O crescimento horizontal da capital

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Vicente Pires – DF (enganadopelabrookfield.wordpress.com)

 

Um fenômeno observável hoje em lugares remotos como a África Subsaariana, Sul da Ásia, China e Índia, onde cidades inteiras vão crescendo exponencialmente no sentido horizontal, começa a se delinear também, de forma embrionária, aqui no Distrito Federal.

De início, é preciso deixar claro que a falta de uma política sensata para a questão fundiária da capital decorre, justamente, da ação nefasta de políticos que usam desse problema apenas para alavancar suas candidaturas, prometendo e incentivando a ocupação desordenada de terras públicas. Com isso, a exemplo do que vem ocorrendo em cidades como Lagos, na Nigéria, onde a cidade já se espraia por mais de 1.200 quilômetros quadrados e continua a crescer, a grande Brasília vai se espalhando para fora do quadrilátero, invadindo, aos poucos, o próprio estado de Goiás.

Já se sabe que, sem planejamento urbano detalhado, nenhuma cidade, dignamente habitável, pode existir por muito tempo. O crescimento desordenado e fora dos padrões, rigidamente estabelecidos pelas ciências urbanas, está na razão do colapso de muitas cidades.

O alargamento urbano horizontal, que no nosso caso vai sendo estabelecido a cada novo governo e com apoio da classe política local, se dá não apenas pela abertura de novos loteamentos ao redor da capital, mas ocorre também pelo estabelecimento de dezenas de novos condomínios que vão surgindo nos quatro cantos da cidade.

Dessa forma, não é de se estranhar que os serviços municipais, como abastecimento de água, luz, esgoto, asfalto, escolas, hospitais, delegacias e outros, vão se rareando à medida em que esses bairros se afastam do centro. O milagre da habitação, possibilitado de forma marota pela classe política, obviamente não é acompanhado pelos serviços de infraestrutura necessários a uma vida digna.

Fossem esses os únicos problemas trazidos pela falta de planejamento, a solução seria menos traumática para o poder público. Ocorre que o crescimento descontrolado na horizontal, conforme vai se configurando hoje na capital, acaba por pressionar, de forma irreversível, os recursos naturais.

A ocupação de terras agrícolas, o assoreamento de rios e córregos e a instalação de bairros inteiros sobre áreas sensíveis de preservação ambiental, ao reduzir os recursos naturais, acaba por aumentar, ainda mais, as desigualdades sociais. Não é por outro motivo que nos países desenvolvidos, predominam o crescimento vertical, por meio de edifícios mais altos e relativamente bem localizados e próximos aos centros urbanos.

A medida em que a grande Brasília vai se desdobrando no horizonte, em bairros sem infraestrutura alguma, aumentam ainda os problemas com os transportes, com os congestionamentos, submetendo populações inteiras as precaríssimas empresas de ônibus, com suas frotas sucateadas, perigosas e com altas tarifas.

O custo da irresponsabilidade política na questão fundiária é dado pela previsível inviabilidade a médio e longos prazos da capital. Mas aí, quando essa situação se mostrar no limite, os responsáveis por essa catástrofe já terão migrado para outras regiões, longe do caos, deixando apenas o rastro de destruição para a população que não soube contestar.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“O mal é causador de uma constante miséria devido à incansável necessidade do ser humano de vingar-se, como forma de soltar o ódio”

Ralph Steadman, conhecido por suas caricaturas políticas e sociais

Foto: Splash News/ Corbis

 

Chega

Senador Lasier Martins quer fim de barragens iguais às de Brumadinho e Mariana, proibindo que acumulem rejeitos pelo método de alteamento a montante, onde o material armazenado é usado na contenção. “Constatamos que o que ocorreu em Mariana, em 2015, não serviu de lição. Não podemos mais aceitar ocorrências como essas, temos a obrigação moral de agir urgentemente na busca de soluções que impeçam a reincidência de fatos que nos envergonham e que sujeitam brasileiros a um profundo sofrimento”, justificativa o senador a base de seu projeto.

Foto: Editoria de Arte/G1

 

Poeira

Depois da misteriosa fuga, Jean Wyllys diz ter recusado asilo político da França. A Embaixada Francesa em Brasília não foi informada sobre o assunto. Resta saber se existe mesmo o assunto, nessa chuva de inverdades na bagagem do ex-parlamentar.

Foto: M. Damasceno/RFI

 

Lembrete

Só para lembrar que muito antes de Jean Wyllys ganhar o programa da Globo, Big Brother, Clodovil era deputado, gay assumido e muito querido e respeitado pelos brasileiros. Wyllys é repugnante não por ser gay, mas por ser ardiloso.

 

Articulação

Por falar nisso, impressiona a demora para as autoridades revelarem o que de fato aconteceu por trás da tentativa de homicídio contra o então candidato à Presidência da República, hoje já eleito, Jair Bolsonaro. Já são quase 6 meses passados. Se há uma mobilização para deixar os brasileiros mais seguros, o ponta pé inicial deveria ser a competência para desvendar e trazer a público toda a verdade sobre esse crime.

Foto: AFP/bbc.com

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Esta coluna estará fora de circulação por vários dias, para que o colunista faça repouso absoluto, por prescrição médica. Se a notícia lhe agrada, agradeça ao dr. João Batista Mendonça. Se lhe desagrada, reclame dele, também. (Publicado em 10.11.1961)

A hora da disciplina nas escolas

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Imagem: se.df.gov.br

Ainda é cedo para avaliar o projeto-piloto Escola de Gestão Compartilhada, até por uma razão bastante lógica: trata-se de um projeto-piloto, ou seja, de um teste para ser avaliado, à posteriori, as consequências desse modelo de gestão, administrativa e disciplinar, a ser implantado em algumas escolas da rede pública do Distrito Federal.

A bancada de esquerda na Câmara Legislativa, obviamente, se posicionou contra o projeto, assim como o Sindicato de Professores, dominados há anos por esses mesmos partidos. Pressionados pelos sindicalistas, muitos professores, com medo do patrulhamento ideológico intenso, têm não só se colocado contrário à proposta, como induzido os alunos a adotarem a mesma oposição.

