E o MDB esquece o “3 em 1”

Publicado em coluna Brasília-DF

Henrique Meirelles deixou o Ministério da Fazenda e se filiou ao MDB com desejo de concorrer à Presidência da República, mas, já no primeiro grande jantar da bancada na Câmara, não foi sequer convidado. Alguns parlamentares mais apressados saíram felizes, dizendo que finalmente a pré-candidatura de Michel Temer decolou. Nada disso. O MDB está a cada dia mais ciente das dificuldades do atual presidente. Mas tem que deixar o nome de Temer na roda para evitar que a maioria esfarele mais rápido nesse ambiente nebuloso.

Quanto a Meirelles, quem lê a coluna constantemente sabe que ele já é chamado de “três em um” por muitos do MDB: Tem dinheiro para financiar a própria campanha, tem o discurso da defesa do governo e, para completar, pode ser abandonado caso não decole nas pesquisas. Ou seja, vai bem com o mote da pré-campanha, “o tiozinho que resolve”. Os entusiastas da candidatura do ex-ministro comentam que, se Lula e Temer chamaram Meirelles para resolver os problemas da economia, o eleitor em outubro pode fazer o mesmo. Só tem um probleminha: se o MDB continuar se esquecendo dele, não vai ser o eleitor quem vai se lembrar.

Preocupante
O MST faz uma série de ocupações simultâneas nesta semana para ver se cria um clima pela libertação de Lula, uma vez que a população não se mobilizou. Já foram oito ocupações de fazendas, estradas e até uma repetidora de tevê nos últimos
dois dias.

Cássio na área I
No papel de presidente do Senado nestes dias em que Eunício Oliveira viaja ao Japão, o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB) colocou em pauta tudo o que estava represado. Entrou até mesmo um projeto que prevê multas para empreiteiras que não cumprem os prazos de entrega dos imóveis. O MDB se mobilizou e conseguiu tirar o projeto de pauta. Temporariamente.

Cássio na área II
O protagonismo de Cássio fez acender o sinal de alerta no MDB. Se o partido não fizer a maior bancada de senadores na eleição deste ano e os tucanos arrematarem a Presidência da República, adeus comando do Senado.

Por falar em Senado…
Nos bastidores do MDB, o que preocupa mesmo hoje é o destino de Milton Lyra, lobista preso na operação Rizoma. Ele teve dois pedidos de habeas corpus negado. A torcida dos emedebistas agora é para que o caso caia para algum ministro mais maleável do Superior Tribunal de Justiça e siga na mesma linha para o Supremo Tribunal Federal.

Batman versus Superman/ Procuradores e policiais voltam a se enfrentar pelo protagonismo das investigações, na discussão do novo Código de Processo Penal em tramitação no Congresso. Ontem, no CB.Poder, o presidente da Associação Nacional dos Procuradores da República, José Robalinho (foto), foi direto: “O relator, que é policial, mexe em algo que já estava sacramentado, que é poder de investigação do Ministério Público. Se o fizer, força-tarefa, como a da Lava-Jato, acaba”, alerta.

Injeção de desânimo/ Entre os bilhetes que Lula recebeu, um foi do ex-ministro José Dirceu, falando da prisão, do período que passou em Curitiba. Como pode voltar para lá em breve, Dirceu termina na linha do “daqui a pouco estaremos juntos”. Para quem não vê a hora de voltar às conversas políticas, não foi lá muito animador.

Sai pra lá, tristeza/ Um dos visitantes de Lula chegou a ficar com os olhos marejados. O ex-presidente foi logo dizendo: “Não quero ver ninguém chorando aqui”. Faz sentido.

Lula e Temer/ Antes de se dedicar à leitura de Homo Deus, do filósofo israelense Yuval Noah Harari, Lula leu Sapiens, do mesmo autor. Ficou tão impressionado quanto o presidente Michel Temer.