Depoimento de Valeixo indica que quem tentar interferir em investigações será citado nos autos

Ex-diretor-geral da PF Maurício Valeixo
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Em seu depoimento à Polícia Federal, ao qual a coluna teve acesso, o ex-diretor-geral Maurício Valeixo foi muito claro ao dizer que não é “comportamento padrão” do cargo acesso direto às equipes de investigação em curso e, dado o “amadurecimento institucional”, uma ação como essa seria formalizada nos autos e comunicada, no caso do inquérito das Fake News, ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

O ministro responsável por esse inquérito é Alexandre de Moraes, que já blindou a equipe responsável pela investigação, determinando que não seja substituída. Nesse sentido, a resposta de Valeixo, durante o depoimento, foi vista como um aviso direto aos recém-chegados ao comando da Polícia Federal, e, em especial, aos deputados alvos da investigação: quem tentar interferir não terá sucesso e ainda será citado nos autos.

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Ali é que o bicho pega/ É no Congresso que a base de Jair Bolsonaro continua instável. A aposta é a de que, se não acomodar todos os partidos, não terá sossego.

Semelhanças/ Se acomodar o Centrão, os aliados de primeira hora é que vão chiar. Afinal, muitos apoiaram Bolsonaro na crença de que ele não entraria no toma lá dá cá. A aposta do governo, porém, é garantir a base política agora e, paralelamente, administrar a rua. Foi a receita que Lula usou para escapar de um processo político no período do mensalão, em 2005, e se reeleger em 2006.

Coadjuvante/ O ministro Nelson Teich, que prepara um plano com 40 páginas sobre a quarentena, não foi sequer consultado sobre a abertura de academias, salões de beleza e barbearias. Sinal de que não teve qualquer fundamentação técnico-sanitária para a edição do decreto.

Separados, mas afinados/ Ninguém aposta em contradições entre os três ministros generais que vão depor hoje no Palácio do Planalto, em salas separadas. Braga Neto (Casa Civil), Eduardo Ramos (Secretaria de Governo) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) vão afirmar que não viram nenhum sinal de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal.

Bolsonaro se agarra a Guedes para lavar as mãos na crise econômica

Paulo Guedes e Bolsonaro
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Em meio à pandemia, o presidente Jair Bolsonaro decidiu fortalecer o ministro da Economia, Paulo Guedes, porque acredita que, nas propostas do seu subordinado, está a chave para, logo ali na frente, poder dizer que o país quebrou por culpa do Congresso, do Supremo Tribunal Federal (STF) e dos governadores que paralisaram o Brasil.

Essa narrativa começou a ser construída com a promessa de veto ao projeto que abriu a perspectiva de reajuste salarial para servidores de setores como o da saúde e outros considerados estratégicos. A tendência, avaliam alguns dentro do próprio governo, é de veto a tudo o que Guedes recomendar daqui para frente.

Resta saber se a população engolirá a versão de que as instituições foram responsáveis por quebrar o país e não uma pandemia que já matou mais de 10 mil no Brasil e, dada a falta de vacina e de um tratamento eficaz para todos os casos, as pessoas se vejam obrigadas a ficar em casa.

Assim, Bolsonaro, ao reacomodar Guedes numa posição mais confortável, espera recuperar a parcela do mercado que lhe abandonou por causa da negação da pandemia da covid-19. Só tem um probleminha: o projeto de Guedes não casa com os desejos de gastos do Centrão, que apoia Bolsonaro, e nem com a injeção maior de recursos públicos na economia, algo que corre o risco de ter que perdurar por mais tempo do que o governo previa.

Há quem diga que, em breve, será chegada a hora de o presidente se ver obrigado a escolher entre ficar com Guedes (e o mercado) ou o Centrão e sua fome por cargos de polpudos orçamentos.

Política sob tensão I

Na sexta-feira, estava na agenda do presidente Jair Bolsonaro o coronel Aristomendes Rosa Barroso Magno, coordenador do grupo Agir. No Facebook, há a seguinte descrição sobre um grupo chamado “Agir-Brasil”: “É um grupo ideologicamente de Direita, formado por brasileiros que querem contribuir com açõespara a derrota da esquerda no Brasil e para o fim do caos que se criou nos Três Poderes da República”.

