Contraditoriamente Brasil

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VISTO, LIDO E OUVIDO, criada por Ari Cunha (In memoriam)

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Charge do Adão

 

Nossa imagem e o que pensam da gente aqueles que nos observam de fora e de longe, quase sempre não coincide com aquilo que pensamos de nós próprios. O motivo, dentre vários, é que acreditamos ser o que gostaríamos de ser e quase nunca o que somos de fato. No espelho do ego, nos vemos como nosso ego nos enxerga e não com as diversas fantasias que exibimos para parecermos um personagem aceitável perante a plateia. Assim acontece com o Brasil.

Observado do exterior, ainda é visto como um país tropical, exótico e violento, cheio de contradições, exibindo uma imagem que parece andar na contramão do mundo civilizado. Um país que, desafiando regras e impondo outras que parecem modernas, tenta, desesperadamente, esconder o medo de se mostrar ridículo aos olhos de todos. Também não parece ser exagero, já que muitos reconhecem que possuímos a classe política e dirigente mais cara e corrupta de todo o planeta, ao mesmo tempo em que mantemos os professores mais baratos do mundo e um alunado que dia após dia mantem e confirma sua posição na rabeira dos rankings internacionais que medem a qualidade do ensino público.

Para qualquer setor da vida pública do país que miramos nossa atenção, as contradições e o exotismo estão presentes. Condenamos e prendemos em nossas masmorras indivíduos envolvidos com rinha de animais, mas deixamos à solta criminosos de alta periculosidade. Editamos leis que protegem, dão abrigo e até planos de saúde para cachorros e gatos e desprezamos e condenamos nossos idosos e nossos cidadãos a morrerem nas salas de espera dos hospitais.

Do mesmo modo colocamos na cadeia quem corta uma árvore enquanto deixamos livres conhecidos personagens, madeireiros, garimpeiros e outros profissionais da terra arrasada, ao mesmo tempo em que concedemos a liberdade e o passe livre àqueles que derrubam e incendeiam florestas inteiras, contaminam as águas brasileiras, exterminam nossos rios ou matam nossos indígenas. Nas cidades, multam e prendem quem apresenta carros fora do padrão exigido, enquanto, deixamos de lado quem mata no trânsito. Proibisse fumar em lugar fechado, enquanto o consumo de drogas rola solto em cada esquina. Cracolândias são permitidas, intocadas, onde a cada dia um miserável morre sob os olhos da sociedade, tudo isso em pleno centro de nossas principais cidades. Enquanto isso, quem busca saúde, obrigação constitucional do Estado, morre nas filas e sofre com o mais alto grau de descaso. É justamente nas altas esferas que essas contradições se mostram mais surpreendentes, revelando nosso pendor pelo ridículo, pelo perigoso, pelo incorreto e pelo inusitado.

Os tribunais não se avexam em condenar a anos de prisão quem furta um tubo de pasta de dentes, mas encontra o mesmo argumento jurídico para colocar em liberdade aqueles que desviam bilhões dos cofres públicos. No quesito discriminação, somos imbatíveis.

Aceitamos que se condene ao ridículo, enxovalhe a honra com cusparadas de desprezo, figuras avaliadas como sagradas e veneradas pela maioria dos brasileiros, enquanto repreendemos com falso moralismo, quem ousa fazer pilhérias sobre as ditas minorias. É justamente esse Brasil que é visto e notado do exterior.

Um país em que o comerciante trabalha protegido por grades para não ser assaltado mais uma vez, e em que os criminosos, quando apanhados, passam a receber dos contribuintes um soldo mensal maior do que o salário mínimo. Quem desejar ter uma pálida noção sobre o que os estrangeiros pensam de nós, basta ler a última cartilha distribuída pela Embaixada dos Estados Unidos aos seus cidadãos, alertando para os perigos do Brasil inzoneiro.

Primeiro de tudo, é preciso manter a discrição, permanecer em alerta sobre o entorno, principalmente em locais frequentados por turistas. Para tanto, é preciso que os americanos, que ousem vir para o Brasil, revejam seus planos de segurança. Todo o cuidado é pouco.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Viva o Brasil

Onde o ano inteiro

É primeiro de abril.”

Millôr Fernandes, escritor, jornalista, cartunista, humorista brasileiro.

Foto: Daniela Dacorso/Bravo (exame.abril.com)

 

Sem comunicação

Sobre o inexistente número telefônico do HRAN, nosso assíduo leitor Renato Prestes esclarece que os telefones dos Centros de Saúde de Brasília não recebem ligações há um ano e meio. Verdadeiro descaso e desrespeito com a população.

Foto: sindsaude.org.br

 

Coincidência

Enquanto ouvia a notícia de que havia planos para resgatar Marcola da cadeia em Brasília, e que o PCC comprou várias residências de luxo pelo DF, nosso leitor foi ultrapassado por um carro com a placa PCC0001 em direção aos Jardins Mangueiral, na saída da ponte JK.

