Instituto Hospital de Base tem futuro incerto

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Uma coisa é certa: a permanência do Hospital de Base sob novo formato de Instituto, conforme decisão do GDF que contou com a aprovação da Câmara Legislativa, dependerá muito de eventual reeleição do governador, Rodrigo Rollemberg, seu principal incentivador. Caso o Palácio do Buriti venha a ser ocupado por outro mandatário, principalmente de oposição, o futuro do IHB é incerto, podendo, até, ter os estatutos revistos ou simplesmente anulados.

Trata-se de uma incerteza que põe em risco qualquer ação mais precipitada no sentido de implantar um modelo a toque de caixa antes que as urnas de 2018 sejam abertas. A descontinuidade de projetos de governo é realidade na administração pública brasileira desde sempre. Sobretudo se os projetos e programas tiverem sido implementados por governos considerados de oposição. Quando a coordenação administrativa atravessa o interesse da comunidade, rejeita o esforço dos contribuintes e usa a instituição para fins políticos e não para os fins originários, constrói mais uma máquina de corrupção.

Obviamente quem perde com essas posições melindrosas são os cidadãos que bancaram os programas e correm o risco de ficar sem uma coisa nem outra. Um exemplo típico dessa descontinuidade de projetos e de ações que geram perdas e incertezas pode ser a construção, a custo bilionário, do novíssimo e inoperante Centro Administrativo do GDF, conhecido por Buritinga.

Erguido de forma voluntariosa por governos passados, esse complexo de prédios situados a uns 20 quilômetros do centro da cidade permanece desocupado e, o que é pior, gerando prejuízos seguidos. O mesmo risco corre o IHBDF, caso sua atual estrutura administrativa seja alterada de forma brusca, sem que outro modelo venha não só a ser implantado corretamente, mas apresente resultados no mínimo satisfatórios antes de 2018.

A instabilidade política, com partidos e candidatos sem programas e sem compromissos sérios, coloca em risco os investimentos recolhidos compulsoriamente da população. Agora mesmo, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios e o Ministério Público de Contas do DF entraram com pedido de esclarecimentos, na Secretaria de Saúde, sobre o IHBDF, solicitando que o secretário de Saúde, Humberto Fonseca, anule a Portaria 345/2017, na qual é fixado que os servidores manifestem, num prazo de 45 dias, interesse ou não em migrar para o novo modelo hospitalar. Entendem os MPs que ainda não há estudos suficientes e planejamento claro para a criação do Instituto.

“Não há elementos mínimos de certeza que possam tornar viável a opção. Além disso, sem um estatuto, que marca a constituição legal do Instituto, os servidores não podem validamente manifestar suas opiniões”, diz a Notificação Recomendatória dos MPs. Nas avaliações dos MPs, os servidores não conhecem ainda os estatutos da nova entidade bem como sua futura forma de funcionamento e de financiamento, nem, ao menos, qual é a fonte de recursos que lhe tornará possível a existência e a manutenção.

Não restam dúvidas de que a criação do IHBDF é, na avaliação de muitos entendidos, uma excelente iniciativa. Mas, dadas as incertezas políticas que atravessamos e a exiguidade de tempo até as novas eleições, o que era uma boa ideia pode ficar apenas nas boas intenções e no papel.

 

A frase que não foi pronunciada

“De boas intenções as urnas eleitorais estão cheias.”

Eleitor arrependido

 

Pedestres

» Um urbanista passeando pela cidade pode ficar pasmo com a falta de qualidade das calçadas da capital. Desníveis constantes, buracos, postes no meio, sem rampas de acesso, ocupadas por automóveis. Por seu lado, o estacionamento coberto do Conjunto Nacional é um destaque. Apesar de ser voltado apenas para os carros, os pedestres têm um espaço próprio e seguro para circular.

 

705 Norte

» Prestação de serviços no comércio e atendimento são sofríveis em Brasília. Principalmente em tempos de crise. O consumidor é enganado quando abastece o carro, quando compra pela internet ou mesmo quando tem o cartão de crédito clonado. Conformado, anda a passos curtos em direção aos seus direitos. Por isso a coluna faz hoje um elogio merecido a uma loja honesta na cobrança do preço e competente na execução dos serviços. Stofcar, uma capotaria de primeira linha.

 

Incoerência

» Mudança drástica na linha de notícias radiofônicas. Nas primeiras horas da manhã, quem liga o rádio inicia o dia com matérias sobre morte, atropelamentos, acidentes de carro, assassinatos, estupros, assaltos, roubos e daí para pior. E depois desejam um bom-dia.

