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Chama que apaga

Na vida como na política, as causas antecedem as consequências. No caso da política, principalmente no Brasil, as mudanças se operam com a rapidez de nuvens empurradas por fortes ventanias. O que está acima vem a baixo pelo peso da sucessão dos fatos. O que era grande, apequena-se e evapora como água. Basta lembrar da antiga Arena, partido postiço que pretendia dar ares institucional ao governo militar. Naqueles tempos era festejado e proclamado comoo maior partido do Ocidente, praticamente indestrutível.No entanto, bastou abrirem-se as frestas de luz da redemocratização e o que era um imenso porão mofado, foi inundado pelos ares profiláticos das mudanças e desapareceu. Hoje a Arena é apenas um pequeno lembrete num canto de página da história. O fator de desgaste do Poder, não pode ser ignorado. Nada escapa a esse buraco negro. O mesmo vai se dando com o Partido dos Trabalhadores. Abatido em parte pelos projetos do escândalo do mensalão, sobreviveu graças a inanição da oposição. Pelo do crime de ser apanhado em flagrantefoi abandonado por parte daqueles integrantes que ainda sentiam remorso e tinham compromisso em cumprir as obrigações sociais. Sentiam inclusive um certo temor das possíveis punições. Não tentaram em momento algum dar explicações plausíveis para explicar as razões de situações de conflito com a lei.  Nesta ocasião o neologismo refundação ganhou as manchetes, mas logo foi enterrado pelo núcleo duro da legenda. No aguardo das consequências desastrosas pela gestão da maior empresa estatal do país, mais uma vez o partido se vê na antessala dos aflitos. O sinal de que os fatos ameaçam a repetir o mesmo destino que abateu a Arena foram dados pela eleição da nova presidência da Câmara dos Deputados. O deputado Eduardo Cunha, de quem a Presidente Dilma não escondia o asco, e a quem não recebia em audiência, é hoje o terceiro nome de importância no organograma da República. Eleito, já mandou avisar que como presidente de um dos poderes do Estado, seus entendimentos com o Executivo serão feitos apenas diretamente com a Presidente, sem a intermediação transversal de assessores. É o troco do destino pela soberba de um partido que sempre fez dos palácios do Planalto e daAlvorada um anexo de luxo para a legenda.

A frase que não foi pronunciada: “Chegada dos auditores internacionais independentes.” Anotação imaginária na agenda de uma secretária da cúpula da oposição

Lástima Recebemos uma carta encaminhada e assinada por Ronan S Custódio, aluno de Direito do Iesb. Está informando sobre o golpe da empresa que recebeu para fazer a festa de formatura da turma. Cada vez mais seguras da falta de punição os estelionatários abrem o leque de armações. Recebem o dinheiro suado da turma e anos depois, no grande momento, somem.

Vida banalizada Nas notícias do trânsito em São Paulo, Rio e Brasília é gritante a ordem de prioridades dada pelos repórteres. Primeiro o acidente, o transtorno que vai causar e de vez em quando se lembram de informar sobre a vítima.

Foi-se Uma cerimônia pomposa sem a presença do público. Assim foi comemorada pelos eleitores a chegada de seus representantes no Congresso. Hoje é raro ver o parlamentar que estufa o peito no meio do povo aguardando olhares admirados e respeitosos.

Tênis Vendo que em todos os jogos o ídolo Guga comia uma banana, Vinícius encarou com naturalidade quando jogavam banana aos atletas brasileiros. Pensou que se tratava de uma força para jogarem melhor. Quando entendeu que chamavam de macacos, ficou horrorizado.

Chute Anos depois, em uma viagem de trem, uma criança negra, de 3 anos chorava de fome. Vinícius levava 3 bananas na sacola. Não quis ser mal interpretado. A criança continuou o choro pelo resto da viagem. Isso é o que fazem quando chamam a atenção para a cor da pele.

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Custo político

Muito tem se falado e especulado sobre os entraves seculares ao desenvolvimento do país, reunidos num conjunto que passou a ser conhecido como Custo Brasil. Educação, saúde, segurança nas estradas, portos, aeroportos, ferrovias, burocracia, logística, energia e uma infinidade de setores mal resolvidos têm adiado, sine die, o verdadeiro dia da independência dos brasileiros. As raízes dessas mazelas, perdidas nas brumas do tempo, têm ramificação comum, bem identificável e sempre presente ao longo de nossa história. Mesmo reconhecendo a inutilidade na busca de culpados por nosso compromisso com o futuro, não deixa de ser sintomático que, na origem de nossos males, figuram em primeiro plano e isoladamente, as lideranças políticas. Não todas elas, mas a grande e significativa maioria. Desse modo, não é exagero afirmar que à baixa qualidade de nossos representantes políticos devemos todo o subdesenvolvimento.

