Abraham Weintraub vira alvo de bombardeio da oposição

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, assina  protocolo de intenções que institui a formulação de políticas públicas e a realização de ações para a garantia da proteção integral de crianças e adolescentes.
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Os tropeços do governo em relação às provas do Enem e às inscrições do Sisu podem até ser resolvidos, mas, ainda assim, não vão tirar o ministro da Educação, Abraham Weintraub, do bombardeio dos partidos mais à esquerda, em especial PT e PSol. A ideia dos petistas, por exemplo, é aproveitar essa confusão para expor as fragilidades do setor, que ainda não apresentou resultados fortes.

Pretende mostrar que a área vai mal e que o ministro tem se preocupado mais em bater boca nas redes sociais do que gerir a sua pasta. Os oposicionistas já escolheram, inclusive, a Comissão de Educação da Câmara como palco para o duelo. A esquerda vai tentar arrematar o comando desse colegiado na distribuição das comissões técnicas da Casa, a partir da semana que vem.

Uma coisa e outra coisa

A ideia do governo de unir as reformas tributária e administrativa não vai vingar. Os congressistas não farão nada que possa comprometer a imagem dos partidos na eleição municipal. O que vai prevalecer é a tributária.

Foca no balneário

A prefeitura do Rio de Janeiro é vista como uma das poucas que o PSol deve arrematar. Por isso, a ordem é dedicar todo o esforço do partido à eleição de Marcelo Freixo.

Ocupa 02/ Cresce a preocupação de personalidades do governo com o fato de o vereador Carlos Bolsonaro desistir de disputar a reeleição. É que, se com mandato, ele, de vez em quando, dava problema, imagina sem serviço.

Só restará um/ Lula vai sentir hoje o pulso dos pré-candidatos do partido a prefeito de São Paulo. São seis, e a aposta é de que alguns estão apenas dando um jeito de ampliar a exposição. Como o dinheiro está curto, não vai dar para fazer muita marola.

Briga de família e de partido/ Já foi avisado ao senador Humberto Costa (PT-PE) que ele se prepare para ajudar a campanha de Marília Arraes à Prefeitura de Recife. Aliás, quem acompanha o ex-presidente garante que Lula dirá isso hoje ao seu ex-ministro.

E o Witzel, hein?/ Depois da gravação da conversa com o presidente em exercício, Hamilton Mourão, é consenso entre os políticos que o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, não passará de sonho de uma noite de verão na política. Vale registrar pra cobrar depois.

Inexperiência política fará PSL perder presidência da CCJ

Bia Kicis PSL
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A Câmara vai começar 2020 escanteando o grupo mais ligado ao presidente Jair Bolsonaro, leia-se a deputada Bia Kicis (PSL-DF), da presidência da comissão mais importante da Casa. O PSL havia fechado um acordo para que ela comandasse a Comissão de Constituição e Justiça, no sistema de rodízio. O entendimento dos demais partidos do bloco que definiu a distribuição das comissões em 2019 é o de que o acordo para o rodízio é de partidos e não de pessoas dentro da mesma bancada.

Comeu mosca

O PSL, tão envolto nas brigas internas e com líderes recém-chegados às manhas de linguagem do poder, não perguntou à época aos demais partidos que tipo de rodízio era. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, tem dito inclusive que o PSL só ficou com a CCJ no primeiro ano, por causa do acordo de revezamento entre as legendas. Agora, terá que se contentar com um espaço menor. Em política é assim: Quem entende e pode mais chora menos.

Causa perdida

Bia Kicis ainda vai tentar disputar pelo PSL levantando a bandeira do presidente Jair Bolsonaro. Porém, com as outras legendas fechadas no acordo do bloco, a chance de sucesso é zero. Nesse rodízio, há quem diga que restará ao PSL uma fatia de “pão de alho”. E fria.

Bolsonaro testa os limites de Moro e tem Fraga na “reserva”

Bolsonaro e Sérgio Moro
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Ao dizer hoje cedo que a chance e recriação do Ministério da Segurança Pública é “zero” nesse momento, o presidente Jair Bolsonaro deixa claro que não quer ver o ministro da Justiça, Sérgio Moro, fora do governo. E ao completar que, em politica, as coisas mudam, acrescente que, no futuro, tudo pode ser diferente. Assim, aos poucos, Bolsonaro vai testando a capacidade de o ministro “engolir sapos”. Até aqui, Moro já engoliu vários constrangimentos.

