Trabalho de Hércules no Planalto

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ARI CUNHA – In memoriam

Visto, lido e ouvido

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com Circe Cunha e Mamfil;

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Foto: institutoliberal.org.br

 

Seguidos casos de corrupção, veiculados a cada hora pela imprensa nacional e mesmo estrangeira, reforçam no cidadão a sensação de que a população está abandonada à própria sorte, tendo que se virar como pode quando necessita de segurança, saúde e educação. Fosse o voto um instituto facultativo, possivelmente teríamos eleições com menor taxa de comparecimento de eleitores de todo o planeta. Ocupar o Palácio do Planalto numa situação de baixa popularidade e confiança da população irá exigir esforços ainda maiores e mais intensos do que governos passados.

Reaver a credibilidade perdida junto à população irá requerer ainda tempo longo, com mudanças de práticas desleais há muito enraizadas no país, acabar com privilégios de toda a ordem e, principalmente, fazer valer, na prática, os princípios da transparência total no trato da coisa pública.

Adotadas essas medidas preliminares, a grande tarefa a seguir será controlar os gastos públicos, sobretudo aquele grande porcentual que se esvai pelo ralo da corrupção e da incompetência na gestão.

Para tanto, o novo governante terá que enfrentar o lobby poderoso dos políticos e das corporações nos três Poderes da União. Diante de um desafio dessa magnitude, os Doze Trabalhos de Hércules parecerão coisa de menino. A questão é saber se o novo governo terá força para tamanho desafio e principalmente se ele terá a disposição cívica para uma obra ciclópica dessa natureza.

 

A frase que foi pronunciada:

“O povo perdoa aqueles que o oprimem mas nunca perdoa aqueles que o ludibriam.”

Conde Montalembert, escritor, político e polemista francês da corrente neocatólica.

Charge: Ivan Cabral

 

Engatinhando

Falta mais experiência com a vaquinha eletrônica de doações eletrônicas para campanhas políticas. Mais da metade dos financiadores de campanha adotaram essa possibilidade. Em relação às pessoas físicas, as doações chegaram apenas a 3% das doações.

 

Absurdo

Fato escandaloso nessa eleição, ainda sem jurisprudência, que indique uma punição rigorosa é o número de candidaturas laranjas. Dentro da “inclusiva cota feminina”, 21 candidatas não receberam nem o próprio voto nas urnas.

Foto: Luiz Alberto (diariodigital.com.br)

Prevenção

Só há a possibilidade de uma pessoa votar por outra se houver a cumplicidade de membros da mesa. O eleitor apresenta documento com foto para contrapor à biometria. Se o documento e a assinatura não conferirem, não é possível aceitar. Por isso é importante que todos os eleitores façam questão de assinar o caderno de votação.

 

Mais essa

Um caso desses aconteceu com um candidato ao Senado em Maceió. A briga foi divulgada por Elias Barros, que denunciou não poder votar porque alguém já havia feito.

 

Evolução

Preparada uma reviravolta no mundo empresarial, principalmente para as micro e pequenas empresas. Aprovada pelo Senado, a duplicata eletrônica promete dar mais segurança aos bancos, garantindo o uso de apenas um título para garantir apenas um financiamento.

 

Enquadramento

Depois de várias visitas de inúmeros políticos, gestores e imprensa às cadeias do país, e finalizada a discussão em audiências públicas e CPIs, estados receberão verbas para a construção de novas penitenciárias, inclusive com centro integrado de inteligência.

 

Transição

Ilan Goldfajn, presidente do Banco Central, tem uma certeza: fará a passagem do governo sem maiores problemas. Se vai continuar no cargo ou não, nem a Bloomberg ou Ibovespa podem usar ilações para interferir no mercado.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Participação

Mais uma semana e o país conhecerá o novo presidente da República. Que outras eleições sirvam de exemplo. A atenção deve ser redobrada porque o clima do “Já ganhou” costuma puxar o tapete de candidatos. Principalmente, a população deve participar do pleito até que as portas das escolas sejam fechadas.