A razão dessa tragédia nacional situa-se muito além das características pessoais de cada um deles, totalmente alheios ao que se entende por espírito público. Ao reuni-los em núcleos maiores, denominados partidos políticos, que nada mais são do que espécie de clube fechado, multiplicam-se as forças, ao mesmo tempo em que se tornam impermeáveis às influências das ruas e de qualquer fiscalização externa.

Excetuando os períodos monocráticos experimentados pela sociedade, não seria demais conjeturar que as urnas eleitorais, muito mais do que portais de entrada para o mundo da democracia, têm representado verdadeira caixa de Pandora, que, uma vez aberta, libertam o que há de pior para os brasileiros.

Ao Custo Brasil se agrega como fundamental o Custo Político. Essa sensação ficou ainda mais evidenciada para a população em geral com a eleição e posses da nova legislatura e com a eleição e posse dos membros do Executivo. Em ambos os casos, houve o tradicional festejo dos eleitos, com familiares e apoiadores. Muita comida, muita bebida, tapinhas nas costas aos novos membros do clube que chegam. Tudo muito animado e distante, anos-luz, da população, convidada apenas para bancar os festejos, cada vez mais caros, na forma de impostos crescentes.

A frase que não foi pronunciada

“Eu conheço a minha aldeia

e os caboclos que moram lá.”

Sonho de muitos caciques

Sangue

» Antes de cada Olimpíada, a Tocha Olímpica percorrerá 256 cidades. A notícia foi divulgada como sendo uma pira brasileira, mas a tocha que aparece nas imagens é totalmente vermelha. Sem verde

nem amarelo.

Caixinha

» Qualquer que tenha sido a intenção do funcionário público que retirou a roupa em protesto, o acontecimento deveria servir para os órgãos do governo federal,

municipal e distrital.

Desiguais

» Levantamento mostra que há quase 40 deputados federais respondendo a processos criminais. Isso nada quer dizer, até que seja dada a sentença. O problema é que aquele funcionário que varre o Congresso precisou entregar mais de 10 documentos para ser contratado por empresa terceirizada e poder exercer a função no parlamento.

Mas hein?

» Foi benfeito o trabalho de marketing pelos rincões do Brasil. Milhares de brasileiros repetem o discurso sobre as elites brasileiras. “Eles não querem que o pobre viaje com os ricos. Eles não querem os aeroportos transformados em rodoviárias… Só gostam de loiros com os olhos claros.” Enquanto isso,

o autor do discurso viaja de jatinho particular emprestado e tem a esposa galega. Vai entender.

Catálogo

» Gê Orthoff é um dos expositores no Museu Nacional de Brasília, que exibe acervo multimídia. As obras doadas e adquiridas em prêmios dão o nome à mostra: Aquisições e Doações. Até 5 de abril, a população da cidade poderá conferir a beleza da coleção.

Nota legal

» Ao todo, são 916.986 contribuintes cadastrados no Programa Nota Legal. Infelizmente, manobras diminuíram as vantagens que os contribuintes ganhavam no projeto do então deputado Reguffe. A procura pelo cadastro vem diminuindo a cada ano. Com isso ganham os sonegadores.

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HISTÓRIA DE BRASÍLIA As firmas empreiteiras de Brasília acham impraticável a medida do sr. Jânio Quadros, mandando adaptar os caminhões com coberta e bancos para o transporte de candangos. Acham essas firmas que os caminhões teriam que passar o resto do dia parados, o que iria onerar a obra, dado o número de carros que viriam a ser fichados para os trabalhos habituais de transporte de material. (Publicado em 05/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA Já que estamos falando no assunto, o prazo expirou no dia 28, e ontem eu vi um caminhão cheio de candangos chegando à obra da creche da superquadra 108. E o caminhão era chapa-branca. (Publicado em 05/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA Mas nesta questão de prazo, isto não vale muito, não, porque o coronel Jaime Santos disse que os presos passariam só 30 dias na Cadeia do dr. Pery, e até hoje eles ainda estão lá. (Publicado em 05/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA Muito boa e oportuna, a “batida” do serviço de trânsito, ontem, em frente ao setor de Rádio e TV, na W3. Diversos carros foram presos, e só passava quem estava com a documentação em dia. Excelente medida. (Publicado em 05/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA Enquanto um russo dá a volta à terra em 81 minutos, o nosso Departamento de Correios e Telégrafos, caindo de podre, demora 21 dias para transmitir um telegrama de Recife a Brasília. (Publicado em 08/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA Já foi iniciada a mudança da favela do lado leste do Eixo Rodoviário Sul. E nem poderia ser de outro jeito. (Publicado em 05/08/1961)

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Israel

Pinheiro

Juscelino Kubitschek escolheu seu amigo Israel Pinheiro para presidente da Novacap. O escolhido veio para Brasília podendo ser demitido a qualquer momento.

