O primeiro passo na longa jornada

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VISTO, LIDO E OUVIDO Criada por Ari Cunha (In memoriam)

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FOTO: © MARCOS OLIVEIRA/AGÊNCIA SENA

 

Qualquer indivíduo que venha se sentar na cadeira de ministro da Educação, por mais preparado que esteja para o cargo, encontrará diante de si, ao examinar de perto essa missão, uma tarefa muito complexa e de proporções gigantescas. Sendo o quinto país em número de habitantes e em extensão territorial, o Brasil, por suas características continentais e diversidades regionais, apresenta desafios imensos para a implementação de quaisquer políticas públicas, sobretudo quando se trata de assunto tão melindroso como a gestão de políticas educacionais.

Com 5.570 municípios espalhados numa vasta área de 8,5 quilômetros quadrados, e com uma população de mais de 200 milhões de habitantes, qualquer política pública eficaz e justa tem necessariamente que lidar com essa realidade concreta, e ainda obedecer ao fato de que cada ente federativo é autônomo e com atribuições múltiplas e descentralizadas, conforme estabelecido pela Constituição atual.

Implementar serviços públicos de qualidade, num país tão complexo como o Brasil, onde existem diferenças fiscais de toda a ordem e onde variam também a capacidade de gestão de cada uma dessas unidades, não é, definitivamente, um trabalho para principiantes ou indivíduos sem o devido preparo e ânimo. Por mais complicada e difícil que seja a tarefa de educar.

Todo o esforço se esvai se o trabalho de implantar uma educação de qualidade e inclusiva no Brasil não se iniciar pela qualificação e melhoria nos planos de carreira daqueles que atuam nesse setor, melhorando salários, incentivando cursos de aperfeiçoamento, além é claro de construir e equipar as escolas com tudo que seja necessário para o pleno desenvolvimento do ensino e da aprendizagem.

Diagnósticos feitos recentemente adiantam ainda que nenhum esforço, por mais bem-intencionado que seja, terá o poder de melhorar nossos índices educacionais, se não contar com a mobilização em massa da sociedade e sobretudo com o apoio e presença de pais de alunos e da comunidade no entorno de cada escola. Sem o envolvimento da população em peso, dificilmente uma tarefa dessas proporções terá êxito, ainda mais quando se sabe que, pela Constituição, a educação é posicionada como sendo um esforço de natureza nacional e com sistemas de ensino organizada em regime de colaboração.

Note-se que essa união da sociedade em torno desse objetivo, apesar de extremamente necessária, não pode ser feita no período de um ou dois governos, mas terá que ser rigorosamente cumprido no longo prazo, durante gerações. Para tornar essa missão ainda mais complicada, é preciso ver que, dentro de cada questão relativa aos problemas da educação, existe ainda uma espécie de subproblemas que parecem embaralhar ainda mais essa tarefa. Dessa forma, de nada adianta universalizar o acesso à educação, se os alunos não forem mantidos nas escolas até a conclusão, ao menos, do ciclo básico com o acompanhamento dos pais. Da mesma forma, tornam-se inócuos manter os alunos nas escolas, se ao final desse primeiro ciclo eles não forem capazes de resolver as questões inerentes a essa etapa, como compreensão de textos, e resoluções de operações simples matemáticas entre outras habilidades próprias para a idade.

Para dar início a esse verdadeiro trabalho de Hércules, é preciso antes resolver o problema das profundas e persistentes desigualdades regionais, consideradas, por especialistas no assunto, como uma das maiores do planeta. Somos um país imenso territorialmente e imensamente desigual na distribuição e concentração de rendas. Nesse ponto, é próprio considerar que em nossa desigualdade e concentração de renda está uma das principais raízes de nosso subdesenvolvimento prolongado, e enquanto esse problema não for solucionado, todos os outros também não o serão.

Dessa forma, políticas públicas desenvolvidas sobre um país tão desigual estão fadadas ao fracasso ou a um sucesso pífio e momentâneo. Infelizmente até aqui, e diante desse quadro, o Brasil não tem sido capaz de desenvolver programas e modelos capazes de enfrentar e superar essa dura realidade histórica.

Por outro lado, é preciso atentar também para o gigantismo da estrutura educacional pública do país. São quase 50 milhões de alunos matriculados na educação básica, principalmente na rede pública; quase 2 milhões e meio de professores, a maior categoria profissional do país, além de 184, 1 mil estabelecimentos escolares, o que faz do Brasil um gigante mundial, também no setor educacional.

Trata-se, portanto, de um desafio imenso que precisa ser feito por milhões de brasileiros ao longo de muitas décadas. Falta apenas o primeiro passo.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“O desejo de conhecimento é como a sede de riqueza – aumenta durante a aquisição.”

Laurence Sterne (1713-1768), autor de: A Vida e as Opiniões do Cavalheiro Tristram Shandy

Charge: blog.ori.net.br

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

No concurso de Inspetor Sanitário, para a prefeitura, diversos candidatos pediram revisão de prova, e, depois, alcançaram notas superiores aos aprovados inicialmente. Está havendo muita reclamação em torno disto, mas a repartição informa que é norma do DASP. (Publicado em 15.11.1961)

Tabata Amaral: uma luz na entrada de um novo tempo.

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Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

 

“Eu cheguei ao parlamento porque eu vivi tudo o que a educação pode fazer pela gente, todo o potencial que ela tem de transformar e porque também vivi o outro lado da desigualdade, por isso fui feita uma ativista porque eu vi a importância transformadora da educação e porque percebi, também a falta que a educação faz nas periferias. Percebi também que a educação não irá mudar se a política e os políticos não mudarem.”

A afirmação foi feita pela jovem deputada Tabata Amaral (PDT-SP), considerada por muitos como a mais promissora parlamentar a atuar em defesa de uma educação de qualidade para os brasileiros. Em contato com o poder da educação há mais de nove anos, Tabata Amaral é também militante, pesquisadora da área, e uma das coordenadoras, com outros jovens idealistas, do movimento suprapartidário, em prol de uma educação de qualidade, denominado Acredito.

Formada em Harvard em Ciências Políticas, graças a uma Bolsa de Estudos integral, a parlamentar vem fazendo história dentro do Congresso, por suas posições firmes em defesa da educação pública no Brasil.