Essa antecipação de posição por parte do pessoal de esquerda, que ainda domina a educação em todo o Distrito Federal, além de preconceituosa e reacionária, prova, mais uma vez, que essa gente não deixa espaço aberto para o diálogo e não abre mão do status quo mantido por décadas. O fato é que, sob a gestão e orientação desse grupo ideológico, ao longo de todos esses anos, a qualidade do ensino só tem declinado. E o que é pior, a violência e as drogas, dois dos grandes males sociais de nossa época, já adentraram nas escolas fazendo de professores e alunos as novas vítimas.

É certo que a entrada da disciplina de característica militar, em algumas escolas, não tem o dom de, por si só, melhorar os índices de qualidade da educação, mas, em casos específicos, podem melhorar, e muito, a questão da disciplina nesses ambientes conturbados. Há muito os dirigentes das escolas, e principalmente os professores, perderam o respeito dos alunos.

Hoje, em muitas escolas, os professores simplesmente não conseguem dar aula, não conseguem manter os alunos dentro das salas de aula e muito menos estudando. Professor que ousar chamar a atenção de algum aluno corre risco de vida. A disciplina é não só no Brasil, mas em todo o mundo, reconhecida como o requisito fundamental para o processo de aprendizagem.

Muitos países com tradições democráticas, muito mais antigas e aperfeiçoadas que a nossa, colocam a questão da disciplina à frente de todo o processo educativo. Não é por outro motivo que muitos pais de alunos têm expressado receio em colocar seus filhos nas escolas públicas e optado pelo ensino em casa (homeschooling).

Na verdade, quando os partidos de esquerda e seus satélites, representados pelos sindicatos, se posicionam contra a chegada da disciplina nas escolas, estão cumprindo à risca o que diz a cartilha da revolução gramsciana para a tomada do poder: “Não tomem quartéis, tomem escolas e universidades, não ataquem blindados, ataquem ideias.”

 

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A frase que foi pronunciada:

“A disciplina é a chama refinadora através da qual o talento se transforma em capacidade.”

Roy Smith, treinador

Imagem: se.df.gov.br

 

Perigo

Em se tratando de estrutura, o ICC Norte, mais conhecido como Minhocão na UnB, parece que não vai bem das pernas. Pelo menos, o que os leigos veem são marcas de infiltração e plantas nascendo em crateras nos pilares.

 

Insanos

Infelizmente, os trotes não progridem com o passar do tempo. Os alunos da UnB comemoram com os veteranos jogando farinha ou com humilhações já conhecidas.

 

Desleixo

Enquanto isso, as mãos dos novatos e veteranos poderiam estar em mutirão recolhendo os entulhos do Centro Olímpico, ou mesmo revigorando a pista de atletismo, que atualmente está entregue ao mato alto. Além disso, as placas de sinalização das distâncias estão todas ilegíveis. O alambrado enferrujado é um risco permanente.

 

Pouco

Mais de R$9 mil reais em notas fiscais deram R$ 452 de desconto no Nota Legal. Veja a imagem da tela do leitor, no blog do Ari Cunha. Aliás, o projeto, original do senador Reguffe, teve as alíquotas totalmente modificadas. Até o crédito para compra de medicamentos, um programa que o então governador Rollemberg prometeu fazer valer ao parlamentar, não funcionou.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

De mais a mais, o radioamadorismo é para se incentivar, e não para se proibir. Não há um mundo, um único radioamador que não tenha prestado, com seu equipamento, um grande serviço a uma comunidade, alguma vez. (Publicado em 10.11.1961)

Barragem do Paranoá requer intervenção

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Foto: Breno Fortes/CB/D.A Press

Essa coluna tem alertado há muito tempo para o perigo de um possível rompimento da Barragem do Paranoá. Antigos engenheiros que trabalharam e acompanharam de perto a construção dessa importante barragem lá pelos idos de 1959, haviam advertido para a possibilidade de colapso dessa represa, não só pela idade da obra, mas, sobretudo, pelo pouco caso dispensado pelas autoridades àquela construção.

Por volta do início dos anos noventa, o aumento de tráfego sobre a barragem causava preocupação para os técnicos em engenharia e conservação de estrutura. É sabido que a estrada sobre a Barragem do Paranoá foi construída com o único propósito de manutenção daquela represa e dos geradores de energia elétrica ali instalados, sendo que sua estrutura, em nenhuma hipótese, foi dimensionada para receber um tráfego tão intenso como o existente hoje.

Há poucos anos, foi recomendado que a cobertura daquela pista fosse completamente retirada para a colocação de uma grossa malha de aço ao longo de toda sua extensão, para posteriormente ser coberta por uma generosa camada de concreto, permitindo uma sobrevida dessa estrutura. Não se sabe que fim tomou essa proposta. O fato é que passados mais de meio século, e principalmente depois do intenso adensamento populacional ocorrido naquela região, milhares de carros passaram a cruzar a Barragem, nos dois sentidos, dia e noite. Com isso, houve, além do encurtamento da vida útil daquela estrutura, já desviada de sua função primária, um aumento significativo de rompimento ou de outros defeitos de grande monta, capaz de acarretar um enorme e irreparável dano.

Com aproximadamente 500 milhões de metros cúbicos de água, um rompimento nessa estrutura iria necessariamente provocar um grande número de mortes e um desastre ainda maior para a própria capital, para seu microclima, para a fauna e flora adjacentes, para o turismo e lazer, capaz de provocar um sério colapso, também, nas finanças da capital. A importância dada ao Lago pelos idealizadores da capital é de tal significância, que jamais pensaram inaugurar a cidade antes da conclusão do seu imenso espelho d’água. Sabiam eles da imensa importância desse Lago não apenas para complemento paisagístico do brilhante projeto, mas sua utilidade para a vida cotidiana de seus moradores.

Ainda mesmo durante a Missão Cruls em 1896, era anotado em relatório preparado para a instalação da futura capital: “É fácil compreender que, fechando essa brecha com uma obra de arte (dique ou tapagem provida de chapeletas e cujo comprimento não exceda quinhentos a seiscentos metros, nem a elevação de vinte a 25 metros), forçosamente a água tornará ao seu lugar primitivo e formará um lago navegável em todos os sentidos, num comprimento de vinte a 25 quilômetros sobre uma largura de dezesseis a dezoito”.

