Pretérito imperfeito

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil;

colunadoaricunha@gmail.com;

Charge: Jean Galvão
Charge: Jean Galvão

         Com os idealistas Fernando de Azevedo, Lourenço Filho, Anísio Teixeira, Paulo Freire e Darcy Ribeiro surgiram conceitos como a escola integral, as escolas-parques e outras experiências de grande efeito prático. Tivessem esses ideários, verdadeiramente patrióticos, mantido uma trajetória sem interrupções ao longo de todos esses anos, sem dúvida alguma, o Brasil estaria num outro patamar de desenvolvimento e certamente não chegaria sequer a experimentar os graves problemas de ordem social que vive hoje.

          A pergunta é: o que teria acontecido com as nossas escolas públicas que nos fez retroceder tanto em qualidade e inovação? Por outro lado, fica também a questão: se já possuíamos em mãos a fórmula exata para livrar o país do subdesenvolvimento através de um ensino público de qualidade, por que abandonamos tudo?

         O mais lamentável é constatar que essas fórmulas, mesmo analisadas sob a ótica atual, ainda guardam muitos elementos preciosos e essenciais a uma correta educação pública. Fatores como esses deixam patentes que as inúmeras reformas que foram implementadas, praticamente por cada governo que se seguiu, não resultaram em melhoria substancial para o ensino público.

         Em casos assim, quando o navegante se vê perdido no meio do caminho, sabendo que se prosseguir vai se ver mais desorientado ainda, o melhor é retornar ao ponto de partida, seguindo trilhas há muito traçadas por esses pioneiros, que são os verdadeiros e esquecidos heróis desse país.

         Precisamos, como se dizia antes, dar a mão à palmatória e reconhecer que as linhas mestras para a verdadeira melhoria do ensino público, estão descritas lá atrás, há quase um século.

A frase que foi pronunciada:

“Fale, e eu esquecerei; ensine-me, e eu poderei lembrar; envolva-me, e eu aprenderei.”

Benjamin Franklin

Charge: Amancio
Charge: Amancio

Aldeia SOS

Conhecida em Brasília como uma instituição sui generis, a Aldeia SOS Infantil não separa os irmãos sem lar. Em projetos arquitetônicos de casas, a aldeia contrata as mães que mantém a criançada em um ambiente familiar e não de creche. A instituição acolheu mais de 50 famílias venezuelanas. Pais e filhos. Doações são bem-vindas.

Foto: aldeiasinfantis.org.br
Foto: aldeiasinfantis.org.br

Pedagroeco

Com mais idosos e menos jovens na zona rural, segundo o Censo Agropecuário de 2017, novas políticas públicas devem ser implementadas. A dependência da chuva é substituída por tecnologia, a pobreza perdeu lugar para a agricultura familiar, que vende produtos orgânicos a bons preços, e a falta de perspectiva ficou para trás em tempos de globalização. É da Embrapa a iniciativa do projeto Pedagroeco – Metodologia de Produção Pedagógica de Materiais Multimídias com Enfoque Agroecológico para a Agricultura Familiar para estimular a juventude a optar pelo campo. Veja detalhes no blog do Ari Cunha.

Link para mais informações: Pedagroeco – Embrapa

Foto: Sérgio Cobel
Foto: Sérgio Cobel

Novidade

Torcida para que Conceição Evaristo seja nomeada na ABL pelo talento. Como escreveu Edma de Góis, “seria um passo para descolonizar o pensamento”.

Foto: revistaforum.com.br
Foto: revistaforum.com.br

Enap

Pregão e sistema de registro de preços. Veja no blog do Ari Cunha importantes esclarecimentos dados pelos professores Weberson Silva do Ministério Público e Evaldo Araujo Ramos, do Tribunal de Contas da União em entrevista na Enap.

Até isso

Carolina Lebbos, juíza federal, deu o parecer de que nada vale a procuração assinada pelo ex-presidente petista para passar poderes à senadora Gleisi Hoffmann e ao Sr. Emídio Pereira de Souza.

Foto: Reprodução de site do TRF-4
Foto: Reprodução de site do TRF-4

Cidadania

Os livros nas paradas de ônibus da Asa Norte não foram recolocados. Nada impede que você se disponha a renovar as prateleiras da sua biblioteca, dando oportunidade para outros desbravarem o mundo da literatura.

Foto: g1.globo.com
Foto: g1.globo.com

Ciclismo

João Vitor Fernandes de Oliveira, ciclista brasiliense, é o único brasileiro a participar de competição mundial na Itália. O percurso foi montado para ser o mais seletivo possível para uma prova de um dia, com três montanhas e alguns trechos de terra e paralelepípedos. “Estou numa fase muito boa e consegui seguir o plano de treinos de forma perfeita, sem contar o fato de que estou vindo de uma vitória na prova classificatória do México, o que me faz acreditar que eu esteja bem preparado para brigar pelo título”, afirma João Vitor.

Foto: viversports.com.br
Foto: viversports.com.br

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

As casas de alvenaria da superquadra 304 não são ocupadas por funcionários. São, isto sim, ocupadas por estranhos aos quadros funcionais, porque os que trabalham no Iapfesp, com poucas exceções, moram em barracos de madeira. (Publicado em 28.10.1961)

Democracia oficial

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil;

colunadoaricunha@gmail.com;

Charge: claudiakfouriblog.blogspot.com
Charge: claudiakfouriblog.blogspot.com

   Com o aprofundamento da maior crise já experimentada pelo país em toda a sua história, pelo menos um dado positivo vai ficando evidente para todos os brasileiros: o da necessidade premente de se fazer uma reforma profunda em todo o arcabouço legal do Estado, a começar pela própria Constituição.

        Como primeiro passo, nessa longa jornada que se exige para a construção de um conjunto de leis verdadeiramente cidadãs e que coloque todos os brasileiros na mesma planície, acabando com privilégios de todo o tipo, é necessário por um fim definitivo no instituto da reeleição para todos os cargos públicos, bem como nos cargos vitalícios, na blindagem e proteção de autoridades, e em muitas outras regalias frontalmente contrárias ao espírito republicano.

         A utilização da máquina do Estado para promover atuais ocupantes de cargos tanto no Executivo, como no Legislativo, tem sido uma prática corrente, mesmo de modo enviesado, desde a fundação da República, vindo a se tornar uma verdadeira afronta à cidadania com a aprovação desse modelo há duas décadas. Essa norma tem feito com que, mesmo aqueles políticos impedidos de se candidatarem à reeleição, usassem a máquina do Estado para promover seus prepostos e assim dar continuidade a seus mandatos de forma oblíqua.

         Aqui mesmo na capital, desde a emancipação política, tem sido prática comum, com a proximidade das eleições, a realização de seguidas reuniões, após o fim do expediente, de todos os detentores de cargos de chefia, para traçar estratégias com vistas à campanha eleitoral do chefe do Executivo e de sua bancada de apoio. Nesses encontros, os ocupantes da máquina pública indicados pelo governante são instados a “colaborar” ao máximo com as campanhas, inclusive convocando subordinados seus para essas tarefas.