Foto: Ed Alves/CB/D.A Press

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Realizou-se a passeata da fome à porta da Câmara dos Deputados. A chuva não atrapalhou. Sabe-se que em Brasília há fome, há desemprego, para os empregados, e há dificuldades para os empreiteiros. (Publicado em 14/12/1961)

Tamanho é destino

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Charge do Amarildo

 

Não restam dúvidas de que o século XXI, que teve seu início oficial com a derrubada das Torres Gêmeas em setembro de 2001, já pode ser seguramente considerado um dos mais desafiadores para o futuro de toda a humanidade. As múltiplas questões a serem enfrentadas nesse início de século irão requerer, de todos os países do globo, esforços tão ou mais enérgicos do que aqueles realizados nos períodos das duas grandes guerras mundiais.
        É preciso salientar que nesse trabalho em busca de um prolongamento do futuro da espécie humana sobre o planeta, o Brasil, diferentemente de outras épocas, em que sua participação nos problemas mundiais foram periféricas ou sequer notadas, deverá ocupar lugar de grande importância, não sendo exagerado supor que, nesses grandes desafios que se apresentam, nosso país acabe adquirindo um protagonismo central. Continentalidade é destino e compromisso.
        Talvez esteja, nessa missão que se descortina, a oportunidade de acordar de vez o gigante adormecido em berço esplêndido. Para tanto, e apenas para manter essa questão no âmbito interno, a despeito do crescimento vertiginoso da população mundial versus a degradação do meio ambiente, dentro ainda de um contexto de aquecimento global, que papel caberá ao Brasil para dar sua contribuição efetiva à população no que parece ser a maior encruzilhada já experimentada pelos terráqueos? Eis aqui uma indagação que necessita ser respondida com rapidez e racionalidade necessárias diante da magnitude da questão.
        Obviamente que, seguindo uma sequência lógica e de prioridades, o que se impõe logo de saída é que o Brasil resolva de imediato seus grandes e graves problemas de ordem interna. A começar pela diminuição das flagrantes desigualdades econômicas e sócias existentes, não apenas pelo caminho fácil da distribuição de renda, mas, sobretudo, pela distribuição de oportunidades.
        Resolvido esse primeiro nó, a segunda investida deverá ser feita no campo da modernização da infraestrutura do país, dotando o Brasil continental daquilo que vem sendo adiado por séculos, que é a construção de uma malha moderna e eficaz de ferrovias que esquadrinhe o país de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Sem essas veias de aço, por onde corre o progresso, nada de concreto pode ser alcançado. Para alguns, problemas dessa ordem, que afligem o planeta, não devem constar da agenda de nossos governos que possuem outros planos mais imediatos e com curtíssimo prazo a cumprir.
       No entanto, para aqueles que têm acompanhado os rumos trilhados pela humanidade nesse início de século, mais cedo do que se imagina, o mundo carente e em busca de salvação irá bater à porta do Brasil. Ao se apossar de um imenso e valoroso pedaço do globo terrestre durante a Idade Moderna, os portugueses legaram, talvez sem saber, aos futuros habitantes dessa parte do mundo, um destino e uma missão ciclópica.
        Diante de um planeta que parece arder em chamas, caberá ao gigante gentil e dorminhoco estender a mão ao mundo, dando sentido a sua vastidão de terras.

 

 

 

 

A frase que não foi pronunciada:
Edir Macedo e Lula não têm nada em comum. Mas os seguidores dos dois são idênticos.”
Dona Dita, pensando com a pulga atrás da orelha.

 

 

Sem educação
O processo seletivo interno de tutores da Escola Superior de Magistério da FUNAB (Fundação Universidade Aberta do DF) foi cancelado por força de uma sentença da 7º Vara da Fazenda Pública do DF, originada por Ação Civil Pública apresentada pelo MPDFT, e mantida pelo TJDFT; atualmente este acórdão desafiou recursos aos Tribunais Superiores e aguardam decisão quanto a sua admissibilidade no STJ e STF.

Foto: Reprodução/TV Globo

 

Amigo
Limonge e sua fina pena nos corrige. Joaquim Barbosa não é ex-ministro do STF, mas ministro aposentado da Suprema Corte.

Foto: especiais.gazetadopovo.com

Bandeira branca
Por falar em correção, fomos acusados de não entender nada de Petrobras ao comentar a inércia da estatal diante do derramamento de óleo em 409 praias brasileiras. Talvez não entendamos mesmo. Mas avisamos aos navegantes que ninguém da equipe dessa coluna fez parte da organização daquele leilão fracassado, onde as impressões gerais se resumiram em decepção e competição fraca.

Foto: exame.abril.com


Futuro próximo
Assuntos importantes serão discutidos pela cúpula dos BRICS, no dia 13. A secretaria executiva da Confederação Nacional da Indústria tratará das parcerias para viabilizar o comércio descomplicado entre o bloco além da regularização de patentes. O diretor de Desenvolvimento Industrial da entidade, Carlos Abijaodi, acredita no sucesso do encontro.