Num vídeo em que interpela o atual ministro da Educação, Velez Rodriguez, sobre os planos dessa pasta para o setor, e que vem sendo visto e aplaudido por milhões de internautas nas redes sociais, Tabata mostrou a que veio, ao, literalmente, desmontar o principal gestor do MEC diante de todos. Para aqueles que acompanharam a sessão realizada na Comissão de Educação da Câmara dos Deputados, a parlamentar por São Paulo decretou, em seis minutos, o fim da gestão Velez, mesmo que ele permaneça ainda à frente desse ministério.

Aos questionamentos certeiros da deputada, restou o silêncio do representante do MEC, apanhado de surpresa e encurralado com o preparo e clareza das colocações da jovem política. Diante de um ministro levado às cordas, Tabata arrematou: “sua incapacidade de apresentar propostas é um desrespeito à educação, ao ministério, ao parlamento e ao Brasil como um todo”.

Como a sexta deputada mais votada pelo estado de São Paulo, Tabata Amaral vem defendendo a ideia de que a implantação de uma educação pública no país só se tornará uma realidade plena com a redução das desigualdades sociais. Também as desigualdades regionais acentuadas são, na visão da deputada, um entrave para a educação. “Em muitos estados não há vontade política para a melhoria da educação e ela só vai dar certo quando for colocada como prioridade de política pública, com valorização de professores, ensino integral e outras metas”, diz.

Da ONG Acredito, com atuação em 14 estados, mais o Distrito Federal, Tabata afirma se tratar de um movimento de renovação política que possui agendas de combate à desigualdade e privilégios e que vai muito além das disputas rasas entre esquerda e direita e que possui, como um dos objetivos centrais, fazer com que as pessoas voltem a acreditar na política e no Brasil, de modo a mudar a realidade de cada um.

Diante de um desafio que sabe ser gigantesco, a parlamentar diz ser preciso começar essa cruzada pela valorização de professores e educadores, tanto no aspecto financeiro como técnico, melhorando inicialmente os aspectos na carreira profissional dos docentes. “Temos que falar de uma escola onde os jovens tenham chance tanto no vestibular, como no mercado de trabalho e que não tenham seus sonhos destruídos pela precariedade de nosso modelo atual de educação.”

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Bolsonaro não tem jogo político. Tecla Sap: O balcão de negócios fechou.”

Fernanda Silva, estudante, dando uma opinião séria durante a apresentação do telejornal enquanto brinca com o controle da TV.

 

Fazendo a diferença

São 18 anos lutando para continuar existindo. A Casa de Parto de São Sebastião é modelo em parto humanizado sem tantas intervenções médicas. As pacientes se sentem completamente respeitadas. Já são 1.537 atendimentos.

Foto: saude.df.gov.br

 

Movimento

Ano Internacional das Línguas Indígenas. A cultura indígena merece mais divulgação nas escolas. Ainda restam 55 línguas indígenas cadastradas. Temos um tesouro que não é valorizado.

Foto: ©UNESCO/Nelson Muchagata

De volta ao futuro

Relendo os jornais do Senado, da época em que o senador Antonio Carlos Magalhães queria instalar a CPI do Judiciário, as acusações contra magistrados eram de levantar os cabelos.

Foto: Anderson Schneider/Ed. Globo e ABr

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

E assim está nossa Brasília. Pequenos defeitos, mas muitas vantagens. Pena que mais um pioneiro nos deixe. Volta para São Paulo, nosso Nelson Pereira de Almeida Filho, o Nelsinho da Vascal um dos primeiros dias de Brasília, da poeira da Cidade Livre, dos esquis do Cota Mil. E o Cota Doze passa a Cota Dez. (Publicado em 15.11.1961)

Corrupção e atraso

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Foto: Nelson Jr./STF/Divulgação

 

“Acreditar que a corrupção não é um crime grave e violento e que os corruptos não são perigosos nos trouxe até aqui, a esse quadro sombrio em que recessão, corrupção e criminalidade elevadíssimas nos atrasam na história e nos retém como um país de renda média que não consegue furar o cerco.” A fala do ministro do Supremo Tribunal Federal, Luis Roberto Barroso, feita durante a votação do indulto concedido pelo então presidente Temer, em novembro de 2018, e que alcançava também os criminosos do colarinho branco, sintetiza bem o sombrio momento que vai sendo experimentado pelos brasileiros nessas duas últimas décadas.

Na opinião desse magistrado, que tem se revelado uma grata surpresa em meio a tantas decepções, infelizmente ainda avistadas no mundo jurídico, mostra que o que problema maior a ser enfrentado pelos brasileiros para livrar o país do atraso não reside propriamente na base da pirâmide social, mas encontra-se encastelada justamente no topo, de onde controla e resiste como pode para manter o status quo eterno. Essa é, sem dúvida, a grande Bastilha a ser posta a baixo pela sociedade, caso almeje atingir um nível de desenvolvimento compatível com os demais países do chamado primeiro mundo.

Para o ministro, foi graças a essa prolongada leniência em combater esses delitos e desmandos nos estamentos superiores que criamos um país que adjetivou como feio e desonesto. Em entrevista dada há alguns anos a uma emissora de televisão, Barroso já havia diagnosticado o Brasil como um caso de país excessivamente hierarquizado e dividido em classes, o que, na sua análise, provocava reflexos também na própria Justiça.

Naquela ocasião, chegou a afirmar que a justiça penal brasileira era dura com os pobres e mansa com os ricos e que essa distorção não vinha sendo corrigida na velocidade em que a sociedade, desde sempre, reclamou e desejou. Entende o ministro que o que a população anseia é a prestação de serviços públicos de qualidade, mais ética na política e uma melhor perspectiva de futuro. Para ele, o Estado e as instituições não conseguiram ainda atender essas demandas que se criaram, daí a razão para a persistente crise que vem há anos contaminando a vida pública de cima a baixo.

Em sua opinião, a corrupção em nosso país não é fruto de pequenas falhas e fraquezas individuais, mas é produto de esquemas profissionais, de arrecadação e distribuição de dinheiro desviados e que levou ao envolvimento de agentes públicos, agentes privados, empresários, empresas estatais, empresas privadas, membros do Legislativo, membros do Congresso, membros dos partidos políticos e outros importantes e destacados atores.