          Fatos desse tipo ocorrem com mais frequência ainda nas Administrações Regionais, onde os todos os ocupantes de cargos de confiança são obrigatoriamente recrutados para trabalhar “discretamente” nas campanhas de seus padrinhos. Com promessas de vir a continuar nesses postos, em caso de eleição de seus protetores, muitos desses servidores passam a trabalhar como cabos eleitorais, na esperança de permanecer na folha de pagamento do GDF. Chama atenção ainda, a tremenda distorção no ordenamento jurídico da Administração do estado, a exagerada influência exercida por políticos na máquina pública. Nesse sentido, o episódio flagrado e disponível nas redes sociais mostra um servidor público, usando um carro oficial, fazendo panfletagem em plena luz do dia, para o deputado do DEM, candidato ao Palácio do Buriti.

        Esse é apenas um pequeno flagrante capturado, por acaso, por um cidadão. Outros milhares ocorrem todos os dias, de forma discreta, contrariando mesmo os mais básicos sentidos de ética pública. É assim que caminha nossa democracia, feita ao arrepio das leis e contra a vontade dos homens de bem.

A frase que foi pronunciada:

“Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira. O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos. Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos.”

Martin Luther King

Foto: brasil.elpais.com
Foto: brasil.elpais.com

Decreto

Uma campanha subliminar nos últimos meses. Basta acompanhar a iniciativa do governo em passar todo o trabalho pesado para as Forças Armadas. Desde a invasão dos Venezuelanos aos morros do Rio de Janeiro passando pela escolta dos combustíveis durante a greve dos caminhoneiros.

Foto: sicnoticias.sapo.pt
Foto: sicnoticias.sapo.pt

Vacina

Mesmo com a vacinação contra a poliomielite e sarampo terminando hoje, 12 estados não alcançaram a média. Mais de 3 milhões de crianças ainda não foram imunizadas. O DF ocupa o segundo lugar com o menor índice de cobertura. Na frente, o Rio de Janeiro e em terceiro lugar, Roraima.

Cartaz: diasdavila.ba.gov.br
Cartaz: diasdavila.ba.gov.br

Eleições

Mesários são convocados para as instruções durante o processo eleitoral. Se você já trabalhou em outros anos e não recebeu correspondência é bom procurar informações para evitar aborrecimentos futuros. E se quiser se inscrever como voluntário para trabalhar no processo eleitoral de outubro veja o link no blog do Ari Cunha.

Link: Mesário Voluntário 2018

Ilustração: tre-rj.jus.br
Ilustração: tre-rj.jus.br

Terceirizados

Depois que o STF decide que é constitucional emprego de terceirizados na atividade-fim das empresas, o comentário no cafezinho da Câmara era: “Culpa do eleitor que colocou no Congresso centenas de deputados e senadores empresários.” Mas houve quem apoiasse complementando com a necessidade de privatizações.

Charge: Tacho
Charge: Tacho

Correios

Acontece no museu é um projeto de ocupação cultural no espaço do auditório do Museu Correios em Brasília que, durante o ano de 2018 trará uma programação com shows musicais, peças de teatro, noites de autógrafo, cursos, palestras, debates, painéis e oficinas culturais. O objetivo deste projeto é trazer mais uma opção de entretenimento, capacitação e educação para a cultura com ações diferenciadas a preços populares, num espaço central de fácil acesso.

Cartaz: facebook.com/acontecenomuseu
Cartaz: facebook.com/acontecenomuseu
  • CONFIRA A PROGRAMAÇÃO DE SETEMBRO NO ACONTECE NO MUSEU:

DIA 15 DE SETEMBRO – SÁBADO ÀS 20 HORAS!
AS MELHORES CANÇÕES ROMÂNTICAS INTERNACIONAIS DE TODOS OS TEMPOS!
Setembro inicia a programação num clima romântico e adorável, com o Casal Yara Gambirasio (voz) e Alberto Gambirasio (guitarra) convidando o baterista André Braz! O trio traz um show diferente, numa roupagem cool jazz com as melhores músicas internacionais românticas que todos gostamos de cantar! Imperdível!!!! Um show para lavar a alma cantar junto e dançar!

DIA 15 DE SETEMBRO/20 HORAS
MEIA   ENTRADA: R$ 15,00 NA DOAÇÃO DE ALIMENTO
INTEIRA: R$ 30,00

DIA 17 DE SETEMBRO – SEGUNDA – DAS 19:30 ÀS 22 HORAS
CURSO MUSICALIZAR ADULTOS MÓDULO 01 COM FELIPE BARÃO.

Curso já com um grande sucesso, promovido no Brasil e em Portugal, Musicalizar Adultos promovido pelo multi-instrumentista, compositor e Maestro de Coral Felipe Barão traz para o Acontece no Museu, atendendo a pedidos, novamente o módulo 01 deste curso onde traz para as pessoas que querem entender um pouco mais do mundo da música, como se tornar um bom ouvinte, ou até mesmo para músicos em geral, uma maneira muito interessante de entrar no mundo da música numa forma descomplicada e divertida. O módulo 01 é a primeira aula deste curso, dividido em 03 aulas.

DIA 17 DE SETEMBRO/DAS 19:30 ÀS 22 HORAS
INVESTIMENTO: R$ 20,00 NA DOAÇÃO DE ALIMENTO
R$ 30,00 VALOR NORMAL DO CURSO SEM A DOAÇÃO

DIA 19/09 – QUARTA – DAS 19:30 ÀS 22 HORAS- CURSO MUSICALIZAR ADULTOS MÓDULO    02 – COM FELIPE BARÃO
Dando sequência às aulas deste curso pra lá de interessante, o Maestro Felipe Barão junta a turma do dia 17 de setembro, com as turmas antigas deste curso, para juntos seguirem o aprendizado que se faz de uma maneira dinâmica, prática, divertida e com muita informação de qualidade, trazendo você ouvinte, musico, e pessoas interessadas para dentro do maravilhoso mundo da música!

DIA 19/09 DAS 19:30 ÀS 22 HORAS
INVESTIMENTO: R$ 20,00 NA DOAÇÃO DE ALIMENTO
R$ 30,00 VALOR NORMAL DO CURSO SEM A DOAÇÃO

DIA 22/09 – COMO DIZER EU TE AMO? PEÇA TEATRAL E NOITE DE AUTÓGRAFOS COM A             JORNALISTA E ESCRITORA ADRIANA CAITANO.
Noite muito especial no Acontece no Museu, com a primeira apresentação teatral do projeto e primeira noite de autógrafos! A peça é uma adaptação do livro de mesmo nome da jornalista e escritora Adriana Caitano. O espetáculo traz a união entre música e texto para retratar a busca pelo amor, comum a gente de qualquer idade, orientação sexual e gênero. Totalmente imperdível!

DIA 22/09 – 20 HORAS
ENTRADA: R$15,00 MEIA ENTRADA NA DOAÇÃO DE ALIMENTO
INTEIRA: R$ 30,00

DIA 29/09 – DIREÇÃO ARTÍSTICA E TEATRAL – MÓDULO 01 – COM TUKA VILLA-LOBOS  COMO OBTER UMA MELHOR COMUNICAÇÃO EM PÚBLICO  OU DESENVOLVER SEU LADO ARTÍSTICO
Tuka é uma das idealizadoras do projeto Acontece no Museu e de muitos outros projetos de sucesso na área da música e do teatro e da comunicação.
A teatróloga com mais de 25 anos de experiência na área, intérprete e produtora cultural traz um curso com 03 módulos de duração, que oferece capacitação, técnicas teatrais e de direção artística para profissionais de todas as áreas da música e pessoas interessadas em desenvolver sua performance em palco, falar bem em público, entre outras características importantes para quem quer desenvolver uma melhor comunicação ou então seu lado artístico!