Política sob tensão II

A cada dia que passa, cresce a preocupação das instituições com a proliferação de grupos paramilitares que ameaçam invadir o Congresso e o Supremo Tribunal Federal. A avaliação de muitas autoridades é a de que, enquanto as ações dos aliados de Jair Bolsonaro se mantiverem dentro dos limites democráticos de carreatas e atos em defesa do presidente da República, será parte do jogo. Qualquer ato além disso será um atentado tão grave quanto a facada que quase matou Bolsonaro.

Até o Natal

A comissão externa da Câmara de acompanhamento da pandemia da covid-19 no Brasil trabalhará até o fim do ano. A intenção é apurar as compras de equipamentos de saúde superfaturados em muitos estados, para ver se houve abuso por parte dos gestores. Afinal, embora os preços estejam elevados, as denúncias de que houve erros e má fé não param de chegar.

A judicialização do porto I

Os trabalhadores portuários de Santos comemoraram a decisão do desembargador Roberto Carlos de Oliveira, do TRF-1, que manteve o contrato da Marimex, cujo prazo de renovação expiraria no último dia 8. Nada menos do que seis mil empregos foram salvos em um momento dramático na Baixada Santista, quando o número de contaminados pela covid-19 aumentou, segundo o governo do estado de São Paulo, em 2.500%. “Não está nada garantido — disse o presidente do Settaport, Francisco Nogueira. “Mas ganhamos tempo precioso para manter a nossa luta pelos empregos na região.”

A judicialização do porto II

Agora, o governo deve recorrer, porém, os cálculos são os de que essa ação vai demorar anos para um desfecho. Marimex tem uma concessão há 20 anos para operação de contêineres no Porto de Santos. O governo não quis renovar o contrato por mais duas décadas, o que é possível por lei, porque pretende fazer ali uma área de manobra de trens para a Rumo. O máximo que foi oferecido foi um contrato provisório.

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Eleições ainda sem definição/ Até aqui, ninguém tem uma avaliação segura de como serão as eleições municipais. “Esse tema só poderá ser tratado quando houver uma rota de saída da pandemia. E deve ser feito com diálogo e uma pactuação entre os Poderes a fim de definir as regras do jogo”, diz o líder do DEM, Efraim Filho. Se, até o fim de junho, não houver definição, prevalecerá a tendência por adiamento e não prorrogação de mandatos.

Surtou I/ Viralizou nas redes o vídeo em que o deputado estadual de Alagoas Antônio Albuquerque (PTB) protesta contra o isolamento e o uso de máscara, por ter sido chamado para tirar o carro estacionado na avenida principal, na orla de Ponta Verde. Chamou Rui Palmeira, que perdeu o pai há poucos dias, de “prefeitinho”.

Surtou II/ No vídeo, ele desafia a ciência: “Estão querendo dizer que um homem respirando a própria saliva está melhor do que respirando ar puro. Isso é o começo do socialismo ridículo, é uma covardia e a população aceitando calada, acovardada. Isso é uma vergonha.” O discurso, na orla de Maceió, porém, não trouxe nenhuma sugestão para proteger a população do novo coronavírus, que o deputado já pegou e parece estar curado.

Dia das Mães/ Fica aqui um abraço por escrito a todas as mães, em especial, à minha, dona Paula. Feliz Dia das Mães! #Fiqueemcasa.

Bolsonaro usou empresários para cobrar posicionamento do STF

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A reunião entre o presidente Jair Bolsonaro, empresários e o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, conseguiu a proeza de deixar todos os personagens desgostosos do resultado. Os ministros do Supremo avaliaram, em conversas reservadas, que Toffoli deixou o palco aberto para Bolsonaro fazer sua propaganda do fim do isolamento social e tentar jogar a culpa da crise econômica no colo do tribunal, por impedir que ele (Bolsonaro) editasse um decreto de retomada dos serviços. O presidente, por sua vez, saiu com a recomendação de que procurasse os governadores e prefeitos para montar o plano de retomada em tempos de pandemia.

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Parte dos empresários se sentiu usada para que Bolsonaro pudesse cobrar do STF. Os decretos que o presidente editou também foram vistos com desconfiança, porque os governadores têm a prerrogativa de definir, dentro de seus respectivos estados, as medidas de contenção por causa da gravidade da pandemia e colapso do sistema de saúde. Saíram com a certeza de que tudo o que não for feito com base na ciência e no diálogo sério e racional entre os governos municipais, estaduais, federal e os setores, vai desaguar em ações judiciais. Até aqui, avaliam os políticos, mesmo aqueles que tentam planejar a retomada — caso do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha – se viram obrigados a se render à realidade e adiar o retorno. Em meio a uma pandemia, dizem empresários, não tem canetada que resolva.