Diante de tantos descalabros, a sociedade, em suas palavras, “deixou de aceitar o inaceitável”. “Quem anda por esse imenso país, diz, com olhos de ver e ouvidos de escutar, verifica a imensa demanda por integridade, por idealismo, por patriotismo, vindo de baixo para cima.” Luís Barroso acredita que essa é a verdadeira energia que empurra a nossa história na direção certa, para longe de uma espécie de atraso que é, desde há muito, bem defendida pelas elites.

Nesse sentido, anistiar e conceder indultos a corruptos e corruptores é, no julgamento desse juiz, colaborar para essa reação vinda do alto da pirâmide e que pretende manter o país e os brasileiros acorrentados a um passado de desmandos e de atrasos pretendidos por esse pacto oligárquico que encontra, ainda, em parte da justiça, um aliado necessário e poderoso.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Em que pese vivermos hoje em um cenário de incertezas e dificuldades, o judiciário não tem medido esforços para mitigar os problemas sofridos pela sociedade brasileira, ao desempenhar as tarefas que lhe competem com altivez e senso de responsabilidade”.

Ministro Ricardo Lewandowski, durante o discurso de abertura do ano judiciário em 2016.

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

 

Nunca se viu tanto engarrafamento para acesso à ponte do Bragueto. A impressão que se tem é que o TTN foi criado para dificultar a vida dos motoristas. É preciso ter paciência até que toda a obra fique pronta.

Foto: DER-DF/Reprodução

 

Servindo à comunidade

Depois de tantas operações que prenderam bárbaros que traficavam imagens de crianças, o Brasil precisa adotar o mapa de pedófilos. Como o Waze, casais com filhos pequenos consultariam um mapa disponibilizado pelas polícias para saber se alguém da redondeza, tanto do local de trabalho quanto residência, já foi acusado de pedofilia.

Charge do Ricardo Jottas

 

E nada

Uirá Lourenço nos brinda com 10 anos de trabalho. O material produzido foi sobre a EPTG acompanhando de perto as obras da “Linha Verde”. Fazia o trajeto de bicicleta, diariamente, entre Águas Claras e o Plano Piloto. Dez anos depois? Caos e imobilidade.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A pista de acesso ao Hotel Nacional, à altura da curva, não tem nenhuma indicação do precipício que tem na frente. Um motorista de fora, com farol baixo, pode cair daquele aterro de mais de dez metros. Na Asa Norte, a mesma coisa. (Publicado em 15.11.1961)

Despertar o aluno para ler o mundo

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

Nesses tempos politicamente conturbados em que o país vai atravessando, um fato merece a atenção, a dedicação e o zelo de todos os brasileiros: a única maneira de salvaguardar nossa sociedade e nossa democracia é pela via da educação. Não existe outra alternativa. Não só aqui no Brasil, mas em qualquer outra parte do planeta. Disso as nações mais desenvolvidas já sabem muito bem e há tempos vêm fazendo a lição de casa, preparando adequadamente as próximas gerações para os desafios do futuro.

Infelizmente, parece que o Brasil ainda não atinou para essa realidade e, se atinou, não se interessou pelo investimento. A crise persistente no Ministério da Educação fala por si. A chamada Escola sem Partido também. Nesse sentido, é preciso observar que absolutamente nenhuma ideologia política serve aos reais propósitos da educação, principalmente de uma boa educação, muito embora se saiba que o ato de educar seja uma manifestação política que busca a capacitação plena para o exercício da cidadania

É bom que a sociedade fique atenta e desconfie das manifestações que têm surgido em várias partes do país, principalmente nas redes sociais, visando fazer da metodologia construída pelo educador pernambucano, Paulo Freire, uma espécie de bode expiatório, culpando seu método pelo atraso verificado na educação brasileira. Antes de tudo, é preciso considerar que o chamado método Paulo Freire, segundo seu amigo e pesquisador José Eustáquio Romão, fundador também do Instituto que leva o nome desse famoso pedagogo, jamais foi aplicado e plenamente desenvolvido na educação brasileira.

Quando muito, afirma, tem servido como frase de efeito, título de biblioteca ou nome de salão. A perseguição à Paulo Freire e ao seu método de alfabetização se insere no mesmo e insano movimento de caça às bruxas promovido contra educadores, professores, pesquisadores e cientistas logo após o março de 64.

O valor pedagógico da obra de Paulo Freire vai muito além dessas querelas internas momentâneas. Freire é ainda, depois de quase meio século, da publicação de suas obras, o autor mais citado e respeitado em todo o mundo quando o assunto é educação. Países como a Finlândia, Estados Unidos, França, Inglaterra, África do Sul, Coreia do Sul e muitos outros empregam e citam com regularidade os métodos de educação e a obra desse pedagogo brasileiro. De fato, Paulo Freire, por sua inteligência e pelo caráter revolucionário de sua obra, tem sido um autor pouco compreendido em seu próprio país, o que prova o dito que ninguém é profeta em sua própria terra.

Acusado injustamente pela direita política de pregar o marxismo, Paulo Freire foi também usado inadequadamente pela esquerda brasileira para alcançar seus propósitos políticos, enquanto o alcance e significado de sua obra e de suas ideias permanecem ainda totalmente desconhecidas por um e por outro desses matizes ideológicos.

Nem um lado, nem outro, desse mundo bipolar político e obtuso compreendeu, até hoje, o significado do que queria Paulo Freire quando dizia que seu objetivo era despertar o aluno para ler o mundo, de forma a despertar a consciência de quem ele é e seu papel no meio em que ele vive, tornando-o protagonista de sua vida e de sua história.

Fato é que a pedagogia desenvolvida por Paulo Freire parece existir apenas para quem pensa e pratica educação no dia a dia, justamente pelo caráter prático dessa metodologia que vai buscar no mundo de cada aluno o conhecimento que vai integrá-lo ao mundo, o que permite a ele uma crítica da realidade a sua volta.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“O educador se eterniza em cada ser que educa.”

Paulo Freire

Foto: novaescola.org.br

 

 

Procura-se

Disse Ari Cunha nessa coluna, nos anos 60, que o primeiro busto inaugurado em Brasília foi o do maestro Villa Lobos, em frente ao Ministério da Educação.