Presidia, na Câmara dos Deputados, a mais importante comissão da Casa. Aceito o convite, veio de mala e cuia. Comandou a construção da nova capital. Usava toda a disposição que o presidente JK lhe confiava e deu conta do recado.

Nasceu em 4 de janeiro de 1896, na cidade de Caetés. Exerceu o cargo de secretário de Agricultura, Viação e Obras Públicas. Ainda jovem, foi eleito prefeito de sua cidade. Naquela época, a oposição não pagava contas ao governo. Chamou eletricista. Quando esse estava cortando a luz, o dono da casa gritou: “Desça daí, senão eu lhe mato”.

Israel perdeu o primeiro embate. Persistente, encontrou na rua um homem baixinho, filho de incesto. Deu alicate e escada. A ordem foi a mesma. Estava no alto, e recebeu a mesma advertência do devedor. Falava mal, fez sinal. Ao receber a ordem para descer ou levar tiro, resmungou: “Estou cumprindo ordem do chefe”.

Na discussão, o dono da casa deu-se por vencido. Alicate na mão e escada no ombro, o homem atendeu ao pedido do dr. Israel Pinheiro, que, nessa época, morava em Caetés, com a família. Dona Coracy o acompanhou a Brasília durante o tempo em que aqui viveu. Dava apoio ao marido.

Israel foi morar na Granja do Ipê. Não faltou humor aos funcionários. Espalharam que Israel morava na Chácara do Ipê, que traduzia Israel Pinheiro. Mandou pintar um quadro bem colorido, com ipê-amarelo, e pôs abaixo o nome Granja do Ipê. Israel tinha bom humor e não aceitava tratamento de exploração de sua imagem.

Quando chegou a Brasília, o primeiro caminhão de televisão, da Tupy, do Rio, foi visitar o dr. Israel. A resposta era “eu não sou vedete de ninguém”. Procurem o JK, que gosta disso. Jairo Valadares e eu fomos ao Catetinho, onde encontramos JK e fizemos a foto. Ainda hoje o Brasil conhece a foto e o fato.

Ainda no Rio, Ney Ururahy acompanhava o dr. Israel. Veio a Brasília como participante da Divisão de Pessoal. Aqui mudou de cargo. Foi Ney Ururahy o autor da primeira folha de pagamento da Novacap. Folha de papel pautado, com nomes e valores a receber.

Assim começou a história da construção da nova capital.

Israel havia sido secretário de Viação e Obras Públicas, e primeiro superintendente da Vale do Rio Doce. Deputado, firmou sua vida como homem sério e trabalhador.

Certa vez, verificava o estado de construção da primeira pista do aeroporto. Atrás, falava o engenheiro Atualpa da Silva Prego. Para concordar com o presidente da Novacap, balançava a cabeça e o braço, como fosse contra o que Israel dizia. Distante, o pessoal da Novacap passou a admirar a coragem do Atualpa, que passou a ser “o homem”.

Doutor Israel Pinheiro era homem duro e cumpridor dos deveres. Pedia a todos o mesmo comportamento. Certa vez, mandou pintar o teto do Brasília Palace de preto. Oscar Niemeyer viu e não gostou. Chamou o chofer do Jipe e voltou para o Rio. JK, em Belo Horizonte, mandou que fosse interrompida a viagem. Oscar obedeceu e foi falar com JK em Belo Horizonte. Estava com raiva e deixava Brasília. Trocava-a pelo Rio. Juscelino foi até o Rio.

JK, atencioso, convenceu Oscar Niemeyer a voltar a Brasília. Ainda com raiva, Oscar Niemeyer, que gostava de Israel Pinheiro, voltou e mandou retirar o preto do teto.

Israel Pinheiro era homem de posições assumidas. Quando sentia que desagradava o companheiro, conversava e dava razão. Afinal, havia muita coisa a fazer na futura capital do Brasil. Era enérgico, porém, humano.

(Coluna originalmente publicada em 4/1/2012)

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Outro homem

Simpático, o papa Francisco disse a que veio. Sem discursos vazios, prefere mostrar com a própria vida a sugestão que oferece para o rebanho que segue Jesus Cristo. Deixa bem claro que o que ensina não é dele e quem o ouvir é a Cristo que deve responder. Trata de temas modernos, como meio ambiente, consumismo, homoafetividade. O papa surpreendeu quando, com o apoio da mídia, disse que a juventude fosse contra a maré e não tivesse medo disso. Contra a maré exatamente do que os meios de comunicação pregam. Violência, desavença, orgulho, vaidade, traição, ganância. Basta ligar a TV dois minutos e ver o que acontece. E o Ibope não tem como negar.

O índice de popularidade do papa é alto. Estamos em um país onde a descrença é generalizada tanto nos dirigentes quanto nas instituições. A cada dia, a fúria pelos lucros e o desespero pelo ter vão deixando o planeta mais inóspito ao próprio homem. A entrevista do papa Francisco dada à Civiltà Cattolica se apresenta como oásis em meio a um deserto de incertezas e angústias que vive a humanidade neste começo de século.

