Cinzas do passado

Publicado em ÍNTEGRA

ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

Desde 1960

com Circe Cunha e Mamfil;

colunadoaricunha@gmail.com;

Foto: exame.abril.com.br/brasil(Ricardo Moraes/Reuters)
Foto: exame.abril.com.br/brasil(Ricardo Moraes/Reuters)

          Do incêndio que devastou o prédio do Museu Nacional, levando consigo boa parte do acervo material que conta a história do Brasil, pouquíssimos vestígios, perdidos entre os escombros carbonizados, restaram para compor parte essencial de nossa memória relativa ao Brasil pré-colonial. Com isso, ficou ainda mais difícil saber, com certa precisão, como era o Brasil antes da chegada da esquadra trazendo os navegadores portugueses. Boa parte da riqueza cultural pertencente a esses primeiros habitantes da terra e que são fundamentais para o levantamento arqueológico e antropológico, capaz de dar coerência científica à essa proto-história, desapareceu em questões de horas. Se já era difícil montar esse intrincado quebra-cabeças, composto de pequenas e delicadas peças, com o sinistro, essa tarefa tornou-se praticamente impossível.

       Ao lado dessa catástrofe irreparável para o entendimento de nossa formação cultural, resta esperar que as perícias feitas, tanto pela Polícia Federal quanto pelos pesquisadores do Museu, possam trazer conclusões precisas que indiquem concretamente não só as responsabilidades de cada um nesse episódio, mas também como resgatar dos montes de entulho queimado pequenos objetos que ainda sirvam como acervo histórico.

         Para os cientistas, há a possibilidade de que pequenos objetos como os zoólitos indígenas, feitos de pedra ou osso, tenham sido preservados do fogo, assim como alguns poucos objetos de cerâmica que tenham eventualmente sido cobertos pelos escombros. A maior parte dos materiais extraídos dos chamados sambaquis, com mais de seis mil anos de existência e que fornecem pistas sobre esses povos primitivos, foi praticamente perdida.

Peças do acervo indígena do Museu Nacional em exposição no DF (Foto: Arquivo pessoal)
Peças do acervo indígena do Museu Nacional em exposição no DF (Foto: Arquivo pessoal). g1.globo.com/rj

            Para os estudiosos, a perda de grande parte desse acervo de sambaquis, considerado o maior do mundo, é uma verdadeira tragédia para o povo brasileiro e para o país e deixa-nos, de certa forma, sem identidade histórica e sem as pistas que nos conduziam seguramente de volta ao nosso passado.

    Peças antigas de cerâmica marajoaras, provenientes de povos antigos de cultura refinada e que foram dizimados em contato com os europeus, também podem ter desaparecido para sempre, o que abrirá uma grande lacuna para entender parte de nossa formação histórica. A questão de como saber, cientificamente, como era a Amazônia pré-colonial tornou-se ainda mais complicada. Itens frágeis que contavam a história indígena, como adornos de penas, materiais de palha, pequenos tecidos e artefatos de madeira também se perderam no incêndio e levaram consigo as pistas que identificavam essas importantes culturas.

          Com o incêndio, parte dessa recuperação da nossa memória também foi lambida pelas chamas. Reconstruir um acervo dessa magnitude, iniciado há quase dois séculos pelo próprio imperador D Pedro II e que se tornou o mais importante do país, já não é possível de forma alguma. Para os pesquisadores e para todos os que se interessam pela verdadeira história do Brasil, o incêndio do Museu Nacional queimou muito mais do que os registros de nosso passado, reduzindo a cinzas principalmente a identidade do Brasil, tornando ainda mais difícil, para todos nós, ir rumo ao futuro sem parte do passado.

A frase que foi pronunciada:

“Um grande sacrifício é fácil, os pequenos sacrifícios contínuos é que custam.”

(Goethe)

ICTCor

Quem manda a notícia é Tamara da Destak Comunicação. Os portadores de marcapasso serão recebidos no auditório do hospital Anchieta, no dia 20 de setembro. Além de palestras várias atividades serão desenvolvidas no local, além da distribuição de uma cartilha sobre o assunto. A iniciativa é do Instituto do Coração de Taguatinga.

Amarelo

Várias iniciativas de prevenção ao suicídio até o final de setembro em Brasília. Veja as diversas programações no blog do Ari Cunha.

>>> Professor da UnB que dá aula sobre felicidade faz palestra de prevenção ao suicídio

Palestra: A busca da felicidade como prevenção da ansiedade e da depressão

Quando: terça-feira (11), às 8h

Local: Auditório do ParlaMundi da LBV

Endereço: Quadra 915 Sul, Lote 74 – (Ao lado do Templo da Boa Vontade)

Entrada gratuita

Telefone: (61) 3114 – 1070

Roda de conversa no HUB

Quando: quarta-feira (12), às 13h

Local: Auditório 1 do HUB

Endereço: SGAN 605, Av. L2 Norte

Entrada gratuita. Não é preciso se inscrever.

(Link de acesso à notícia na íntegra: g1.globo.com/df/SetembroAmarelo)

>>> A Associação Médica de Brasília (AMBr) apresenta:

Cartaz: facebook.com/AMBr.DF
Cartaz: facebook.com/AMBr.DF

PEC-AMBr: Suicídio: Conhecendo para Prevenir
📆: 20 setembro
: 19h às 21h
📍: CACC – Associação Médica de Brasília
🔖: Entrada Franca (inscrições em: www.pecambr.com.br)
Outras informações: (61) 2195-9706 / 16

Nova medicina

Só notícia boa. É a ideia que Rinaldo de Oliveira semeia há anos. Vale conhecer o trabalho do jornalista. Ontem soube pelo portal que Manuela Lemos, estudante de medicina que atende em uma unidade de saúde em Belém do Pará, resolveu o problema de um paciente analfabeto. Usou fitas adesivas para marcar a embalagem dos medicamentos e na receita colou os mesmos adesivos descrevendo o horário da administração do remédio. Inteligência, boa vontade e solidariedade em uma futura médica.

Veja o link da notícia no blog do Ari Cunha: Analfabeto tem receita adaptada por estudante de medicina.

Foto: Reprodução/Twitter/Gabriela Lemos
Foto: Reprodução/Twitter/Gabriela Lemos

Eneagrama

Leonardo Martins de Oliveira abre novo grupo para discutir o Eneagrama e seus mistérios harmoniosos e pessoais. Trata-se de uma ferramenta que abre a caixa misteriosa dos padrões da personalidade. Inscreva-se!

Telefone: (61) 9 9908-7288.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Para que essas casas tenham sido construídas, deve haver um alvará autorizado por alguém, e para maior respeito do Plano Piloto é preciso que se definam as responsabilidades. (Publicado em 29.10.1961)

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