O recente desastre ocorrido em Brumadinho tem chamado a atenção de muitas autoridades para a eventualidade de acidentes em muitas barragens espalhadas pelo Brasil. Aqui em Brasília, em boa hora, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou ação civil pública contra o Distrito Federal, o Departamento de Estradas e Rodagens (DER) e a CEB Geração, para obrigá-los a construir uma nova ligação entre a DF-001 e a DF-025, deixando aquela via apenas para os trabalhos de manutenção da usina hidroelétrica.

Trata-se de uma situação que requer medida urgente a fim de preservar tão importante estrutura para a vida da capital.

 

A frase que foi pronunciada:

“Nós nos preocupamos com o que uma criança se tornará amanhã, mas esquecemos que ele é alguém hoje.”

Stacia Tauscher (1777), que imigrou da Romênia para Oregon com seu marido, Wenzel.

 

Zica Dengue

Depois da misteriosa tragédia em Pernambuco, onde crianças nasceram com microcefalia, o estado continua sem o devido cuidado.  Foram 721 casos de dengue e, novamente, as autoridades apenas afirmam que o aumento está localizado onde há um maior número de pessoas susceptíveis ao adoecimento por arboviroses. Em um desses locais, ano passado, até fevereiro, apenas 8 casos de dengue foram registrados. Em 2019 já são 81.

Charge: evivaafarofa.blogspot.com

 

Sem cerimônia

Aos poucos, barracos vão sendo erguidos na pista oposta ao Itapuã, a caminho da Torre Digital. Além das famílias que ali se instalam, caminhões cheios de restos de obras despejam o entulho naquela região, sem cerimônia. O GDF precisa se dar conta que fiscalizar é a melhor forma de prevenir problemas.

Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press

 

Projeto Bom Dia

Visita de outro país ficou encantada com as quadras comerciais do Plano Piloto. Tudo limpo, organizado. Na área dos blocos, árvores e calçadas à vontade. Mas ao conhecer outras regiões administrativas, como o Paranoá, o encanto caiu por terra. Restos de festas jogados nas calçadas, chorume por todo lado, crianças e adultos jogam lixo no chão sem titubear. Se a família não resolveu, uma conversa com os professores resolve. É só entrar na grade escolar.

Charge do Iotti

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O serviço de Fiscalização da Medicina proibiu as farmácias da venda de papel higiênico, dentre outros produtos. A relação desses produtos é tão grande, que está apavorando o comércio farmacêutico. (Publicado em 10.11.1961)

Os Patetas Na Terra do Nunca

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Charge nanquim.com.br

 

Iniciativas que visem a geração de empregos no Distrito Federal, são sempre bem-vindas. Ainda mais quando se sabe que a capital, a exemplo do ocorre na grande maioria das cidades do país, experimenta um elevado índice de pessoas desempregadas ou subempregadas. Ocorre que programas de governo desse tipo precisam vir acompanhados, necessariamente, de uma série de medidas que assegurem o pleno cumprimento desses projetos, com começo, meio e fim. Há a necessidade de garantir que essas ações se prolonguem no tempo e não venham se constituir em ações do tipo populista, que resolvam o problema de visibilidade do político, mas que não surte efeito eficaz para o trabalhador.

Nesses últimos anos, os brasilienses têm assistido, até com certa frequência, a divulgação de projetos mirabolantes, que, no plano das ideias, pareciam perfeitamente exequíveis, mas que, na prática, se mostraram verdadeiros desastres. Exemplos dessas alucinações propugnadas tanto pelo Governo do Distrito Federal, como pela Câmara Legislativa.

O Estádio Mané Garrincha, um dos mais caros do mundo, com capacidade para receber 70 mil torcedores é, talvez, o exemplo mais vistoso. Fincado em pleno coração da cidade, bem ao lado do Palácio do Buriti, o monstrengo de concreto, apesar da promessa de que representaria um grande marco para a cidade, capaz de inseri-la, definitivamente entre as capitais com forte tradição no futebol, é hoje um típico elefante branco, sem valia, e o que é pior, gerando seguidos prejuízos para os contribuintes. As pretensas benesses que seriam trazidas por essa obra, obviamente ficaram apenas nos bolsos dos seus idealizadores, todos condenados pela justiça, num processo que vem se arrastando há anos sem solução.

O Buritinga é outro exemplo de obra que prometia, não só o enxugamento da máquina pública, mas a racionalidade da administração, concentrando, num mesmo ambiente, todas as secretarias de governo, mas que hoje jaz sem serventia, consumindo recursos da população para sua manutenção, apesar de ter custado uma fábula aos cofres públicos.

A Feira contígua à antiga rodoferroviária é outro exemplo de obra que prometia gerar empregos e resolver o problema da invasão de ambulantes por toda a cidade. Abandonado ou subutilizado, o espaço é hoje uma feira fantasma que, aos poucos, vai se transformando numa invasão e numa dor de cabeça para o local.

O mesmo se sucedeu aos tão festejados Polo de Cinema e Polo da Moda, todos abandonados ou com mudança de finalidade. Também os Postos de Segurança Comunitários, instalados por todo o Distrito Federal, que prometiam acabar com o problema da violência, tiveram seu começo e fim decretados pelo próprio governo. Depois de consumir uma fortuna da população para sua construção, muitos desses postos foram queimados por bandidos ou simplesmente abandonados. Graças à iniciativa da professora de canto erudito, Denise Tavares, dezenas desses postos transformaram-se em salas na Escola de Música de Brasília.

É preciso, portanto, aprender com essas medidas para não repetir os mesmos erros que custam tão caro ao contribuinte e que jamais são devidamente reembolsados. Faria melhor, o governo local, se cuidasse da continuidade das muitas obras inconclusas que se encontram hoje espalhadas por toda a cidade, como é o caso do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), além da manutenção das que já existem e são sexagenárias.

O anúncio de que a atual administração do GDF estuda a implantação de uma filial do Parque da Disney, em Brasília, deve ser visto por esse ângulo, ou mais precisamente pela lente da realidade prática e das inúmeras experiências malsucedidas de nosso passado recente. Antes de investir o dinheiro suado do cidadão em obras de infraestrutura e outras benesses, além de renúncias fiscais para trazer esse mundo de fantasia, com sua Terra do Nunca para a capital, é preciso atentar para um detalhe: por anos, os brasilienses têm sido tratados como verdadeiros Patetas por muitos políticos espertalhões. Só que agora, os tempos são outros.