DIA 29/09 – SÁBADO – MÓDULO 01 – das 10:30 às 13:30
INVESTIMENTO: R$ 10,00 NA DOAÇÃO DE ALIMENTO

R$20,00 VALOR NORMAL DO CURSO

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SERVIÇO:
Acontece o Museu Shows, cursos, palestras e oficinas culturais no auditório do Museu Correios em Brasília.
Setor Comercial Sul Quadra 04 bloco A número 256

Sobre a campanha de meia entrada:

Todas as ações do projeto Acontece no Museu, tem a sua meia entrada liberada para quem fizer a doação de qualquer tipo de alimento não perecível e enlatados. Não há necessidade de comprar, traga o que tiver de novo e fechado em casa e que possa ser doado! Estes alimentos são destinados pelo projeto às famílias com crianças em situação de vulnerabilidade social que moram nas ruas.

Realização: Villa-Lobos produções e André Trindade Produções
Apoio: Museu Correios de Brasília, Agenda Cultural Brasília e Território Comunicação.

Maiores informações: acontecenomuseu@gmail.com ou (61) 9 82233452 – WhatsApp
Confira no Facebook: www.facebook.com/acontecenomuseu e no Instagram @acontecenomuseu

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Quando me perguntaram porque não publiquei a íntegra da carta recebida do dr. Aracaty, delegado do Iapfesp, respondi que é porque ela contém inverdades. Estou investigando nomes, para dar nomes aos bois, o que farei proximamente. (Publicado em 28.10.1961)

Debates nas eleições

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

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com Circe Cunha e Mamfil;

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Charge: humorpolitico.com.br/amorim
Charge: humorpolitico.com.br/amorim

            Para melhor entender os debates eleitorais que passam a ocorrer em todo o país, inclusive os realizados aqui na capital, é preciso, antes de qualquer coisa, que o eleitor atento as essas discussões encare, de forma crítica, a grande massa de informações, vinda sobretudo das mídias sociais. É preciso concentrar a atenção basicamente naqueles informes que, ao seu ver, fazem uma análise isenta o objetiva sobre cada um desses personagens que ora passam a desfilar seus valores diante de todos.

         Na era da chamada pós-verdade, em que a indiferença acerca dos fatos reais passou a ser uma evidência corrente, capaz inclusive de não modificar a opinião de muitas pessoas, todo o cuidado é pouco. A confirmar esse momento histórico de relativização da verdade, estão os múltiplos exemplos de decepção colhida com a escolha de candidatos que, uma vez alçados ao poder, transformam-se naquilo que sempre foram, dão as costas aos seus eleitores e aos seus reclamos, passando a usufruir, sem remorsos, das possibilidades do cargo, apenas para proveito próprio.

           É sabido também que a arte da mentira, entre nós, sempre foi um meio muito empregado por políticos de todos os matizes ideológicos para sobreviver nesse ambiente e dele colher os melhores frutos. Não é por outra razão que, não só aqui, mas em muitas partes do planeta, verifica-se, por parte dos cidadãos, um forte desencanto com o atual modelo democrático de representação política. Essa situação ganha ainda mais gravidade quando se verifica que muitos candidatos estão envoltos em uma grossa embalagem construída pelo marketing, impossibilitando ao eleitor uma visualização real desse postulante.

         A pós-verdade veiculada até por robôs, acaba impondo, pela massificação de informações a favor de uns e contra outros, um oceano de dados desconexos que, mais do que esclarecer fatos, contribui para criar a confusão na cabeça do eleitor. Há pouco mais de um ano, a prestigiosa revista inglesa The Economist alertava para o que chamava de “fragmentação das fontes noticiosas” em que fofocas, mentiras e rumores, pela velocidade de propagação, acabam contaminando o ambiente e ganhando ares de verdade.

          Nesse sentido, o mais próximo que o cidadão pode chegar da verdade sobre os candidatos e suas propostas é quando acompanha de perto aos debates feitos ao vivo e em que todos estão presentes. Infelizmente nem todos foram convidados, estando atrelados à representatividade dos partidos. Justamente os que pregam mudanças, ou uma nova política.

           É nos debates, principalmente naqueles em que os ânimos estão acirrados e os dedos em riste, que a verdade se insinua. Discussões muito comportadas e demasiadamente respeitosas tendem a camuflar os fatos e iludir os eleitores.

           Sendo a verdade uma pérola rara, ela só pode aparecer no calor das discussões, quando os pretendentes estão quase partindo para as vias de fato. Quando o circo pega fogo, a pós-verdade é a primeira a desaparecer, restando apenas os fatos.

A frase que não foi pronunciada:

“Não trabalho com a miséria, mas com as pessoas mais pobres. Elas são muito ricas em dignidade e buscam, de forma criativa, uma vida melhor. Quero com isso provocar um debate. A nossa sociedade é muito mentirosa. Ela prega como sendo única a verdade de um pequeno grupo que detém o poder.” 

Fotógrafo Sebastião Salgado

Foto: revistaprosaversoearte.com
Foto: revistaprosaversoearte.com

Absurdo

Mortes em silos é uma tragédia facilmente resolvida pela arquitetura. É inaceitável que, com a tecnologia disponível, homens pereçam sufocados em grãos. Dados apresentados pela BBC indicam que os Estados que mais tiveram casos são os mesmos que lideram o ranking de produção de grãos: Mato Grosso (28), Paraná (20), Rio Grande do Sul (16) e Goiás (9). Em 2018, houve mortes em 13 Estados distintos, em todas as regiões do país.

Ilustração: VITOR FLYNN/BBC NEWS BRASIL
Ilustração: VITOR FLYNN/BBC NEWS BRASIL

Outra realidade

A Lei 13.714/2018 é uma ilusão completa. O atendimento pelo SUS é gratuito, qualquer pessoa tem acesso. Agora, criar uma lei onde indivíduos em situação de vulnerabilidade e risco social tenham preferência no atendimento feito pelo SUS foge totalmente à realidade. Isso porque há atendimentos que demoram até 24h para acontecer. A gravidade dos casos dita a ordem do atendimento. Vai continuar assim dentro da precariedade habitual.