O teste do veto

Além da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito das Fake News, o veto de Bolsonaro à possibilidade de reajuste do funcionalismo, anunciado ontem, é visto como mais uma prova para auferir o grau de fidelidade do Centrão ao governo. A aposta de alguns, como o deputado Fábio Trad, é a de que, com o Centrão aliado ao Planalto, a manutenção do veto estará garantida.

O articulador

Os principais cargos entregues ao Centrão até o momento estão na órbita do Ministério de Desenvolvimento Regional, comandado pelo ex-deputado tucano Rogério Marinho. Ele assume cada vez mais o papel de ponte entre o governo e esse segmento do Congresso.

Nem tudo está perdido

Minutos depois de empresários e o ministro Paulo Guedes traçarem um cenário difícil para o futuro da indústria, o ex-ministro da Agricultura Francisco Terra dizia, em entrevista à BandNews, que as exportações do setor de aves cresceu 5%, e a de carne suína, 40% no quadrimestre. “O agro está presente, e, nos supermercados por onde andei, não falta nada”.

Tudo se repete

O que mais preocupa o governo em relação ao vídeo da reunião ministerial citada por Sergio Moro em seu depoimento são os palavrões que o presidente Jair Bolsonaro soltou no encontro e, segundo relatos, referências negativas à China por parte da equipe. O humor presidencial daquele dia, segundo relatos, estava parecido com o da ex-presidente Dilma Rousseff quando distribuía broncas a seus ministros.

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O protetor/ O vereador Carlos Bolsonaro tem dormido no Palácio da Alvorada. Os adversários dizem que é para evitar ser surpreendido por alguma operação de busca relacionada ao inquérito das Fake News. Os amigos dizem que é vontade de proteger e ficar perto do pai.

Fake news?/ Grupos extremistas têm colocado nas redes sociais uma fala antiga do vice-presidente Hamilton Mourão como se fosse o apoio da cúpula das Forças Armadas à intervenção militar.

Melhor assim/ Ministros do STF não gostaram, mas entenderam o fato de Toffoli receber o presidente Jair Bolsonaro e os empresários. Se recusasse o encontro, daria ao presidente o discurso de que o Supremo é avesso ao diálogo. Toffoli teve ainda a habilidade de cobrar do presidente o estabelecimento de um plano de retomada em diálogo com os estados.

Mandetta, o retorno/ O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta nunca foi tão requisitado para falar dos “dias difíceis” que mencionava quando ainda era ministro e defendia que todos seguissem as recomendações da ciência. Com o registro de 1.825 mortes por coronavírus no Brasil em 72 horas, esses dias chegaram.

Bolsonaro fará novas mudanças no segundo e terceiro escalões do governo

Bolsonaro
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O presidente Jair Bolsonaro aproveita a tragédia da pandemia para trocar tudo o que aceitou, meio a contragosto, no próprio governo e reforçar as bases de apoio, a fim de se preparar a hipótese de agravamento da crise política. Foi assim na Saúde, na Justiça e na Polícia Federal.

Até sexta-feira, avisam alguns aliados, novas mudanças de segundo e terceiro escalões virão. O novo tripé de apoio, reforçado pelos partidos do Centrão, mantém os evangélicos/ideológicos, e, por fim, os militares.

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Por essas e outras, os deputados do grupo ao qual Bolsonaro pertencia quando era deputado federal não tiram mais os olhos do Diário Oficial da União. Assim será até que todos se sintam atendidos. É a “parceria no governo”, dizem alguns, que dará ao presidente a base para enfrentar os desdobramentos dos inquéritos em curso, a pedido do Supremo Tribunal Federal.

Só tem um probleminha aí: acomodar todos os interesses do Centrão, e daqueles mais próximos, sempre foi um desafio para qualquer governo. No caso de Lula, resultou, primeiramente, no escândalo do mensalão.

