Psicologia e assistência nas escolas

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

Desde 1960, com Circe Cunha e Mamfil

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Foto: Roque de Sá/Agência Senado

 

É sabido que, na atualidade, as escolas de um modo geral e as públicas em particular experimentam um crescente conjunto de problemas de ordem social e que decorrem de diversos fatores, ligados não só aos novos modelos de família impostos por uma sociedade em rápida transformação, mas sobretudo às péssimas condições de vida enfrentadas por essas famílias.

Hoje não só os país, mas as mães também necessitam de trabalhar fora de casa, para a complementação de renda. Com isso, os pais se veem obrigados ou a ceder parte da educação dos filhos a terceiros, como parentes, creches e outros tutores, ou simplesmente deixá-los entregues à própria sorte.

Nos países subdesenvolvidos, essa nova realidade, somada às questões típicas enfrentadas pelas populações de baixa renda, aguçam ainda mais os problemas vividos pela parentela, criando uma espécie de círculo vicioso em que a má distribuição de renda, a precariedade dos serviços públicos, de moradia e a baixa escolaridade acabam afetando negativamente o desenvolvimento de muitas famílias.

Não é segredo para ninguém, muito menos para o governo, que essas famílias são obrigadas hoje a empreender esforços sobrenaturais para educar seus filhos. Dessa forma, as questões sociais complexas e desvantajosas para a maioria dessas comunidades carentes acabam, de alguma forma, adentrando as escolas, obrigando esses estabelecimentos a abrir espaços de entendimento para essa temática, de modo a permitir o andamento do processo educativo em consonância com essa nova realidade.

Embora a maioria dos problemas vividos por essas comunidades não possam ser resolvidos e sanados no âmbito escolar, é certo que seus reflexos nefastos também se fazem presentes em sala de aula. Violência contra alunos e professores, evasão escolar, reprovações bem como a deterioração material e humana do ambiente das escolas é hoje uma realidade.

De alguma forma, esse mundo distópico e instável que vai cercando, cada vez mais, as escolas públicas nas periferias pobres de todo o país, induzem efeitos diretos no comportamento e na psique geral desses alunos, contribuindo negativamente para o desempenho escolar. Para os especialistas nessas questões, muitas escolas públicas dessas áreas estão trabalhando no limite de suas possibilidades, com professores, servidores e alunos convivendo com o medo e a insegurança diária.

Enquanto providências de ordem macroestrutural não chegam, o jeito é ir encontrando saídas para contornar a crise. Projeto de Lei aprovado agora na Câmara dos Deputados (PL 3.688/2000) obriga as escolas de cada rede pública de educação básica a disponibilizarem, para os alunos, os serviços de uma equipe multiprofissional de psicólogos e de assistentes sociais para desenvolver ações conjuntas com a comunidade, com o objetivo de aperfeiçoar o processo ensino-aprendizagem. Pelo projeto, os sistemas de ensino terão até um ano para providenciarem o cumprimento dessa norma que aguarda apenas sanção do Executivo.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Nada me o abismo deu ou o céu mostrou. Só o vento volta onde estou toda e só, E tudo dorme no confuso mundo.”

Fernando Pessoa, poeta português

Ilustração: revistabula.com

 

 

General Mourão

Perguntado sobre o que os políticos podem aprender com os militares, o general Mourão respondeu: “Lealdade, camaradagem e amor à Pátria. Sacrificar seus interesses pessoais em favor do país e aprender a administrar.” A segunda pergunta foi sobre o que os militares podem aprender com os políticos. “A tolerância. Como dizia Ulisses Guimarães, em política até a raiva é combinada. ”

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 

 

Todos juntos

Está combinado. Se o posto de gasolina passou dos limites na cobrança do litro de combustível é só pedir a nota fiscal e denunciar na ANP. Parece que está dando resultado.

Charge: marcosalmeidalocutor.wordpress.com

 

 

Estética

Eder Alencar, André Velloso e Luciana Saboia da ArqBR Arquitetura Urbanística são os autores da bela Igreja Sagrada Família no Park Way. Que fique o registro.

 

 

Mobilização

Sindicato dos Jornalistas do DF em franca campanha de eleições. Só há uma chapa.

Imagem: sjpdf.org

 

 

Crimes&Roçados

Aos poucos a fumaça das queimadas na Amazônia vão se dissipando. Uma declaração daqui, outra dali e a verdade sobre os fatos começa a ser mostrada.

Foto: Evan Fitz/Reproducão/Twitter
(Último Segundo – iG)

 

 

Terrível

Vindos da L4 Norte para chegar à PGR, na altura da entrada do Eixo Monumental, os motoristas não conseguem enxergar as faixas do asfalto. Dirigem por braile. Volta e meia há batidas por ali.

 

 

 

Missão

Apesar do olhar longínquo e do semblante triste, o senador Tasso Jereissati obteve êxito na apresentação do relatório da Reforma da Previdência. Vários senadores pediram a palavra para enaltecer o espírito público da condução das discussões sobre a matéria.