Charge: Ivan Cabral
Charge: Ivan Cabral

Reciclar

Depois de receber material eletrônico como descarte o projeto Programando o Futuro cataloga e separa, por fabricante, peso e modelo. A partir daí os aparelhos são consertados e doados para instituições de inclusão digital de todo o Brasil. O coordenador-geral do projeto Programando o Futuro, Vilmar Simion Nascimento, ressaltou que a parceria com o Sesc superou as expectativas.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Quanto ao fato de Jânio voltar, a minha opinião é esta: se isto acontecer, ele terá escrito a comédia, dirigirá a cena, aplaudirá como plateia, e nós, povo, ficaremos no picadeiro, com a cara pintada, nariz suposto, avermelhado, boca alargada com alvaiade, colarinho frouxo e sapato grande demais. Papel de palhaço, finalmente, terá desempenhado o povo e o Congresso. (Publicado em 28.10.1961)

Reforma do sistema eleitoral por plebiscito faz-se urgente

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ARI CUNHA

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Charge: Ivan Cabral
Charge: Ivan Cabral

          Analistas, cientistas, até mesmo uma parcela da classe política e da própria população já firmaram a convicção de que as próximas eleições, pelo o que se tem visto dos candidatos e das vagas propostas apresentadas, não possuirão, nem de longe, o condão para modificar a situação de profunda crise experimentada pelo país desde 2013. Há ainda o risco que os eleitos para comandar o país a partir de 2019, além de não contribuírem para minorar o conjunto de problemas que foram se acumulando ao longo desse tempo, venha a agravar, ainda mais, essa situação, o que poderia facilmente empurrar o Brasil para o beco sem saída do caos generalizado e das aventuras irresponsáveis.

      O momento, todos concordam, é delicado e grave. A reforma política, que muito poderia contribuir para alavancar o país, foi reduzida em tamanho, importância e alcance, transmutando-se num conjunto de medidas canhestras, visando a atender apenas aos anseios da classe política, a manutenção e ampliação do status quo vigente. O mesmo fim foi dado às demais reformas necessárias e urgentes: todas foram abandonadas por terra e desidratadas até a morte. Com isso, problemas estruturais de um Estado que ameaça desabar foram empurrados com a barriga, na vã tentativa de deixar que o tempo encontrasse soluções naturais que os dirigentes não foram capazes de construir.

          Passamos assim do improviso à expectativa, aguardando a vinda do livrador. Obviamente que nessa altura dos acontecimentos, de nada adiantam reformas feitas em cima do laço. É preciso, no entanto, aplainar o terreno pelo menos para 2020 e mais adiante, quando se abrirão novas janelas de oportunidades eleitorais. Nesse sentido, a convocação de um oportuno plebiscito nacional sobre o sistema eleitoral, realizado simultaneamente com as eleições desse ano, abre uma boa perspectiva para a rearrumação política do Brasil.

          A proposta em análise, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado, é de autoria do senador por Brasília, Antônio Reguffe e já conta com o apoio de 27 senadores. No questionário que será apresentado ao eleitor em outubro desse ano, caso a proposta seja aprovada, constarão quatro opções de respostas à seguinte questão: qual o melhor sistema eleitoral para o Brasil? Caberá ao cidadão escolher as respostas entre o atual sistema, o sistema distrital, o voto em lista fechada pré-definida pelos partidos ou o sistema misto (metade lista e metade distrital).

           Em sua justificativa, o senador Reguffe ressalta que “as pessoas, hoje, não acreditam mais em política. Para ele isso é culpa dos personagens por desvios éticos inaceitáveis, mas, sobretudo, do próprio sistema eleitoral, que coloca partidos e políticos em primeiro plano e não pensam, sequer, na sobrevivência do Brasil e dos brasileiros. Segundo o autor da proposta, o plebiscito é, nesse momento, a melhor solução, pela oportunidade e pelos custos zero ao contribuinte.

A frase que foi pronunciada:

“Não basta conquistar a sabedoria, é preciso usá-la.

Cícero

Charge: sponholz.arq.br
Charge: sponholz.arq.br

País sério

O panorama do que serão as eleições 2018 é mais ou menos esse: uma presidente que recebeu impeachment está na frente na intenção de votos para Senadora por seu estado, segundo pesquisas, e um ex-presidente acompanha as notícias sobre sua candidatura detrás das grades.

Charge: Nani
Charge: Nani

Economia

Projeto do senador Lasier Martins, que chegou na Comissão de Assuntos Econômicos, altera a legislação para incentivar a economia de água tratada, inclusive pelos prestadores de serviços públicos de saneamento básico e de abastecimento de água.

Foto: senado.leg.br
Foto: senado.leg.br

Novidade

Outra ideia legislativa é transformar facções criminosas em organizações terroristas.

Bons negócios

Macau, cidade chinesa dominada pelos portugueses entre 1557 e 1999 passa por uma fase onde a língua portuguesa é tratada com todo o respeito, principalmente nas universidades chinesas. O ensino do português está se expandindo já como clara estratégia para difusão do português na China.

Foto: camarachinesa.com.br
Foto: camarachinesa.com.br

Só assim

Em país onde a cultura é última preocupação, os professores da Escola de Música cansaram de esperar por apoio do governo. Arregaçaram as mangas e usam o próprio talento para resolver os problemas de infraestrutura do prédio da escola. O projeto Conserta Brasília trata de apresentações de alunos e professores que cobrando preço simbólico de ingressos usam a verba para melhorar as condições físicas da instituição.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Há, entretanto, um engano, quando diz que minha filha foi premiada com um cargo sem concurso. É que minha filha tem sete anos, e a mais nova, acaba de nascer. Não entendi aquele “Jânio Precisa Voltar”. (Publicado em 28.10.1961)

Políticas equivocadas induzem ao atraso

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ARI CUNHA

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Charge: Duke
Charge: Duke

         É consenso que as eleições, por seus processos próprios, possuem a capacidade de induzir uma certa agitação em todos os setores do país. A começar pela economia, que nesses períodos de disputas e incertezas, ao colocar em modo de espera as principais e mais urgentes decisões nessa área, acaba por criar um ambiente de fortes expectativas, o que, por sua vez, favorece especulações de todo tipo e ataques ao mercado.

       Nesse ambiente de incertezas, onde todo mundo passa a se precaver, é comum a retração de investimentos internos e externos, o que resulta em oscilações de Bolsas, fuga de capitais, aumento do dólar, inflação e outros aspectos econômicos negativos. Como a economia e o mercado necessitam de previsibilidade e calmaria para funcionarem, as eleições com seu potencial de dúvidas terminam por criar cenários de medo e de incertezas que, ao fim ao cabo, contaminam todo o país e necessariamente passam a atingir também a própria população.

       A paralisação de obras e de contratações, muitas vezes impostas pela legislação eleitoral, reforçam a instabilidade e passam a interferir ainda na estagnação da economia e na retomada do tímido crescimento. Para um país que permanece experimentando uma profunda crise econômica, resultado direto de um conjunto de más políticas que foram implementadas recentemente, um ambiente de incertezas possui um potencial de agravar ainda mais a situação atual.

       É nesse ambiente delicado e de medo que as campanhas eleitorais entram para embaralhar o ambiente. O divórcio entre o que pretende os candidatos em seus discursos e a realidade do país lança ainda mais gasolina na fogueira. Os pretensos salvadores da pátria, ao insistir em programas de governo irrealistas e inexequíveis, contribuem, ao seu modo, para piorar o que já está ruim.

          Mesmo os institutos de pesquisas eleitorais, com suas metodologias próprias e específicas, ao divulgarem o que chamam de retrato do momento, com previsões antecipadas, que, não raro, vão contra o senso comum, contribuem também para o aumento do ambiente de instabilidade. Nesse quesito, quando são feitas retrospectivas, até recentes, dessas pesquisas, o que se observa, em grande parte dos casos, são disparidades entre os prognósticos e o resultado efetivo das urnas. Destaca-se também que nessas eleições, especificamente, o número de eleitores indecisos é o maior já registrado desde a redemocratização.

