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Entrevista com Reginaldo Veras

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BSN – Como que você se avaliaria hoje como professor?

Veras – Eu sou o mesmo professor Reginaldo da vida toda. Procuro não relacionar a atividade em sala de aula com a vida política. Entro calado e saio mudo. Me esforço para dar uma aula bem animada e entrego o meu máximo. Quem assistiu aula comigo há 20 anos atrás diz que só mudou o cabelo branco. A alegria continua a mesmo. Dou aula desde 1990. Comecei dando aula de espanhol para o preparatório do UniCeub.

BSN – Qual a perceptiva para a educação daqui há 10 anos?

Veras – Que não irá mudar. Creio que poderá piorar. A reforma do Ensino Médio que só podermos avalia-la daqui uns 10 anos. Voltaremos a prática do Tecnicismo. O ideal era integrar o academicismo com o tecnicismo. Não vejo a Educação brasileira evoluindo muito. Principalmente a pública. Sou pessimista e vejo impactos negativos.

BSN – E sobre a BCNN (Base Nacional Comum Curricular)?

Veras – Foi uma mudança que já havia vindo sendo debatido. A prática é coletiva, mas a elaboração não foi. Existe uma base que já está avessa e obriga o professor a engolir essas imposições.

BSN – E os resultados do IDEB? O que você achou?

Veras – O problema é que os diretores e professores não compreendem os cálculos do IDEB. O problema é a Prova Brasil. A forma como ela é feita de qualquer forma altera os resultados e o nosso aluno não é preparado. Não tem uma referência e as questões fogem do uso diário dos estudantes. Tem que se valorizar e mostrar para o professor como prepara-los. Mas de 70% das escolas não tiveram um número mínimo de alunos. O conteúdo não é compatibilizado. O IDEB não pode ser o balizador do ensino no Brasil.

BSN – Dentro do seu mandato, como você se avaliaria?

Veras – Nota 7,0. Acho que no que nos propormos a fazer, conseguimos atingir alguns pontos válidos. A meta para o segundo mandato é aumentar a fiscalização e tentar descobrir erros vinculado à área de saúde.

BSN – Quais os principais problemas na educação no DF?

Veras – Infraestrutura das unidades escolares. Escolas com banheiros precários, quadras que não são cobertas, e por ai vai. Nove entre 10 escolas no DF precisam de reforma. O segundo problema é a participação da família, principalmente no fundamental II e médio. Terceiro é a valorização do professor.

BSN – Veras, deixe uma mensagem para todos os leitores do Bio sem Neura.

Veras – Não tem outro caminho para a ascensão, sucesso e transformação do que a educação. Se o Estado acreditasse na educação assim como as famílias acreditam, teríamos uma evolução gigantesca.