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Entrevista com Adriana Nunes da Cia de Comédia Os Melhores do Mundo.

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Entrevista com Adriana Nunes da Cia de Comédia Os Melhores do Mundo. Adriana Nunes nasceu em Brasília, é atriz formada na Faculdade Dulcina de Moraes já dirigiu e atuou em mais de 25 espetáculos, sedo assistida em por mais de 3 milhões de pessoas.

BSN – Primeiramente muito obrigado por ter aceito o convite e gostaria de começar com a pergunta: O que é educação para você?

Adriana Nunes – Educação é todo o conhecimento que a gente adquiri e que vai formando a nossa convivência e a relação com a sociedade e com o mundo. É tudo que a gente aprende a partir do nosso nascimento.

BSN- Um momento marcante na sua vida educacional em Brasília.

Adriana Nunes – Toda a experiência que a gente tem na escola, na vida escolar, é sempre interessante de alguma forma. Mesmo sendo ruim ela é o que vai moldando a gente. Então, eu tive uma educação infantil em uma escola muito interessante aqui em Brasília que eu acho que contribuiu muito para que eu fosse artista que é a escola Maria Montessori, que fica ao lado do Parque da Cidade. Eu sou do início de Brasília, sou de 1969 e essa escola, além da educação Montessoriana, tem um aspecto diferente. Ela tem castelos, carrossel e trenzinho. Isso incentivava as brincadeiras de imaginação e do lúdico. Acredito que é o que a educação hoje perdeu. É uma característica não só para quem é artista. O lúdico é exigido em todas as áreas e está sendo tirado não só e pelas escolas, mas pelos pais que estão obrigando as crianças a lerem cada vez mais cedo e deixando de brincar.

BSN – Você vê nessa escola o incentivo para ser uma atriz?

Adriana Nunes – Sim, vejo. Além da minha educação em casa. A minha mãe era de um grupo de teatro, então eu acompanhei desde cedo. Ela também pintava, desenhava e costurava os figurinos. Isso dentro de casa foi muito importante para mim. E eu mantive na educação dos meus filhos também. Eu sempre tinha com eles cadernos, lápis, canetinhas e tintas. Todos desenham. A mais velha é ilustradora e o outro é músico e desenha muito.

BSN – Acredita que esses talentos possam ter sido transmitido geneticamente?

Adriana Nunes – Acho que sim, de alguma forma. Mesmo que a área exercida não seja aquela diretamente, com certeza as características dos pais deve influenciar nas escolhas das crianças de alguma forma. A mais nova quer fazer medicina e não tem ninguém em casa que atue nessa área. Outro dia ela desenhou um coração lindo com as várias artérias.

BSN – Dentro do teatro você identifica uma ação que a escola não consegue realizar?

Adriana Nunes – O teatro é uma das artes mais antigas do mundo e educa de uma outra forma. O que é apresentando através do teatro de algum jeito fica marcado nas pessoas. Toda forma de educação que o teatro passa, o conhecimento que uma peça teatral pode passar, é assimilado de maneira que não é esquecido. A educação tem muitas matérias e nem sempre tudo fica marcado e gravado. Uma peça que transmite um conhecimento muitas vezes e carregado por toda uma vida.

O teatro deveria ser mais utilizado. Aqui em Brasília eu já vi várias peças levando conteúdo para o Enem. Na literatura os quadrinhos estão retratando as grandes obras que é assimilado com mais facilidade. O teatro gera um impacto. A primeira peça que a pessoa assiste vai ficar marcada.

BSN – Na elaboração dos roteiros como vocês trabalham com a pesquisa e como atualizam e contextualizam o texto?

Adriana Nunes – Todas as peças são um pano de fundo para falarmos da atualidade e do cotidiano. A gente escolhe um pano de fundo e fazemos brincadeiras que estão dentro da realidade do local.

BSN – Pensando em uma educação no futuro, quais seriam os pontos essenciais para uma transformação?

Adriana Nunes –  Todo mundo que está ligado à educação não deve fechar os olhos para as tecnologias. Principalmente as pessoas mais velhas que costumam ter uma aversão aos computadores. A educação tem que orientar dentro do contexto e saber como e onde pesquisar. Mostrar como a tecnologia pode ajudar no progresso educacional. A literatura não perdeu a força. Hoje eu leio praticamente livros eletrônicos porque viajo muito.

BiSN– O que você está lendo hoje?

Adriana Nunes – Estou lendo “O homem sem qualidades” do Robert Musil.

BSN – Quantos livros você lê por ano?

No último ano li 15 livros. Foi o ano que eu mais li. Acredito que seja por causa da internet. Porque eles estavam mais acessíveis. Foi um ano que eu trabalhei muito e no deslocamento de um lugar para outro, aproveitava para ler.

BSN – Deixe uma mensagem de estímulo para quem pretende fazer teatro.

Adriana Nunes – No teatro temos uma carência de várias áreas. As vezes a pessoa que escreve super bem poderia ser um bom redator. Nem sempre você será o ator. Precisamos de todas as habilidades. O teatro pode ser o hobby também. Diferente da medicina que não se pode brincar. As vezes vale a pena praticar por brincadeira. As pessoas estão muito sérias e competitivas. Um curso de teatro pode ajudar a relaxar, pois os exercícios são muito legais. Além de conhecer novas pessoas e socializar.