O primeiro foi a ordem para revogar a nomeação e Ilona Szabó para o conselho de Politicas Criminais. Depois, o país ouviu o presidente dizer que, ao fecho a nomeação de Moro para a Justiça, havia acertado no pacote a ida do ministro para o Supremo Tribunal Federal, passando a ideia de que Moro no Poder Executivo era apenas um “pit stop” até que a vaga para o STF estivesse aberta (será aberta em novembro deste ano, com a aposentadoria do ministro Celso de Mello).

Moro não gostou desses dois primeiros “sapos”. Ele foi para o governo com a promessa de junção das duas pastas, Justiça e Segurança. Anunciou inclusive que sua missão era usar essas duas áreas para tentar sufocar o crime organizado no país. O presidente, por sua vez, que faria essa união, ao fechar a ida do ex-juiz para a sua equipe em novembro de 2018. Naquele dia, estávamos nós, jornalistas, na porta do condomínio do então presidente eleito, esperando a saída de Moro, que confirmou o convite.

O próprio Bolsonaro, em entrevista naquele dia às emissoras católicas, confirmou a união das pastas como uma das condições para que Moro aceitasse o cargo. Por isso, aliados do presidente ontem ficaram constrangidos quando o capitão declarou há dois dias que Moro foi para o governo sem que houvesse a promessa de junção das duas pastas. Essa promessa houve e foi revelada pelo próprio presidente à época.

Fraga na reserva

As pressões para recriação a pasta vão além dos secretário de Segurança Publica e Bolsonaro resiste. Aliás, auxiliares de Bolsonaro frisam que as imagens do encontro no Planalto com os secretários de Segurança Pública deixam claro algum desconforto do presidente ao dizer que estudaria a criação do ministério da Segurança. Em conversas reservadas, os assessores disseram inclusive que Bolsonaro deu uma declaração protocolar, para não deixar que os secretários saíssem dali com as mãos abanando. Porém, como cada declaração presidencial equivale a um tiro de canhão, o estrago estava feito.

O ex-deputado Alberto Fraga, que conversa com o presidente quase todos os dias, procurado por jornalistas, foi direto ao dizer que “Moro não foi o responsável pela redução dos homicídios no Brasil”. Fraga, que é policial, atribui os números ao trabalho conjunto de policiais militares, civis e bombeiros. Ele é considerado o nome mais próximo de Bolsonaro para assumir a Segurança Publica. E, justiça seja feita, Fraga também destacou que Bolsonaro não havia dito que iria recriar a pasta.

Hoje, o presidente deixou isso mais claro: Não vai recriar o Ministério. A população, por sua vez, já sabe, pelo menos, um dos limites de Moro, que ainda é o ministro mais popular do governo. Por enquanto, o presidente escolheu ficar com Moro e, consequentemente, um Ministério da Justiça mais encorpado. E, assim, termina mais um capítulo da guerra fria entre o presidente e seu ministro mais popular. Segue o baile.

Para secretários estaduais, redução de crimes não foi obra única de Moro

Sérgio Moro
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O presidente vai deixar “decantar” a pressão dos secretários de Segurança para a criação do Ministério da Segurança Pública. Embora diga que está estudando o tema, a mudança ainda não está selada. A grita política dos secretários, no momento, é frisar que a redução das taxas de homicídio do país não foi obra única e exclusivamente do ministro da Justiça, Sérgio Moro. Eles querem colocar a própria digital nesses números.

Segura isso aí

Para Bolsonaro, o discurso também vem a calhar. Afinal, Moro até aqui isolou os líderes do crime organizado em presídios federais de segurança máxima e liberou os recursos dos fundos desse setor por decisão judicial. Quem reduziu os crimes, avaliam vários especialistas dessa área, foi o trabalho conjunto das polícias Militar, Civil e Bombeiros. Ou seja, as forças de segurança estaduais e municipais que não estão sob o guarda-chuva de Moro.

Quem pisca primeiro

Bolsonaro, com essa cobrança dos secretários, tem agora a faca na mão para fatiar o ministério de Moro e, de quebra, nomear mais um aliado da sua confiança para o governo. Na fila, está o ex-deputado Alberto Fraga, um curinga que ainda não conseguiu uma colocação, e é hoje fiel escudeiro do presidente. Fraga no comando da Polícia Federal é a certeza de que o presidente terá um ministro que, esse sim, estará com ele “de corpo e alma”. Mais do que Regina Duarte.