Charge: evivaafarofa.blogspot.com/

 

Ag. Brasil

Termina na segunda-feira, no Cine Brasília, a Mostra do Cinema Japonês. Para o ministro da embaixada do Japão no Brasil, Kazuhiro Fujimura, a mostra é uma forma de atrair o público brasiliense para conhecer de perto a cultura japonesa por meio do cinema. “Espero que muitas pessoas conheçam a cultura japonesa e seja ainda mais aprofundado o intercâmbio entre Japão e Brasil”, disse.

Cartaz: nippobrasilia.com.br

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Aos ministros que são contra Brasília, aos deputados que não querem trabalhar aqui, mas receberam o dinheiro para a mudança, embora ainda residam no Rio, há um exemplo a seguir: o do ministro Barros Barreto. (Publicado em 02.11.1961)

No final todos se acomodam

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ARI CUNHA

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Charge do Duke
Charge do Duke

         Com tantas variáveis possíveis envolvidas na atual equação eleitoral do Brasil, prognósticos, sejam eles dos mais balizados cientistas políticos, ou dos mais respeitáveis institutos de pesquisa de opinião, ao adentrar para o terreno movediço da nossa ficção, correm o risco de se ver reduzidos e transformados em gurus, videntes ou feiticeiros.

      O realismo fantástico da política nacional, forjado por nossa cultura e crenças ao longo da história da nação, extrapola e vai muito além da ciência ou mesmo da ficção. O fato é que no dia 8 de outubro o Brasil vai acordar para uma travessia de mais quatro anos, com um time de representantes da população formado em boa parte pelo mesmo conjunto de indivíduos que há décadas vem degradando a política, transformando-a numa espécie de arte da prestidigitação, manipuladas por mãos sempre hábeis de velozes, escondendo e fazendo desaparecer, como mágica, a democracia e a ética.

        Essa é pelo menos a única variável que se pode confirmar como uma constante em nossa equação. O retorno de parte desses caciques que direta ou indiretamente ajudaram a afundar o país na sua mais grave crise é, por enquanto, um dos resultados certos dessas eleições e que indicaria, por quaisquer outros meios, o prosseguimento, sem alteração, do modus operandi do Estado.

       A se confirmar essa tendência, pouca importância passam a ter as outras variáveis. Aumentam as incertezas quanto a desilusão da sociedade com o atual modelo de República, com os partidos políticos e com os próprios políticos. É preciso considerar, enquanto há tempo, o lado da questão da credibilidade das urnas eletrônicas, cada vez mais contestada pela própria população, por legisladores e várias instituições que repetiram a dúvida em relação às urnas durante audiência na CCJ no Senado.  Em uma delas, o procurador Felipe Gimenez, da Associação Pátria Brasil, deixou claro que os princípios republicanos estão sendo deixados de lado já que não há como contar os votos, isso significa a desconsideração à vontade do povo, diz o Procurador. Falta publicidade porque os votos não são impressos, legalidade porque nem a minirreforma nem a Constituição foram acatadas pelo STF. Falta moralidade e respeito à cidadania, disse o participante da audiência.

       Há ainda a tessitura de coligações regionais, feitas nos moldes de interesses pessoais inconfessáveis e que se apresentam, à luz da razão, como totalmente antagônicas. É óbvio que os arcos de alianças construídas dessa forma necessariamente terão que ser devidamente ajustados no novo balcão de negócios que se abrirá na nova legislatura.

       Bolsonaro, que até agora parece despontar na dianteira não teve o atentado político esclarecido, bem como a campanha comandada diretamente de dentro da cadeia pelo ex-presidente Lula, que usa uma espécie de marionete para voltar ao poder, são outros dados dessa que é a mais bizarra campanha de todos os tempos.

