AGUA

Quanto de água devemos tomar?

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Poucos sabem, mas no século 19 para se dignarem a beber água a pessoa tinha que estar à beira da morte. Somente a classe mais baixa da sociedade saciavam sua sede com água.
Hoje os tempos são outros. Todos os dias somos bombardeados com mensagens nos recomendando a tomarmos litros de água todos os dias. Justificativas para termos uma boa saúde, nos sentirmos mais dispostos, além de perdermos peso e evitarmos o câncer.

Em Londres, no verão, passageiros são estimulados a viajar com suas garrafas d`água, alunos são motivados a levar água para a sala de aula, e algumas reuniões só se iniciam após a jarra de água estar no meio da mesa.

Ouvimos muito a “regra do 8×8”, que consiste em uma recomendação não oficial de que devemos tomar oito copos de 240 ml de água por dia, o que equivale a quase 2 litros diários.
Só que essa “regra” não tem o respaldo científico, e essa recomendação vem de interpretações equivocadas de duas fontes distintas de décadas passadas. Em 1945, o Comitê de Nutrição de Alimentos do Conselho Nacional de Pesquisas dos EUA recomendou que fossem consumidos 1 ml para cada caloria contida nos alimentos (somente para adultos).

Em mulheres que tinham uma dieta de 2 mil calorias diárias, esse valor seria equivalente a 2 litros e em homens, esse valor eleva para 2,5 litros. Só que essa recomendação não tratava exclusivamente de água, mas sim de qualquer tipo de líquido.

Mas uma coisa é certa, a água é importante. Ela representa dois terço do nosso peso corporal, além de transportar nutrientes e resíduos ao redor do nosso corpo, regula nossa temperatura corporal, lubrifica e amortece nossas articulações e está diretamente ligada nas reações químicas que ocorrem no nosso organismo.

Através do suor, urina e respiração, estamos constantemente perdendo água, e temos que garantir um estoque interno para evitarmos a desidratação. Os principais sintomas da desidratação ocorrem quando perdemos entre 1% a 2% de água do nosso corpo, e podem ser identificados por: urina amarela bem escura, tontura, lábios secos, urinação menor que 4 vezes por dia, e o maior deles…a sede. Em casos mais extremos, a desidratação pode levar a morte.

Esses vários anos desde a recomendação do Comitê Americano fomos levados a acreditar que sentir sede era sinal de risco de desidratação. Vários especialistas apontam que não precisamos de mais líquido do que perdemos, pois o regulação da desidratação é uma dos mecanismos mais sofisticados que adquirimos durante à evolução, desde que nossos ancestrais saíram do mar para a terra.

O cérebro em um organismo saudável identifica quando ele está desidratado e sinaliza a sede para estimular a beber água, e ao mesmo tempo envia hormônios estimuladores para os rins reterem a água na urina. O corpo avisa quando está desidratando.
Outro mito é de que somente a água nos hidrata. Embora ela seja mais saudável devido à ausência de calorias, outras bebidas também tem a capacidade de nos hidratar.
O conceito de que necessitamos estar o tempo todo hidratados justifica as pessoas andarem com suas garrafas para todos os locais que vão, e acabam ingerindo mais água do que seu corpo realmente necessita.

Uma pessoa perde no deserto até dois litros em uma hora através do suor, o que é muito difícil. Para vários especialistas, não existe a necessidade de sair com uma garrafa de 500 ml porque nunca irá ficar tão quente a ponto de você perder essa quantidade pelo suor.

Conforme vamos envelhecendo, nossos mecanismos de sede vão perdendo a sensibilidade. Geralmente por volta dos 60 anos estão mais suscetíveis à desidratação mais intensa. Por isso a partir dessa faixa etária, devemos estar mais atentos aos nossos hábitos de consumo de líquidos.
Outros fatores que estão diretamente ligados à variação no consumo de água são: estrutura corporal, gênero, ambiente e a intensidade das atividades físicas. É importante frisar que devemos pensar na necessidade de líquidos equivalente a necessidade de energia.