Foto: senado.leg.br

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Aqui já há reivindicações, os sindicatos já controlam os candangos, mas o que todo o mundo quer, mesmo, é voto. (Publicado em 30/11/1961)

Pretérito imperfeito

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil;

colunadoaricunha@gmail.com;

Charge: Jean Galvão
Charge: Jean Galvão

         Com os idealistas Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Anísio Teixeira, Paulo Freire e Darcy Ribeiro surgiram conceitos como a escola integral, as escolas-parques e outras experiências de grande efeito prático. Tivessem esses ideários, verdadeiramente patrióticos, mantido uma trajetória sem interrupções ao longo de todos esses anos, sem dúvida alguma, o Brasil estaria num outro patamar de desenvolvimento e certamente não chegaria sequer a experimentar os graves problemas de ordem social que vive hoje.

          A pergunta é: o que teria acontecido com as nossas escolas públicas que nos fez retroceder tanto em qualidade e inovação? Por outro lado, fica também a questão: se já possuíamos em mãos a fórmula exata para livrar o país do subdesenvolvimento através de um ensino público de qualidade, por que abandonamos tudo?

         O mais lamentável é constatar que essas fórmulas, mesmo analisadas sob a ótica atual, ainda guardam muitos elementos preciosos e essenciais a uma correta educação pública. Fatores como esses deixam patentes que as inúmeras reformas que foram implementadas, praticamente por cada governo que se seguiu, não resultaram em melhoria substancial para o ensino público.

         Em casos assim, quando o navegante se vê perdido no meio do caminho, sabendo que se prosseguir vai se ver mais desorientado ainda, o melhor é retornar ao ponto de partida, seguindo trilhas há muito traçadas por esses pioneiros, que são os verdadeiros e esquecidos heróis desse país.

         Precisamos, como se dizia antes, dar a mão à palmatória e reconhecer que as linhas mestras para a verdadeira melhoria do ensino público, estão descritas lá atrás, há quase um século.

A frase que foi pronunciada:

“Fale, e eu esquecerei; ensine-me, e eu poderei lembrar; envolva-me, e eu aprenderei.”

Benjamin Franklin

Charge: Amancio
Charge: Amancio

Aldeia SOS

Conhecida em Brasília como uma instituição sui generis, a Aldeia SOS Infantil não separa os irmãos sem lar. Em projetos arquitetônicos de casas, a aldeia contrata as mães que mantém a criançada em um ambiente familiar e não de creche. A instituição acolheu mais de 50 famílias venezuelanas. Pais e filhos. Doações são bem-vindas.

Foto: aldeiasinfantis.org.br
Foto: aldeiasinfantis.org.br

Pedagroeco

Com mais idosos e menos jovens na zona rural, segundo o Censo Agropecuário de 2017, novas políticas públicas devem ser implementadas. A dependência da chuva é substituída por tecnologia, a pobreza perdeu lugar para a agricultura familiar, que vende produtos orgânicos a bons preços, e a falta de perspectiva ficou para trás em tempos de globalização. É da Embrapa a iniciativa do projeto Pedagroeco – Metodologia de Produção Pedagógica de Materiais Multimídias com Enfoque Agroecológico para a Agricultura Familiar para estimular a juventude a optar pelo campo. Veja detalhes no blog do Ari Cunha.

Link para mais informações: Pedagroeco – Embrapa

Foto: Sérgio Cobel
Foto: Sérgio Cobel

Novidade

Torcida para que Conceição Evaristo seja nomeada na ABL pelo talento. Como escreveu Edma de Góis, “seria um passo para descolonizar o pensamento”.

Foto: revistaforum.com.br
Foto: revistaforum.com.br

Enap

Pregão e sistema de registro de preços. Veja no blog do Ari Cunha importantes esclarecimentos dados pelos professores Weberson Silva do Ministério Público e Evaldo Araujo Ramos, do Tribunal de Contas da União em entrevista na Enap.

Até isso

Carolina Lebbos, juíza federal, deu o parecer de que nada vale a procuração assinada pelo ex-presidente petista para passar poderes à senadora Gleisi Hoffmann e ao Sr. Emídio Pereira de Souza.

Foto: Reprodução de site do TRF-4
Foto: Reprodução de site do TRF-4

Cidadania

Os livros nas paradas de ônibus da Asa Norte não foram recolocados. Nada impede que você se disponha a renovar as prateleiras da sua biblioteca, dando oportunidade para outros desbravarem o mundo da literatura.

Foto: g1.globo.com
Foto: g1.globo.com

Ciclismo

João Vitor Fernandes de Oliveira, ciclista brasiliense, é o único brasileiro a participar de competição mundial na Itália. O percurso foi montado para ser o mais seletivo possível para uma prova de um dia, com três montanhas e alguns trechos de terra e paralelepípedos. “Estou numa fase muito boa e consegui seguir o plano de treinos de forma perfeita, sem contar o fato de que estou vindo de uma vitória na prova classificatória do México, o que me faz acreditar que eu esteja bem preparado para brigar pelo título”, afirma João Vitor.