Ele fez diferente. É normal pôr uma igreja contra a outra, desde a escola dominical ou o catecismo até os sermões. Um precisa dizer que é melhor que o outro. Uma firma de mãos juntas em que está no livro quem vai ou quem fica. Uma igreja não aceita a presença de outras religiões no seu templo. Quando aceita, quer fazer o impossível para arrebanhar o visitante. Mais uma vez, o papa vai contra a maré.

A fala do sumo pontífice soa como chamamento do indivíduo para além das miudezas humanas, num mergulho no mais profundo de si mesmo, capaz de fazer emergir num mundo à altura dos sonhos. Ao se definir como “pecador para quem o Senhor olhou”, o papa se iguala ao homem comum de pés descalços sobre a terra e olhar fixo no céu “misericordiando”. Quando afirma que “precisa viver a vida junto dos outros”, põe às claras um ecumenismo que não é somente religioso, mas, acima de tudo, humanista.

Esse sentido lembra as reflexões do sacerdote, paleontólogo e filósofo jesuíta Teilhard de Chardin, que, ao buscar conciliar a teoria da evolução deDarwin com a doutrina católica, mostrava a síntese do que acreditava ser o verdadeiro humanismo, em que o espírito e a dignidade humana ultrapassam a matéria. Como jesuíta, Francisco, eleito papa, “foi chamado a exercer”, “Non coerceri a Maximo, sem contineri a minimo divinum est” (Não estar constrangido pelo máximo, e, no entanto, estar inteiramente contido no mínimo, isso é divino). É como alguém que está no luxuoso palácio e vê, através de uma pequena janela, todo o horizonte pela frente, maior e mais significativo.

Desse mesmo modo, a cada um é dada a possibilidade de ver a Deus a partir do próprio ponto de vista. Com essa visão é que o papa pretende reformar a Igreja. “Será sempre necessário tempo do discernimento para lançar as bases de uma mudança verdadeira e eficaz.” Na “leitura dos sinais dos tempos”, Francisco deixa claro que, ao posicionar hoje Cristo e a Igreja como centro, é possível adquirir o equilíbrio fundamental que torna possível viver na periferia, certo de que a Igreja não é uma entidade autossuficiente e distante do mundo.

Nesse sentido, Igreja é missão. No apostolado renovado, ao missionário é exigido que tenha o “pensamento aberto”, sem que as regras abafem o espírito. Entre as figuras jesuítas que mais chamaram a atenção do papa está o beato Pedro Fabro (1506-1646), pela capacidade de “diálogo com todos, mesmo os mais afastados e os adversários”.

Na administração da Igreja, diz, é preciso fazer consultas (consistórios e sínodos) antes de decidir. “Quero consultas reais, não formais”, prega. Ampliando a crença, afirma que “não existe plena identidade sem que se pertença a um povo” e que a Igreja, no seu sentir, deve, antes de tudo, estar no povo, que é sujeito e “infalível no crer”. Para ele a Igreja é a “totalidade do povo de Deus.” E continua: “Vejo a santidade no povo de Deus paciente: uma mulher que cria os filhos, um homem que trabalha para levar o pão para casa, os doentes, os sacerdotes idosos com tantas feridas, mas com um sorriso por terem servido ao Senhor, as irmãs que trabalham tanto e que vivem uma santidade escondida. Essa é, para mim, a santidade comum.”

Para os ministros da Igreja, Francisco recomenda: “Os ministros do Evangelho devem ser capazes de aquecer o coração das pessoas, de caminhar na noite com elas, de saber dialogar e, mesmo, de descer às suas noites, na sua escuridão, sem perder-se. O povo de Deus quer pastores, não funcionários.” Muitos se afastam das igrejas porque até nelas impera uma burocracia desumana.

Na análise, a Igreja deve não apenas acolher, mas encontrar novos caminhos, saindo de si mesma, e ir ao encontro dos que, por qualquer razão, a abandonaram. Abrindo, portanto, um espaço para a reconciliação de todos. Nesse caso específico, Francisco admite que a ingerência espiritual na vida pessoal não é possível. “Se uma pessoa homossexual é de boa vontade e está à procura de Deus, eu não sou ninguém para julgá-la”. Desse modo, em sua visão, é preciso considerar a pessoa a partir de sua condição própria.

Francisco reconhece com realismo que, nestes tempos de agora, “mesmo o edifício moral da Igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, de perder a frescura e o perfume do Evangelho”.