Situação jurídica de Fraga deve ser decidida em fevereiro

Os políticos que não desejam apoiar a reeleição de Bolsonaro começam a vislumbrar uma janela para tentar reduzir o favoritismo que o presidente apresenta nas pesquisas: não aliviar para cima do senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ) e as “rachadinhas”. Especialmente, aqueles servidores que o atual senador dividiu com o pai.

Carnaval salgado

Aqueles que costumam alugar seus apartamentos, para o carnaval de Salvador, praticamente dobraram os preços em relação ao ano passado. De R$ 6 mil, R$ 7 mil, saltou para R$ 12 mil.

O centro e o estádio

O megacentro de convenções de Salvador custou R$ 130 milhões e tem tudo para levar investimento e divisas aos baianos. Já o estádio Mané Garrincha do DF…

O grande vitorioso

Ok, muitos querem a vaga de Bolsonaro. Mas ninguém da ala de centro-direita da política encontrou o ponto certo para fazer frente ao projeto econômico do governo. Guedes é elogiado por todos, de público e nos bastidores, e aplaudido de pé em Davos.

DEM na fita/ O presidente do Democratas, ACM Neto (foto), inaugurou o Centro de Convenções de Salvador com uma festa para duas mil pessoas. Rui Costa, que criticou a localização do complexo à beira-mar, promete fazer outro, distante da praia.

Agora não precisa mais/ O governador promete o novo centro de convenções desde 2016. A cidade já perdeu quase R$ 1 bilhão por deixar de realizar feiras e seminários internacionais. Resta aos petistas agora, diz Neto, atrair eventos para o centro recém-inaugurado, onde figura um busto do ex-senador e ex-governador Antônio Carlos Magalhães.

Foi dada a Largada/ A inauguração do Centro marcou o fim da convivência pacífica entre o prefeito da capital e o governador da Bahia. Com a eleição municipal logo ali, a cidade virou ponto de honra. ACM Neto quer fazer o sucessor e Rui Costa quer conquistar o território.

Que briguem/ Os soteropolitanos nunca foram tão felizes. É que, diante da disputa entre o prefeito e o governador para ver quem faz mais obras, quem ganha é Salvador e sua população.

Planalto e quartel-general do PT comemoram resultado de pesquisa eleitoral

Pesquisa Bolsonaro e Lula
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A pesquisa CNT/MDA, que colocou o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula em lugar de destaque no quesito intenção de voto, foi comemorada no Planalto e no quartel-general do PT. Nos dois casos, há um consenso: enquanto o eleitor da esquerda der preferência aos petistas e o conservador, a Bolsonaro, o segundo turno está garantido para os extremos. Pior para o centro, que terá de se organizar melhor, a fim de não entregar tudo de bandeja aos dois personagens que hoje dominam a cena.

Nas hostes bolsonaristas, há a certeza de que hoje ninguém tira a reeleição do chefe. Porém, três anos é quase uma vida. Como lembrou a coluna há dois dias, até lá, Bolsonaro vai tratar de não dar fôlego aos adversários. O mesmo fará Lula. No caso do presidente, a ordem é tirar ar do ministro Sérgio Moro, a quem considera seu principal adversário interno. No caso de Lula, é não dar chance para crescimento do PDT ou do PSB. O PCdoB e o PSol, Lula nunca os tratou como “gente grande”, nem tratará agora.

Ajuda tucana

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está disposto a dar prioridade à reforma tributária, porém, se for ouvir seus aliados, verá que o apoio para colocar a reforma administrativa na frente ultrapassa as fronteiras do Ministério da Economia. Há no PSDB quem comece a pender no sentido de colocar as mudanças na área pública na frente da reforma dos tributos.

“Fazer a reforma tributária antes da administrativa é uma falta de visão do Brasil. É trocar o ralo. A administrativa é a mais urgente”
Nelson Marquezan Júnior (PSDB), prefeito de Porto Alegre

A prova do apoio

Todas as propostas do governo que não passarem pelo crivo dos partidos de centro estão fadadas ao fracasso. Já foi assim com a carteirinha de estudante, será assim com o DPVAT. Quando o Congresso voltar à ativa, os líderes vão tratar desse tema para tentar colocar um ponto nessa celeuma de restituição do seguro obrigatório.