Foto: brics2019.itamaraty.gov

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA
Mas eu já sei que o senhor está pensando nisto. Pois olhe. O outro lado não dorme. Já há a tese de que o regime parlamentarista só funciona em região demográfica que abranja dez por cento da população do país. (Publicado em 06/12/1961)

O continente treme

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Foto: Protesto no Chile (Ivan Alvarado/Reuters)

 

Ao caminhar para o encerramento de 2019, o Brasil terá que mostrar ainda mais equilíbrio e bom senso no âmbito político, econômico e institucional caso tenha que se posicionar como mediador confiável das diversas crises que, nessas últimas semanas, se instalaram simultaneamente ao seu redor em todo o continente.

É sabido que, por sua importância geopolítica no Continente Sul Americano, o Brasil possui, quase que como missão estratégica, o intuito de cuidar para que seus vizinhos encontrem o caminho para uma convivência harmoniosa. Os desequilíbrios nessa região acabam por refletir internamente no Brasil, afetando não só parte de sua economia, mas trazendo problemas de outras naturezas.

O caso dramático que vem ocorrendo na Venezuela, com milhões de refugiados que fogem da fome e das perseguições políticas, demonstra a necessidade de um acompanhamento diuturno das condições internas nesses países da vizinhança. Nesses últimos dias, as tensões em vários países do continente aumentaram de forma significativa e acenderam a luz vermelha dentro do governo Bolsonaro, mostrando que boa parte da região parece assistir a um momento de escalada de crises sistêmicas, com turbulências políticas e grande pressão das ruas.

Além da Venezuela, que vive um momento particular de crise humanitária e falência total do Estado, a Argentina, por conta de uma crise financeira que já se arrasta por mais de uma década, corre um sério risco de se ver, mais uma vez, nos braços de um governo do tipo populista, de viés esquerdista, num retorno que parece cíclico e trágico a um passado perdido no tempo. Na Colômbia, o ressurgimento das Farc, possivelmente impulsionado pela Venezuela, promete voltar aos tempos de guerrilha, colocando fogo na região fronteiriça entre Brasil e Venezuela, o que também pode levar a um recuo no tempo, quando esses narcoguerrilheiros detinham parte do território, como um país paralelo. No Equador, os conflitos entre a população e o governo de Lenín Moreno, por conta do decreto que cancela os subsídios aos combustíveis, uma exigência do Fundo Monetário Internacional, tem chamado a atenção do mundo. No Peru, os especialistas apontam a atual crise como sendo uma das maiores de toda a sua história, com a maioria dos ex-presidentes investigados por conta dos casos de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht e como resultado da Operação Lava Jato que se espraiou suas práticas criminosas por nada menos do que 49 países do continente, sob a tutela e orientação do Partido dos Trabalhadores. Houve até fechamento do Congresso que se opunha às investigações.

No Chile, as turbulências têm levado milhares de manifestantes às ruas, em conflitos com as forças armadas e um saldo, até o momento, de 15 mortos. Diversos são os motivos dessa revolta: desigualdade social e econômica, concentração de renda, aposentadoria privada, queda nos preços do cobre, desvalorização do peso chileno, além do aumento nos transportes públicos e outros itens. Na Bolívia a tensão vai aumentando a cada dia, ocasionada pelas fraudes nas eleições para presidente. O atual mandatário, Evo Morales, espera se sagrar vitorioso para seu quarto mandato. Sobre o Tribunal Eleitoral daquele país, pesam sérias suspeitas de fraudes. Observadores internacionais já declararam sua desconfiança de que nessa eleição atual está ocorrendo uma série de irregularidades, acobertadas propositalmente pelas autoridades. Os dois lados nessa eleição estão a um passo de iniciarem um conflito com graves previsões para o futuro. No Uruguai, a crise financeira, a proximidade das eleições e as reiteradas críticas feitas por políticos ao antigo regime militar vêm num crescendo que pode, a qualquer momento, acirrar os ânimos e levar esse país fronteiriço a uma instabilidade institucional, com sérios riscos, inclusive para o Brasil.

Além desses países, outros aqui não mencionados como a Nicarágua e o próprio México, na América Central, também atravessam fases delicadas que ameaçam a estabilidade do continente, com repercussões diretas e indiretas sobre o Brasil.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Escrever a própria essência, é contá-la toda, o bem e o mal. Tal faço eu, à medida que me vai lembrando e convindo à construção ou reconstrução de mim mesmo.”

Machado de Assis, escritor brasileiro.

Foto: escritas.org

 

Uber

Mais de uma vez, os assaltos a motoristas de Uber foram com chamadas para igrejas depois das 22h. Essa mentira é um dos sinais de perigo.

 

 

Celíacos

Atrasada, ineficiente e ineficaz é a legislação brasileira em relação aos celíacos. Está na hora de aparecer um parlamentar que enfrente a indústria de alimentos. Os rótulos nem sempre correspondem à verdade. A doença celíaca é autoimune. Por enquanto, o único tratamento é a dieta restritiva. O diagnóstico tardio é um perigo para o paciente. Restaurantes, empresas aéreas, indústrias alimentícias, precisam ser responsabilizadas na falha da prestação das informações sobre o assunto. Veja mais informações nos links: FENACELBRA, Mayo ClinicNational CeliacDeutsche Zoliakie Gesellschaft.