(Coluna originalmente publicada em 9/9/2013)

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Jeans quer justiça

Que é isso, companheiro? Barrar-me no tribunal só porque sou jeans? Pera lá! Eu escondi o joelho de muita gente importante. Gente trabalhadora e tida como trabalhadora. Escondi o joelho de intelectuais também. Por falar nisso, nunca mais vi ninguém daquela época. Vivia no meio do povo. Andando no poeirão brabo. Chegando a todos os confins desse Brasilzão de meu Deus.

Conheci gente das palafitas e dos barracos no morro. Conheci gente da China, da Rússia, de Cuba, da Polônia e de outros países interessantes. Conheci gente que não parecia gente. E muita gente boa também. Viajei com esse povo pra cima e pra baixo. Na mala, todo tipo de jeans.

Acho que quem se movimenta mais prefere um tecido que dura mais tempo limpo, pega no pesado, amassa pouco, esquenta quando precisa e esfria no calor. Jeans não é um tecido qualquer. Nasceu no ambiente da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Serviu a força motriz. Foi aparecendo devagarinho. Só gente que trabalhava muito gostava da gente.

Tenho orgulho de ser jeans. Cor bonita. Cor do céu. Agora, como tudo o que é moderno, precisei me adaptar. Posso ser pré-lavado, preto, branco, amarelo, vermelho, da cor de todas as raças. Estou pelo mundo.

Meu valor é tão grande que as madames me compram até rasgado. É um jeito preguiçoso de alcançar mais rápido aqueles que rasgaram de verdade porque estavam no batente. Se pudesse ter um carro, teria o adesivo: “Orgulho de ser jeans”. Ou, então: “Sou jeans, não esmoreço nunca”. Quando me passam pra frente é porque não aguentam mais. Mas de calça viro bermuda; de bermuda, short; de short, saia, bolsa e porta-lápis.

Quem me tem me adora. Quem me adora não me assume. Por isso, acho que foi uma falta de respeito me barrarem na mais alta Corte do país. Só porque sou jeans? Peça indumentária de 97,3% da população brasileira. Represento o caboclo, o peão, o trabalhador rural. Represento os estudantes deste país. Represento o partido que está sendo julgado neste momento. Na primeira convenção do PT, só tinha jeans. Ninguém foi barrado.

Vá às feiras. Todos os joelhos cobertos por jeans, nas universidades, nas ruas movimentadas das metrópoles. Jeans, jeans, jeans. Barraram-me. Isso vou precisar de um tempo para perdoar. Mesmo porque o filho de quem me barrou estava no cinema usando jeans.

Respeito não se faz pelo pano que cobre a pele. Taí, no que deu aqueles que tinham ideologia: convenceram os filiados do partido de que não precisavam ter medo de serem felizes. Foi só tirar o jeans que tudo degringolou.

Foi só me trocarem pela gravata que perderam o juízo, a raiz, a verdade. Preferiram os tecidos que cobrem o joelho de quem foi picado pela mosca azul. De quem se vende, de quem quer se dar bem a qualquer custo. De quem esbravejava nos discursos contra o que é hoje.

Blue como o jeans. Indigo. Indigno. Indignado. É assim que está o povo brasileiro. Não por causa do jeans que foi barrado. Mas por causa de quem esteve um dia dentro de um jeans. A Corte Suprema. Calça jeans. Um corte supremo. A tevê transmitia tudo. O jeans na telinha, misturado com traje social, não combinava. Social. Aquilo que pressupõe relações entre as pessoas, sociabilidade, modo de ser, de estar, de agir e de se manifestar. Quer algo mais social que o jeans?

Em uma roda de chope, passeando pelo parque, viajando, ou em protestos e passeatas. Eu era feliz e não sabia. Eu nunca tive medo de ser feliz. Comia poeira, passava horas em reuniões infinitas. Ouvia o povo falando errado e achava bonito. Povo de verdade. Aquele da mão grossa, cheia de calos. Gostava também do povo com calo na cabeça. Que usava óculos fundo de garrafa.

Acreditava que um mundo melhor seria possível. Seria possível o social. Deixar os pobres menos pobres. Acabar com a fome. Mas, cá entre nós, muitas dessas ideias nasceram também por quem não gostava de jeans.

A diferença é que uns queriam se dar bem, outros queriam que todos se dessem bem. Agora, não. Tradição é o que interessa. Jeans está fora do que é justiça porque ela não gosta de jeans. Interessante que o assunto tratado no STF é a ética. A vergonha na cara.

Tenho certeza de que eu era o que menos interessava ali. Estava enganado. A Justiça não é cega coisa nenhuma. Justiça que escolhe a roupa do povo é porque enxerga sim. E muito bem.

Conheço muita gente que por baixo dos panos não é nada do que parece ser. A roupa não é tão importante quanto a pele. Por baixo da pele é que se esconde um coração, umpensamento, um fígado. Por vestir jeans e blusa branca, a ex-senadora Heloisa Helena foi barrada várias vezes no Senado.