Foto: biografiaresumida.com.br

 

Contrapartida

De 15 em 15 anos, é necessário que as emissoras de televisão tenham o aval para prorrogar a concessão. O que nenhuma instituição conseguiu mudar desde o movimento contra a baixaria na TV, o governo dá sinais de que é preciso um freio nas cenas desnecessárias e apelativas.

Foto: bastidoresdatv.com.br

 

Política Pública

Dos jovens abandonados pelas ruas do DF, o maior problema é o alcoolismo, na maioria das vezes, dos pais.  Segundo a pesquisa de Iza Beatriz Barreto Abdala, 62% dos jovens com problemas têm dificuldades de relacionamento com o pai. Bêbados, chegam em casa tirando a paz da família. É preciso apoiar os AAs e criar uma política pública para manter esses jovens seguros na própria casa.

Charge: bancariosce.org.br

 

Saúde

Tratamento com canabinoides melhora a qualidade de vida e aspectos comportamentais de crianças com transtorno do espectro autista-TEA. Após tratamento com canabinoides, índice de pacientes que afirmavam ter boa qualidade de vida dobrou; segundo a OMS, 1 em 160 crianças no mundo apresenta o transtorno. Dois de abril será o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Depois do trevo de triagem norte, na mão da Península para a cidade, pouco antes do viaduto, há um RN em pleno asfalto, que poderá provocar acidentes. A companhia que asfaltou o trecho não comunicou ao dr. Lúcio, e o resultado está lá, desafiando pneus. (Publicado em15.11.1961)

Vida em jogo

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Charge: Kleber/CB/D.A Press

 

“Gritou com você uma vez? Vai gritar de novo. Empurrou você contra a parede? Vai empurrar de novo. Bateu em você? Vai bater de novo.” Infelizmente, essa é a situação clássica de nove em cada dez casos de agressão contra a mulher. A experiência tem ensinado que a grande parte desses casos de maus tratos contra mulheres começam sempre com pequenos atos de hostilidade contra a parceira e acabam evoluindo para um desfecho mais dramático e violento até, finalmente, terminar em morte.

Em decorrência dos elevados casos de crimes cometidos contra as mulheres registrados em todo o país, e que alçou o Brasil ao quinto lugar mundial no quesito violência contra as mulheres, obrigou as autoridades a incluir no Código Penal uma modificação muito específica que passava a qualificar, entre os crimes contra a vida, o chamado feminicídio, que é o crime com envolvimento de violência doméstica ou discriminação contra a condição de mulher.

Tanto o feminicídio (Lei 13.104/2015) quanto sua congênere (Lei 11.340 /2006), também conhecida como Lei Maria da Penha, foram instituídos quase que de forma emergencial e tópica, para coibir os recorrentes episódios de assassinatos de mulheres bem como os casos violência doméstica e familiar contra a mulher que acontecem às centenas a cada 24 horas.

Levantamento feito pelo Mapa da Violência mostrou que em 2017 ocorreram mais de 60 mil estupros em todo o Brasil. Buscar em nossa sociedade aspectos históricos do patriarcalismo e mesmo da misoginia pouco esclarece os milhares de casos de violência e morte de tantas brasileiras de forma cruel. Dados da Secretaria de Segurança Pública mostram que, das mulheres que sofrem violência doméstica, 91% foram mortas na própria residência. Na maioria dos casos, 54,4%, o parceiro já possuía antecedentes criminais. Dessas vítimas, quase a metade, 43%, já tinha sido agredida anteriormente. Dados apresentados no painel de violência contra as mulheres do Senado mostram que, em 2016, 4.635 mulheres foram assassinadas. No mesmo ano, foram 185.308 notificações no sistema de saúde que apontavam para violência doméstica.

Curioso observar que o endurecimento das penas para os agressores e criminosos parece não ter surtido o efeito desejado, com a multiplicação de casos não só no Distrito Federal como em todo o país. O que surpreende é que, na maioria dos casos (60%), os crimes foram cometidos em razão de brigas ou de ciúmes. Com isso, fica evidenciado também o sentimento de posse sobre a mulher, que passou a ser a principal motivação alegada por esses covardes tanto para os maus tratos como para o assassinato da companheira.

O que mais chama a atenção em todos esses tristes episódios é que a grande maioria desses crimes (72%) poderia ser evitada caso essas mulheres tivessem apresentado, desde a primeira ocorrência, queixa de agressão contra o autor. Na realidade há o adiamento pela dependência financeira, pelos filhos ou pela falta de forças para enfrentar a situação. Por outro lado, é preciso destacar ainda que boa parte dessas queixas, mesmo formalmente registradas nas delegacias, não foram levadas devidamente a sério pelas autoridades. Mesmo naqueles poucos casos em que todos os procedimentos legais foram feitos, muitos agressores simplesmente ignoraram a decisão judicial de não se aproximarem de suas vítimas, encorajados, quem sabe, pela impunidade e pouca atenção do Estado com esses crimes que destroem o Brasil por dentro, bem no seio das famílias.

Diante de uma realidade social que é muito maior do que o Estado pode lidar, a única saída segura é não dar uma segunda chance ao agressor, por menor que seja caso.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Amor com violência é doença./“Em briga de marido e mulher se mete a colher…”. Denuncie! Ligue – 180, e evite mais um feminicídio. Esse ódio de morte é sentença.”

Osmar Fernandes, no Pensador

Foto: Agressão gravada por câmera em elevador do Paraná (brasil.elpais.com)

 

 

Em teste

Homens que cometerem o feminicídio serão responsabilizados pelos gastos do SUS no tratamento da mulher e precisarão ressarcir o Fundo Nacional de Saúde. Terão bens bloqueados e esse pagamento não deverá afetar o patrimônio da esposa e dos filhos. Soam estranhas as novas regras. Vamos acompanhar se serão realidade.

 

 

Pés no chão

O novo filme A cinco passos de você traz a realidade do mundo de quem vive a Fibrose Cística. Veja a seguir o depoimento de Fernanda Gomide, enquanto mostra alguns trechos do filme colocando a realidade em que ela vive desde que recebeu o diagnóstico.