 

Queda

» No portal Reclame Aqui, o Sebrae recebeu 70 reclamações nos últimos 12 meses. A maioria por mau atendimento ou baixa qualidade dos serviços prestados. A instituição decaiu.

 

Sem médicos

» Nenhuma entrada no Hospital do Paranoá para atendimento normal. Não há médicos. A região que deveria ser atendida é extensa, mas os pacientes são forçados a se deslocar para a Asa Norte. Interessante é que faltam médicos, mas a folha de pagamento é honrada. É preciso administrar essa falha com competência.

 

História de Brasília

Esta nota vem a propósito de declarações do sr. Alencar Araripe, presidente do Banco do Nordeste, segundo o qual o Banco está “para fechar suas portas” e faz uma alegação que não chega a ser infantil, mas quase o é, para justificar suas palavras. (Publicada em 1/10/1961)

Educação contra a corrupção

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Haveria alguma relação visível entre o modelo de educação pública seguido pelo Brasil nos últimos tempos e o alto grau de comprometimento das grandes empresas nacionais em práticas de corrupção, mostrado pelas investigações correntes do tipo Lava-Jato?

Se, à primeira vista, essas questões parecem dissociadas uma da outra, observadas mais de perto, o que se verifica é que, na origem dos modelos do comportamento reprováveis seguidos pelas empresas e por suas lideranças, se acham enraizadas também posturas e arquétipos herdados lá trás, ainda nos primeiros anos de escola.

Não que o modelo de educação tenha contribuído, de forma ativa, para formar cidadãos insensíveis às boas práticas. Mas o modelo de educação seguido em nossas escolas, de alguma forma, tem sido, para usar uma expressão corrente, leniente nos assuntos relativos à formação ética, deixados de lado e suplantados por outros aspectos de natureza mais informativa. Em outras palavras: nossas escolas têm dado relevo e ênfase apenas aos conteúdos relacionados na grade curricular, relegando a segundíssimo plano a parte formativa relacionada diretamente ao comportamento humano, baseado nos princípios da ética e das boas práticas.

Ensinam matemática, mas fecham os olhos para os deslizes de comportamento dos alunos no dia a dia e ainda acabam por estimular as más condutas ao não exercerem, de fato, a autoridade e a disciplina, assuntos que, nos dias correntes, se transformaram em verdadeiros tabus.

A falsa crença de que liberdade total serve aos propósitos de uma escola moderna tem mostrado seus resultados. O crepúsculo paulatino da autoridade do professor, como indutor principal do processo educativo, acabou por ceder lugar a modelo de escola em que os alunos passaram a ser considerados atores soberanos e únicos de seus destinos.

A partir desse ponto, já se prenunciavam tempos difíceis à frente. As revelações trazidas à tona pela sequência de investigações da polícia e do Ministério Público e, posteriormente, a implementação da Lei Anticorrupção, de 2014, estão forçando agora as empresas a se ajustarem a novo tempo em que a transparência e as boas práticas, não só nas relações humanas, mas inclusive com o próprio meio ambiente, são elementos fundamentais para se manterem vivas no mercado.

A adoção tardia do modelo de compliance nas empresas, obrigando-as a agirem em conformidade com as normas da ética e da transparência, reflete o descaso com que nosso sistema de educação e ensino tem tratado, até aqui, assuntos dessa natureza. É possível que o corrupto de hoje, flagrado e algemado pelas autoridades e exposto à humilhação pública, tenha sido outrora um bom aluno em matemática ou biologia. Mas é quase impossível que tenha sido educado para assuntos básicos, como respeitar o próximo e o que pertence a cada um. O que operações como a Lava-Jato têm demonstrado, na prática, é que nossas elites dirigentes podem ter frequentado escolas de ponta, mas não aprenderam nada, não esqueceram nada.

 

A frase que foi pronunciada

“Dinheiro é mansão no bairro errado, que começa a desmoronar após 10 anos. Poder é o velho edifício de pedra, que se mantém de pé por séculos. Não respeito quem não sabe distinguir os dois.”

Do personagem Frank Underwood, de House of Cards

 

Celestial

» Cheio do lenga-lenga dos fiéis, o papa Francisco adotou uma placa “proibido reclamar” e justificou de forma enriquecedora: “Para dar o melhor de si, tem que se concentrar em seu potencial, não em seus limites”.

 

Remuneração

» Ricardo Barros, ministro da Saúde, anuncia biometria para médicos contratados pelo serviço público. Na capital do país, alguns profissionais da saúde conseguiram reduzir a carga horária para 20h semanais.