Aqueles que usam jeans, quando estão em casa, aprenderam a julgar as pessoas pelas roupas. É por essas e outras que os ladrões preferem terno e gravata. Assustam menos, passam por onde querem e roubam sem ser molestados. Já que enxerga, abra o olho e faça justiça!

(Coluna originalmente publicada em19/8/2012)

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Até a quinta geração

A questão não é que os ricos estejam no poder. É que o poder os deixou ricos. Mas agora são ricos e perdem o poder em um tempo em que novas ideias nascem iluminando a razão. Eventos atrás de eventos prometem mudar o quadro político e social do país. O antigo regime não vai subsistir. Não é possível que gastem enormes quantias para sustentar privilégios, ou gastos com armas para apoiar guerras. A crise econômica se espalha, e a situação piora com a ostentação. Não é possível que o povo continue sustentando regalias que não pode ter.

Pior. Cada vez mais cobranças para manter o custo do Estado. Reforma na política. Movimento de descontentes. Foi assim a Revolução Francesa, há mais de 220 anos. Agora, com personagens diferentes, falta um líder ilibado e competente para gerenciar o caos. Tanto em comum. Então, assim comemoramos os 204 aninhos da busca por liberdade, igualdade e fraternidade.

Justiça seja feita. Devemos muito ao Partido dos Trabalhadores pelas vastas conquistas feitas à custa de muito sofrimento, luta e ideologia. Essa danada que é deixada de lado quando o objetivo é alcançado. Simplesmente murcha, esmorece, perde a força quando se encosta na meta.

Daí entra Paulo Bonavides e fala em gerações de direito ou, como defendem outras correntes, as dimensões do direito. Elas servem para descrever as conquistas do povo no caminho da história. A primeira geração traz a liberdade. Essa já está conquistada de várias formas, que nem valorizamos. A segunda geração trata da igualdade de direitos econômicos e sociais.

Estamos engatinhando. Basta chegar perto do art. 7º da Constituição, no qual os direitos dos trabalhadores estão garantidos, inclusive com salário mínimo “fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo, sendo vedada sua vinculação para qualquer fim”.

Vamos calcular. Salário mínimo, R$ 678. Para cada item garantido pela Constituição, o trabalhador gastaria igualmente (o que não é o caso) R$ 75,30 para se transportar ao trabalho; R$ 75,30 com a saúde; R$ 75,30 para comprar o alimento, pagar a educação, garantir a higiene e o transporte. Isso, lembrando que o valor do salário é para o sustento da família. A Constituição é cumprida? Muita calma nesta hora.

Passemos para a terceira geração do direito: fraternidade e solidariedade. Fraternidade e solidariedade são marcas conhecidas do povo brasileiro. Mais adiante, chega a quarta geração. Democracia, pluralismo, minorias. A ideia de universalização. É a evolução brasileira que acontece hoje. Diferentes e iguais tratados como minoria, sempre foram maioria. Assim a sociedade vai se ajustando,compreendendo a que viemos.

Agora, a vanguarda da história. A quinta geração. Lá estava Gabriel Emiliano, 30 anos de idade, empresário que trabalha em Brasília desde os 12 por conta própria, para aprender a valorizar o dinheiro, a conquista dele pelo labor. Saiu de casa com o projetor a laser. Levou a imagem para a cúpula do Congresso, estampando com os raios da modernidade a quinta geração do direito. Para chegar à quinta geração do direito, é preciso sabedoria. Gabriel deixou sua marca na história do Brasil com o verde dos raios que encostaram no Poder Legislativo a palavra PAZ. Nós só precisamos disso. (Circe Cunha)

(Coluna originalmente publicada em 23/6/13)

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Maria Angélica e as leis

Reproduzo carta inspirada na exposição Congresso Nacional – Aqui o Brasil toma posse da sua história. O evento foi criado por funcionários do Senado e organizado pela diretora de Projetos Especiais, Elga Lopes. A identidade da protagonista, aqui tratada como Maria Angélica, está preservada.

“Com o passar do tempo, aquele céu da paixão foi se transformando em inferno. Nosso segundo filho nasceu e tudo mudou. Meu marido começou a ficar violento. Primeiro, verbalmente. De tudo o que eu ouvia, o pior foi ele ter conseguido me fazer acreditar que eu não tenho valor, que não presto para nada. Passei a ver uma pessoa totalmente inútil quando me olhava no espelho. Sem vigor, sem força. As coisas pioraram bastante.

Na frente do meu filho mais velho, ele jogou álcool no meu corpo e ameaçou atear fogo. Sua coragem não chegou a tanto. Eu não sabia mais o que fazer. Medo, ódio e angústia eram meus sentimentos diários. Até que, em 2006, vi nos jornais e na TV notícias sobre a Lei Maria da Penha. Foi sancionada graças a uma mulher que sofria mais do que eu, que passou a usar cadeira de rodas por causa da violência do marido, conseguiu enfrentar o que eu ainda luto para conseguir: me libertar da escravidão do pensamento.