 

A frase que foi pronunciada:

“Para realizar um sonho é preciso esquecê-lo, distrair dele a atenção. Por isso realizar é não realizar.”

Poeta Fernando Pessoa. Livro do Desassossego

Foto: poesiaspoemaseversos.com.br

 

Desafio

Por falar em desassossego, parece que uma das maiores dificuldades do senador Alcolumbre vai ser falar e ser ouvido com o costumeiro barulho no Plenário. Senadores de costas para a mesa da presidência, conversas paralelas todo o tempo, gargalhadas, cumprimentos efusivos durante discursos e até interrupção na condução dos trabalhos. Que diferença do parlamento britânico!  O senador Alcolumbre gosta de olhar nos olhos do interlocutor enquanto fala e ouve. Sobre o respeito a quem está ao microfone, será mais fácil o novo presidente se ajustar aos incômodos de altos decibéis e movimentos do ambiente do que tentar mudar a cultura da Casa.

Foto: oglobo.globo.com

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A informação que temos da Escola, confirmada por nossa visita em horário escolar, é a de que a assistência ao aluno não será redobrada, porque já é eficiente, mas as punições para casos irregulares serão implacáveis e definitivas. (Publicado em 10.11.1961)

Problemas de uma cidade quase idosa

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Foto: Letícia Carvalho/G1

Um tema que, no mínimo, poderá, doravante, regular toda a vida urbana da capital do país com reflexos óbvios no futuro da cidade e de seus habitantes. Dessa vez, coube aos deputados distritais, em fim de mandato, dar uma espécie de grand finale político e relâmpago à essa questão que já se arrasta por longos nove anos. Com a aprovação da Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) pela Câmara Legislativa, mais um capítulo na conturbada história envolvendo as terras do Distrito Federal é escrito.

O fator que explica os muitos anos decorridos entre a apresentação dessa proposta e sua aprovação é que, desde que surgiu há exatos 9 anos, a Luos jamais conseguiu reunir num mesmo documento os reais anseios da população de Brasília. Urbanistas, arquitetos e outros técnicos que entendem da dinâmica de uma cidade têm um pensamento distante do que sempre pretenderam os políticos, os grileiros, os empreendedores e demais empresários ligados ao milionário mercado da especulação imobiliária que se criou por essas bandas com a maioridade política da capital.

Com isso, o futuro da cidade, mais uma vez, fica em suspenso, à mercê agora dos humores do mercado e dos múltiplos interesses que se escondem por detrás dessa medida. Um fato que demonstra bem essa dicotomia entre o que querem os brasilienses e o que pretendem os que apoiam esse documento foi dado pelas manifestações contra e a favor da aprovação dessa proposta.

Por um lado, e como fizeram desde o princípio, estão as mais de duas dezenas de Entidades da Sociedade Civil do Distrito Federal que, em Carta Aberta ao GDF, se uniram para lançar um manifesto chamando a atenção para os graves problemas que ameaçam o futuro da capital e que vai, pouco a pouco, minando a qualidade de vida de todos. A Luos, na opinião dessas entidades que congrega professores de arquitetura e urbanismo, técnicos em meio ambiente, em gestão pública e outras especialidades, foca seu intento nas áreas passíveis de alterações e alienações, principalmente nos mais de 365 mil terrenos do Distrito Federal onde poderão ser erguidos novos empreendimentos.

Com isso, deixa de lado aspectos fundamentais como o inchaço da cidade, a crise de abastecimento, o aumento da criminalidade, dos engarrafamentos, a questão da destruição das áreas de preservação da capital e outros aspectos importante na vida das metrópoles.

Para essas entidades, há questões a serem resolvidas nas áreas com deficiência nas políticas públicas, na ineficiência na gestão hídrica, na falta de visão integrada do DF, na perda de áreas rurais, na ineficiência da mobilidade urbana, na falta de rotina de restauração conservação e manutenção do patrimônio cultural, na falta de um plano diretor de arborização urbana e plano distrital de adaptação às mudanças climáticas, entre outros assuntos de suma importância.

Contudo há aqueles que se dizem satisfeitos, além dos distritais, com a aprovação da Luos como é o caso do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), da Associação Brasiliense dos Construtores (Asbraco), da Associação de Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi-DF), além dos grileiros e de todos que têm se beneficiado com a transformação de terras em capital político e econômico.

 

A frase que foi pronunciada:

“Nada mais fácil do que fazer planejamento de um país sem incluir gente.”

Jaime Lerner – Política

Charge do Junião

Estudar

CESAS, da 602 Sul, é um colégio público da capital do país que não tem número suficiente de alunos matriculados para 2019. Jovens e adultos que queiram completar o ensino médio e fundamental terão também a oportunidade de participar de cursos profissionalizantes. Telefone para contato: 3901-7592.

 

Casa do Ceará

Por falar em cursos, a Casa do Ceará começará as férias com animação total. Vários cursos à disposição da comunidade. Cabeleireiro, corte e costura, manicure, culinária, depilação, bordado em pedraria, yoga e pintura em tela. Ligue para: 3533-3800.

Foto: casadoceara.org.br

Novidade

Certidão eleitoral, diversas consultas, processos, variedade de nada consta… aos poucos a internet vai ocupando o lugar de burocratas. Vale ver, no blog do Ari Cunha, Gabriel Senra no TedMauá trazendo o assunto à tona.