Imagem: fotosantesedepois.com

 

 

Novidade

Há uma pesquisa em desenvolvimento na Universidade de Northwestern, nos Estados Unidos, que mostrou que é possível induzir a tolerância ao glúten em pessoas com a doença celíaca (desordem autoimune que provoca inflamação no intestino delgado e outros problemas relacionados a isso). Ontem foi a apresentação da novidade na European Gastroenterology Week, conferência que acontece em Barcelona.

 

 

Brasil

No evento, onde Sebastião Salgado recebeu o Prêmio da Paz dos Livreiros Alemães, em Frankfurt houve choro, riso e declarações de amor à Lélia. Sebastião Salgado é o primeiro fotógrafo a receber a honraria que já agraciou Vaclav Havel, Jürgen Habermas, Susan Sontag e Margaret Atwood. Os principais jornais alemães deram bastante destaque ao evento.

Foto: Kai Pfaffenbach/Reuters

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Já que estamos no Banco do Nordeste, mais uma: o sr. Alencar Araripe mandou abrir concorrência para a compra de geladeiras para as agências de Recife, Maceió e Aracaju. Para esta concorrência, foram convidadas firmas dessas três capitais, e da cidade de Crato.  (Publicado em 03/12/1961)

Reparando os danos

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Edifício sede do Mercosul (Foto: mercosur.int)

Com as prioridades impostas pelo petismo nas relações internacionais do Brasil, voltadas para o eixo Sul-Sul, com atenção especial para nosso continente e a seguir para os países africanos e do Oriente Médio, surgiram novos blocos como Brics, Unasul, Celac e outros de importância mais ideológicos do que práticos e econômicos.

A reanimação de um bloco como o Mercosul, uma entidade até então natimorta, entrou também na mira do governo, apenas sob o ângulo de afinidade ideológica. Com o desmanche no ar do petismo, transmutado em lulismo, o que ainda era sólido naquele governo foi se juntar no transatlântico à deriva, que se tornaram as esquerdas mundo afora, principalmente aquelas que ficaram presas nos anos sessenta, quando o tempo era outro e o mundo, obviamente, era outro também.

Desfazer mais de uma década de equívocos nos mecanismos complexos das relações internacionais não será tarefa das mais fáceis. Nesse sentido, e abrindo aqui um parêntese, a pretensa nomeação de um consanguíneo do atual presidente para o mais importante posto das relações internacionais, conforme tem sido anunciado, atrapalha muito esse processo de reparo nos estragos feitos e não ajuda, absolutamente, no processo do chamado concerto das nações em que o Brasil, num passado recente, ocupou lugar de destaque. Ainda é cedo para avaliar, com mais acuidade, a nova orientação que vem sendo dada às relações do Brasil com as outras nações.

Mas uma questão, nesse momento, também se impõe: é preciso aprender com o passado recente e não repetir os mesmos erros que levaram essas relações a trilhar um caminho de fundo ideológico com o sinal trocado, obrigando esse ministério a seguir numa direção com viés de direita. Antes de tudo é preciso retirar esse ministério de orientações político-partidárias do momento, livrando esse importante serviço para o País as amarras da pequena política. Pelo o que se tem visto, não será tarefa fácil. Para tanto, a ideologia deverá ser substituída pela razão. Uma razão de Estado, conforme é visto em todo o mundo desenvolvido do Ocidente. Claro que não baseada apenas em aspectos materiais e quantitativos e na busca cega pelo lucro a qualquer preço, o que nos forçaria a retornar ao período do mercantilismo do século XVI, dos superávits e do protecionismo. Pelo o que se tem visto, lido e ouvido do atual ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, não se pode mais estabelecer uma política externa num terreno cercado de grades (ideológicas) onde a razão e pensamento livres não penetrem. Para tanto, em sua opinião, é preciso, antes de tudo, não limitar o raciocínio a definições de ideologias e aprender a escutar a Nação brasileira para se fazer uma política externa em consonância com o que necessita e deseja sua população. Para ele, é necessário, antes de tudo, entender nossos paradigmas e nossa identidade para depois nos relacionarmos com o mundo.

Ao retomar a sua identidade, o Brasil pode, na visão desse ministro, trazer, para as suas relações externas, um novo enfoque num mundo globalizado que não é construído a partir das nações, onde não há fronteiras e onde todos parecem ter perdido sua própria personalidade.

Nesse contexto de globalização, desenfreada e irracional, é preciso, em seu entender, que o Brasil reafirme sua posição em prol de um mundo composto de povos com pretensões e desejos nacionais, com liberdade de ideias dentro da política externa, com soberania e contra essa “geleia geral” onde não há fronteiras e identidades de seus povos. “A independência nacional, evidentemente, foi conquistada em 1822 e não parece estar diretamente ameaçada. Então, às vezes, a gente se pergunta por que esse princípio continua figurando na Constituição, mas acho que o Constituinte de 1988 foi muito sábio nesse sentido, porque a independência não se trata apenas da independência jurídica, mas precisa ser uma atitude, tem que ser uma independência, por exemplo, em frente aos dogmas politicamente corretos que em muitos setores tendem a presidir o relacionamento internacional; tem que ser uma independência frente a essa ideologia de apagamento das fronteiras e de encerramento das nações; tem que ser também uma independência no sentido de capacitar a nossa economia com mais tecnologia, mais investimento, investimento privado gerando abertura econômica, mais competitividade, mais eficiência e inovação”, afirmou o ministro.