Uma coisa de cada vez

Ministros do governo até cogitaram amarrar a presidência da Câmara, em 2021, ao pacote para atrair o Centrão, mas o próprio agrupamento resiste. Do jeito que está o Brasil em meio à pandemia da Covid-19, a crise econômica e a turbulência política, os deputados preferem amarrar logo a participação no governo e deixar a disputa pelo comando da Casa em banho-maria por alguns meses.

Soou insensibilidade

No dia em que o país registrou 600 mortes pela Covid-19, a parada obrigatória de Bolsonaro na porta do Alvorada tratou muito mais da troca de comando na Polícia Federal e do depoimento de Sérgio Moro, do que da calamidade pública causada pelo novo coronavírus. Atualmente, dizem aliados do presidente, ele está mais preocupado com essa situação do que com a pandemia. Aliás, Bolsonaro ainda disse que o número de casos estava diminuindo.

Discurso & prática

Ao mostrar as mensagens que trocou com o então ministro da Justiça, Sergio Moro, Bolsonaro termina por corroborar a tese de que queria influir na Polícia Federal no Rio de Janeiro, e no comando da direção-geral da PF por preocupação com os deputados federais ligados ao governo.

Siga o dinheiro

Uma das linhas de investigação sobre a produção de fake news e atos contra as instituições da República observa as bases desses deputados, que planejam seguir em bloco para compor o Aliança pelo Brasil. E é aí que o governo se preocupa, porque não atingirá o PSL, mas sim aqueles que estão de saída.

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Presença de Nabhan/ Enquanto a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, trabalha incansavelmente para manter o setor do agronegócio produtivo e atendido nesse período de pandemia, o secretário de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia, não sai do Alvorada e do Planalto. As apostas são as de que está louco para ser ministro.

Fica aí, “taokey?”/ Bolsonaro não tem dado qualquer sinal de que quer trocar a ministra. Mas há pressões da parte do grupo de Nabhan e do PP ligado ao deputado Jerônimo Goergen (PP-RS), outro que sonha com a Agricultura. Se escolher um, desagradará o outro. E, assim, a ministra segue no cargo.

O amigo de 02/ O governo tornou sem efeito a nomeação do maestro Dante Mantovani para a Funarte, mas manteve a de Luciano Querido, ex-assessor do vereador Carlos Bolsonaro, o 02, que vira uma espécie de número dois da Funarte.

Mãe sempre ajuda/ A deputada Carla Zambelli (PSL-SP, foto) recorreu ao telefone da mãe para poder consultar o que a ex-amiga Joice Hasselmann (PSL-SP) havia dito sobre ela em suas redes sociais e responder aos seus seguidores. A contar pela troca de tiros entre as duas, quando ficarem frente a frente, no plenário da Câmara, é bom os seguranças ficarem atentos: “Essa mulher é louca, fabrica fake news. Eu não tenho nada a esconder”, disse Zambelli, em sua live.

Governo prepara “teste de fidelidade” para o Centrão

Bolsonaro e o centrão
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A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News terá problemas quando puder retomar os trabalhos e já é vista nos bastidores como um meio para aferir o grau de comprometimento da nova base aliada que o governo amarra com o Centrão. O líder do governo, Eduardo Gomes, contou à coluna que a prorrogação não foi votada pelo plenário do Congresso, portanto, não está valendo. Já outros parlamentares entendem que a CPMI funcionará normalmente. “A leitura no plenário já significa a prorrogação automática, não precisa de votação”, diz o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP).

Essa será a última tentativa de acabar com a CPMI, depois de o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes recusar o pedido do deputado Eduardo Bolsonaro. O maior receio, hoje, que os aliados do presidente têm em relação à família é um possível depoimento de Carlos Bolsonaro, que costuma partir para cima dos opositores com palavras de baixo calão nas redes sociais e não conseguiria se conter, se confrontado pelos adversários mais ferrenhos do bolsonarismo.

Impeachment, se houver, só em 2021

Pelo menos num ponto o presidente Jair Bolsonaro pode ficar tranquilo. É voz corrente entre os congressistas que, até 1º de fevereiro de 2021, o Congresso não colocará processos de impeachment em andamento. Significa que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, não o fará.

Reflexos

O fato de Rodrigo Maia não abrir o impeachment joga o assunto na campanha pela Presidência da Câmara. E quem prometer deflagrar a abertura de processo terá o apoio da oposição. Quem não o fizer, terá o respaldo dos governistas. Já quem ficar equidistante desse tema tende a ser espremido por esses dois extremos. Esse é, segundo alguns atores, um dos componentes do grid de largada da sucessão na Casa.