        Os efeitos dos escândalos do mensalão e do petrolão ainda não foram totalmente digeridos pela população e suas consequências para o próximo pleito ainda são incertas. O que é real, líquido e certo é que, passadas as eleições, virão de variadas direções os movimentos de acomodação de apaziguamento geral, instalando e reinstalando todos esses personagens nos fartos seios da viúva, chamada agora de União.

A frase que foi pronunciada:

“Não pode ser realizado ato administrativo [como a contagem de votos] em segredo, pois é como se fosse uma conta bancária sem extrato das movimentações”.

Procurador Felipe Gimenez

Charge: SAD (m.jornaldamanha.info)
Charge: SAD (m.jornaldamanha.info)

Inaceitável

Brasília é uma lástima em termos de serviços. Quem opta pelo Don Durica da Assefe paga por uma alimentação razoável. O que não se justifica é fazer com que a espera em fila para o pagamento leve 20 minutos.

Logo: dondurica.com.br
Logo: dondurica.com.br

Exemplo

Onde empreende, o sucesso é certo. Esse é o caso do cearense e ceilandense Francisco Nogueira. Com os negócios indo de vento em popa, já estendeu as lojas Beth e Lili (Elizabeth e Elisangela) para Planaltina, Gama e Águas Lindas, além da Ceilândia, onde tudo começou. Até agora, novidade nenhuma. A surpresa é a delícia de queijo que o Sr. Francisco faz. E vende.

Foto: facebook.com/pages/Beth-e-Lili-Confecções
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Saude&Economia

New England Journal of Medicine publicou o argumento necessário para quem é contra brincar com o organismo humano em favor da nano economia. A privação do sono traz um aumento nos registros de acidentes cardiovasculares durante o horário de verão.

Quase

Eleitores preocupados com o silêncio do candidato esfaqueado receberam uma notícia preocupante. Nada de entrevistas ou postagens de vídeos. Os médicos do Albert Einstein proibiram esforços maiores.

Foto: veja.abril.com.br
Foto: veja.abril.com.br

Perigo

Tanto tempo para deixar a obra apresentável aos contribuintes e o que se vê no Trevo de Triagem Norte é barro numa curva que expele os carros, bifurcação submersa n’água durante as primeiras chuvas e sinalização tímida. Já na ponte JK há um ponto onde a água parada de uma margem a outra oferece perigo.

Foto: Breno Fortes/CB/D.A Press
Foto: Breno Fortes/CB/D.A Press

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Desde sexta-feira está paralisado o serviço de coleta de lixo de Brasília. Há ameaça de uma onda de moscas, e as chuvas caídas, ultimamente podem provocar sérios contratempos para as condições de higiene da nação. (Publicado em 31.10.1961)

Monitoramento eletrônico

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ARI CUNHA

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Charge: papodepm.com
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     Em vídeo que tem circulado pelas redes sociais, um criminoso, refastelado em uma cadeira de bar, aparece tranquilamente de bermuda, exibindo sua vistosa tornozeleira eletrônica presa à perna. Enquanto vai saboreando uma cerveja gelada, põe-se a zombar de um grupo de trabalhadores que, do outro lado da rua, sob um sol escaldante, sofregamente descarregam um imenso caminhão de areia. A certa altura do “documentário”, o meliante, já visivelmente bêbado, se dirige aos trabalhadores e em tom de zombaria dá início ao seu discurso às avessas: “Enquanto vocês estão ai dando o duro, pagando seus impostos, eu não preciso de mais nada. Graças a bolsa presidiário de R$ 1.250, que recebo todo mês do governo, posso levar uma vida de aposentado sem nunca ter trabalhado um dia sequer. Por isso vou cuidar para que essa tornozeleira fique comigo para sempre.”

          Absorvidos em sua labuta e por medo das consequências, os trabalhadores nada respondem. No íntimo de cada um deve ter ficado apenas a impressão de que essa é só mais uma das milhares de injustiças de um país sem explicação. A realidade brasileira, com cadeias caindo aos pedaços e superlotadas, onde muitos presos sobrevivem empilhados uns sobre nos outros, empurrou as autoridades da lei à uma encruzilhada: ou mantém essas condições sub-humanas, que tem despertado a ira dos organismos de direitos humanos do país e de todo o mundo ou adotam medidas alternativas, entre elas a supervisão de presos por meio de tornozeleiras.