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Em todas as eras, a humanidade produz indivíduos demoníacos e ideias sedutoras de repressão. A tarefa do estadismo é impedir sua ascensão ao poder e sustentar uma ordem internacional capaz de dissuadi-los, se conseguirem alcançá-lo ”.

Henry Kissinger, diplomata dos Estados Unidos

Foto: rocco.com

 

 

Ari Cunha

Será na quarta-feira a missa de um ano sem nosso titular nessa coluna. Na Paróquia São Francisco de Assis, SGAN 915, às 19h.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Brasília está ameaçada pela eleição para vereadores. No regime presidencialista, defendíamos a tese do voto, pelo cidadão brasiliense, apenas para presidente e vice-presidente. (Publicado em 26/11/1961)

Relações contaminadas

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Foto: Infoglobo

 

Um dos passivos, e talvez um dos mais nefastos, gerado pelos treze anos de governo petista, com suas pretensões extemporâneas de reerguer o Muro de Berlim, pulverizado com o fim da União Soviética, incidiu, sobremaneira, sobre as relações exteriores do Brasil com o restante do mundo.

A nova reorientação nessas relações imposta de cima para baixo, desprezando mais de um século de experiências acumuladas nesse complexo ofício, fazendo o país voltar as costas para seus antigos parceiros, mais do que desconstruir, da noite para o dia, esse intrincado relógio, levou-nos a uma posição de unilateralidade, de onde passamos a enxergar apenas parceiros ligados e simpáticos ao governo de turno. Com isso, foi estabelecida uma nova metodologia nas relações com o exterior, na qual o que importava agora não eram os benefícios reais para o Brasil, mas uma construção abstrata que fazia do Brasil uma espécie de farol a guiar o imenso transatlântico à deriva que se tornou o mundo bipolarizado depois de 1989.

Obviamente que, numa posição como essa, os ônus para o Brasil em suas relações com o restante do mundo seriam, como a prática assim confirmou, muito maiores. O que amainou e tornaria esses estragos um pouco menores, num primeiro momento, foram fatores alheios a essa reorientação de viés ideológicos e mais fincados no mundo real e representados, principalmente, pelo boom nos preços das commodities. Não fosse por esse momento insólito, propiciado pelas exportações de produtos in natura, e que traria um certo alívio nas finanças públicas, dificilmente o Brasil suportaria a continuação dessa orientação requentada de terceiro mundismo.  Como parte didática desse novo Ministério das Relações Exteriores que nascia, artificialmente, de fora para dentro, foi providenciada uma espécie de cartilha ou catecismo a ser seguido pelos profissionais desse métier.

Até mesmo o titular da pasta, num gesto inusitado e sintomático, filiou-se ao partido do governo, transformando-se num executor, dentro do ministério, das diretrizes do partido, alheio, portando, aos interesses do Estado. O preço pago pelo País, por conta dessa nova reorientação, poderia até ser medido em termos quantitativos como, por exemplo, no atraso do programa espacial, no que diz respeito ao mercado de satélites de telecomunicações, entre outros passivos. É de se salientar também que, para os planos puramente materiais de nosso País, o novíssimo modelo adotado pelas relações exteriores resultou numa transferência de bilhões de reais, por meio de um BNDES ardilosamente remodelado para atuar no exterior, aos países que comungavam o mesmo credo e que, como é sabido, não honraram, até hoje esses “empréstimos”.

Os prejuízos mais significativos, e talvez mais duradouros, viriam com a perda de credibilidade perante o mundo, construída, a duras penas, ao longo de mais de um século de diplomacia. Deu no que deu.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“Antes mesmo das reformas política, tributária e previdenciária, o Brasil precisa é de uma reforma psicanalítica”.

Nelson Motta, jornalista brasileiro

Foto: Reprodução/Instagram

 

 

Belo dia

Uma beleza passar o dia no Jardim Botânico. Belas trilhas para seguir pedalando. O porteiro e outros funcionários muito educados, brinquedos diversificados para a meninada, latas de lixo para manter o ambiente saudável. Apenas os banheiros estão em estado deplorável: velhos e sem manutenção. Com pouca verba, é possível uma restauração. Nenhuma depredação no local.

Foto: curtamais.com

 

 

Institucional

Um batalhão de servidores públicos do Judiciário, do Legislativo e do Executivo, tanto federal quanto distrital, aposentado. São pessoas experientes que muito têm a contribuir com o país e com a capital. É hora de termos um conselho de notáveis para ser ouvido pela sociedade.