A vantagem de Moro

Todas as pesquisas de opinião realizadas na última semana indicam que o ex-ministro da Justiça Sergio Moro tem trunfos sobre todos os adversários: uma baixíssima rejeição e o fato de um número expressivo não achar que ele seja ladrão ou esteja protegendo familiares enroscados em ilícitos.

Carona, não/ O ex-ministro da Justiça Sergio Moro vai recusar todos os convites para compor equipes de governos estaduais. Assim, o prestígio que ele amealhou com a Lava-Jato e o slogan “faça a coisa certa”, que lança agora, não serão divididos com nenhum dos postulantes ao Planalto que hoje são governadores.

War I/ Bolsonaro foi ontem à cidade de Cristalina (GO) como forma de criar um fato no dia do depoimento de Sergio Moro. Quis mostrar que está do lado da população e, de quebra, dividir holofotes com o popular ex-ministro.

War II/ Ao se referir a Judas em suas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro tinha por objetivo dar um discurso aos pastores evangélicos contra o ex-ministro Sergio Moro. Afinal, dizem os aliados do presidente, é preciso compensar a perda da base lavajatista mantendo outros grupos fiéis ao governo.

As duas torres/ A esquerda vai tratar o conflito entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro da mesma forma com que, guardadas as devidas proporções, trabalhou a briga entre os ex-presidentes do Senado Jader Barbalho e Antonio Carlos Magalhães, há 20 anos. Lá atrás, os dois personagens perderam politicamente, e o PT, que era oposição, bateu nos dois.

Bolsonaro tem mãos atadas para nomear Ramagem; secretário do DF volta a ser cotado

Bolsonaro mãos atadas
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O presidente Jair Bolsonaro terá mais dificuldades do que imagina para tentar restabelecer Alexandre Ramagem como diretor da Polícia Federal. Primeiro, é possível que qualquer ação seja vista como perda de objeto, uma vez que o próprio presidente tornou a nomeação sem efeito e reconduziu Ramagem à direção da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

No mínimo, avisam alguns juristas, haverá uma discussão jurídica sobre um eventual recurso. Se o presidente resolver esperar a análise do plenário, a incerteza é grande, uma vez que a maioria dos próprios ministros do STF estaria inclinada a seguir Alexandre Moraes.

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Nesse cenário, o presidente já foi aconselhado a escolher logo um novo nome e tentar evitar que a Polícia Federal siga comandada por Disney Rosseti, que foi superintendente da PF em São Paulo, quando Alexandre Moraes era secretário de Segurança no estado. Por isso, Bolsonaro terá, agora, dizem alguns, que definir logo outro substituto.

Na bolsa de apostas, estão o secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres, e o superintendente da PF no Amazonas, Alexandre Saraiva, carioca que Bolsonaro pretendia colocar como superintendente no Rio de Janeiro, no ano passado, quando houve o primeiro mal-estar entre Bolsonaro e o ex-ministro Sérgio Moro. São hoje os dois nomes mais ligados aos Bolsonaro dentro da Polícia Federal.

Presença de Ibaneis

A presença do governador Ibaneis Rocha na posse do ministro da Justiça, André Mendonça, elevou a cotação de Anderson Torres na bolsa de apostas para a diretor-geral da PF. Mas não era por isso que Ibaneis estava lá. O governador do Distrito Federal é advogado e tem muitos laços na área jurídica.

Agora vai na ordem dos fatores

A avaliação de algumas pessoas ligadas a Bolsonaro é a de que a decisão do ministro Alexandre Moraes deixou o presidente com a obrigação de seguir o que desejava a Polícia Federal desde o início da crise: que o diretor-geral seja escolhido pelo ministro da Justiça. E é essa a ideia que o governo quer passar, depois de Moraes suspender a nomeação de Ramagem para o comando da PF.

Enquanto isso, no serviço público não essencial…

…Muitos relatam que os servidores de alto escalão e com bons salários adiam as férias previamente programadas para este período, que terminou virando isolamento social. A moda é deixar tudo para quando puderem retomar as viagens. Será justamente a temporada de maior serviço acumulado
nas repartições.