        O Brasil até hoje não conseguiu manter seus presos dentro um regime mínimo de cumprimento das penalidades. Em que celulares, drogas e outros apetrechos, proibidos por lei, entram e saem toda hora dos presídios. Em que mesmo os chefões do crime organizado, recolhidos em presídios de segurança máxima, enviam ordens aos seus comandados do lado de fora dos muros. E em que advogados se submetem a servir como pombos correios dessa gente, levando e trazendo mensagens sob os olhares impassíveis da Ordem dos Advogados do Brasil. Debaixo de tantos desatinos como esses, os cidadãos contribuintes ainda têm que aturar calados os constantes saidões de multidões de presos que retornam às ruas nos feriados. Uns para se reintegrar à sociedade e outros para voltar para o mundo do crime.

       As leis, com seus múltiplos benefícios cada vez mais generosos, facilitam muito a vida desses condenados, que são vistos sob a luz dos direitos humanos como vítimas da sociedade desigual e egoísta. Nesse quadro caótico, onde faltam deveres e obrigações e o rigor justo das leis, nosso sistema prisional, com centenas de milhares de presos, já deu mostras de que não dá conta do recado. De fato, há um mínimo necessário para a segurança da população. O modelo de monitoramento eletrônico, obviamente, é mais uma farsa a provocar o descrédito da justiça, o escárnio dos condenados e o sentimento de abandono da população. Trancafiada dentro de casas mais vigiadas e seguras do que os próprios presídios a sociedade assustada ainda tem que assistir a vídeos como esse, engolir em seco e ir dormir, de preferência com uma arma debaixo do travesseiro.

A frase que foi pronunciada:

O confessionário é o mais antigo, respeitado e eficaz instituto de pesquisa de opinião até hoje criado.”  

Alex Periscinoto

Charge: Ivan Cabral
Charge: Ivan Cabral

Estranho

Comentavam na saída da prova do Concurso da Câmara Legislativa que havia uma questão que tratava dos vereadores por Brasília.

Foto: IMP/Divulgação
Foto: IMP/Divulgação

Harmonia

Para quem trabalha nas eleições, a presença de diferentes matizes de Fiscais de Partido é o que faz a diferença na seção. As regras e medidas surgem naturalmente deixando sempre como resultado o equilíbrio.

Responsável

Por falar em eleições, o presidente do STF garantiu que as urnas são totalmente confiáveis. A auditagem estará aberta a todos os partidos políticos. Se o STF acatasse a minirreforma eleitoral de 2015 (artigo 2ª da lei 13.165/2015), não haveria problemas.

Charge: SAD (m.jornaldamanha.info)
Charge: SAD (m.jornaldamanha.info)

Faixas

Com a chegada das chuvas seria importante que as faixas de pedestres estivessem bem pintadas. Em várias RAs e pelo Plano Piloto são muitas as faixas invisíveis.

Amor

Hoje é a missa de Sétimo Dia de Ivan de Jesus e Silva. Filho de D. Vitória e Sr. Gerônimo, Ivan reencontrou seu grande amor 60 anos depois de ter terminado o namoro. Dona Ilza casou, teve filhos e netos e quando o Sr. Ivan ligou para ela para avisar sobre a morte da mãe, dona Ilza disse: “Quem está falando? Ivan? O meu Ivan?” E assim passaram juntos o final da vida até que a morte os uniu novamente. Na igreja São Camilo, EQS 303/304, às 19h.

Paralisação

Parece que semana que vem haverá alguma novidade sobre os motoristas de ônibus e condutores do metrô. Assembleias, reuniões e conversas estão agitando a classe trabalhadora.

Foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
Foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Assim é a Previdência Social, na única cidade onde ela funciona, realmente. Fracasso absoluto do sistema colegiado. A cúpula divide o tempo entre conversas e intrigas, e o que salva é a infra-estrutura. Ainda bem. (Publicado em 29.10.1961)

Os pés trocados da política

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ARI CUNHA

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Foto: Erno Schneider (imagesvisions.blogspot.com)
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          Fôssemos escolher alguma logomarca que melhor sintetizasse, desde sempre, o peculiar jeitinho brasileiro de fazer política e os reflexos desse modelo para a vida dos cidadãos, sem dúvida, dentro dos vários exemplares à nossa disposição, a melhor imagem, capaz de traduzir com a fidelidade de um espelho esse modus operandi do poder, seria a foto, tirada em 1961, pelo fotografo do Jornal do Brasil, Erno Schneider, que mostra o então presidente Jânio Quadros com os pés enviesados, como alguém que titubeia e não sabe, com clareza, por que caminhos seguir.

       No melhor modelo Curupira, a figura mitológica que possui os pés para trás, nossos políticos e seus respectivos partidos formam entidades que seguem ermas por caminhos tortos, guiadas apenas pelo faro aguçado das oportunidades, enganando aqueles que acreditam em seus estatutos e em suas orientações ideológicas.

     Outro modelo desse desvario e que define esse titubeio foi dado pelo próprio ex-presidente Lula quando, em certa ocasião, afirmou ser a personificação de uma autêntica metamorfose ambulante. Com isso, buscar compreender políticos e partidos no Brasil é um exercício vão, destituído de lógica.

      Na verdade, nossos políticos, de forma geral, se agrupam em torno daquelas legendas que lhes parecem mais passíveis de vir a conquistas nacos de poder. Grosso modo, essas agremiações tendem a se diluir em outras por ocasião da formação de um governo. A tradicional orientação partidária, apresentada durante as campanhas, cede lugar ao pragmatismo quando da distribuição de posições de gerência dentro da máquina do Estado.

        O Norte, portanto, de partidos e de seus respectivos filiados é dado pelo praticismo imediato, representado pelas vantagens postas à frente de todos no balcão de negócios. Exemplos desse comportamento que perturbam a compreensão de muitos estrangeiros podem ser colhidos nos escândalos do mensalão e outros similares e mesmo no chamado presidencialismo de coalizão. Doutra forma, também exemplificam esse modelo tupiniquim as diversas coligações feitas nos mais variados estados da federação e que, enganosamente, parecem ir na contramão da lógica doutrinária dos partidos. Na realidade, essa lógica é montada apenas para atender as exigências da lei eleitoral, não correspondendo a nenhuma realidade factível. Nesse sentido, o tão propalado “nós contra eles”, difundido pelo lulismo, só possuía significado quando isso interessava aos dirigentes dos partidos, podendo ser alterado a qualquer hora, sem aviso prévio, ao sabor dos desenhos das nuvens no céu.

        Por isso bandeiras, palavras de ordem, camisetas e comícios são usados apenas nos momentos certos de “ reunir os bois no curral”, perdendo seu significado, à medida que vão surgindo novos e mais rentáveis objetivos.

        Jânio, com seus pés tortos, representa o cerne daquilo que entendemos como representação partidária e que, em outras palavras, pode ser descrito pelo filósofo de Mondubim: “Para aqueles que não sabem para onde ir, qualquer caminho vale”.

A frase que foi pronunciada:

“O futuro do país está na urna eletrônica.”

Resposta indireta do Supremo Tribunal Federal ao Congresso Nacional, que aprovou o voto impresso em 2015.

Charge: Bessinha
Charge: Bessinha

Fumo

Foi discutida e aceita na Comissão de Direitos Humanos do Senado uma sugestão para que os planos de saúde sejam obrigados a cobrir tratamentos contra o tabagismo. Parece que a responsabilidade deveria recair sobre as empresas tabagistas. Elas têm consciência do mal que o cigarro faz e continuam investindo na perda da saúde das pessoas.