 

 

Eleição na Ascade

Amanhã é dia de eleição de diretoria na Ascade para o triênio 2019/2021. A atual presidente da Ascade empunha a bandeira do candidato Francisco Morais. “Servidor aposentado da Câmara, com vasta experiência na casa onde fez grandes amigos, ele tem todas as credencias para conquistar a vitória e fazer uma excelente gestão”.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Na ponte de Taguatinga, também, na junção com a pista, há uma depressão que pode provocar um sério acidente, considerando-se, além do mais, a velocidade desenvolvida pelos carros na Estrada Parque. (Publicado em 15.11.1961)

Aproximação fatal

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Ironia do destino ou não, o fato é que uma das principais facções do crime organizado, nascida em São Paulo, vai, à revelia das autoridades e contra todos os prognósticos oficiais, pouco a pouco se instando de mala e cuia na capital do país.

Entre os objetivos desse grupo que se expandiu em número, fortuna e ousadia nesses últimos anos, pode estar a criação de uma espécie de Estado Paralelo, fincado bem no coração da capital, de onde passaria a controlar outras regiões. A intenção desse grupo em se fixar na capital é antiga e vem sendo acompanhada pelas autoridades desde 2002, quando integrantes da cúpula dessa organização estiveram presos no complexo da Papuda.

De lá para cá, a polícia tem efetuado, com certa regularidade, várias prisões de integrantes da facção que formariam núcleos embrionários do crime organizado no Distrito Federal e principalmente nas áreas do entorno. Informações passadas à imprensa dão conta de que em regiões administrativas como o Paranoá, São Sebastião e outras já estariam abrigando vários indivíduos aliciados pelo bando, numa mostra de que essa facção possui planos ambiciosos, que vão muito além da prática de crimes comuns.

Suspeitas nesse sentido foram levantadas pelas próprias investigações, mostrando que membros dessas organizações vêm comprando casas, terrenos e lojas no Distrito Federal e nas cidades goianas limítrofes. Investimentos dessa natureza, feitos em imóveis, revelam que os planos desse grupo para se fixar no Centro-Oeste são ambiciosos e devem, portanto, despertar o olhar mais apurado das autoridades que tiverem interesse em cortar o mal pela raiz.

Com a chegada agora, e de surpresa, do principal chefe dessa organização para mais uma estadia no Presídio de Segurança Máxima de Brasília, as autoridades de segurança, inclusive o próprio governador Ibanez, protestaram de forma enérgica, condenando a decisão do Ministério da Justiça. Esse fato revela o nível de preocupação com a vinda desse líder e de outros ligados à cúpula criminosa para a capital.

Obviamente que virão também familiares, amigos e advogados dos contraventores. A crise financeira e a falta de investimentos nas áreas de segurança têm enfraquecido o poder de combate ao crime em todo o Brasil e em Brasília não tem sido diferente.

Com poucos recursos humanos, escasso material, como armamentos e com uma força de inteligência necessitando de grandes investimentos, controlar as múltiplas atividades desse grupo criminoso aqui no DF será uma tarefa das mais delicadas, ainda mais quando se conhece as especificidades da capital como sede dos Poderes da República e sede de todas as representações diplomáticas.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Fortalecem organizações criminosas pela educação e segurança deficientes, propiciando o aumento da violência e da marginalização.”

Thiago Soares Garcia, em artigo publicado no portal Âmbito Jurídico.

Clique no link para ler o artigo completo: A seletividade penal pela perspectiva do combate aos crimes de colarinho branco

Charge de Nani Humor

 

Nova legislação

Casos de pessoas que largaram o emprego para vir fazer o concurso da Sedest, gastos, privações sociais de todos os tipos durante meses para manter o ritmo dos estudos. É desumano cancelar qualquer concurso. É preciso haver a previsão no edital sobre multas no caso de suspensão das provas de concurso, como as licitações. Assim, haveria mais segurança, capacitação dos fiscais e a logística precisaria ser infalível. Caso contrário, multa e jamais a possibilidade de novos contratos.

Foto: concursos.correioweb.com.br

 

Eficiente

Correspondências enviadas ao presidente da República são respondidas com brevidade pela Diretoria de Documentação Histórica do Gabinete Pessoal do presidente Bolsonaro. O Sr. Marcelo da Silva Vieira assina as correspondências.

 

 

Muito boa

Quem lê com mais acuidade estranha que Rodrigo Maia tenha pedido para o líder do Executivo, presidente Bolsonaro, ter mais empenho na aprovação de uma proposta do Governo Federal. Se a aprovação é dada no Legislativo, onde os parlamentares representam a vontade do povo, o natural seria o contrário. A observação é de Ascânio Seleme.

Charge do Izinho

 

Esperança

Com recursos do FNO do Banco da Amazônia, a linha de crédito para Energia Verde apoia a produção de energias renováveis na região com obras que têm como princípio beneficiar a população local com saneamento básico, telecomunicações, transporte e empregos. Outros fundos na operação: são eles o Fundo de Desenvolvimento da Amazônia, BNDES e Orçamento Geral da União.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

E para terminar: é comum uma telefonista reclamar para a gente, o salário que ganha, o número de horas que trabalha, as dificuldades que a Novacap lhe transfere com relação à habitação, transporte e local de alimentação. (Publicado em 15.11.1961)

Entre a caneta e o fuzil

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Charge do Dum

 

Assim no céu como na terra. Tal parece ser o enredo que vai se desenrolando há algumas décadas em nosso país tanto no combate à corrupção, como na luta contra o crime organizado. Os entraves, encontrados pelas autoridades judiciais para pôr termo às ações desses grupos, tanto dentro de palácios, como dentro de presídios, são imensos e só não foram ainda deixados de lado devido à grande pressão popular, sobretudo aquelas manifestadas nas ruas e nas redes sociais.

Batalhões dos mais caros escritórios de advocacia, ações de juízes, complacentes e com ligações com esses personagens, além de campanhas feitas por um tipo de imprensa e blogs muito suspeitos, tornam a tarefa de saneamento do país uma missão tão ou mais árdua quanto os doze trabalhos de Hércules. Mesmo que aparentemente não existam, ainda, fatos que liguem diretamente corruptos do colarinho branco e grupos e facções criminosas que agem nos presídios e em muitas cidades espalhadas pelo país, o fato é: tanto um como o outro são extremamente nocivos ao país, sendo que, em muitos casos, estão na raiz do nosso eterno subdesenvolvimento.