Doria, Bolsonaro e Moro

O governador de São Paulo, João Doria, surfou em cima do “E daí?” do presidente Bolsonaro, ao declarar que o presidente deve sair da “sua bolha” e visitar o país, São Paulo e Manaus, por exemplo. Nos bastidores, tanto bolsonaristas quanto tucanos até preferem essa briga a enfrentar Sergio Moro, que, a depender do depoimento no inquérito que vai apurar as denúncias que fez, sairá com mais convites para filiação partidária.

CURTIDAS

Estrela solitária/ Só a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, de máscara, lembrava o cenário de pandemia de Covid-19 no palco da posse dos ministros, ontem, no Planalto. A partir de hoje, com a obrigatoriedade de uso do acessório em Brasília, há quem diga que seria de bom tom o governador Ibaneis Rocha não se esquecer da sua proteção a próxima vez que for ao Planalto.

Esqueçam dele/ Ninguém citou o nome do ex-ministro da Justiça Sergio Moro na posse do sucessor, André Mendonça, e do novo Advogado Geral da União (AGU), José Levi Mello. O Planalto segue à risca a máxima de, quanto menos falar dele, melhor.

Não esqueçam como foi/ Aos deputados que recebeu para o café, ontem, no Alvorada, o presidente fez questão de contar detalhes da conversa que manteve com o ex-ministro e lembrou que havia ficado acertada a saída de Maurício Valeixo do cargo.

Alegria de pobre/ Durou pouco a festa dos concursados da Abin em ver um dos seus, Frank Márcio de Oliveira, no comando da Agência. Agora, Ramagem voltou e, como você, caro leitor, pode ler em nota nesta coluna, não volta para a PF nem tão cedo.

Revogação de portaria do Exército a respeito do controle de armas preocupa militares

Bolsonaro exército militares
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A decisão da procuradora regional, Raquel Branquinho, de pedir uma representação contra o presidente Jair Bolsonaro por revogar portarias do Exército a respeito do controle de armas, é considerada dentro do governo um ponto mais nevrálgico do que o inquérito do Supremo Tribunal Federal. No Palácio do Planalto, prevalece a ideia de que o presidente da República é o comandante em chefe das Forças Armadas e, portanto, o Exército tem que caminhar com ele.

Na Força, porém, tem muita gente torcendo para que a iniciativa de Branquinho tenha sucesso, para que, depois, não se venha dizer que o país e suas Forças Armadas permitiram o aumento do tráfico de armas e munição no país e o aumento do crime organizado. A preocupação é geral, especialmente, em tempos de manifestações em defesa da volta do AI-5 no QG da Força.

Os militares, até aqui, têm feito suas críticas internamente, ou por meio de notas oficiais. Agora, há movimentos para ver se o Exército recupera o controle de armas e munições. Afinal, quem prometeu na campanha legalidade e combate ao crime organizado não pode deixar, na suspensão de portarias, janelas abertas aos criminosos.

André Mendonça, o bom companheiro

O novo ministro da Justiça, André Mendonça, será poupado pela oposição, especialmente, pelo PT. Primeiro, ele começou a carreira como representante da Advocacia Geral da União, em Londrina (PR). Na época, a cidade era administrada por Nedson Micheletti, do PT; o ex-ministro Paulo Bernardo comandava a secretaria de Fazenda; e Gleisi Hoffmann atuava como secretária de Gestão Pública.

André Mendonça, o técnico

A proximidade e a capacidade técnica de Mendonça convenceram Dias Toffoli, nos tempos em que era comandante da AGU, a trazer o atual ministro da Justiça para Brasília. Discreto e competente, Mendonça foi seguindo sua carreira.

Enquanto isso, na PF…

Alexandre Ramagem começa no comando da Polícia Federal sob tiroteio dos oposicionistas e vigiado pelos próprios colegas. Os delegados, de uma forma geral, deram um voto de confiança por, pelo menos, três meses de “estágio probatório”. Foi o tempo que Fernando Segóvia durou na direção da PF, depois de indicado por Michel Temer e chegar com a pecha de ter a missão de proteger o presidente da República.

Entre Dilma e Temer

Em conversas reservadas, aliados do presidente Jair Bolsonaro já o alertaram que, diante da atual situação, ele terá que escolher se preferirá agir como o ex-presidente Michel Temer, que soube manter uma articulação política e garantir o mandato, ou repetir a presidente Dilma Rousseff, que brigou com meio mundo e acabou perdendo a faixa presidencial. O que não dá é para continuar sendo… o Bolsonaro que arruma confronto em todas as frentes.