 

 

 

Regras

Governador Ibaneis Rocha disse que população não admite o pagamento de um salário de R$ 17 mil para o jardineiro da Novacap. Quem não deveria admitir é o GDF. A Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) faz pente fino nas folhas salariais das empresas públicas, e cargos de diretores também extrapolam a linha do bom senso quanto ao pagamento. O que vai ser feito não foi anunciado.

Foto: jornaldebrasilia.com.br

 

 

Exposição

Hoje e amanhã Felipe Morozini (A cidade inspira – Palavras) e Jean Matos (Pulso), apresentam Itinerante em Casa. Na Praça Central do Casapark. Veja mais detalhes a seguir.

 

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Lamentamos o ocorrido, e louvamos a atitude da Sousenge, prometendo pagamento de cem por cento. Gente honesta, que se meteu num bom negócio, que de uma hora para outra se transformou, por causa do governo inimigo de Brasília, em grandes dificuldades. (Publicado em 25/11/1961)

Dois Brasis

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Charge do Sans

 

Tivesse vivo hoje, o saudoso escritor e dramaturgo Dias Gomes (1922-1999) por certo teria acompanhado de perto todo o desenrolar dos acontecimentos políticos, sobretudo os episódios iniciados com a eclosão dos escândalos do mensalão, trazidos pela CPI dos Correios.

Por certo, o famoso novelista ficaria surpreendido com a capacidade demonstrada pela realidade nacional em ultrapassar, em emoção, suspense e non sense, os mais inventivos textos da ficção mundial. Nem mesmo o realismo fantástico, mais inspirado, teria tamanha capacidade criativa para compor aquela imensa trama que passou a se desenrolar como um verdadeiro folhetim na frente de milhões de brasileiros.

A sucessão de fatos e denúncias, que iam surgindo em ritmo veloz, mostrava a realidade nua e crua da corrupção do Estado, elevada ao extremo e explicitada nos seus mais sórdidos detalhes. Dinheiro, malas, cuecas, amantes, festas, mortes, traições, volúpia, ganância e todo o rol das misérias humanas ia sendo ali exposto, as vezes com uma naturalidade só vista mesmo em tramas do teatro fantástico.

O quão surreal era esse Brasil que desconhecíamos. Para o autor de roteiros como O Bem-Amado, Pagador de Promessas, O Rei do Rio, Roque Santeiro, Saramandaia e outros grandes sucessos de bilheteria, crítica e público, o Brasil visto por dentro, a partir do ângulo de observação desses protagonistas políticos, era uma verdadeira mina de ideias, capaz de gerar um conjunto fabuloso e inesgotável de roteiros.

Quanta riqueza literária haveria na miséria de nossa política, no mau caratismo de nossas lideranças, na vileza daqueles que tinham como função administrar o bem público? Difícil saber. Mesmo que não tenha acompanhado em vida esse período fervilhante de nossa história, o Brasil desenhado anteriormente por Dias Gomes, em muitos de seus textos, já acenava para a possibilidade da existência desse país em algum lugar no tempo e espaço.

O que as investigações vêm mostrando em capítulos, que ainda não chegaram ao fim, é a existência de dois Brasis que convivem há séculos, de forma paralela e distinta. Visto por dentro, em suas entranhas, há o Brasil da ficção, a abrigar gerações de lideranças políticas desconectadas com o restante do país.

Observado por fora, longe dos muros oficiais, há o Brasil do neorrealismo, com sua crueza e desesperança histórica. Dois Brasis tão desiguais e tão impensáveis. Mesmo para o talento e a prosa de um Dias Gomes.

 

 

 

A frase que foi pronunciada:

“O homem de sucesso é o que viveu bem, riu muitas vezes e amou bastante; que conquistou o respeito dos homens inteligentes e o amor das crianças; que galgou uma posição respeitada e cumpriu suas tarefas; que deixou este mundo melhor do que encontrou, ao contribuir com uma flor mais bonita, um poema perfeito ou uma alma resgatada; que jamais deixou de apreciar a beleza do mundo ou falhou em expressá-la; que buscou o melhor nos outros e deu o melhor de si.”

Robert Louis Stevenson (1850-1894), autor de A Ilha do Tesouro e O Médico e o Monstro.

Foto: biography.com

 

Escândalo

Prometi preservar as fontes e assim o farei. Acontece que no Executivo, Legislativo, Judiciário e autarquias, funcionários sofrem com roubo de pertences dentro do próprio trabalho. Até a comida guardada na geladeira, some. Nossa fonte, bem-humorada, disse que escreve na embalagem antes de resfriá-la: “órgão para doação”. Os superiores sabem que isso ocorre, muitos deles já receberam a comunicação sobre o assunto. Mas sempre há coisas mais importantes a fazer e os larápios profissionais continuam livres para aprontar na seção.

 

 

Sem conversa

Estacionamento do Venâncio 2000 não considerou a última segunda-feira, dia 04/03, feriado para cobrar menos. Alunos de cursos ficaram assustados tendo que pagar em torno de R$60 reais para deixar o carro enquanto estudavam.

