Taxar pode ser tachar

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    As palavras são enganosas. Às vezes parecem o que não são. É o caso de intempestivo. O vocábulo não tem nada que ver com temperamental. Refere-se a tempo, prazo. Os advogados o usam a torto e a direito. Volta e meia, lá está a declaração: “O recurso foi apresentado de forma intempestiva” (fora do prazo).   Outras vezes, são o que parecem não ser. Vale o exemplo de taxar. Seu significado vai além de tributar. Atrevido, o verbo avança no território do tachar. Aí, quer dizer avaliar, julgar, qualificar: Taxou a apresentação de perfeita. Taxou-o de ignorante.   Uma vez perguntaram ao velho professor Aires da Mata Machado Fº o porquê da ousadia. Ele ensinou: “O nó da questão está na etimologia e na semântica dos vocábulos. Taxar é regular o preço de alguma coisa. Daí avaliar, julgar. Assim, examinando o procedimento de alguém, posso taxá-lo de exemplar ou de incorreto. Mas não ficaria bem dizer que alguém tachou de exemplar seu procedimento.   Tachar vem de ‘tachar´, que quer dizer mancha, defeito. Explica-se, pois, a mistura de águas nas vertentes semânticas dos dois vocábulos. É erro dizer tachar de bom um trabalho. Mas tanto se pode dizer taxar de bom como taxar de mau. Ambos os verbos significam, ao cabo de contas, o resultado de um julgamento”.   Mas há um porém. A língua é como a mulher de César. A poderosa senhora, dizia-se em Roma, não só tinha de ser honesta. Precisava parecer honesta. A palavra não só tem de ser correta. Tem de parecer correta. É senso comum considerar taxar o ato de cobrar taxa. E tachar, avaliar, considerar. Assim: O diretor tachou o auxiliar de preguiçoso. O governo taxa pesadamente o contribuinte.   Vamos combinar? No dia a dia, siga a maioria. Em provas, vestibular e concurso, faça valer seus direitos. Se você perder pontos ao usar taxar como o dicionário abona, recorra. Com uma certeza – o que é seu ninguém tasca.