Charge: Duke
Charge: Duke

É verdade

De madrugada, à noite e durante o dia, o brasiliense tem notado maior presença de carros de polícia nas ruas.

Foto: André Gustavo Stumpf/Polícia Militar (g1.globo.com)
Foto: André Gustavo Stumpf/Polícia Militar (g1.globo.com)

Sem estrutura

Difícil ver alguma movimentação dos companheiros socialistas brasileiros, amigos do regime da Venezuela, para abrigar os hermanos. Sérgio Etchegoyen, ministro de Segurança Institucional, deu entrevista informando sobre as ações sociais como os abrigos e tratamentos de saúde disponibilizados para os imigrantes venezuelanos. Só que as ações de rejeição aos imigrantes ocorridas em Paracaima podem contaminar outras regiões.

Foto: jornalcorreiodegoias.com
Foto: jornalcorreiodegoias.com

Alcântara

O ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, consolida com a equipe a importância dos lançadores de satélites no Centro Espacial de Alcântara, o Maranhão, para uso civil e militar. O objetivo é melhorar desde a vigilância das fronteiras até a distribuição de banda larga e controle do tráfego aéreo. Em encontro no Brasil, o secretário de Defesa, James N. Mattis, deixa agradecimentos ao governo brasileiro pela iniciativa.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O orçamento votado pela Câmara dos Deputados par ao Ministério da Educação, é de 32 bilhões de cruzeiros, sendo que 28 bilhões são destinados às Universidades. (Publicado em 27.10.1961)

LUOS necessita da aprovação tácita de todos os brasilienses

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ARI CUNHA

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Imagem: lagosul.com.br
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       Todo o cuidado é pouco com a votação da Lei de Uso e Ocupação do Solo (LUOS) que agora retorna para uma apreciação de afogadilho na Câmara Legislativa. Interesses específicos de políticos e empresários na aprovação dessa Lei, há pouco menos de dois meses para as eleições, inspiram cuidados, e principalmente, em meio ao andamento das investigações do Ministério Público e da Polícia Civil na “Operação 12:26”.

         Leis com essa abrangência, capazes de modificar e deturpar o desenho urbano da capital e das áreas adjacentes, não podem, de modo algum, ficar ao arbítrio de pressões de qualquer tipo, muito menos de políticos astutos e de empresários gananciosos, que não medem esforços para expandir seus negócios, sob o falso pretexto de engessamento da cidade. Nesse sentido, não causa nenhuma estranheza que, à frente desse movimento pela aprovação ligeira da LUOS, esteja a presidente da Comissão de Assuntos Fundiários da Câmara Legislativa (CAF), tornada ré junto ao Ministério Público no âmbito da Operação Trick, deflagrada em abril de 2015, que investiga os crimes de falsificação de documentos e fraudes em instituições bancárias. Além desse processo a presidente do CAF, responde também, na primeira instância, a crimes de grilagem de terras e corrupção. Há muito tempo essa coluna vem alertando para as suspeitíssimas relações envolvendo membros da Câmara Legislativa e conhecidos empresários, muitos deles também respondendo inquéritos policiais e sempre de olho grande nas projeções e outras áreas espalhadas pela cidade e pelo entorno.

         Há dois meses das eleições, época em que comumente os políticos buscam patrocínio e todo o tipo de apoio para suas campanhas, aumentam muito os movimentos de aproximação entre políticos e empresários, cada um com sua respectiva moeda de troca. Movimentos dessa natureza, por sua repetição, já se transformaram em algo comum ou mesmo numa tradição corrente. Ocorre que esse tipo de associação é sempre feito contra os interesses soberanos da população, que só toma conhecimento dos resultados dessa união quando ela é levada às barras do tribunal ou quando a imprensa publica.