Fotovoltaica

É dever dos líderes públicos atender aos anseios da sociedade brasileira. O crescimento sustentável do Brasil será potencializado pelo uso da energia solar fotovoltaica como política pública estratégica para o desenvolvimento econômico, social e ambiental, contribuindo para diversificar a matriz elétrica, gerando milhares de empregos, reduzindo a queima de combustíveis fósseis, ampliando a liberdade do consumidor, estimulando a cadeia produtiva, reduzindo perdas e trazendo economia para os cidadãos, as empresas e os governos. A opinião é de Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR)

Foto: youtube.com/MundoEnergy

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Parece que o ideal seria reaver esses lotes, para que a Caixa Econômica não faça especulação, e vendê-los aos industriais que não têm onde colocar seus funcionários, e aos funcionários da prefeitura que comprovarem não possuir outro terreno em Brasília. (Publicado em 07.11.1961)

Toma que o filho é teu

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Foto: Cesar Itiberê/PR

Não se conhece, até o presente momento, nenhum estudo, projeto ou posicionamento de técnicos e estudiosos da complexa ciência do urbanismo, a respeito da criação, via medida provisória, da chamada Região Metropolitana de Brasília. Assinada pelo presidente Temer há poucos dias do fim de mandato, em atendimento ao seu correligionário e governador eleito do DF, Ibaneis Rocha (MDB), a medida, pelo que foi passado para a imprensa, irá facilitar a destinação de recursos federais aos governos estaduais e distrital, para as áreas de segurança, educação, transporte e saúde.

Na teoria, fica criada a Grande Brasília. Na prática, há muito já se sabe, e a população da capital sente, que o Entorno do DF é uma realidade concreta que afeta todos os setores da cidade, sendo considerado até um fenômeno natural e inerente à maioria das inchadas metrópoles brasileiras. Na verdade, trata-se de um cinturão formado por dezenas de cidades dormitórios que abrigam homens e mulheres que todos os dias acorrem ao Distrito Federal para trabalhar e para a utilização dos serviços públicos ofertados pela capital. Com isso, o que se tem é uma realidade factual que foi sendo formada ao longo do tempo, em muitos casos, incentivada pelos próprios governos locais, principalmente após a conquista da maioridade política da capital, interessados em criar zonas e áreas de influência política.

Formada por dezenas de regiões ligadas aos estados de Goiás e Minas Gerais, essas áreas, limítrofes ao quadrilátero do Distrito Federal, por sua formação e origem, apresentam os mais baixos índices de Desenvolvimento Humano, com problemas nos setores de saúde, educação, segurança, sem infraestrutura no abastecimento de água, coleta de esgoto e lixo, asfalto, iluminação e diversos itens necessários ao bom funcionamento de um bairro e à uma vida digna de seus moradores.

Como sempre acontece no Brasil do improviso, o que se tem agora é uma realidade de grandes proporções que antecedeu a qualquer processo racional de planejamento urbano. Com isso, a herança política, legada pela incúria de sucessivos governos passados, terá que ser assumida integralmente pelo GDF, o que irá acarretar enormes problemas a uma cidade que parece já experimentar um processo precoce de decadência, antes mesmo de conhecer um apogeu.

Por outro lado, é sabido, desde sempre, que os governos dos estados de Goiás e de Minas Gerais jamais se interessaram por essas cidades próximas ao Distrito Federal, deixando-as entregues à própria sorte e aos cuidados da capital.

Em países sérios, a criação e fundação de cidades obedecem a critérios rígidos, sendo antecedidas pela instalação de infraestruturas básicas e de planejamento minucioso para evitar que essas áreas se transformem em periferias problemáticas para as metrópoles próximas. Mesmo sem conhecer em detalhes como se processará a criação dessa Região Metropolitana, o jeito é desejar boa sorte ao governador nessa tarefa, fazendo votos para que essa não seja mais uma empreitada de cunho político, sem compromisso com o futuro e com seus eleitores.

 

A frase que foi pronunciada:

“Aqueles que olham para as leis da Natureza como um apoio para os seus novos trabalhos colaboram com o Criador.”

Antoni Gaudi

 

É lei 

Alérgicos, hipertensos, diabéticos, celíacos, portadores de insuficiência renal, muito mais gente do que se pensa depende das informações dos rótulos dos alimentos, para não passar mal ou mesmo para não morrer. Vale conhecer o portal direitodesaber.org para brigar pelo direito de ter as informações verídicas sobre a composição dos alimentos nos rótulos.

Acesse a página no link: alimentacaosaudavel.org.br

Charge: thegreenestpost.com

Perigo

Estranho o PLP 459/2017 já está em regime de urgência na Câmara dos Deputados, mesmo sem ter passado pela votação na CCJ. Parece que falta argumentação jurídica. Maria Lucia Fatorelli avisa que está prestes a acontecer uma fatalidade legislativa. O intuito desse PLP é jogar no lixo todas as regras de finanças públicas do país.

À vista

Uma das partes mais perigosas desse Projeto de Lei Complementar é a contratação ilegal da dívida pública, comprometimento do Estado com garantias e indenizações elevadas e desvio de recurso público: dinheiro pago por contribuintes será desviado durante o seu percurso pela rede bancária e não chegará ao orçamento público.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A arrecadação está deficiente. Todo o mundo burla o fisco, da maneira que quer. E a prefeitura não tem feito muito empenho em receber tributos. (Publicado em 07.11.1961)

Comemorações incômodas

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Foto: Valter Campanato/ABr

Com as prisões, realizadas agora pela Força-Tarefa do Ministério Público do Distrito Federal e Território (MPDFT), de Rafael Barbosa e Elias Miziara, dois ex-secretários de Saúde da gestão do petista Agnelo Queiroz, vai, aos poucos, se confirmando o vaticínio dessa coluna de que a emancipação política da capital era um enorme erro que traria para a cidade os mesmos vícios e prejuízos decorrentes da atuação inescrupulosa de políticos já verificadas há muito tempo em outras unidades da federação.

Assim, a lista de políticos e de escândalos vão se sucedendo desde então, aumentando, na mesma proporção em que se deteriora e compromete a qualidade de vida dos cidadãos e o futuro da capital. De fato, desde o primeiro dia da implementação da maioridade política da capital, não houve, até o presente momento, absolutamente nenhum período de gestão política em que os escândalos envolvendo GDF, Câmara Legislativa ou representação federal não ocupassem as manchetes policiais dos jornais diários.

As sucessões de escândalos, a maioria por corrupção, se tornaram um fato até comum ao logo desses últimos anos. Obviamente que os mais afetados com esses desvios de conduta dos dirigentes eleitos, é a população, sobretudo aquela de menor renda, que depende diretamente dos serviços públicos.