         Se nem a população sabe que caminhos tomar diante da aproximação das urnas, muito menos o mercado e o ambiente econômico saberá para onde vai o Brasil. O pior é que com alguns desses candidatos que ora estão no páreo, nossa situação econômica, que já é preocupante, corre o risco de afundar de vez, o que mais uma vez comprova a teoria de que políticas e candidatos equivocados possuem sempre o condão de empurrar e manter o país para o beco sem saída do subdesenvolvimento.

A frase que foi pronunciada:

“Muitas vezes as pessoas enxergam mais com a imaginação do que com os olhos.” 

Richard Sennett, historiador e sociólogo

Goiás

Conta de energia mais cara 12%. O percentual está em discussão. A ANATEL abriu audiência pública para que a população participe da decisão.

Charge: Tacho
Charge: Tacho

Preto no branco

Temos que reconhecer que a Receita Federal do Brasil e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional não cumprem a legislação no que diz respeito às suas obrigações. São duas instituições muito sérias para cobrar o dever dos outros, mas que não aplicam seus próprios deveres. Palavras do juiz federal e representante da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Renato Lopes, sobre os grandes problemas da arrecadação tributária federal.

Ilustração: averdadequeamidianaomostra.blogspot.com
Ilustração: averdadequeamidianaomostra.blogspot.com

Cheiro de abuso

Uma TV ligada num estabelecimento comercial gera boleto cobrado pelo Ecad. O escritório explica que é assim que os artistas sobrevivem, da criação. Acontece que muitas músicas executadas são de domínio público, e as TVs já pagam uma pesada conta para o Ecad que vistoria toda a programação. As rádios também pagam altas taxas. Cobrar de quem ouve os programas parece demais.

Logo: toptalent.art.br
Logo: toptalent.art.br

Impensável

Técnicos da Caesb verificam que os dejetos do Instituto Central de Ciências da Universidade de Brasília passam pela galeria de águas pluviais da Asa Norte e caem direto no lago Paranoá.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A Rádio Nacional de Brasília está usando dinheiro do governo para fazer campanha contra as demais estações de televisão de Brasília. Esta campanha, que está sendo muito cara, talvez não seja interessante para o próprio governo, que usando dinheiro do povo, procura sufocar as empresas particulares. (Publicado em 27.10.1961)

Preferência pelo Legislativo tem explicação prática

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ARI CUNHA

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Charge: Ivan Cabral
Charge: Ivan Cabral

         Com a polarização das disputas para presidente da República centrada em apenas meia dúzia de candidatos com boas chances de conquistar o Palácio do Planalto, a grande maioria dos partidos passou a investir tudo, inclusive parte significativa dos recursos públicos disponibilizados pelas legendas, na tentativa de ocupar o maior número possível de cadeiras nos legislativos locais e federal. A estratégia agora, dada a abundância bilionária desses recursos para os partidos, é construir bancadas robustas, quer para fugir da degola das cláusulas de barreiras, quer para se inserir nas amplas vantagens advindas do modelo de presidencialismo de coalizão.

       Há muito os políticos experientes sabem que cargos de comando no Poder Executivo, seja presidente da República, governados ou prefeito, ao individualizar e expor a figura do gestor diretamente em contado com o cidadão e suas demandas, não raro, leva ao desgaste político desses líderes, transformando o mandato numa via crucis sem fim. Numa sociedade com tantas carências, gestor público acaba se transformando em verdadeiro “saco de pancada”, alvo de todo o tipo de impropérios e hostilidades.

      É nesse sentido que os cargos nos Legislativos passam a ser considerados como paraísos na terra. Não surpreende, pois, que a carga menor de responsabilidade individual, diluída nas bancadas, acaba por atrair muito mais pretendentes. Além disso, os três meses de férias por ano e outras mordomias que só são encontradas em nosso modelo de Estado, fazem dos legislativos alvo de cobiça de milhares de brasileiros.

            Com a emancipação política, Brasília passou a reproduzir exemplarmente esse modelo, fazendo do legislativo local um atraente posto a ser conquistado. Para próxima legislatura, 1,2 mil pretendentes fizeram suas inscrições junto à justiça eleitoral, ou mais de 40 candidatos para cada uma das 24 vagas na Câmara Legislativa. Em nosso sistema democrático, a função representativa se confunde muito, em benefícios, com os altos escalões funcionalismo público, com a diferença de que no Legislativo as vantagens são muito maiores para compromissos e resultados sempre menores.

      Assim, os candidatos, ao adentrarem para o parlamento, passam a compor integralmente a estrutura administrativa da máquina de um Estado, que, por si só, é o maior responsável pela grande concentração de renda e pela promoção e perpetuação das desigualdades sociais.

          Levantamento feito esse ano pelo Observatório Social de Brasília e pelo Instituto de Fiscalização e Controle (IFC) mostrou que os deputados distritais chegam a custar quase um terço a mais que um integrante da Câmara Federal. Ademais, é corrente verificar, ao longo do ano, o adiamento de votações importantes para a comunidade, pelos seguidos casos de falta ao trabalho e que sempre acabam sendo abonados, contrariamente ao que ocorre com os trabalhadores comuns.

             Disparidade de renda, excesso de benefícios, corporativismo, imunidades e outras vantagens atraem cada vez mais postulantes a esses postos, ao mesmo tempo em que ajudam a aumentar, em léguas as distâncias entre representantes e representados, fazendo, dessa função, alvo constante de reclamações e fonte abundante de todo o tipo de escândalo.

A frase que foi pronunciada:

“O gratuito significa sempre uma forma de dominação”

Richard Sennett

Turismo

Rafael Felismino, assessor de Gestão Estratégica da Embratur, e Vinícius Lummertz, do Ministério do Turismo, estudam o modelo de gestão de turismo da Dinamarca. Copenhague, por exemplo, tem uma população de 1.213.822 habitantes e recebe anualmente cerca de 8 milhões de turistas estrangeiros e 4 milhões de nacionais. O segredo do sucesso é a parceria entre o poder público e privado.

Detalhes

Do outro lado do balcão, o dinamarquês que estiver planejando vir ao Brasil, recebe um verdadeiro manual de conduta. Desde os dados detalhados da cidade que escolher até uma atualização das últimas notícias. Dentro dessas manifestações, a que mais chamou a atenção foi o seguinte comentário registrado: O Brasil tem sido progressivo em termos de direitos das minorias sexuais. “No entanto, muitos brasileiros são muito conservadores e há incidentes de assédio às minorias sexuais, principalmente fora das grandes cidades.”

Charge: Nani
Charge: Nani

Prontas para a volta

Oficinas de trabalho, biblioteca, atendimento médico, aulas da alfabetização ao ensino médio, sala especial para gestantes que permanecem com o bebê até pelo menos 6 meses, assistência médica inclusive psicológica, psiquiátrica, odontológica, ginecológica e pediátrica. Trata-se da Penitenciária Feminina do DF, dirigida pela Dra. Deuselita Pereira Martins.