 

Fora da lei

» Nem a capital do país foge da desatenção à penitenciária. Por causa da falta de higiene e cuidados médicos, quase 700 detentos foram infectados por bactérias. Quem deu o alerta foi o Ministério Público do DF.

 

Gangues

» Inacabada, uma ponte em construção no Trevo de Triagem Norte está completamente pichada.

 

Manutenção

» Por falar em ponte, esta coluna sempre alertou para o perigo constante da Ponte do Bragueto, que não foi projetada para o peso e o movimento atuais.

 

História de Brasília

Estamos fazendo um levantamento sobre o que ocorreu, de fato, com relação aos postes de iluminação do pátio do aeroporto. Em duas oportunidades, foram de uma necessidade extraordinária e não funcionaram. (Publicada em 30/9/1961)

O fim da história no Brasil

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Fukuyama, filósofo e economista nipo-americano autor do polêmico best-seller O fim da História e o último homem”, em que apontou a queda do Muro de Berlim como marco que deu início ao fim dos processos históricos de mudanças, que seriam substituídos pelo liberalismo e pelo triunfo da democracia liberal, em recente entrevista, teceu comentários instigantes sobre a crise brasileira, cujos desdobramentos vem acompanhando de perto com lupa de estudioso dos problemas humanos.

Em sua avaliação, o momento brasileiro está repleto de vantagens únicas e de grandes desafios, principalmente no âmbito político, em que se anunciam transformações significativas. No entanto, para o cientista, é preciso evitar que o combate necessário à corrupção seja arrastado para o campo ideológico, como bem pretendem os personagens envolvidos nesses casos que estão, portanto, na mira da Justiça.

Entende Fukuyama que há, em nosso país como de resto em toda a América Latina, um complicado entrelaçamento entre a elite política e empresarial, ambos acostumados historicamente com as benesses advindas da corrupção. O que destaca o Brasil nesse cenário é a existência de uma imprensa livre e independente, aliada a sistema judicial atuante e a uma sociedade civil mobilizada, que, de certa forma, impedem que os maus-feitos sejam varridos para debaixo do tapete como era feito no passado.

Nesse ponto, Fukuyama se diz preocupado com a possibilidade de o combate à corrupção, que era consenso político da sociedade, ansiosa pela melhora nos serviços públicos, se transformar em batalha ideológica entre a esquerda e a direita. Para ele, esse impasse seria ruim tanto para um lado como para o outro, prejudicando a sociedade como um todo. Nos Estados Unidos, lembra, a sociedade civil teve que se esforçar por décadas, a partir do século 19, para modernizar os serviços públicos, acabar com as indicações políticas e com a corrupção.

O estudioso considera ainda: “É preciso desalojar os velhos atores e dar lugar aos novos. Sistemas corruptos não se consertam sozinhos. O Brasil precisa de nova geração de políticos que não esteja atrelada ao velho jeito de fazer as coisas, mas empenhada em agir de modo diferente. Não acho que isso seja impossível, mas exige tempo”. Para tanto, é necessário impor limites ao capitalismo, criando uma rede de segurança social para proteger as pessoas do mercado. “Não é desejável que o capitalismo faça tudo o que quer, aconselha, mas também não se pode politizar qualquer tomada de decisão econômica”.

Na avaliação do economista e professor da Universidade de Stanford, o combate à corrupção não é questão fundamentalmente cultural, mas de expectativas, ou seja, é preciso que ocorram sérios reveses com quem pratica a corrupção, para que as pessoas entendam que esse não é o caminho. “As normas sociais só mudam com regras melhores e pressão social”, enfatizou.

 

A frase que não foi pronunciada

“O roubar pouco é culpa, o roubar muito é grandeza. O roubar com pouco poder faz os piratas, o roubar com muito, os Alexandres.”

Padre Antonio Vieira

 

Release

» GDF organiza leilão de bens inservíveis no dia 22, às 10 horas, no SOF Norte, Quadra 1, Conjunto A, Lote 8. Os interessados podem ver a mercadoria entre 10 e 21 de julho. Entre os objetos à venda, estão móveis, eletrônicos, eletrodomésticos e veículos. Quaisquer reparos que os aparelhos necessitem para funcionar e o transporte dos itens são de responsabilidade do comprador.

 

Foco

» Mais direitos para quem tiver 80 anos de idade ou mais. Foi inserido no Estatuto do Idoso que, “entre os idosos, é assegurada prioridade especial aos maiores de oitenta anos, atendendo-se suas necessidades sempre preferencialmente em relação aos demais idosos”.