Foto: venancioshopping.com.br

 

Antigamente

Leitor conta que resolveu aproveitar o carnaval para jogar a papelada fora e encontrou várias contas pagas em caixa eletrônico onde o papel térmico já não comprova nada. O tempo levou os números.

 

 

Cuidado! Perigo.

Por falar nisso, é bom lembrar nossos leitores que o bisfenol é um químico presente nos papeis usados para recibos de cartão de crédito e débito. O mesmo BPA das embalagens e garrafas plásticas fazem mal à saúde. A pesquisa condenando o composto químico no contato humano foi publicada no The Journal of the American Medical Association (Jama), um dos mais importantes da área médica no mundo.

Foto: agencia.fapesp.br

 

Aplicativos

10 softwares desenvolvidos, pelos alunos e professores da UnB, auxiliam pessoas autistas ou com qualquer problema de alfabetização e aprendizagem. São todos gratuitos.

Link para baixar os aplicativos: http://www.projetoparticipar.unb.br/

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Atendendo a uma denúncia nossa, o IAPFESP está publicando edital para concorrência pública dos gêneros que sobraram com o fechamento de sua cantina. (Publicado em 14.11.1961)

    Vaidade. Tudo é vaidade

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Com Mamfil e Circe Cunha

Fosse analisado apenas à luz da psicanálise, o parecer apresentado agora pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, para deferir, num voto de minerva, o pedido de habeas corpus, apresentado por José Dirceu, revelaria, por trás das falsas filigranas jurídicas, um juiz , cujo narcisismo e o ego gigante, o faz crer estar no mais alto das colinas, de onde contempla a humanidade que vaga no escuro da ignorância.

Ninguém deve se atrever a desprezar o impecável currículo do magistrado. Mas há algo no meio jurídico onde os responsáveis não são os mestres.

Ao se referir ao trabalho dos Procuradores da República como “brincadeira juvenil”, feita por “jovens que não tiveram a vivência institucional” ,Gilmar Mendes criticou, num discurso de fundo moralista, a insistência a com que o procurador Deltan Dallangnol vem atuando para manter no cárcere criminosos contumazes . “Se cedêssemos a esse tipo de pressão, deixaríamos de ser o STF”, disse o ministro, para quem “ o Supremo deu uma lição ao Brasil”.

A pressão ao qual o ministro se refere é, no mínimo, a mais legítima e legal das pressões, já que emana também de um braço da Justiça. Justamente aquele que mais a fundo , conhece por dever de ofício investigativo , as atividades criminosas e as ardilesas de José Dirceu, o verdadeiro cérebro por trás do lulopetismo.

Causa estranheza para muitos que às vésperas de fechar as negociações para um possível acordo de deleção premiada, o ex-homem forte do governo Lula, tenha conseguido um relaxamento de sua prisão. O que não causa surpresa alguma é a atitude adotada pelos ministros Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli a não se declararem impedidos de votarem no processo por suas ligações históricas e mesmo subalternas ao Partido dos Trabalhadores.

O que fica evidenciado neste julgamento, mesmo para os mais leigos dos cidadãos, é que já não é mais possível aceitar pacificamente que os membros do STF sejam escolhidos diretamente pelo Presidente da República. Este modelo, pelo que se tem visto desde os julgamentos do mensalão, e pelo que vai se anunciando nos escândalos em curso do petrolão, tem, insistentemente, se mostrado parciais e tendenciosos.   Justificativas jurídicas para este ou outras decisões e comportamentos polêmicos, sempre se acharão no oceano das leis. O que nunca haverá de se achar é a sintonia do que pensa e acreditam os cidadãos e as discutíveis decisões de muitos juízes, aprisionados entre o que desejam os brasileiros que lhes garante os proventos e aqueles políticos que lhes franquearam o alto cargo.

 

A frase que não foi pronunciada:

“ Caráter é adquirido  com experiência no STF?

Pergunta da senhora Democracia

 

Cuidados

O que alguns síndicos não sabem é que reformas na fachada faixa deve ser comunicada ao arquiteto autor da obra. Se em Brasília alguém se interessar por esse tema, terá material farto. O Código Civil dita no artigo 1336: “São deveres do condômino: III – não alterar a forma e a cor da fachada, das partes e esquadrias externas”

 

Alfinetada

Novamente denúncia de assédio sexual no metrô. Lembro da Júlia ensinando a filha Rosana a espetar com alfinete de fralda qualquer tarado que se atrevesse a encostar nela. Deu certo. O intento era bruscamente interrompido com uma literal alfinetada.

 

Registros

Brotam  a todo momento comentários na Internet sobre o STF . Homer Itaquy observa: Realmente os “meninos”de Curitiba não têm a experiência que um membro do STF tem.

 

Em boa hora

Empresas em débito tributário terão chance de regularização. Uma Medida Provisória foi aprovada no Senado criando o Programa de Regularização Tributária para empresas em débito.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Ademais, o edifício para onde se mudaria o Ministério, é de propriedade da Comissão do Vale do Rio Doce, que é subordinada ao Ministério das Minas e Energia. Não tem água, luz, esgotos nem telefones. Como está, a própria Prefeitura não poderá dar o “habite-se”. (Publicado em 27/09/1961)

ARI CUNHA – Visto, Lido e Ouvido

Publicado em Íntegra

Desde 1960

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Asas da liberdade

Com a reabertura democrática,os movimentos sociais sufocados por duas décadas de opressão vieram à tona com toda a força, deflagrando pelo país as mais variadas reivindicações. Primeiro pela liberdade de organização e de sindicalização.