Cadê os deputados?/ Até o presidente Jair Bolsonaro ontem cobrava quem são os deputados relacionados às fake news. Cansou de ver apenas Carlos Bolsonaro citado. Para alguns parlamentares, é sinal de que, se houver acusação a aliados do presidente, alguém da base bolsonarista terá que ficar com essa conta. E não será 02.

Teich e o isolamento I/ Ao falar em “agravamento da situação” da Covid-19 no Brasil, o ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou a muitos palacianos a impressão de que não se afastará das recomendações técnicas, apesar de estar alinhado ao presidente Jair Bolsonaro.

Teich e o isolamento II/ Falta, porém, entregar ao país um projeto de volta ao trabalho, o que, diante do agravamento da situação, parece impossível. O país continua sem um plano nacional, e cada governador cuidando do seu estado.

Abin em festa/ Na Agência Brasileira de Inteligência, a escolha de Frank Márcio de Oliveira foi recebida com entusiasmo. Afinal, foi a primeira vez em que um concursado da Agência chegou ao comando. Ele é da área técnica e operacional, sempre esteve dentro da agência, é estudioso e conhecido por não criar problemas.

Bolsonaro restabelece laços com Guedes para tentar evitar impeachment

Paulo Guedes
Publicado em coluna Brasília-DF, Política
Coluna Brasília-DF

Depois de perder dois ministros populares, Jair Bolsonaro começa a semana restabelecendo o poder de comando do ministro da Economia, Paulo Guedes, como era no início do governo. Esse movimento vai muito além da tentativa óbvia de estancar a sangria de apoiadores entre empresários e mercado financeiro.

Ao manter o apoio desses setores, o presidente quer amortecer os movimentos contrários de congressistas e, por tabela, dificultar a instalação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias do ex-ministro da Justiça Sergio Moro.

Aliados do presidente estão convencidos de que, se mantiver a economia no caminho prometido na campanha, ou seja, com ajuste fiscal e sem gastar a rodo mais à frente, quando a pandemia passar, Bolsonaro manterá o mercado e o setor empresarial ao seu lado e evitará a perspectiva de qualquer pedido de impeachment.

Até aqui, os dois presidentes que perderam o cargo em processos desse tipo, Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff, estavam com a economia em frangalhos. Se Guedes continuar como o fiador de dias melhores no pós-pandemia, pelo menos até as eleições de 2022, acreditam os bolsonaristas que qualquer ação mais contundente contra Bolsonaro permanecerá na gaveta.

O pacificador

Quem comandou a operação que terminou recolocando Guedes no lugar de destaque foi o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que, já na sexta-feira, detectou um cenário preocupante de elevação do Risco Brasil e fuga de investidores. Em conversa com Guedes e Tereza Cristina (Agricultura), marcou o café com o presidente para que, juntos, alertassem para a necessidade de reforço político à equipe econômica.

Os cacifados

Além de Guedes, Tereza e Campos Neto, está nesse rol o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, também visto como um craque fundamental para levar adiante a agenda de concessões.

Um pelo outro

Ao colocar o advogado-geral da União, André Mendonça, no Ministério da Justiça, Bolsonaro espera arrefecer o clima contra Alexandre Ramagem na Polícia Federal.

O problema da PF

O novo diretor-geral da PF terá que arrumar um meio de preencher as 4.500 vagas existentes no efetivo da comporação. No total, são 15 mil policiais federais em todo o país e só há 10,5 mil na ativa.

Lombardia…

O prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, está numa sinuca de bico. É que a semana começou com os vereadores aprovando leis de volta ao trabalho, sem a menor base científica em plena pandemia. Tudo começou quando os evangélicos apresentaram um projeto de lei para reabertura dos templos. E, aí, começou o toma lá dá cá.

…ou Nova York é aqui?
Com o projeto, defensores de outros segmentos pediram aos cristãos que apoiassem suas emendas para liberação de construção civil, bares, restaurantes, lancherias (como os gaúchos chamam as lanchonetes) e por aí foi, cada um defendendo o seu nicho. “Um absurdo. Não vi isso em nenhum lugar do mundo”, diz o prefeito, que até aqui mantém a situação sob controle graças ao isolamento.