Pela qualidade sofrível dos serviços de saúde, transporte, educação e segurança e pelo volume enorme de reclamações registradas a cada instante pela sociedade, pode-se constatar as reais consequências da ação deletéria dessas lideranças locais ao longo do tempo. O pior é que a população ainda é obrigada a financiar os altos custos dessa pantomima democrática através dos fundos eleitorais e ainda patrocinar salários e mordomias nababescas a esses mesmos personagens ao longo de quatro anos.

Não fosse a ação enérgica de parte da justiça, principalmente do MPDFT, muitos desses políticos ainda estariam agindo livremente dilapidando os recursos públicos. Nesses trinta anos de emancipação, as comemorações podem ser medidas ou por monumentos concretos como o Estádio Mané Garrincha ou o Centro Administrativo do GDF em Taguatinga (Buritinga), exemplos claros de desperdício de dinheiro público e corrupção, ou por datas e efemérides como os nove anos, completados agora, pelo escândalo revelado pela Operação Caixa de Pandora, conforme publicações do Correio Braziliense.

Naquele episódio, Brasília foi a pioneira como a primeira cidade a ter um governador preso durante o mandato. A questão com esse tipo específico de democracia que adotamos, em que a escolha dos representantes da população se faz entre os menos piores de um grupo, é que a baixa qualidade dos eleitos possui em seu interior o condão de fazer com que esse tipo de democracia deixe de ser uma solução para se transformar num problema de grandes proporções.

 

A frase que foi pronunciada:

“Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem mesmo que assim é que a natureza compôs as suas espécies.”

Machado de Assis

Foto: escritas.org

Parcerias

Escolas rurais que desejarem parceria com a Emater podem fazer parte do projeto de ações de educação ambiental. As práticas começam nas escolas e se estendem pela comunidade. Telefone: 33119368 (Geamb – Gerência de Meio Ambiente).

Foto: emater.df.gov.br

Leitor

Fernando Gomide envia esse protesto: Emenda introduzida pelo deputado José Carlos Araújo (PR-BA) no substitutivo do deputado Danilo Fortes ao projeto de lei do Senado Federal que trata da Lei Geral das Agências Reguladoras, já aprovado pelo plenário da Câmara dos Deputados, permitirá, caso passe pelo Senado, que dirigentes de partidos políticos ou de campanhas eleitorais possam ser indicados para ocuparem cargos na administração das empresas estatais. Isso é uma afronta a uma decisão do Senado Federal, de cerca de dois anos atrás, que proibiu essa prática.

 

EBC

Em parceria com a rádio Força Aérea FM, a Rede Nacional de Rádio oferece o programa “Um voo pela história”. Veja os links no blog do Ari Cunha.

Logo: fab.mil.br/radio
Com dez episódios, o programa traz curiosidades da história do Brasil e do mundo. Confira!
1 – Curiosidades sobre a Independência do Brasil
2 – As outras invenções de Santos Dumont
3 – O surgimento da imprensa no Brasil
4 – As primeiras transmissões de rádio no Brasil
5 – A evolução da fotografia
6 – A viagem de Cristóvão Colombo
7 – A origem do futebol
8 – O Brasil na Primeira Guerra
9 – O pioneirismo de Mauá
10 – Os bastidores da Proclamação da República

 

Ainda

Na avaliação do Inep, o baixo desempenho dos estudantes brasileiros está ligado também ao alto índice de repetências, que acabam por desestimular os alunos. Para a secretária executiva do Ministério da Educação (MEC), Maria Helena Guimarães, “o Brasil não melhorou a qualidade e nem a equidade nos últimos 13 anos, principalmente. A única melhora do país foi no fluxo. É importante registrar que 77% dos estudantes que fizeram o Pisa estão no ensino médio.”

Charge do Lute Cartunista

Reclamações

A Receita Federal e a Secretaria da Fazenda do DF devem respeitar a Constituição Federal, Lei da Transparência e Lei de Acesso à Informação. As notificações e os boletos de pagamento não discriminam nem esclarecem a que se referem.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O Boeing de hoje, procedente de Nova Iorque poderá trazer um passageiro muito importante para Brasília: o prefeito Sette Câmara. (Publicado em 05.11.1961)

Reinventando a roda

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ARI CUNHA – In memoriam

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W3 Norte, Quadra 716 (Foto: chiquinhodornas.blogspot.com)

Ao novo governador que chega, todo o crédito é devido. Isso não quer dizer que a imprensa e principalmente a população, sobretudo aquela que votou em seu oponente, vá fechar os olhos para as novas diretrizes que vierem a ser adotadas pelo GDF a partir de primeiro de janeiro de 2019.

Principalmente medidas que venham alterar, para pior, o planejamento urbano de Brasília. A Lei de Uso e Ocupação do Solo (Luos) tem sido, desde seu surgimento, uma verdadeira caixa de marimbondos para os últimos governadores que o antecederam. Nenhum deles conseguiu levar a bom termo o conjunto de normas que introduz e modifica alguns aspectos da vida urbana da capital.

As razões para esses constantes adiamentos são várias, mas o fundamental é que a Lei bate de frente com os múltiplos interesses da população. Querer a aprovação agora, no fim dessa legislatura e do mandato de seu antecessor, definitivamente, não é uma boa medida. Os diversos riscos apontados por entidades comunitárias e de defesa do patrimônio histórico, arquitetônico e urbanístico, com certeza, poderão contaminar sua gestão, logo na largada, criando situações irreversíveis que poderão repercutir ao longo de todo o seu mandato.

Manda a prudência que normas complicadas como essa, regulando praticamente todo o funcionamento de uma cidade, que na sua parte principal, foi milimetricamente estudada e planejada, seja decidida somente após exaustivos debates com as miríades de entidades especializadas no assunto. Cuidaria melhor S. Exª se antes de apressar o passo, aprovando projeto tão complexo e vital para a cidade, cuidasse de outros aspectos urbanísticos, até mais urgentes, como a revitalização das W3 Norte e Sul, a recuperação do Setor Comercial Sul, as invasões, os puxadinhos, entre tantos outros necessitando a tempos de profundas reformas.

Lembramos ao sr. Ibaneis que essa Coluna vem acompanhando, pari passu o crescimento da cidade desde os fins dos anos cinquenta. Desde aqueles longínquos dias, assumimos uma posição em defesa da nova capital. Sabemos o quão difícil foi chegarmos até aqui.

