Golpes novos na praça

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    DAD SQUARISI /// dadsquarisi.df@diariosassociados.com.br   Muitos carros, novos golpes. Alguns sofisticados; outros vira-latas; todos engenhosos. Um deles foi descoberto no Rio. Quadrilha comprava veículos de luxo com a validade da blindagem próxima do fim. No caso, o preço despenca, mas o valor do seguro se mantém. O proprietário, tempos depois, simulava o roubo do carro e comunicava o fato à polícia. Em dois anos, as seguradoras arcaram com R$ 2 milhões.   Em Brasília também há novidade na praça. Motoristas fingem que tiveram o carro batido. O acusado nem liga porque não bateu. O acusador fotografa a placa e entra no juizado de pequenas causas, de preferência distante do Plano Piloto. Pede indenização de R$ 250, R$ 300, R$ 350 pelos “danos” materiais. Pede, também, valor um pouco maior a título de danos morais. Intimada, a vítima vai para a audiência de conciliação. Mas o conciliador, despreparado, não obtém êxito. Marca, então, audiência com o juiz.   É a palavra de um contra a de outro. Até provar que tomada não é focinho de porco, lá se vão tardes e tardes desperdiçadas nos corredores da burocracia. O empregado perde horas de trabalho. O profissional liberal deixa de atender clientes e, conseqüentemente, de receber os honorários. Resultado: uns e outros pagam pra se livrar do processo. Desembolsar a “indenização” sai mais barato que o infindável vaivém até provar a inocência. (A legislação não prevê pagamento de danos morais em caso de acidente de trânsito.)   Mais um? Cuidado se bater o carro numa motocicleta. Há relatos de pessoas que se envolveram nesse tipo de acidente, quiseram socorrer a vítima, mas tiveram o auxílio dispensado com o argumento de que não acontecera nada. Depois, foram surpreendidas com a denúncia de que fugiram sem prestar socorro. Sobram colegas dispostos a testemunhar o ocorrido.   Moral da história: não vale bancar o inocente. É melhor pôr as barbas de molho — registrar a ocorrência, fotografar o carro e, se tiver sorte, convocar testemunhas. Como diz Stanislaw Ponte Preta, “o sol nasce para todos; a sombra, para quem é mais esperto”. .