Realizada esta etapa, seguiram-se agitações por reposições salariais, planos de carreiras e outros auxílios diversos. Desse tempo ficou a esperança de que, para o funcionalismo público, se abririam dias de bonança. Passada esta fase “juvenil” de nossa democracia, depois de igual período experimentando o regime de liberdades plenas, outras e novas questões surgiram no rol reivindicações da categoria.

Para os professores, em especial, a realização de uma ou duas greves anualmente, deixou claro que algo errado persistia com a classe. A almejada liberdade, onde tudo seria conquistado pela pressão desses profissionais, não trouxe as melhorias sonhadas. As escolas continuaram no seu lento processo de sucateamento, os ganhos salariais obtidos numa ponta, foram facilmente corroídos no outro extremo pelos efeitos da inflação em cadeia. As vitórias do dia anterior eram facilmente ultrapassadas pela realidade do dia seguinte.

A mesmice das greves, entronizadas no cotidiano de alunos e pais, só fez crescer o processo de decadência acentuada do setor educacional.

Desmotivação e professores cada vez menos preparados para a função foi o que restou de anos de paralisações.

Sem outra razão para existir do que fomentar greves relâmpagos, restou aos sindicatos o papel de piromaníaco das relações trabalhistas.

Rapidamente alguns professores mais lúcidos começaram a perceber que neste labirinto não  havia saída  nem solução possíveis .

O problema da educação pública de qualidade é muito superior às questiúnculas sindicais imediatistas e de cunho ideológico partidário.

Definitivamente não há solução possível via greves e interrupções sistemáticas de aulas. Passou da hora de o governo Rollemberg tomar a dianteira em relação ao restante do país e buscar conjuntamente a solução definitiva ou de longo prazo para os muitos problemas do ensino público.

Propostas, como a mudança no método de custeio do ensino, através da adoção do financiamento do sistema com base em valores per capita  de cada aluno efetivamente matriculado e frequente, poderiam ser discutidas.  Em outras palavras, os recursos para bancar escolas e professores viriam de cada aluno financiado pelo governo. Os recursos ficariam sob a administração de cada regional que aplicaria diretamente em suas escolas.

A Secretaria de Educação precisa cortar as gorduras, assim como o restante da burocracia perdulária e inoperante. A autonomia das escolas daria sentido ao sistema da meritocracia, premiando as boas escolas e reorientando aqueles estabelecimentos menos capazes. Enfim, livrando as escolas da intromissão política dos governos e de quebra libertando os professores da opressão dos sindicatos.

A frase que não foi pronunciada

“A gratidão tem memória curta.”

Benjamin Constant

Posse

Com 37 anos, o oncologista Gustavo Fernandes vai dividir a tarefa de dirigir o Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês(Unidade Brasília), e a presidência da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. No discurso da posse na SBOC, o especialista em tumores gastrointestinais declarou que está pronto para trabalhar para que a entidade seja um modelo para o país.

Verdade

Quem sempre teve ojeriza de imitar americanos agora compra a briga pela legalização do aborto agradando a multinacionais que gargalham frente às facilidades da corrupção no Brasil. O juiz que autorizou o primeiro aborto nos EUA, no caso Roe contra Wade, carrega o arrependimento por toda a vida. Ele disse que, se naquela época os aparelhos de imagem fossem tão avançados como os de hoje, jamais permitiria o assassinato intrauterino. Não faltam vídeos no YouTube mostrando o esforço dos bebês para sobreviver aos ataques patrocinados pela própria mãe.

Em nada

Com a timidez de sempre, os tucanos criticam a pizzada da CPI do BNDES. Deputados do PSDB comentaram sobre a falta de acesso aos documentos e ingerências políticas no processo. De acordo com o Coaf, as operações suspeitas somam R$ 500 milhões.

Memória

Foi só chegar às empresas telefônicas, pagar R$ 600 pelo extrato de ligações de quem quer que seja. Senadores já compraram o próprio sigilo telefônico. O senador Álvaro Dias conferiu a lista das próprias ligações. Estava certa. O deputado Gustavo Fruet também checou. Só o então senador Aloisio Mercadante disse que as informações eram falsas. O fato ocorreu em 2008.

Perigo

Que rigor é esse? 520 mil toneladas de agrotóxicos consumidos em 2014 no Brasil. Enquanto o mundo inteiro proíbe vários tipos desse do produto, o nosso país recebe sem burocracia. Os rios vão sentindo o impacto.

História de Brasília

O   Ministro Pedroso Horta foi o primeiro a tomar conhecimento da decisão do sr. Jânio Quadros, mantendo, entretanto, segredo absoluto. (Publicado em 26/8/1961)