Com a emancipação política da capital, fato que nos opusemos desde o primeiro dia por sua precipitação e por que víamos nessa medida razões que iriam beneficiar muito mais os especuladores e empreendedores do que o futuro da própria capital e de seus habitantes, demonstrou-se acertado. A capital a partir de então, experimentou um inchaço sem precedentes, destruindo praticamente todos os serviços públicos que eram exemplo para todo o país. Hoje o que temos é uma cidade sucateada que convive com os mesmos problemas das demais capitais espalhadas pelo país. Portanto cabe aqui um conselho a quem ainda é detentor de crédito junto aos cidadãos: cuidado com áulicos e bajuladores que sopram em seu ouvido, isolando-o da realidade que se arrasta fora dos limites do Buriti.

E sobre questões de planejamento urbano, que teve à frente uma dupla dos maiores gênios já reunidos num só propósito: Não pretendam reinventar a roda com outro formato!

 

A frase que foi pronunciada:

“Além de uma certa velocidade, os veículos motorizados criam um afastamento que eles próprios podem encolher. Eles criam distâncias para todos e diminuem para apenas alguns. Uma nova estrada de terra através do deserto traz a cidade à vista, mas não ao alcance, da maioria dos agricultores brasileiros de subsistência. A nova via expressa expande Chicago, mas suga aqueles que estão bem longe de um centro da cidade que se transforma em um gueto.”

– Ivan Illich, Energia e Equidade

 

Imperdível

Aida Kellen, Duli Mittelstedt e Sergio Morais prometem um concerto de alto padrão na apresentação de “O negro e a sua música”. Dia 14 às 19h30, no Teatro do Espaço Cultura Ary Barroso, no Sesc da 504 Sul.

Cartaz: facebook.com/events/261551651076832

Debates

Falando em música, o debate esquentou no Senado na audiência pública comandada pelo senador Cristovam Buarque. O arrefecimento veio quando Cláudia Queiroz resumiu o que a classe queria ouvir. A participação efetiva e democrática dos brasileiros na escolha dos representantes da entidade. Era o que estava registrado em um manifesto nascido no Fórum Nacional de Música. Na prática, o que os músicos querem são novas eleições.

 

Lar São José

Bem engajado nas redes sociais, o Lar São José, ligado à Casa do Candango, aceita todos os tipos de doação. É só agendar que a Kombi busca. Como o Natal está chegando e os corações se aquecem, segue o número para contato: 3591-1051.

Capa: facebook.com/larsaojose.casadocandango

Agenda

Por falar nisso, “A solidariedade unindo as nações” é o mote da Feira das Embaixadas. Toda a verba arrecadada será doada para instituições de caridade do DF. Dia 10 de Novembro, no Parque da Cidade.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Os funcionários trabalham sem nenhuma comodidade, num barraco impróprio, onde, quando lavam o andar superior, os de baixo suspendem o trabalho, por causa da água que vem do teto. (Publicado em 04.11.1961)

Desdém ao voto

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ARI CUNHA

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Foto: bbc.com/portuguese/brasil
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        Fala-se muito sobre a possibilidade de retrocesso do país, como se isso ainda fosse possível, caso vença as eleições para presidente da República o candidato da extrema esquerda ungido pelo ex-presidente Lula. Da mesma forma, mas em sentido contrário, muita gente tem feito previsões catastróficas acerca de um possível governo de direita, capitaneado por Bolsonaro e sua turma. O fato é que e as pesquisas mostram bem isso, que no atual estágio de maturação de nossa democracia, os brasileiros ainda não aprenderam a dar um tratamento mais racional ao ato de votar, usando dessa preciosa prerrogativa não só para mudar os rumos da política, mas sobretudo, para mudar os políticos que aí estão denegrindo nossa democracia.

           A sentença de que cada povo tem o governo que bem merece só faz sentido para aqueles que não dão a devida importância ao voto e seguem a crença de que nada irá mudar, seja esse ou aquele o novo inquilino do Palácio do Planalto. A obrigação pedagógica para que cada cidadão vote apenas tem feito com que as pessoas compareçam forçosamente as sessões eleitorais para cumprir uma tarefa e escapem das penalidades cívicas. Mais importante do que obrigarem as pessoas a comparecer nas sessões de votação é ensinar a elas o quão fundamental para todos é o voto consciente de cada um.

           Para tanto, seria necessário, primeiro, que os tribunais, inclusive o eleitoral, fizessem uma espécie de pente fino rigoroso, para tirar do páreo todos aqueles candidatos com pendências judiciais, varrendo para longe conhecidos postulantes que acumulam processos que se arrastam sine die. Infelizmente, a Lei da Ficha Limpa, desidratada que foi pelos congressistas, não pode fazer esse trabalho a contento.

      Pelo desenrolar dos acontecimentos, parece que não será ainda nessa eleição que os cidadãos poderão experimentar uma renovação geral dos quadros políticos. Os muitos grotões miseráveis do país continuarão a ser explorados por oportunistas e populistas de todo o tipo, prometendo quinquilharias em troca de voto. Mesmo em estados dinâmicos do Sudeste, como o Rio de Janeiro, estado que não economiza piadas sobre políticos ao mesmo tempo em que os eleitores já elegeram um macaco do zoológico com o poder do voto.

            Uma coisa é certa e previsível nessas eleições: a pobreza intelectual, o voto com paixão e ódio será mantido no momento de apertar a tecla da urna eletrônica. E por um simples toque, essa premissa será o trilho por onde esse país seguirá.

A frase que foi pronunciada:

“Não é a política que faz o candidato virar ladrão. É o seu voto que faz o ladrão virar político.”   

Autor desconhecido

Charge do Jean Galvão
Charge do Jean Galvão

Cultura

Em breve, um grande concerto da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional será altamente concorrido em Brasília. A Secretaria de Cultura já está providenciando hotéis para a hospedagem dos músicos convidados.

Dor

Segundo dados da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), de cada dez pessoas, quatro sofrem de dores crônicas, que afetam principalmente a coluna vertebral. A Radiofrequência é, segundo o neurocirurgião Dr. Iuri Weinmann, uma técnica minimamente invasiva em que se usa uma corrente elétrica alternada de alta frequência para atingir nervos ou gânglios, bloqueando os impulsos nervosos que levam à dor. O Dr. Iuri é especialista em medicina da coluna.