E o juiz, hein?

A decisão de Luiz Fux de suspender indefinidamente o juiz das garantias colocou tudo no ponto que a turma da Lava-Jato queria, ou seja, deixa o tempo passar para ver como é que fica.

CURTIDAS

A volta de Carluxo I/ O vereador Carlos Bolsonaro, do Rio de Janeiro, voltou a tuitar enlouquecidamente sobre temas nacionais. Quase nada sobre o Rio de Janeiro. Ontem, por exemplo, fez coro com uma expressão de baixo calão “teu **” e travou uma guerra contra o deputado Julian Lemos (PSL-PB). Ao ponto de o parlamentar dizer: “Me esqueça, seu psicopata”.

A volta de Carluxo II/ Em se tratando do filho de um presidente da República que sonha em um Brasil mais educado, seria interessante os rebentos darem o exemplo e tratarem de modificar o vocabulário. #ficaadica.

Atitude & discurso/ Para se diferenciar de Luciano Huck em Davos, o governador de São Paulo, João Doria, não ficou apenas na falação. A agenda dele esteve até aqui repleta de encontros e anúncios de novos investimentos. Huck, que não tem um cargo público que lhe permita um desfile desse porte, disse, em suas redes sociais, que está na fase da vida em que deseja “aprender”. Faz bem.

A política passa pela Bahia/ O prefeito de Salvador, ACM Neto, que também é presidente do DEM, inaugura hoje o Centro de Convenções da cidade com a presença de todos os pesos-pesados de seu partido. Será uma festa para mostrar o prestígio dele no Democratas e no cenário nacional. Seja na ala mais conservadora, seja no PT, a Bahia mantém sua importância no desenho da política nacional.

Aproximação de Regina Duarte com FHC pode causar ciumeira na ala olavista

Atriz Regina Duarte
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Se a atriz Regina Duarte tem algum grande amigo na política, esse nome é Fernando Henrique Cardoso. Ela, inclusive, participou da última viagem do então presidente a Nova York. Certamente, será um dos conselheiros em relação à gestão pública.

Regina e Olavo/ Regina não tem qualquer entrosamento com o escritor Olavo de Carvalho. E essa aproximação com Fernando Henrique pode terminar provocando a maior ciumeira na ala olavista, que já não recebeu muito bem a chegada da atriz.

A vida é escolha/ Regina, sempre corretíssima em suas atitudes, já disse que está de “corpo e alma” no apoio a Bolsonaro. E, entre Olavo, que nem no Brasil mora, e a atriz, o presidente também já deu demonstrações de que prefere a “noiva”.

Moro muda de opinião no caso Marielle para manter distância das milícias

Sérgio Moro
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A mudança de posição do ministro da Justiça, Sérgio Moro, em relação à apuração do caso Marielle Franco está diretamente relacionada à vontade de o ex-juiz e de seus apoiadores tomarem uma distância regulamentar das milícias do Rio de Janeiro. Em especial, depois que o presidente Jair Bolsonaro acusou o governador do estado, Wilson Witzel, de querer envolver a família presidencial com os suspeitos. No ano passado, Moro defendeu a apuração, pela Polícia Federal, do assassinato da vereadora e de seu motorista. Entretanto, há quem o tenha alertado de que qualquer atitude do governo federal nessa investigação seria mal-interpretada. Portanto, melhor deixar como está.

Quem não se comunica…

Na primeira reunião ministerial do ano, o presidente Jair Bolsonaro cobrou de seus ministros mais divulgação das ações de governo. Inclusive na área ambiental, parte do primeiro escalão acredita que um dos erros foi o governo não ter difundido mais as ações de combate aos incêndios na Amazônia depois que percebeu o tamanho do problema.

.. Se estrumbica

Alguns ministros lembraram que governadores têm feito várias solenidades sem a presença de autoridades do governo federal. Citaram até a entrega de moradias dentro do Minha Casa Minha Vida e ambulâncias custeadas com recursos federais como se fossem fruto unicamente do esforço estadual.

Ficou pior…

A fala do ministro da Economia, Paulo Guedes, no Fórum Econômico Mundial de Davos, culpando os pobres pelo desmatamento, deixou os investidores para lá de desconfiados. Quem estava na plateia viu muito investidor descrente em relação ao compromisso do Brasil com a sustentabilidade.

