciamento de rádio e TV para explicar a prorrogação do auxílio emergencial por mais dois meses e falar da inauguração do Eixo Norte da transposição do São Francisco, obra que levou 13 anos para ficar pronta. A ordem no governo, agora, é tocar bumbo para as boas notícias, de forma a deixar todas as crises nos bastidores.

Bolsonaro quer passar aos eleitores a ideia de que, apesar dos percalços, seu governo funciona. Quer reforçar essa visão a fim de tirar fôlego dos opositores e das ações contra a chapa Bolsonaro-Mourão, que, contrariando as expectativas do Planalto, continuam no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A negociadora

Depois de uma conversa por videochamada com a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, o embaixador da China, Yang Wanming, disse em suas redes sociais que eles trocaram opiniões sobre cooperação agrícola bilateral durante e após a pandemia. “Sobretudo para estabilizar e ampliar as exportações dos produtos agropecuários brasileiros à China”, escreveu.

Alívio geral

O tom foi considerado uma boa notícia para o governo brasileiro. Afinal, depois de tantos problemas, ficou a certeza de que a suspensão da entrada de produtos de diversos países na China é temporária.

Nem tudo está perdido/ O líder do governo na Câmara, deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), saiu animado da conversa presencial com o embaixador dos Estados Unidos, Todd Chapman. Ouviu dele que há mais de 200 empresas americanas interessadas em explorar a base de Alcântara.

Ela enxerga longe/ Aliás, vale lembrar, a Amazon Web Services (AWS) aproveitou sua conferência para o setor público, esta semana, para anunciar o Aerospace & Satellite, que levará os dados em nuvem às missões espaciais.

Promessa é dívida/ Adiadas as eleições, vem agora a fase de combinar os pontos mágicos que permitiram a aprovação, em tempo recorde, da prorrogação dos repasses do fundo de participação dos municípios, algo em torno de R$ 5 bilhões, e a volta da propaganda partidária.