Foto: viversports.com.br
Foto: viversports.com.br

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

As casas de alvenaria da superquadra 304 não são ocupadas por funcionários. São, isto sim, ocupadas por estranhos aos quadros funcionais, porque os que trabalham no Iapfesp, com poucas exceções, moram em barracos de madeira. (Publicado em 28.10.1961)

O verbo no passado

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil;

colunadoaricunha@gmail.com;

Charge: Jean Galvão
Charge: Jean Galvão
          Se considerarmos que a educação, em todas as vertentes do conhecimento, constitui a base mais importante do capital de um país, capaz de livrá-lo, de forma segura, das amarras do subdesenvolvimento, teremos que constatar, forçosamente, que o Brasil, pelas imensas precariedades presentes em todo o ensino público, tem pela frente um imenso e árduo caminho a percorrer.
          As disparidades na qualidade entre as escolas públicas brasileiras comparadas a de outros países, inclusive, boa parte das instaladas no continente, não param de crescer. Dessa forma, se o Brasil almeja realmente se libertar do passado de atraso e pobreza pela via da educação, como fizeram países, como a Coreia do Sul, China e outros, necessita pôr em prática, pelo menos nas próximas quatro ou cinco décadas, um intenso e sistemático processo de melhoria do ensino. Isso apenas para iniciar a arrancada que poderá elevar o país à condição de nação de primeiro mundo ainda neste século.
      Curiosamente, nosso país vivenciou, entre a primeira e a segunda metade do século passado, experiências exitosas com as reformas e propostas apresentadas por educadores do porte de Anísio Teixeira, com a Escola Nova, em que o ensino era encarado como necessidade básica de aperfeiçoamento de toda a sociedade.
     Em 1932, ou há quase nove décadas, Fernando de Azevedo, Lourenço Filho e o próprio Anísio Teixeira promulgaram o Manifesto dos Pioneiros, no qual apareciam traçadas as linhas do escolanovismo, no qual creditavam que, somente com uma profunda renovação do ensino no país, seria possível a construção de uma sociedade verdadeiramente democrática, em que as diversidades e a individualidades seriam plenamente respeitadas. Nesse sentido, a escola seria, não apenas uma preparação para a vida, mas a própria vida, com igualdade de direitos e oportunidades. Outros educadores revolucionários seguiram por esse mesmo caminho, como Paulo Freire e Darcy Ribeiro, todos conscientes de que só pela educação de qualidade seria possível pensar em desenvolvimento.
A frase que não foi pronunciada
“O analfabeto do século 21 não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender.”
Alvin Toffler, escritor
Charge: Galhardo
Charge: Galhardo
Exemplo
Seis anos atrás, a escola Maple Bear deu um exemplo de disciplina que, certamente, marcou a capital como uma iniciativa de grande valor. Durante um incêndio, diretores, professores, funcionários e alunos sabiam perfeitamente o que fazer. Nada de pânico, nenhum ferido. Hoje, brigadistas se revezam no estabelecimento como prevenção.
Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
Foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press
No mínimo
Por falar em escola, é uma vergonha que os estudantes não conheçam o Hino de Brasília, de Neusa França. Há certos rituais que despertam o carinho pela cidade e deveriam fazer parte da rotina educacional.
Imagem: virtualscores.com.br
Imagem: virtualscores.com.br
Ir e vir
Pelo interesse público, o DF recebeu 200 novas autorizações, para prestação de serviço de táxi adaptado. O carro onde cabe uma cadeira de rodas é mais caro. Mas a corrida continua com o mesmo valor.
Foto: taxinforme.com.br
Foto: taxinforme.com.br
Estilo
Hoje é dia de Agnaldo Timóteo, no Sesc Seresta, a partir das 19h30, no Pontão do Lago Sul, com a iluminação natural lunar e com entrada franca.
Cartaz: facebook.com/CANTOR.AGNALDOTIMOTEO
Cartaz: facebook.com/CANTOR.AGNALDOTIMOTEO
Outra dica
Começa hoje o evento Movida Literária. Trata-se de um encontro em sete bares: Beirute (Asa Sul e Asa Norte), Pardim, Sebinho, Ernesto, Objeto Encontrado e Martinica. Segundo Jéfferson Assumpção, um dos idealizadores do evento, a ideia é conviver em momentos prazerosos em ambiente de leitura e cultura, onde reúnam-se pessoas para as quais a leitura é interpretada como um exercício harmonioso de atividades. Segue até o próximo dia 7.
Foto: Movida Literária/Divulgação (g1.globo.com)
Foto: Movida Literária/Divulgação (g1.globo.com)
História de Brasília
Quando me perguntaram por que não publiquei a íntegra da carta recebida do dr. Aracaty, delegado do Iapfesp, respondi que é porque ela contém inverdades. Estou investigando nomes, para dar nomes aos bois, o que farei proximamente. (Publicado em 28/10/1961)