Combater crimes praticados por indivíduos de alto coturno, como pelos chamados pés de chinelo, deve, portanto, merecer igual e persistente esforço. Buscar semelhanças tanto nas ações delituosas praticadas por ambos, como nas consequências dessas atuações é tarefa fácil. De saída, é possível identificar que ambos grupos trabalham contra o Brasil e contra os brasileiros, a favor exclusivo de seus interesses ou de pessoas a eles ligadas. Para tanto, são capazes das mais reprováveis ações para alcançarem seus intentos. A rigor, não deveria existir diferenciação entre esses dois grupos, tanto na condenação, como no confinamento e tratamento desses delinquentes. Pelo poder financeiro que possuem, e que amealharam nesses anos todos, a capacidade de contornar os rigores da lei, subornando e ameaçando pessoas, é imensa e sem paralelo em nossa história. A diferença está no tipo de arma empregada para atingir seus feitos. Enquanto uns usam da caneta e do cargo para fazer o crime acontecer, outros recorrem aos fuzis e à violência explícita. Nesse caso é possível afirmar que uma canetada mata tanto ou mais que as próprias balas de fuzis.

Perigo real desses dois grupos que agem tanto dentro da máquina pública como na periferia de todas as nossas metrópoles deve merecer atenção redobrada, principalmente quanto ao endurecimento da legislação penal. Nesse sentido, bem faria o governo se empenhasse todos os esforços no sentido de fazer aprovar o conjunto de leis apresentado pelo ministro da justiça, Sérgio Moro, inclusive fortalecendo os mecanismos de combate às fraudes nesse sistema. Resta saber se os legisladores concordarão com os eleitores.

A notícia de que um poderoso chefão do crime organizado e mais alguns comparsas acabam de ser transferidos para o presídio de Brasília, enquanto outros presos seguem para o Rio de Janeiro ou permanecem em Curitiba, demonstra não só a periculosidade desses indivíduos, deslocados a todo instante pelo país por motivo de segurança, mas revelam a dificuldade que as autoridades enfrentam para manter esses grupos vigiados ou mesmo presos. De sandália havaiana ou de sapato italiano, esses indivíduos, ao fim, ao cabo, prejudicam o país na mesma medida.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Eis o âmago da questão suscitada por Radbruch: a consciência(…) não há consciência no homem que frauda, desvia, comete peculato, descaminho(…)”

Sérgio Cruz, membro do IBDFAM

Michel Temer no momento da prisão pela Polícia Federal (Ueslei Marcelino/Reuters/TV Globo)

 

Seletiva

Recebemos, da fonoaudióloga da Telex, uma solicitação de divulgação onde fundamenta a importância de o ser humano usar a tecnologia para poder ouvir, já que é um ser social. Com crianças e adolescentes pode ser diferente, mas quem convive com idosos sabe que, em 70% do dia, eles preferem o aparelho desligado. Por que será?

 

 

Encontro

Moradores do Lago Norte são convidados para uma reunião no dia 27 desse mês, no Colégio do Sol, às 19h30. Essa será a primeira reunião com o presidente da Novacap, Declimar Azevedo. Na ocasião, os moradores poderão reivindicar melhorias estruturais da região.

 

Responsabilidade civil

Crotalária é o nome da semente usada para adubar o solo. Estava misturada com a ração que matou dezenas de cavalos no DF e GO.

Misturadas aos grãos da aveia, as sementes da crotalária são visíveis, mas podem passar despercebidas /Foto: Renato Araújo/Agência Brasília

 

Para ontem

Com o Paranoá Parque e Itapuã Parque, é preciso considerar a ponte entre o Setor de Mansões do Lago e a UnB. Basta fazer uma projeção para compreender que as estradas da região não suportarão o fluxo de carros.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

E há mais, quanto ao serviço telefônico: as telefonistas ficam discutindo, brigando e se xingando em código com as telefonistas do Rio, sem ter o cuidado, sequer, de tirar o assinante da linha. (Publicado em 15.11.1961)

O presente copia o passado

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Santos Cruz (ao centro), Mourão (à esquerda) e Augusto Heleno Foto: André Horta/Fotoarena, Leo Martins e Adriano Machado / Agência O Globo e Reuters

 

Após essa sequência de prisões sem fim de nossas principais lideranças políticas, um fato que vem ocorrendo com certa constância nessas últimas décadas, de certa forma, traz para o presente as mesmas razões que no passado recente desencadearam e justificaram a chamada revolução de 1964.

Já naquela época, guardadas as devidas proporções de tempo e espaço, estavam também centradas, exclusivamente na classe política nacional, as raízes de todas as crises institucionais que agitaram aquele período e que acabaram por catalisar a revolta dos quartéis, abrindo as portas do Estado para a chegada dos militares ao poder. Em outras palavras, foi o comportamento dissoluto de nossos políticos, o verdadeiro responsável pelas alterações bruscas ocorridas nos rumos da nossa democracia, e que, por sua vez, sacrificou o surgimento de verdadeiras lideranças futuras, o que, sem dúvida, trouxe grandes prejuízos para nosso pleno desenvolvimento como país democrático.

Já naqueles longínquos anos sessenta, haviam denúncias e alertas feitos nas casernas sobre a falta de compostura da classe dirigente, sua insensibilidade diante da realidade nacional. Denunciavam também, naqueles tempos, o egoísmo dessas elites dirigentes, mais entregues às facilidades do poder do que à boa gestão da coisa pública.

Pouco antes de eclodir o março de 64, era voz corrente, entre os militares, que a corrupção política tinha se entranhado na máquina do Estado a um tal ponto que seriam necessários muitos anos para os brasileiros readquirirem o caminho da prosperidade. Muitos daqueles militares, que participaram da chamada revolução de 1964, não escondiam sua desconfiança com relação aos civis que compunham a elite política nacional. Com honrosas exceções, nossa classe política foi a artífice principal de todas as crises políticas experimentadas pelos brasileiros entre a segunda metade do século XX e o começo deste século.

Hoje a situação é muito assemelhada, mas com a diferença de que os níveis de corrupção alcançados por esses operadores do Estado necessitam muito mais da ação das forças policiais e do Ministério Público do que precisamente das Forças Armadas. Mesmo assim, o que os brasileiros assistem hoje é a chegada dos militares ao controle do país por outros meios, de forma perfeitamente legal e até democrática.