Graças a ela, agora é lei não poder, dentro do lar, abusar da força física. É lei não poder bater ou violentar a própria mulher. Agora a legislação criou mecanismo para evitar a violência doméstica contra a mulher. Prevenir e punir são os objetivos da lei, até erradicar a violência. Mais do que isso: criaram-se delegacias próprias preparadas para atendimento. Ter uma delegacia especial para a mulher é muito importante. Expor a intimidade é ação muito doída. Ter pessoas preparadas para nos ouvir é fundamental.

A que ponto chegamos? Ser necessária uma lei que atinja o que ocorre dentro de um lar. Ou do que deveria ser um lar. Resguardada por artigos e incisos, me enchi de bravura e pedi a separação. Não poderia mais viver daquele jeito. Se estava viva, não tinha razão para não querer mais acordar. Meus filhos precisavam de mim. Não era hora de desistir. Como a violência aumentou, dei parte na Delegacia da Mulher. Boletins de Ocorrência, denúncias, julgamento. Ele ficou proibido de se aproximar de mim.

Voltei a estudar, renasci. Mas ele continuava a me perseguir. A lei nunca o intimidou. Ficava escondido na faculdade acompanhando os meus passos. Mas, por alguma razão, se a Lei Maria da Penha não o intimidava, para mim, ela era um manto encorajador. O tempo passou e cada vez que ia buscar meus filhos no fim de semana, sentia que havia mudança. Ele jogava as crianças contra mim. Falava coisas que mantinham acesa a chama do ódio. Usar as crianças era uma guerra desigual.

Tentei amenizar a situação da maneira mais honesta possível. Usar a mesma arma que ele seria muito baixo. Aguentei firme, mostrando pelo comportamento que eu não era o que ele dizia. Um dia, ouvindo rádio, soube da existência do projeto de lei do deputado Regis de Oliveira. Ele queria acabar com a transferência do ódio entre os pais para o filho. Se for assim, até a perda da guarda pode acontecer. Não pude acreditar. Outra lei a meu favor. Senti na pele o Congresso como casa do povo. Era inacreditável para mim que pessoas tão importantes estivessem fazendo leis que se encaixavam perfeitamente à realidade do meu dia a dia. Não era possível que eu, tão insignificante, estivesse sendo objeto para leis. Não era mais aquela imagem que o espelho refletia. Estava sendo resgatada pelo Congresso Nacional. Pois bem. Essa lei diz tudo. Se meu ex-marido realizar campanha de desqualificação da minha conduta como mãe, se dificultar a volta dos meninos, fizer falsa denúncia contra mim, omitir informação das crianças, mudar ou viajar sem me avisar, ele estará agindo contra a lei. Não contra mim.

As coisas estão melhorando, mas há um impasse. Por ser militar, sinto que meu ex-marido nunca será punido. Mesmo porque ele não usa a farda dentro de casa. Há no Código Penal Militar a proteção entre casais militares. Como não sou militar, não posso contar com essa proteção. Mas isso será outra luta. Escrevo para a coluna só para compartilhar minha esperança. Ainda há espaço para leis na minha vida. Dessa vez foi o senador Cristovam Buarque quem adivinhou. É a PEC da Felicidade que vou perseguir agora. Ela acrescenta no artigo 6º da Constituição Federal a felicidade como direito social dos brasileiros. Sobrevivi.”

(Coluna inicialmente publicada em 3/2/2011)

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circecunha@gmail.com; arigcunha@ig.com.br

Precisa-se de heróis

Nós, brasileiros, somos carentes de heróis. Se a música é o samba, logo aparece um bicheiro ganhando dinheiro com o tráfico. Se é funk, drogas, crimes e sexo sem freios. Se é no futebol, vem a máfia do apito, ou o jogador idolatrado é flagrado em situação escabrosa, desobedecendo aos superiores ou trocando gentilezas com criminosos. Uma pregação impecável na igreja, lágrimas, voz rouca, sentimento à flor da pele e um buraco na Bíblia para carregar milhares de dólares e sonegar impostos. Ou o pedido de perdão pelos pedófilos que comandavam os leigos. Ou, ainda, o voto, dado com toda a convicção. Você brigava para defender seu candidato. Até amigos perdeu com tanto fanatismo. E depois viu sua confiança perdida ou enterrada em uma Caixa de Pandora, ou na boca de um sanguessuga, ou no mensalão, ou em uma Operação Satiagraha, que tentou mostrar a firmeza de uma verdade.

Uma volta pelo Museu da Corrupção deixa qualquer brasileiro triste. Uma fissura se abre e daí não há como negar. A deseducação se espalha pelo ar. Filmes na TV ensinando atrocidades inimagináveis poluem pensamentos de crianças com a personalidade ainda em formação. A Comissão de Direitos Humanos da Câmara jogou para a plateia o assunto baixaria na TV. Nada foi resolvido. Tudo continua como antes.