Foto: Arquivo/Agência Brasil
Foto: Arquivo/Agência Brasil

Dignidade

Outra preocupação da direção da Penitenciária Feminina é a humanização da identificação dos visitantes. Sem a rotina humilhante da nudez, agora as máquinas instaladas são suficientes para detectar qualquer indício de objeto escondido por visitantes.

Foto: Pedro Ventura / Divulgação
Foto: Pedro Ventura / Divulgação

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

A Rádio Nacional de Brasília está usando dinheiro do governo para fazer campanha contra as demais estações de televisão de Brasília. Assim é, que vem contratando, a preços que o mercado não permite, artistas para enfrentar a concorrência leal das emissoras particulares. (Publicado em 27.10.1961)

“Postos estão, frente a frente”

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil;

colunadoaricunha@gmail.com;

Imagem: g1.globo.com

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            Num país como o nosso, onde os fatos da História muitas vezes têm tomado ares de pura ficção, ultrapassando essa em imaginação, e onde o realismo fantástico dos acontecimentos ganha tonalidades reais, não chegam a surpreender as notícias de que um prisioneiro incomum, encarcerado por crime comum, apareça na dianteira das pesquisas para o cargo de presidente da República.

      Com as manobras urdidas a partir da própria cela, transformada, sob a complacência da Justiça, em sede de movimentadíssima campanha, o ex-presidente Lula vai lentamente conduzindo seu partido e seu nome rumo às urnas, há pouco mais de 1 mês para as eleições e sob os olhares perplexos de um país inteiro.

          A essa altura dos acontecimentos, muitos passaram a torcer para que a estratégia de esconder o candidato para que ele ressurja vitorioso como uma fênix de dentro da urna seja consumada com sucesso, apenas para dar mais tempero e sabor a essa história surreal. Caso tenha os caminhos desimpedidos pela justiça eleitoral e venha a ser sagrado, mais uma vez, presidente do país, o realismo fantástico dessa façanha possível terá ultrapassado léguas de qualquer ficção, mesmo as mais imaginativas. É justamente essa ausência física, consubstanciada em presença irreal que mais fascina seus eleitores, conferindo, ao pleito insosso, sabores de um conto mágico, bem ao estilo de um Gabriel Garcia Márquez. Para uma nação colonizada com amor e ódio por portugueses, a odisseia do ex-presidente parece nos remeter diretamente à metrópole no ano da graça do Senhor de 1578, quando na Batalha de Alcácer-Quibir, no Norte da África, o rei de Portugal, D. Sebastião, desapareceu sem deixar vestígios, possivelmente morto pelos mouros daquela região.

         O sumiço misterioso do rei e de boa parte de sua tropa criou entre a nação portuguesa um sentimento místico de que esse monarca mártir iria retornar, no momento certo, à terra natal para salvar seu reino das mãos dos espanhóis, que entre 1580 e 1640 uniram as duas coroas sob um mesmo reino. Com isso, foi criada a expectativa de cunho messiânico do retorno de D. Sebastião, conhecido naquela ocasião como Sebastianismo, que pode ser interpretado como um movimento de inconformismo com a situação política vivida por Portugal naquele período.

          Naquela ocasião, muitos prepostos apareceram se fazendo passar pelo rei desaparecido. A maioria encontrou a força como resposta. Essa crença no chamado “rei encoberto”, que viria para redimir o povo português, guardadas as devidas proporções, nos faz lembrar a saga vivida agora por Lula, o candidato encoberto, que promete retornar ao seu palácio, com todas as honras e glórias.

         Ainda hoje, passados muitos séculos, muitos místicos portugueses ainda acreditam no retorno do rei e de seu exército. O mesmo parece ocorrer com os lulistas que ainda acreditam no retorno de seu salvador, perdido no Magrebe de uma cela em Curitiba.

A frase que foi pronunciada:

“A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes.”  

Winston Churchill

Charge: Ivan Cabral
Charge: Ivan Cabral

Boas Novas

Satisfeito com a estação experimental de plantios de mandioca, o professor Nagib Nassar convidou autoridades internacionais para conferir, no local, a produção. Causou surpresa ver que apenas uma raiz pesava 30kg. Com essa pesquisa, o fim da fome no mundo está próximo. Veja as fotos no Blog do Ari Cunha.

Grande mulher

Se existe cabo eleitoral familiar forte, pode-se dizer que Rogério Rosso está bem servido. Karina Rosso é anfitriã de primeira linha, sabe defender o marido mais ouvindo do que falando.

Foto: primeirasdamas.blogspot.com
Foto: primeirasdamas.blogspot.com

Faixas

É chegada a hora de reforçar as faixas de pedestres pelo Plano Piloto e demais regiões administrativas. Durante a noite, está bastante perigoso, principalmente com a chegada da chuva.

Foto: mobilize.org.br
Foto: mobilize.org.br

Novidade

Foram criadas, recentemente, duzentas novas autorizações para prestação de serviço de táxi adaptado no DF.

Foto: taxinforme.com.br
Foto: taxinforme.com.br

“Eu sou confiável?”

Em tempos de eleições e escolhas individuais e coletivas, de norte a sul do país, é o tema do livro do psicólogo e palestrante Fauzi Mansur, em parceria com a, também psicóloga e escritora, Adriana Kortlandt. Está feito o convite para uma reflexão profunda sobre o tema da autocorrupção. Lançamento em Brasília, na segunda-feira, dia 27, das 18h30 às 22h, no Carpe Diem Restaurante (104 sul).

Imagem: fazeraqui.com.br
Imagem: fazeraqui.com.br

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Há blocos na Asa Norte, onde não há água há vinte dias. O Departamento de Águas e Esgotos, entretanto, não deu a público nenhuma nota explicativa, principalmente sabendo-se que os reservatórios de Brasília têm capacidade para reserva de 90 milhões de litros. (Publicado em 27.10.1961)

Os pés trocados da política

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ARI CUNHA

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Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil;

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Foto: Erno Schneider (imagesvisions.blogspot.com)
Foto: Erno Schneider (imagesvisions.blogspot.com)

          Fôssemos escolher alguma logomarca que melhor sintetizasse, desde sempre, o peculiar jeitinho brasileiro de fazer política e os reflexos desse modelo para a vida dos cidadãos, sem dúvida, dentro dos vários exemplares à nossa disposição, a melhor imagem, capaz de traduzir com a fidelidade de um espelho esse modus operandi do poder, seria a foto, tirada em 1961, pelo fotografo do Jornal do Brasil, Erno Schneider, que mostra o então presidente Jânio Quadros com os pés enviesados, como alguém que titubeia e não sabe, com clareza, por que caminhos seguir.

       No melhor modelo Curupira, a figura mitológica que possui os pés para trás, nossos políticos e seus respectivos partidos formam entidades que seguem ermas por caminhos tortos, guiadas apenas pelo faro aguçado das oportunidades, enganando aqueles que acreditam em seus estatutos e em suas orientações ideológicas.

     Outro modelo desse desvario e que define esse titubeio foi dado pelo próprio ex-presidente Lula quando, em certa ocasião, afirmou ser a personificação de uma autêntica metamorfose ambulante. Com isso, buscar compreender políticos e partidos no Brasil é um exercício vão, destituído de lógica.