       A importância do LUOS para o futuro da cidade e dos seus cidadãos não pode, pois, ser deixada ao alvitre de meia dúzia de personagens, principalmente quando eles se tornam suspeitos de estarem confeccionando um projeto que vai atender objetivamente aos seus interesses particulares. O uso político de projetos dessa magnitude, por si só, já induz e torna necessário sua imediata paralisação até que sejam esgotadas, exaustivamente, todas as discussões em torno dessa proposta e até que sejam pesadas e medidas, com rigor, todas as consequências que poderão advir para as próximas gerações de brasilienses, mantendo a capital como eterno patrimônio cultural da humanidade, com suas áreas verdes e espaços abertos, conforme proposta revolucionária e sempre atual de seu idealizador.

A frase que foi pronunciada:

“Arquitetura é antes de mais nada construção, mas construção concebida com o propósito primordial de ordenar e organizar o espaço para determinada finalidade e visando a determinada intenção.”

Lúcio Costa

Sob a batuta de Lúcio Costa, Oscar se diverte grafite e aquarela, 29x21cm, 2010. (evblogaleria.blogspot.com)

Urnas

Graças às execuções fiscais aplicadas por juízes, a Justiça eleitoral teria a chance de promover uma democracia palpável nessas eleições, adaptando as urnas ao voto impresso.

Charge do Bello
Charge do Bello

TRE

Por falar em eleição, no site do TRE-DF, há um pedido aos mesários para que fiquem atentos à correspondência porque o processo de convocação para as eleições de 2018 já foi iniciado. Houve erros na confecção dos documentos enviados pelos Correios. Para quem for receber a convocação por e-mail, o TER-DF pede que sempre olhe a caixa de spam. Mais de 31 mil eleitores estão sendo intimados para trabalhar nas eleições. Desses, 78% são voluntários.

Imagem: tre-df.jus.br
Imagem: tre-df.jus.br

Obediência à lei

A Coordenação do Movimento Cidadão entregou à Associação Comunitária do Park Way uma missiva que vale a pena registrar. Em relação à ocupação da área pública, na quadra 14 do Park Way, a manifestação de Maria Luiza Nogueira e Maristella Tokarski foi veementemente contra. “A condescendência na flexibilização da legislação só traz desordem e anos à população e, certamente, a conta chegará aos responsáveis”, termina a correspondência.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Abandono, no Palace Hotel. A grama fronteira ao bar da piscina, para o lado da residência dos empregados, está coberta de mato e papéis sujos. Desolação e falta de cuidado. (Publicado em 27.10.1961)

As rugas de um país

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

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Charge: Dalcío
Charge: Dalcío

         Pelas próximas três décadas, a população brasileira continuará a crescer, atingindo, ao final do ano 2047, 233,2 milhões de pessoas. Daí para frente, o número de brasileiros cairá gradualmente, chegando a se estabilizar em 228,3 milhões de pessoas no ano de 2060. Pelo menos é o que apontam os estudos contidos na revisão 2018 da Projeção de População elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

        Por essas projeções, um em cada quatro brasileiros terá mais de 65 anos em 2060 e é aí que o país terá pela frente que enfrentar novas realidades e novos desafios. Nesse caso, tudo dependerá das medidas que vierem a ser adotadas desde agora, para não haver surpresas desagradáveis e até trágicas quando esse futuro chegar.

        Além da queda média na taxa de fecundidade, haverá paralelamente um aumento na expectativa de vida dos brasileiros, passando dos atuais 72 anos para os homens e 79 anos para as mulheres, para 77 para os homens e 84,5 para as mulheres, em 2060. Com isso, o envelhecimento da população será um fato, com a população com mais de 65 anos chegando a 25,5% da população em 2060. Com mais pessoas idosas do que jovens, a reestruturação total de todos os serviços públicos, incluindo mudanças na infraestrutura das cidades oferecidas à população, será uma necessidade.