Os amigos/ Sergio Moro e Paulo Guedes se aproximaram tanto no governo que era comum encontrá-los no restaurante Avenida Paulista, nas noites candangas, para tomar um vinho depois do longo expediente.

A máscara e o sapato/ O sapato que o ministro da Economia usava era um modelo de uFrog, calçado de neoprene com solado antiderrapante desenvolvido no Brasil por Meg Gonzaga, irmã do ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral Admar Gonzaga. Já a máscara, dizem amigos do ministro, proteção por causa do vírus e, de quebra, esconder sua insatisfação com a situação.

“Sou a favor de que se investigue e confio no nosso presidente. Se Bolsonaro aprontar, fizer coisas graves, não vou apoiar, mas está longe de aparecer alguma coisa contra Bolsonaro”

Deputada Bia Kicis (PSL-DF)

Troca de comando da PF não deve surtir o efeito esperado por Bolsonaro

Bolsonaro e PF
Publicado em coluna Brasília-DF, Governo Bolsonaro, Política

Os policiais federais votaram em massa em Jair Bolsonaro, em 2018, e vibraram com a escolha de Sergio Moro para o Ministério da Justiça, confiantes na autonomia para investigações e para o combate à corrupção e a desmandos de maneira geral.

Porém, desde as primeiras tentativas de influir politicamente no trabalho da PF com as investidas para a troca do diretor-geral, o encanto foi se esvaindo. E agora, com a saída de Moro, nem mesmo Alexandre Ramagem, hoje diretor-geral da Abin, terá um cenário tranquilo para cumprir sua missão ali.

Os policiais ficaram felizes e gratos pela valorização que Moro fez do trabalho deles em sua despedida do Ministério da Justiça. O ex-juiz, que já convivia com muitos policiais nos tempos da parceria da Lava-Jato que levou empresários, presidentes de partido, doleiros e até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a cadeia, hoje tem informações sobre os Bolsonaro e o coração da corporação.

Ramagem, ou mesmo outro diretor-geral, não poderá chegar trocando delegados de investigações em curso, como a das fake news e de organização das manifestações em favor do AI-5, por causa da decisão do ministro Alexandre Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que proibiu trocas nos delegados da PF envolvidos nesses inquéritos.

As trocas dos superintendentes também serão objeto de muita análise por parte da corporação, especialmente, no Rio de Janeiro, Pernambuco e São Paulo, onde há alvos dos bolsonaristas e, no caso do Rio, ainda uma preocupação com os desdobramentos de investigações que envolvem Flávio Bolsonaro.

 

Carlos, o que mais preocupa

Bolsonaro está preocupadíssimo com a perspectiva de Carlos Bolsonaro ser chamado a depor na CPMI das Fake News assim que o Congresso reabrir as sessões presenciais. É que o filho não consegue sequer ver seu nome citado nas redes sociais sem soltar palavrões. Imagine num plenário com 40 deputados, muitos da oposição.

Moro usou “arma secreta” e deixou pista para a oposição pegar Bolsonaro

moro e bolsonaro
Publicado em coluna Brasília-DF, Governo Bolsonaro

Uma coisa não estava nos cálculos do presidente Jair Bolsonaro quando ele preparou seu pronunciamento em resposta a Sergio Moro, na sexta-feira (24/4). O ex-ministro da Justiça tinha uma “arma secreta”: mensagens trocadas pelo celular com o próprio presidente e a deputada Carla Zambelli (PSL-SP).

Moro exibiu na tevê as mensagens, nas quais Bolsonaro aparece afirmando que um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) que mira deputados bolsonaristas seria “motivo para a troca” do diretor-geral da Polícia Federal. Já Carla surge pedindo a Moro que aceite a troca e vá, em seguida, para o STF, indicado por Bolsonaro. Moro respondeu que não estava à venda. A exibição das mensagens assustou o governo e sua base.

 

A pista de Moro

Moro deu ainda uma dica preciosa que pode municiar a oposição. Ao citar o Rio de Janeiro e Pernambuco como os estados nos quais Bolsonaro queria trocar os superintendentes da PF, deixou uma pista que será seguida pelos adversários do presidente: no Rio, estão os filhos e, em Pernambuco, aliados como o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB), que responde a ação de improbidade.

Procurado pelo blog para comentar o assunto, Coelho negou qualquer tentativa de influência. “Jamais conversei com o presidente sobre a Polícia Federal”, disse.