      Na verdade, nossos políticos, de forma geral, se agrupam em torno daquelas legendas que lhes parecem mais passíveis de vir a conquistas nacos de poder. Grosso modo, essas agremiações tendem a se diluir em outras por ocasião da formação de um governo. A tradicional orientação partidária, apresentada durante as campanhas, cede lugar ao pragmatismo quando da distribuição de posições de gerência dentro da máquina do Estado.

        O Norte, portanto, de partidos e de seus respectivos filiados é dado pelo praticismo imediato, representado pelas vantagens postas à frente de todos no balcão de negócios. Exemplos desse comportamento que perturbam a compreensão de muitos estrangeiros podem ser colhidos nos escândalos do mensalão e outros similares e mesmo no chamado presidencialismo de coalizão. Doutra forma, também exemplificam esse modelo tupiniquim as diversas coligações feitas nos mais variados estados da federação e que, enganosamente, parecem ir na contramão da lógica doutrinária dos partidos. Na realidade, essa lógica é montada apenas para atender as exigências da lei eleitoral, não correspondendo a nenhuma realidade factível. Nesse sentido, o tão propalado “nós contra eles”, difundido pelo lulismo, só possuía significado quando isso interessava aos dirigentes dos partidos, podendo ser alterado a qualquer hora, sem aviso prévio, ao sabor dos desenhos das nuvens no céu.

        Por isso bandeiras, palavras de ordem, camisetas e comícios são usados apenas nos momentos certos de “ reunir os bois no curral”, perdendo seu significado, à medida que vão surgindo novos e mais rentáveis objetivos.

        Jânio, com seus pés tortos, representa o cerne daquilo que entendemos como representação partidária e que, em outras palavras, pode ser descrito pelo filósofo de Mondubim: “Para aqueles que não sabem para onde ir, qualquer caminho vale”.

A frase que foi pronunciada:

“O futuro do país está na urna eletrônica.”

Resposta indireta do Supremo Tribunal Federal ao Congresso Nacional, que aprovou o voto impresso em 2015.

Charge: Bessinha
Charge: Bessinha

Fumo

Foi discutida e aceita na Comissão de Direitos Humanos do Senado uma sugestão para que os planos de saúde sejam obrigados a cobrir tratamentos contra o tabagismo. Parece que a responsabilidade deveria recair sobre as empresas tabagistas. Elas têm consciência do mal que o cigarro faz e continuam investindo na perda da saúde das pessoas.

Charge: Duke
Charge: Duke

É verdade

De madrugada, à noite e durante o dia, o brasiliense tem notado maior presença de carros de polícia nas ruas.

Foto: André Gustavo Stumpf/Polícia Militar (g1.globo.com)
Foto: André Gustavo Stumpf/Polícia Militar (g1.globo.com)

Sem estrutura

Difícil ver alguma movimentação dos companheiros socialistas brasileiros, amigos do regime da Venezuela, para abrigar os hermanos. Sérgio Etchegoyen, ministro de Segurança Institucional, deu entrevista informando sobre as ações sociais como os abrigos e tratamentos de saúde disponibilizados para os imigrantes venezuelanos. Só que as ações de rejeição aos imigrantes ocorridas em Paracaima podem contaminar outras regiões.

Foto: jornalcorreiodegoias.com
Foto: jornalcorreiodegoias.com

Alcântara

O ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, consolida com a equipe a importância dos lançadores de satélites no Centro Espacial de Alcântara, o Maranhão, para uso civil e militar. O objetivo é melhorar desde a vigilância das fronteiras até a distribuição de banda larga e controle do tráfego aéreo. Em encontro no Brasil, o secretário de Defesa, James N. Mattis, deixa agradecimentos ao governo brasileiro pela iniciativa.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

O orçamento votado pela Câmara dos Deputados par ao Ministério da Educação, é de 32 bilhões de cruzeiros, sendo que 28 bilhões são destinados às Universidades. (Publicado em 27.10.1961)

Intoxicação

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ARI CUNHA

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Charge de Amarildo
Charge de Amarildo

       Não se tem, até hoje, um estudo, mesmo elementar, que estabeleça os custos para o meio ambiente e para a saúde dos brasileiros, gerado pela rápida e contínua transformação de grande parte do território nacional em celeiro do mundo pelo agronegócio. O que se sabe, com certa exatidão, é que a medida em que crescem os enormes latifúndios de monocultura, vão deixando atrás de si um rastro de destruição da flora e da fauna, provocando também o envenenamento dos rios e de uma legião de brasileiros que diariamente são expostos aos mais perigosos agrotóxicos, muitos deles proibidos em outros países.

         A cada ano, o crescimento da área plantada faz crescer também os lucros imediatos e com ele uma poderosa e seleta casta formada por produtores e por uma robusta bancada política com assento não só no Congresso, mas nos principais órgãos do governo ligados às atividades do campo. Com isso, não chega ser exagero afirmar que a máquina pública que cuida dos assuntos da agricultura está nas mãos dos produtores ou de pessoas de sua restrita confiança.

         Discutir qualquer questão que afete esse grupo parece impossível. Mesmo quando o assunto é sobre a saúde do homem do campo, de suas famílias ou do consumidor, expostos aos poderosos venenos aplicados no plantio. A pressão sobre órgãos do governo que controlam os registros de agrotóxicos é imensa e, não raro, resulta no impedimento para uma fiscalização correta no uso desses produtos.

       Dentro do Congresso, uma bancada coesa e largamente financiada com os fartos recursos desse setor exerce pressão, afrouxando medidas legais que buscam controlar o uso desses venenos. Em que outro país do mundo, poderia um ministro da agricultura ser também o autor do PL 6.299, conhecido como PL do veneno, que transfere o poder regulatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), vinculada ao Ministério da Saúde, colocando essa fiscalização sob o controle direto do próprio Ministério da Agricultura?

      O referido projeto vai, segundo a Comissão em Vigilância Sanitária (CCVISA), na contramão da tendência internacional de consumo e comércio. Para o Ministério da Agricultura, o número de intoxicações com pesticidas é irrelevante, menor inclusive do que os provocados por medicamentos. A verdade é que os números reais de intoxicações por agrotóxicos ainda não são conhecidos em sua extensão, mas, com certeza, chegam a ser 50 vezes maiores do que os oficialmente notificados.

        O que se sabe é que, nos últimos dez anos, o número real de pessoas contaminadas pelos venenos usados nas lavouras poderia alcançar a marca de 1,3 milhão, ou 300 pessoas a cada dia. Trata-se de um problema que terá que ser solucionado o mais breve possível, sob pena de criarmos uma situação irreversível e danosa, para a população e para o meio ambiente.

A frase que foi pronunciada:

“Nós temos algumas evidências muito sugestivas de que o uso de pesticidas e herbicidas afeta nossa função mental e fisiologia cerebral, incluindo o aumento da incidência da doença de Parkinson em até sete vezes naqueles mais expostos a eles. Isso não é exatamente uma surpresa quando percebemos que os pesticidas são projetados para serem neurotóxicos para as pragas ”.

Dr. Gabriel Cousens, médico homeopata, diplomata do Conselho de Medicina Holística dos Estados Unidos

Charge: Arionauro Cartuns
Charge: Arionauro Cartuns

Outro lado

Duas amigas petistas contaram a emoção que é estar perto da multidão que defende Lula. Elas participaram da passeata em Brasília. Disseram que Lula pode ter metido os pés pelas mãos, mas “consegue manter a chama da luta”.