… mas, aqui, aliviou

O lançamento do Conselho da Amazônia, coordenado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, foi visto como um gol que atenuou o discurso do ministro. Porém o Brasil terá de convencer os investidores de que seu posicionamento, agora, é diferente. Ou seja, se tudo ficar só no papel, não vai.

Polêmica da hora

A denúncia contra o jornalista Glenn Greenwald vai desaguar no Supremo Tribunal Federal. O ministro do STF, Gilmar Mendes, já havia dito que Greenwald não poderia ser investigado por divulgar o material, e existe o direito constitucional ao sigilo da fonte. Porém o Ministério Público entendeu que houve envolvimento dele com um hacker, ou seja, um criminoso. Essa discussão ainda vai render muito até que se chegue a um veredicto.

Doria e Huck/ Tem gente torcendo para que os dois aproveitem a estada em Davos para conversar um pouco sobre 2022, um futuro que a Deus pertence. O problema é que qualquer conversa, agora, não terá a validade de um iogurte.

Bolsonaro quer dar carta branca a Regina Duarte

Bolsonaro e Regina Duarte
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Para aproximar o governo dos artistas conservadores, Bolsonaro está decidido a dar carta branca à quase secretária de Cultura, Regina Duarte. Especialmente, para nomear os demais cargos da secretaria. Até aqui, ele fez isso com seus ministros. Ou quase todos.

Falta combinar

Essa “carta branca”, às vezes, “amarela”. Ocorreu, por exemplo, com o ministro da Justiça, Sérgio Moro. Ele teve de revogar a nomeação de Ilona Szabó para o Conselho Nacional de Política Criminal. Uma dessas, dizem alguns artistas, Regina Duarte não vai tolerar.

Regina e os cegos/ A quase futura secretária de Cultura, Regina Duarte, é velha conhecida do Festival de Cinema de Brasília. Ela foi a primeira atriz de primeira grandeza a apoiar o projeto Cinema para Cegos, desenvolvido pelo ex-secretário Silvestre Gorgulho. Quando o governador Agnelo Queiroz (PT) assumiu, relembra Silvestre, o projeto acabou.

Sem partido, Bolsonaro já definiu quem apoiará nas eleições municipais

Bolsonaro eleições municipais
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Ainda sem um partido para chamar de seu nas eleições deste ano, o presidente Jair Bolsonaro vai apostar naqueles candidatos que não forem entraves a seus projetos presidenciais atuais e futuros. Daí, a deferência ao prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, anfitrião do encontro do presidente com os pastores. Em São Paulo, até aqui, Bolsonaro aguarda os movimentos do apresentador José Luiz Datena, que ainda está sem partido e hoje se apresenta como pré-candidato.

Quem for conservador e não estiver com os governadores Wilson Witzel, no Rio, nem com João Doria, em São Paulo, tem meio caminho andado para conseguir o apoio de Bolsonaro. Esses são os dois nomes que o presidente vê como principais adversários hoje.

Davos, com “D” de Doria

O governador de São Paulo, João Doria, é o brasileiro que mais deve faturar politicamente no Fórum Econômico Mundial, da abertura ao encerramento. Antes mesmo da festa de abertura, ele já estava reunido com representantes de empresa de reciclagem, embalado com a ideia de economia sustentável difundida nesta 50ª edição do evento.

O lado bom

Até aqui, as menções ao Brasil nas reuniões de Davos não deixaram a desejar e tudo por causa da reforma da Previdência. O ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda pretende aproveitar a elevação da expectativa de crescimento brasileiro este ano, por parte do Fundo Monetário Internacional, para fazer propaganda do país.

Reprise

Antes da abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, no ano passado, houve uma reunião sobre mudanças climáticas e outra específica sobre a Amazônia, sem a participação do governo brasileiro. Agora, em Davos, essa reunião ficou para o fim. E, mais uma vez, sem a voz das autoridades brasileiras.

Deu ruim I/ O descaso com o abastecimento de água no Rio de Janeiro deixou o governador Wilson Witzel em baixa perante o eleitorado. E a história de sabotagem sem provas cabais ficou pior. No caso das cervejas, em Minas, havia suspeitos. Até aqui, Witzel não apresentou nada e expôs o descaso neste primeiro ano de governo.