Lixo

Ainda falta muito para a capital do país administrar o lixo de forma mais moderna. Para a coleta, transporte do chorume no Aterro Sanitário e descarga na Estação de Tratamento de Esgotos, o GDF vai desembolsar R$ 924.834,24.

Foto: Dênio Simôes/GDF (g1.globo.com)
Foto: Dênio Simôes/GDF (g1.globo.com)

Uso opcional

Conselheiros tutelares receberão carteira de identidade funcional com um brasão personalizado.

Segurança

Perto do posto de gasolina no Paranoá, há uma loja com apetrechos usados por militares. Esse tipo de vestimenta não deveria ser venda indiscriminada.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Nos últimos meses, entretanto, a Novacap negou-se a pagar, e há a informação de que o sr. Laranja Filho só tomaria providência quando assumisse o novo prefeito. (Publicado em 31.10.1961)

“Os populistas amam tanto os pobres que os multiplicam”

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ARI CUNHA

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Desde 1960

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colunadoaricunha@gmail.com;

Charge do Wilmar (tribunadainternet)
Charge do Wilmar (tribunadainternet.com.br)

          Desde o retorno à normalidade política, ocorrido em 1985, com a chamada redemocratização, o Brasil vem experimentando e aprendendo com os sucessivos governos eleitos pelo voto popular. Ao longo desses 33 anos, nosso regime democrático foi submetido a todo o tipo de experiências. Algumas dessas experiências se mostraram exitosas, outras aventureiras e outras absolutamente irresponsáveis e que culminaram na mais profunda crise política, social e econômica de toda a história do país. O que parece não ter mudado muito ao longo de todo esse período que se inicia lá atrás, com a institucionalização do voto popular, é o perfil do eleitor médio brasileiro, principalmente aquele formado pelas camadas populares de baixa renda e que, segundo dados do IBGE, formam um contingente de aproximadamente 50 milhões de brasileiros vivendo na linha da pobreza.

          É justamente nesse nicho, formado por pessoas carentes, que a maioria dos políticos em campanha centram suas atenções e onde a agenda do tipo populista mais encontra receptividade. É de Mariano Grondona a frase “os populistas amam tanto os pobres que os multiplica”. Nesses redutos, situados não só no Brasil profundo, mas também nas periferias de todas as cidades espalhadas por esse país, é que muitos candidatos, peritos em habilidades retóricas, fazem a festa a cada quatro anos. Colhendo as simpatias dos desesperançados que ajudaram a aumentar, esses políticos conhecem as necessidades básicas dessa gente. Transforma o desespero em mercadoria e negocia cada um por um voto.

      Nesse Brasil esquecido pelos brasileiros, o espaço para o afloramento do voto inteligente e consciente praticamente inexiste. O entusiasmo exercido pelo eleitor que se sente empoderado pelo próprio voto dura apenas um mês antes das eleições. Depois disso são quatro anos de sofrimento que se arrastam até o próximo sufrágio.  Com isso, perdura, desde sempre, a cultura do voto pragmático, calcado unicamente no atendimento das necessidades cotidianas e urgentes de cada um, individualmente. Da relação biunívoca envolvendo o analfabeto político e midiático e o político populista e carismático é que se pode avaliar a qualidade de nossa democracia.

       Mudar essa característica histórica de nossas eleições exigiriam, além de uma educação sistemática da população, todo o rigor da lei, punindo igualmente eleitores venais e candidatos mercenários. Como isso não poderá acontecer, pelo menos a curto prazo e ainda nessas eleições, a única solução é assistir, mesmo inconformado, a perpetuação desse modelo de democracia iletrada, erigida não por sábios, mas por sabichões que fazem da política apenas um meio de enriquecimento pessoal, mesmo que seja sobre os escombros da miséria da população.

            Para uma democracia sem qualidades éticas, costurada inclusive por candidatos encarcerados, o que se espera é a repetição da mesmice, encenada por indivíduos que só trocaram de fantasias, mas que permanecem com a mesma alma obsessora.

A frase que foi pronunciada:

“Não se tira nada de nada, o novo vem do antigo, mas nem por isso é menos novo.”

Bertolt Brecht

Charge publicada no Blog do Noblat: Populismo Agonizante
Charge publicada no Blog do Noblat: Populismo Agonizante

Anvisa

Quem tem saúde não faz ideia de como é desesperador não confiar na Anvisa no que tange a importação de medicamentos garantindo qualidade, eficácia e segurança. Duas instituições que manifestaram preocupação com esse assunto foram o Centro Infantil Boldrini e a Coordenadoria do Grupo Brasileiro de Tratamento da Leucemia Linfoblástica Aguda em Crianças, com sede em Campinas, São Paulo.

Foto: correio.rac.com.br
Foto: correio.rac.com.br

Incrível

Mais de 25% da população brasileira utiliza planos de saúde. No setor suplementar de saúde, os dados são os seguintes: 273 milhões de consultas, 7,8 milhões de internações, 796,7 milhões de exames complementares, 176,9 milhões de atendimentos odontológicos.

Charge do Feliciano (vigilanciasaudefanor.blogspot.com)
Charge do Feliciano (vigilanciasaudefanor.blogspot.com)

Publicação

A Escola Amadeus Carvalho no Assentamento Marrecas, localizada no município de São João do Piauí, ultrapassou as metas projetadas para este ano, tanto no 5º quanto no 9º ano, séries nas quais é aplicada a Prova Brasil realizada a cada dois anos.

Foto: mst.org.br
Foto: mst.org.br

Muda já

Ao pagar o IPTU, o que se vê estampado no recibo é “GDF conta arrecadação”. Mesmo que venha com o código de barras, valor e data, o mínimo seria especificar o que está sendo pago para facilitar a identificação. “GDF conta arrecadação IPTU” seria o ideal.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Uma bela viagem se inicia hoje com destino à região da COMARA. Roteiro: Bananal, Belém, Santarém, base aérea fronteiriça à Venezuela e Colômbia, Acre, e Cachimbo. Será uma exposição do que a Aeronáutica vem fazendo para desbravar as regiões de florestas do Brasil. Os passageiros serão jornalistas de Brasília. (Publicado em 29.10.1961)