        Pelas estimativas do IBGE, a razão de dependência da população atualmente é de 44%, o que equivale a dizer que 44 indivíduos com menos de 15 anos e com mais de 64 anos dependem de cada grupo de 100 em idade de trabalhar. Em 2039, essa razão será de 51,5%, aumentando para 67,2% em 2060. Apenas com base nesses dados ficam patentes que reformas no sistema de previdência e de seguridade social, que até o momento não foram realizadas por questões políticas e eleitoreiras, terão que retornar a pauta, sob pena de simplesmente colapsar todo o sistema, empurrando uma imensa legião de brasileiros para a miséria. De saída, é preciso notar que o envelhecimento da população brasileira poderá acarretar uma redução sensível no Produto Interno Bruto potencial.

         De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), parte do crescimento potencial do país, nas últimas décadas, derivou da força de trabalho que ainda crescia. Com a mudança acentuada desse cenário daqui para a frente, a situação deve se inverter, com o crescimento econômico encolhendo, assim como a força de trabalho e de contribuintes.

         Nesse sentido, os especialistas no assunto recomendam a busca e a exploração por novas fontes de crescimento, como é caso de mais investimentos e de uma forte poupança externa. Questões simples, como a requalificação dessa mão-de-obra mais idosa, terão que ser pensadas, de modo a reinseri-las no sistema. Fora das variáveis econômicas, que são fundamentais, também questões mais simples e que dizem respeito ao dia a dia dessa população mais idosa deverão ser repensadas com urgência, como saúde, mobilidade, segurança, moradia, adaptação das cidades às necessidades específicas desse público, entre outros problemas.

         O século XXI, pelo que já deu para observar, trará desafios ainda maiores para os brasileiros e sobretudo para os próximos governos. Com isso, já é possível mensurar a importância crescente no instituto do voto. Votar agora, de forma esclarecida, em candidatos sérios, é mais do que necessário, é uma questão vital e irá dizer muito sobre nosso próprio futuro.

A frase que foi pronunciada:

“No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado.”

Chico Anysio

Charge: Ivan Cabral
Charge: Ivan Cabral

Iniciativa

Recebi a informação de Regina Ivete Lopes. Com o troco solidário, o supermercado Comper angariou R$49.698,80. O montante será doado à instituição social Ideias – Instituição de Desenvolvimento da Educação de Ações Sociais. Simples e eficiente!

Imagem: acritica.net
Imagem: acritica.net

Chegue cedo

Dia 31 de julho é dia de conferir a beleza das canções e performance do coral Watoto, de Uganda. O concerto será na igreja Presbiteriana da 313/314 Sul, 19h, entrada franca. Watoto significa criança. O coral é composto por crianças órfãs que perderam os pais com Aids ou em conflitos. O presbítero Toni, Francisco Antonio Oliveira Silva, da igreja Presbiteriana de Brasília, comunicativo como todos os cearenses, conheceu o grupo em Cocalzinho, Goiás. Conversou com os organizadores do evento e depois de reuniões na igreja conseguiu trazer os cantores para Brasília. Depois da apresentação, o grupo colocará à venda produtos promocionais que são parte do sustento para as viagens que fazem pelo mundo.

Luxo

Eram do STF os belos apartamentos do bloco B da SQS 313. Dois apartamentos por andar. Quando presidente, Collor deu a oportunidade para que os ocupantes comprassem o imóvel.

Ainda há tempo

Deputado Izalci Lucas, do DF, em entrevista, diz-se favorável ao voto impresso, auditável. Levantou a simples dúvida: “Se Japão e outros países, com tecnologia avançada, não adotam a urna eletrônica é porque o sistema não atrai, concluiu. É preciso ter a vontade do povo auditável, com transparência, para que não surja nenhum tipo de dúvida, o que não é o caso da urna eletrônica. A questão orçamentária colocada pelo TST não diz respeito ao tribunal, e sim ao Congresso.” Lembra o deputado.

Foto: blogdoeliomar.com.br
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HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Eu não sei se posso dizer isto, mas é provável que no momento em que estejam gravando o jogo no Rio, a TV Brasília esteja transmitindo diretamente a imagem da TV Tupy. (Publicado em 26.10.1961)