Dessa forma, não parece surpresa que a eleição agora do novo presidente representa, em certo sentido, uma continuidade do março de 1964 ou seu prolongamento, feito agora pela via das eleições de outubro de 2018. A prisão de dois presidentes da República sob a acusação de corrupção e lavagem de dinheiro e, não por razões políticas, como querem fazer crer seus acólitos, e mais o fato de que outros poderão vir a ter o mesmo destino, além de um fato inédito no mundo Ocidental, demonstra no presente as mesmas razões que no passado trouxeram os militares para restabelecer a “ordem na casa”. Coincidência ou a história como farsa, só o tempo irá dizer.

 

 

A frase que não foi pronunciada:

“Golpe, Revolução ou combate à corrupção?”

Frase versão 2019

 

Pura sabedoria

Moradores da Asa Sul reclamam do fumacê nas quadras. Para quem pergunta se é melhor a dengue, a natureza dá a resposta. Matam aranhas, cigarras, lagartixas, abelhas, morcegos e aí reclamam da dengue, reclamam que a polinização acabou, que as baratas não param de aparecer e por aí vai. Chefe Seatle já dizia em 1798: “A humanidade não teceu a teia da vida. Nós somos apenas um segmento dentro dela. Tudo o que fazemos para os seres vivos, fazemos para nós mesmos. Todas as coisas estão unidas. Todas as coisas se conectam.”

Página do grupo Nós que Amamos Brasília, no Facebook

 

Pegou pesado

Mas foi verdade. O presidente Bolsonaro comentou as pesquisas do Ibope sobre a popularidade: “Eu não estou preocupado com pesquisas porque também não têm credibilidade, assim como pesquisas eleitorais”, declarou, citando que institutos de pesquisa haviam apontado, em 2018, que ele perderia para qualquer candidato que o enfrentasse no segundo turno.

 

Nova palavra

Por falar nisso, além da segurança da urna eletrônica, os institutos de pesquisa são uma forma velada de boca de urna. Nosso povo tem a ideia de votar em quem está ganhando, o que dá aos institutos de pesquisa um poder ‘superliminar’.

Charge do Sinfrônio

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Anteontem de manhã, eu pedi uma ligação para o Hospital Felicio Rocho, de Belo Horizonte, onde está internada a família do nosso companheiro Renato Alencar, vítima de um desastre na Rio-Brasília. Pois bem. Até hoje não completaram a ligação, embora eu tenha dado o endereço à telefonista seis vezes nestes dois dias. E ainda querem tirar as antenas dos radioamadores! (Publicado em 15.11.1961)

Envelhecer num mundo hostil

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Foto: reprodução da internet (blog.stannah.pt)

 

Um flagrante captado em Nova Iorque, considerada por muitos como a metrópole do planeta, dá uma pequena dimensão do que está por vir, com relação a vida das pessoas idosas em um mundo, não só em rápida transformação, mas que assiste atônito e passivo o envelhecer da população. Para comemorar meio século de união, um casal de idosos do interior dos Estados Unidos hospedou-se no mesmo hotel em que estiveram em 1969 em lua de mel. Logo ao amanhecer do primeiro dia na cidade, foram tomar o café da manhã no saguão lotado do hotel. Sentados, um de frente para o outro, o marido pediu dois ovos fritos ao garçom próximo. Passados uns bons minutos o atendente traz o pedido. Examinando os ovos no prato, o homem voltou a chamar educadamente o garçom, mostrando a ele que a encomenda não tinha sido feita de acordo com o pedido. O garçom, um homem corpulento e com cara de poucos amigos, simplesmente enfiou o dedo indicador na gema dos ovos, agitou bem, e disse, em tom ríspido, que os ovos estavam de acordo. Depois depositou o prato sobre a mesa, virou as costas para o casal e se retirou de cena.

Incapaz de entender, num primeiro instante, o que havia se passado, o homem, um senhor na faixa de seus oitenta anos, talvez envergonhado com aquela situação inusitada, humilhado diante da companheira de décadas, olhava desolado e indignado através dela, incapaz pela idade avançada, de tomar quaisquer outras providências. Seguiu-se um longo silêncio e uma certeza de que os festejos das bodas de casamento tinham sofrido um abalo definitivo vindo da selva em que o mundo parece ter se transformado.

O desprezo e os maus tratos aos idosos são fenômenos que vêm ocorrendo não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Cada vez mais frequentes, os episódios e os relatos desses fatos tristes, mostram que a civilização, conforme entendemos o termo, vai, paradoxalmente, “involuindo”, adquirindo características primitivas e o que é pior, mais violenta e desumana.

O fato é que envelhecer num mundo cada vez mais hostil é uma tarefa árdua e perigosa. Em 2060, segundo projeções feitas pelo IBGE, o país terá mais de um quarto da população com mais de 65 anos. Com isso, é possível que o Brasil ultrapasse outros países em número de idosos, o que, em si, é mais um dado a ser levado em conta, quando se sabe que não estamos, de forma alguma, preparados para essa nova realidade.

Também dados fornecidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostram que nosso país, que é hoje o sétimo mais jovem desse grupo, passará a figurar, até 2050, como a nação com maior número de idosos. O número de idosos no Brasil vem aumentando muito mais rapidamente que em outros países. Especialistas dizem que o processo de envelhecimento dos países centrais demorou séculos. No nosso caso, esse fenômeno vem acontecendo no espaço de poucas décadas. Com isso, está passando da hora de o país implementar políticas verdadeiramente eficazes para preparar o terreno para uma nova realidade que já bate à porta.

 

A frase que foi pronunciada:

“Quando a velhice chegar, aceita-a, ama-a. Ela é abundante em prazeres se souberes amá-la. Os anos que vão gradualmente declinando estão entre os mais doces da vida de um homem. Mesmo quando tenhas alcançado o limite extremo dos anos, estes ainda reservam prazeres.”

Sêneca

Foto: reprodução da internet (tecnosenior.com)

 

Lamentável

Professora Emília Stenzil e o professor Galbinski criaram o curso de Arquitetura da UniCeub. Rompendo a diretriz educacional instaurada, parte do Núcleo Docente Estruturante, que desenhava os projetos educacionais há quase duas décadas para a universidade, foi dispensada. Perdem os alunos.