 

Como funciona

» Ministério da Saúde anuncia investimentos de R$ 1,7 bi. É preciso que a população tenha em portais de transparência a oportunidade de acompanhar o trajeto da verba. Diz-se que será empregada em capacitação e compra de 9 mil ambulâncias. Onde? Quem receberá? Qual o valor da divisão? O que é necessário para receber? Há obrigatoriedade de prestação de contas?

 

Realidade

» A propósito da nota acima, em maio deste ano, o Ministério da Saúde anunciou o repasse de R$ 20,5 milhões para hospitais universitários do Centro-Oeste, e a situação precária é a mesma.

 

Pé firme

» Moradores do Lago Norte andam com o artigo 28 da Lei Federal nº 6.766/79 no bolso. “Qualquer alteração ou cancelamento parcial do loteamento registrado dependerá de acordo entre o loteador e os adquirentes de lotes atingidos pela alteração, bem como da aprovação pela Prefeitura Municipal, ou do Distrito Federal quando for o caso, devendo ser depositada no Registro de Imóveis, em complemento ao projeto original com a devida averbação.”

 

História de Brasília

Com a concorrência na mesma praça feita pela Willys, a Vascal fechou as portas. Agora, a oficina da Willys, que está em lugar irregular, não pode dar a mesma assistência aos carros de sua linha e, para encurtar a conversa, se o serviço não piorou, melhorar mesmo é que não melhorou. (Publicada em 30/9/1961)

Problemas não se afastaram de Temer

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Quando um presidente viaja, costuma levar consigo, além de membros da equipe ministerial, as crises internas e contradições do governo. Num mundo globalizado, as comunicações, a espionagem industrial e tecnológica, a biopirataria, o monitoramento constante, feito por uma infinidade de satélites que circundam o planeta a cada instante, e outras ações do gênero geram tamanho volume de informações sobre determinada nação que não seria exagero reconhecer que os países do Primeiro Mundo conhecem nossa realidade e mazelas muito mais do que nós próprios. Nesse sentido, quando um chefe de governo viaja ao exterior, seus anfitriões já sabem, de antemão, de quem se trata, o que tem para oferecer e o que, eventualmente, pedirá em troca.

Com a viagem do presidente Michel Temer à Rússia e à Noruega não foi diferente. Obviamente que, em nosso caso atual, dado a conjuntura complicada que vai se formando em torno do presidente, seu desempenho como “caixeiro viajante do Brasil” fica comprometido e delimitado, quer por motivos pessoais de intranquilidade ante o desenrolar dos acontecimentos, quer por motivos políticos, com a perda crescente de apoio interno.

As imagens que foram vistas nas duas visitas a esses países do norte da Europa mostram um presidente extremamente tenso, como se a cabeça pesarosa tivesse ficado por aqui. A Rússia, confundida pelo nosso governo como União Soviética, é integrante do bloco econômico Brics, e é vista com muita ressalva pelos vizinhos próximos desde 2009, quando empreendeu um corte drástico no fornecimento de gás a muitos países europeus, prejudicando centenas de milhares de lares e empresas do continente, e passou a pressionar militarmente a Geórgia e outros antigos satélites.

Além da assinatura de atos bilaterais com vista à intensificação nas relações econômicas, sobretudo exploração de gás e petróleo, a visita de Temer a Putin serviu para estabelecer compromissos genéricos, como a implantação dos acordos de Paris e de combate à corrupção e de  antiterrorismo. Dois assuntos que, para a Rússia e para muitos países em crise econômica e política, ficam mais na retórica, à mercê das circunstâncias geopolíticas do momento.

Ao contrário do que ocorre em nosso país, a crise política na Rússia é facilmente resolvida e debelada com a prisão de opositores e outros métodos do gênero. Do ponto de vista de muitos analistas, a viagem de Temer, neste momento particularmente delicado, serviu mais para passar uma ideia de normalidade nas ações do governo através da intensificação de agendas positivas que, de certa forma, serve também para afastar o presidente das intensas pressões e preocupações internas.

Na Noruega, quase 10 mil km de distância do Brasil, a visita se deu, descontando as gafes (como chamar o monarca daquele país de rei da Suécia), sob protestos de ambientalistas e representantes indígenas e organizações não governamentais. Naquele país nórdico, a questão da destruição contínua das florestas tropicais ganhou maior relevo com a decisão do governo norueguês de cortar em 50% o dinheiro destinado ao Fundo Amazônia, destinado ao monitoramento, ao combate ao desmatamento e à promoção do uso sustentável da floresta.