Deu ruim II/ Para quem chegou todo cheio de si e prometendo fazer do Enem 2019 o melhor da história, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, deixa a desejar com a identificação do erro que afetou 5.974 estudantes. Pelo menos, trabalhou rápido para corrigir. Agora, para o melhor da história, esperemos, quem sabe, o Enem 2020.

Enquanto isso, na Bahia…/ Não está muito “festiva” a relação entre o governador baiano, Rui Costa, e o senador Jaques Wagner, seu padrinho político. Mais um entre tantos casos em que a criatura pretende ultrapassar o criador. Já dizia Al Pacino, em sua performance no filme o Advogado do Diabo: “Vaidade, meu pecado predileto”.

Ausência de Bolsonaro em Davos preocupa diplomatas

Davos
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Em um ano de governo, o presidente Jair Bolsonaro não conseguiu criar um ambiente favorável junto à elite política e econômica da Europa. Sua ausência em Davos indica ainda que ele não tem paciência para fazer essa corte aos europeus, deixando a tarefa para o ministro da Economia, Paulo Guedes. A preocupação dos diplomatas, entretanto, é grande. Embora o ministro tenha “turma” nos bancos, não discutirá com os presidentes de igual para igual.

A esperança de parte da diplomacia brasileira era a de que Bolsonaro chegasse a Davos desfilando a maravilha de ter aprovado a reforma da Previdência, algo que a França não conseguiu. Esperava-se ainda uma resposta em termos de investimentos na economia sustentável, como a não aplicação de tarifas à energia solar. E o meio ambiente? Como o presidente não vai, a expectativa é a de que esse tema volte a reinar, da mesma forma como floresceu nas reuniões prévias da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro, que não contaram com a participação do governo brasileiro. Pior para o Brasil.

Prévia preocupou…

Diplomatas que acompanharam as reuniões da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na Alemanha, saíram com a certeza de que, por mais que os executivos do poder público se esforcem, não conseguem mudar a visão dos europeus de que o agronegócio brasileiro é predador.

… E por pouco não piora

Houve, entre os nossos embaixadores, quem estivesse se preparando para ter que socorrer a ministra em explicações sobre o desastroso discurso que derrubou o secretário da Cultura, Roberto Alvim. Mas, na avaliação deles, o governo agiu rápido e não foi preciso se explicar aos alemães. A nota do presidente Jair Bolsonaro tranquilizou os diplomatas.

Eletrobras, a próxima guerra

No retorno dos trabalhos do Congresso, os opositores da privatização da Eletrobras vão fazer carga em cima dos números apresentados pelo governo sobre a situação financeira da empresa a fim de justificar a operação. O alvo é o discurso do secretário especial de Desestatização, Salim Mattar, sobre a União ter que colocar R$ 14 bilhões por ano na estatal, caso a privatização não seja feita a curto prazo.

Tem nome e endereço

Quem vai chamar para a briga é o deputado Danilo Cabral (PSB-PE): “Que história é essa de que a Eletrobras precisa de dinheiro do governo? A Eletrobras dá lucro, paga dividendos à União e só não investe mais porque o governo não quer”. Assim como o ministro das Minas Energia, Bento Albuquerque, ele também vai conversar com os líderes partidários para esclarecer que a Eletrobras não é deficitária e mostrar dados sobre os prejuízos que a privatização da empresa e da Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) podem trazer à segurança energética do país.

Rescaldo cultural/ Se o governo quiser provar que, realmente, não compactua com o totalitarismo, terá que mudar também a política do setor de Cultura, apresentada pelo ex-secretário Roberto Alvim. Pelo menos, os congressistas farão carga para mudanças na política.

Descompasso/ Os comandantes do Congresso, o deputado Rodrigo Maia e o senador Davi Alcolumbre, definiram como prioridade a reforma tributária, enquanto o governo quer apostar na administrativa. Alguém vai perder essa parada.

Musa maranhense/ ex-governadora Roseana Sarney (foto) está sob forte pressão de aliados para disputar a Prefeitura de São Luís. Resistirá enquanto puder.

Aguenta aí, embaixador!/ No meio diplomático, há quem esteja disposto a pedir a Nestor Forster que espere um pouco mais, antes de agir como embaixador em Washington. Embora tenha saído o agrément do governo dos Estados Unidos, ainda falta a sabatina, a votação na Comissão de Relações Exteriores do Senado, e no plenário.