Foto: uniceub.br

 

Raridade

Senador Lasier Martins está bem de popularidade. Basta dizer que ele estava em um avião comercial dando uma entrevista para a JovemPan por um tempo considerável. Não foi abordado pela população com xingamentos ou desaforos. Fez o voo com absoluta tranquilidade.

Foto: senado.leg.br

 

Pioneiro

O professor Altair Sales Barbosa foi o primeiro a usar o termo racismo ambiental. Isso porque gente do agronegócio, que desconhece a importância do cerrado, não faz cerimônia em juntar dois tratores com correntes para colocar abaixo todas as árvores contorcidas.

Tirinha do cartunista Evandro Alves.

 

Exame de consciência

Na clínica Villas Boas, a televisão estava ligada e uma paciente comentou enquanto ouvia a notícia do desdobramento da operação Radioatividade: Por que será que eu sinto tanta vergonha quando vejo isso? E eu não fiz nada! Talvez algum psicanalista, psicólogo, jurista ou delegado possa responder.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

As chuvas estão aí, e não se vê ninguém plantando um pé de grama. Está havendo uma inversão na ordem das coisas, desde que o sr. Jânio Quadros foi eleito presidente da República: na seca, planta-se grama; nas chuvas, faz-se asfalto… (Publicado em 15.11.1961)

Uma coisa não exclui a outra

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Senado: parlamentares antigos terão regras de transição Foto: Daniel Marenco – Agência O Globo

 

Com a aproximação dos debates e votação da tão pretendida Reforma da Previdência no Congresso Nacional, proposta considerada pela maioria dos especialistas no assunto, como de caráter urgente, urgentíssimo, dada a saúde precária das contas públicas, um fato é indiscutível: apesar do aparente apoio que conta junto à população sem um ajuste profundo nos gastos do Tesouro Nacional, qualquer projeto reformista nessa e em outras áreas, por mais bem elaborados que sejam, não encontrarão, perante a opinião pública, uma aceitação fácil e majoritária.

Por ajustes nos gastos do Tesouro Nacional entende-se um corte drástico ou mesmo a supressão dos diversos privilégios gozados hoje por uma pequena minoria, encastelada na máquina pública e escudada por leis, feitas, obviamente, sob medida para a manutenção do status quo. Em outras palavras, mais fácil seria iniciar a reforma previdenciária pela ponta da pirâmide, cortando privilégios e velhos abusos consolidados de forma injusta na legislação, eliminando os altos salários, estabilidades inexplicáveis, vitaliciedades do tipo monárquicas de cargos, auxílios extras, biênios, quinquênios, décimos quartos, e por aí vai.

Já que se faz necessário um quantitativo de apoio de 3/5 no Congresso capaz de mudar o texto constitucional, para nele encaixar as novas regras, nada mais natural do que, previamente, limpar o terreno, removendo antigas e odiosas mordomias, custeadas, vejam só, pelo pessoal da base da pirâmide econômica. Uma coisa não exclui a outra.

Nesse caso, haveria uma espécie de pré-reforma, capaz de retirar entulhos de toda a ordem, acumulados ao longo de décadas e que fazem de nosso sistema não só um dos maiores do mundo, mas, sobretudo, um dos mais injustos e desiguais que se tem notícia no mundo contemporâneo.

À flagrantes desigualdades, vem se somar as diferenças e heterogeneidade das diversas regiões do país. Sabe-se que um homem ou uma mulher que viva no interior do Amazonas, certamente, não possui a mesma expectativa de sobrevida de um casal residente no Sul do país.

A divulgação contendo a relação das maiores aposentadorias do pais, inclusive para ex-governadores e ex-presidentes, dá uma mostra de que ainda temos muito o que avançar se quisermos a Previdência inserida nos parâmetros da justiça social e da ética.

 

 

 

A frase que não foi pronunciada:

“Qualquer mudança é bem-vinda, mas não contem comigo.”

Frase por trás das atitudes dos parlamentares, “representantes do povo”.

Charge do Amarildo

 

Segredo

Nota-se que Brasília guarda um tesouro que poucos conhecem. Apenas os mais antigos da capital e as autoridades bem informadas são os que se deleitam com a boa mesa do restaurante La Chaumière. Aconchegante como nenhum outro restaurante dessa cidade, esse é o metro quadrado onde a história do país é resolvida.

 

Bem cedo

Nenhum senador está na Casa no momento em que o senador Kajuru chega. Ele é um madrugador. Estaciona o próprio carro e cumprimenta com simpatia todos os funcionários.

Foto: Roque de Sá (Agência Senado)

 

Ele merece

Por falar em Senado, Wallace Sousa, terceirizado da limpeza, foi descoberto por Denis Soares, da TV Senado. Wallace é um autodidata e exímio desenhista. Certamente esse talento dará uma vida melhor ao rapaz.

 

Na raiz

Agefiz arregaçou as mangas e impediu que as invasões da Estrutural chegassem ao Parque Nacional. O mal precisa ser cortado pela raiz. E é esse o trabalho da Agefiz.

Foto: DER/Divulgação

 

Terrível

Domingo, 20 horas. O ônibus que vai de Sobradinho para a Rodoviária absolutamente lotado. Mas é óbvio: as empresas querem faturar sem aumentar o número de ônibus. Se houvesse mais transporte disponível não seria necessário implementar ônibus só para mulheres. O caso é que as longas distâncias de Brasília não geram os lucros esperados.

Charge do Bruno

 

Mudanças

Anos atrás, foi denunciado o descaminho da poupança dos trabalhadores, feito por políticos nomeados estrategicamente para o cargo de gestão dos Fundos de Pensão da Petrobrás, dos Correios, do BNDES, da Caixa Econômica Federal e do Banco Central.

 

 

Crime

O aparelhamento das agências reguladoras e de fiscalização tirou a capacidade precípua de resguardar os interesses dos trabalhadores e da sociedade em geral. Literalmente fecharam os olhos à lenta sangria dos recursos, perpetrados por mais de uma década nos principais fundos de pensão do país.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Os lugares ainda vagos nos mercadinhos da W-4 deveriam ser entregues a donos de granjas em produção (em produção, vejam bem) para que pudessem oferecer preços que estabeleçam concorrência e melhores condições de aquisição para a população. (Publicado em 15.11.1961)