Neta batendo nos avós, crianças estimuladas a mentir, adolescentes grávidas, famílias se desintegrando com gritos e completa falta de respeito. Programas que ridicularizam as pessoas atacam com piadas destruidoras. O brasileiro passa mais de duas horas na frente da televisão bombardeado por violência, pornografia e consumismo. É melhor a mais bonita, o mais rico. Merece reverência aquele vilão da novela. A pregação é separar as pessoas por cores, preferências sexuais, sotaques. Sempre a desunião toma força. Mas a esperança não morre. Programas como o Conquista Criança, Guarda Mirim, Futebol Cidadão, Prosepa, Adolescentes, Batuque, Nossa Casa, Pescar, Segundo Tempo, Travessia, O Pequeno Nazareno, Doutores Alegria, Criança Feliz e tantos outros levados a sério por pessoas que se dedicam a resgatar a infância perdida ou a preservá-la.

Há políticos sérios empenhados em desatar os nós da violência criando leis para punir mais severamente aqueles que roubam a infância de meninos e meninas nascidos em lares pobres ou ricos. Há jogadores de futebol, vôlei, basquete, tênis e outros esportes que honram as medalhas que beijam. Há também os artistas e diretores de novelas ou editores de jornais na TV empenhados em lutar por uma sociedade mais justa e pela paz.

Perdão, criançada de Realengo. Nós temos assistido a toda corrupção de braços cruzados. Poderíamos ser heróis dando bons exemplos, lutando pela melhoria na qualidade das relações humanas. Desculpe, meninada, não termos agido por um Brasil sem jeitinhos. Aquela fila furada, aquele troco errado escondido, aquele nervosismo com o vizinho. Assistimos de camarote a todas as cenas em que os professores tiveram negado o direito a trabalho mais digno. Mesmo cansados e sobrecarregados de tarefas, eles não desistem porque acreditam que vale a pena apostar em um futuro melhor. Mesmo que eles não ganhem salário de artista ou de jogador de futebol, cumprem script de orações para ter forças para o dia seguinte. Eles levam nos passos a certeza de que estão trilhando até um país melhor.

Temos negligenciado a solidariedade. Até um sorriso e um olhar nos negamos a dar. Temos perdido tanto tempo sem conversa, sem diálogo, sem gargalhadas e histórias engraçadas só para não perder aquele programa na TV. Estamos tão perto e tão longe uns dos outros. Perdão, garotada. Fomos tão passivos com cada cena de violência exibida nas telas, nas ruas, nas salas de aula. Somos covardes para exigir punição. Passaram Isabela Nardoni, João Hélio e tantas outras crianças que perderam a vida. Nós não fizemos nada. Quem sabe um dia esse berço esplêndido que embala nossos gigantes deixe de existir. Só agindo, teremos heróis. Heróis reais. Homens de bem. (Circe Cunha)

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HISTÓRIA DE BRASÍLIA Muito acertada foi a atitude do diretor da TV-Brasília, que fez a entrega do aparelho às crianças, sem nenhuma publicidade, e sem dizer o nome da pessoa que fez a doação. A luta de vaidades chegou a provocar intrigas entre boas amizades. (Publicado em 05/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA Um porta-voz jornalístico da TV-Nacional declarou em sua coluna, que tem havido muitas promessas da imagem de televisão em Goiânia. Queremos informar ao integrante da dupla de cronistas romanos, que a TV-Rádio Clube entrou ontem no ar, ela pertence aos “Diários Associados”, que confirmaram, assim, o título de pioneiros no Brasil Central. (Publicado em 05/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA E mais: não demorará muito, e Goiânia estará mandando imagem para Brasília, e recebendo a imagem do nosso Canal 6, integrando a rede de TVs entre Goiás, Minas, Estado do Rio, Estado da Guanabara e Estado de S. Paulo. (Publicado em 05/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA O outro, da dupla romana, diz que não gostou da programação diurna da TV-Brasília. Fez muito bem, e demonstrou bom gosto masculino. E que o horário diurno da TV-Brasília é dedicado às mulheres. (Publicado em 05/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA Bem, nós não somos cronistas de TV. Vamos ao nosso assunto. Para conhecimento do DCT de Brasília, a carta registrada n. 16.3177 chegou ao DF no dia 29 de julho último, e foi entregue ontem. É ou não é uma vergonha! (Publicado em 05/08/1961)

HISTÓRIA DE BRASÍLIA O diretor do Departamento de Saúde de Brasília é engenheiro sanitarista. Isto não haveria de ser nada, não fosse o número de propagandistas de laboratórios que o procuram diariamente, sendo que a todos ele tem a informar que nada tem a ver com remédio, e que quando adoece procura um médico. (Publicado em 05/08/1961)