Charge: psdb.org.br
Charge: psdb.org.br

Norte

A situação está insustentável com a entrada dos Venezuelanos pelo Norte do país. As regras, as leis, os acordos internacionais não preveem o caos em receber refugiados sem a mínima condição de oferecer dignidade.

Foto: Agência Brasil (brasil.gov.br)
Foto: Agência Brasil (brasil.gov.br)

Responsabilidade

Retrato de Brasília, pelo olhar de uma artista politizada. Eny Junia expõe no espaço cultural Murat Valadares do TRF, Setor Bancário Sul, quadra 2, bloco A. Não há ordem e progresso em um país onde a omissão mata e desmata, diz Eny Junia, pela arte que produz. A mostra irá até o dia 28, até as 19h.

Quizz

Quase mil candidatos concorrerão às 24 vagas para Deputado Distrital na Câmara Legislativa. Valeria uma enquete aos concorrentes. Se o DF pagasse a mesma remuneração simbólica que os países eslavos pagam aos representantes do povo, haveria o mesmo interesse na disputa?

Foto: Carlos Gandra/CLDF
Foto: Carlos Gandra/CLDF

Desiguais

Impressionante o desamparo da população de Brasília. Cidadão que teve as rodas do carro roubadas, na 112 Norte, registrou um Boletim Eletrônico. Ao final do longo questionário veio a resposta: “A delegacia eletrônica informa que sua ocorrência foi cancelada pelo seguinte motivo: não é possível o registro de ocorrência de furto de rodas em razão da possível necessidade de solicitação de perícia.” Esse furto não vai entrar nas estatísticas. A vítima foi prejudicada e os larápios saem felizes da vida.

Release

Os mecanismos genéticos e celulares que levam à formação ou ausência da semente na uva foram desvendados pela equipe do Laboratório de Genética Molecular Vegetal da Embrapa. A descoberta tem o potencial de acelerar e subsidiar pesquisas para desenvolver uvas sem sementes, por meio do uso de técnicas de biotecnologia.

Foto: embrapa.br
Foto: embrapa.br

Desigualdades e instabilidade

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ARI CUNHA

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Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil;

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Tirinha do Paulo
Tirinha do Paulo

         Ao escolhido nas urnas para se sentar na cadeira de presidente da República, a partir de janeiro de 2019, caberá, entre outros sérios problemas, resolver um conjunto complexo de questões decorrentes da desigualdade social, bem como as consequências nocivas para todos e para o país desse desequilíbrio persistente e crescente em nossa pirâmide de classes.

         Por qualquer ângulo que se examine a questão, é fato inconteste que o Brasil continua sendo um dos países mais desiguais do planeta, com altíssima concentração de renda no patamar superior. Em dados numéricos é possível observar, segundo novos estudos, que apenas 1% da sociedade concentra 28% da renda nacional. E esse é apenas um dado referente ao desnível social com base exclusivo na renda.

         Outro aspecto dessa desigualdade histórica, e que marca negativamente nosso país em relação às nações mais desenvolvidas, é quanto aos desequilíbrios verificados também no nível de escolaridade entre as classes mais favorecidas e o restante da população distribuída na base inferior da pirâmide. Em comum, essas desproporções, caso não venham a ser corrigidas a tempo, apontam para um futuro sombrio para o Brasil.

         Ao alimentar um problema dessa magnitude, por detrás dessa discrepância que cresce a cada ano, em todas as suas variantes, está presente o fenômeno da corrupção. Aceito por todos os analistas que tratam do assunto como um fenômeno endêmico, os esquemas de corrupção, seguramente, têm contribuído, sobremaneira, para o aumento das desigualdades no Brasil.

      Ao privilegiar certos grupos, geralmente os dirigentes do Estado, a corrupção fere o interesse público e a economia geral, desviando recursos preciosos que poderiam ser investidos no combate às desigualdades. É consenso que o aumento das distâncias entre classes sociais no Brasil, quer por concentração de renda, níveis de escolaridade e outros fatores, haverão de chegar à um ponto tal de descalabro e ebulição, que não se descarta a possibilidade de um ambiente de conflagração generalizada, com sérios riscos para a paz interna, para a democracia e para a estabilidade do país.

         Segundo o professor de História e de Relações Internacionais, do Instituto Federal de Sergipe, Rafael Araújo, “a longo prazo, esse cenário poderá levar à barbárie, pois não há sistema político e econômico que se sustente com um número tão grande de indivíduos totalmente à margem a sociedade”. Também o neurocientista português António Damásio, na obra “ A estranha Ordem das Coisas”, chama a atenção para o fato de que é necessário “educar massivamente as pessoas para que aceitem os outros” porque, no seu entender, “se não houver educação massiva, os seres humanos vão matar-se uns aos outros.” Somente pela educação, diz, é possível perceber nossos instintos mais básicos, como o de sobrevivência.

        Entregues à própria sorte e à mercê de circunstâncias sempre desfavoráveis, não será surpresa que, qualquer hora, milhões de brasileiros despossuídos até de sua dignidade, não venham a entornar o caldo secular das injustiças. O aumento da violência e de assassinatos – mais de sessenta mil a cada ano – já é um prenúncio desse tempo que se avizinha.

A frase que foi pronunciada:

“Os Governos devem estabelecer, como objetivo, assegurar a liberdade e a justiça, a educação e a saúde, criar igualdade de oportunidades, mobilidade social, reduzir ao mínimo a corrupção, mas não se imiscuir em temas como a felicidade, a vocação, o amor, a salvação e as crenças, que pertencem à esfera privada e nos quais se manifesta a feliz diversidade humana. Esta deve ser respeitada, porque toda tentativa de regulamentá-la sempre foi fonte de infortúnio e frustração…”

Mário Vargas Llosa

Charge do Lute
Charge do Lute

Susto

Nosso leitor Romano, de Sobradinho, conta que os moradores do lar São José e do Bezerra de Menezes estavam apavorados com a proximidade do acampamento dos Sem-Terra. Fogos, barulho, bagunça, mas, ao final, os idosos não passaram por maiores problemas, como a quebradeira esperada.

 

Foto: Francisco Nero/Jornal de Brasília
Foto: Francisco Nero/Jornal de Brasília

MP

Outra observação do Sr. Romano foi uma sugestão para pesquisa. Quantas pessoas do MST receberam terras e o que fizeram com elas. Na opinião do leitor, vai haver mais ilegalidades que o programa Minha Casa, Minha Vida.

Solução

Acidentes de caminhões que não cabem debaixo de pontes é comum por absoluta falta de criatividade. Em Melbourne, depois de muitos acidentes, a criatividade resolveu o problema. Antes que o caminhão passe por baixo da ponte, pequenos canos pendurados batem no veículo se ele estiver com a altura fora do padrão.

Veja mais em: www.heraldsun.com.au

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Era uma desorganização geral, nenhum planejamento, e a viagem, ida e volta, foi realizada entre conversinhas e intrigas, por falta de alguém, que deveria ser o sr. Ryff, para comandar os jornalistas. (Publicado em 27.10.1961)