Desde 2008, a Noruega destinou quase R$ 3 bilhões para essa finalidade, demonstrando conhecer, melhor do que nossos governantes, a importância desse ecossistema para o futuro do planeta e para a humanidade. Na visita àquele país escandinavo, Temer teve que ouvir diretamente da premiê, Erna Solberg, a cobrança de soluções e de “limpeza” para os casos de corrupção revelados pela Operação Lava-Jato. Para quem tentou se afastar da crise interna e buscar algum conforto alhures, Temer deve voltar ao Brasil com a orelha ardendo.

 

A frase que não foi pronunciada

“Joesley estar solto não é um paradoxo. É um mistério que em breve será desvendado.”

Ulysses Guimarães, contando um pedacinho da novela

 

Fita

» Por falar em mistério, foi muito interessante ver a foto dos senadores comemorando a vitória da votação da reforma trabalhista na CAS. Estavam exaltados demais para um treino. Comemoraram a final que nem começou ainda. Mas, pela performance, muitos eleitores acreditaram na força do grupo. Agora é esperar os arranjos para a votação no plenário.

 

Bremmer X Temer

» No início do mês, o presidente da Eurasia, Ian Bremmer, cientista político norte-americano especializado em política de países estrangeiros, avaliou que o impeachment do presidente Michel Temer teria um caminho longo e incerto. Conseguir dois terços de votos da Câmara dos Deputados para começar já é difícil. O pior da história é ter que se defender de uma gravação ininteligível.

 

Como será?

» Uma das parábolas interessantes de Jesus é quando ele chama Pedro para andar sobre as águas. Não deu. Faltou fé. Assim está o PSDB em relação ao PMDB. Pelo interesse, valeria a união, mas, se os escândalos continuarem, adeus, 2018.

 

Com “e”

» Como é perfeccionista, Rosane Garcia evita nossas transgressões vernaculares na coluna. Dad Squarisi também. Mas o excesso de zelo tirou o verdadeiro sentido da frase de ontem que estampava uma parede da Rodoviária: Abaixo o capetalismo!

 

Release

» Brasília sedia hoje o Simpósio  Oncologia Integrada IV, promovido pelo Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês —Unidade Brasília, que discutirá tendências e atualizações da área. Entre os temas que serão discutidos está o uso da computação cognitiva no combate ao câncer, com a participação da dra. Alice Landis-McGrath, membro do grupo IBM Watson Health Oncology e Genomics de São Francisco.

 

História de Brasília

Nós, como cidadãos, não poderíamos polemizar com o presidente da República, mas é hora de esclarecer. O sr. Alencar Araripe agiu parcialmente julgando atos aprovados pela diretoria anterior e provou que não merece continuar no lugar. (Publicada em 29.9.1961)

Universalizar a produção de energia elétrica é a saída

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Pelo disposto na Lei nº 9.991, de julho de 2000, “as concessionárias e permissionárias de serviços públicos de distribuição de energia elétrica ficam obrigadas a aplicar, anualmente, o montante de, no mínimo, setenta e cinco centésimos por cento de sua receita operacional líquida em pesquisa e desenvolvimento do setor elétrico e, no mínimo, vinte e cinco centésimos por cento em programas de eficiência energética no uso final”.

Por esse critério, investimentos em outras formas de produção de energia ainda demandarão muitos anos para apresentarem resultados minimamente satisfatórios. Embora a Resolução Normativa nº 482, da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), permitindo a instalação do sistema solar fotovoltaico e a utilização dessa energia pelas concessionárias, esteja em vigor há cinco anos, ainda é extremamente tímida a utilização dessa forma modalidade de geração de energia elétrica no Distrito Federal.

As razões vão desde o alto custo ainda cobrados por esses equipamentos individuais até, e principalmente, o desinteresse que tem demonstrado o Governo do DF e do restante do país, com o desenvolvimento e universalização dessa nova forma de geração de energia. Não se compreende que, numa época em que boa parte das usinas hidroelétricas do país se queixa dos baixos volumes de água em suas represas, ainda não existam incentivos significativos para a expansão e a popularização dos painéis solares a exemplo do que vem sendo realizado em larga escala em outras partes do mundo.

Para alguns entendidos no assunto, o motivo estaria no receio de que as empresas que operam na geração e distribuição de energia tradicionais estariam receosas de perderem mercado e, portanto, renda, com a popularização dos painéis solares individuais. Para se ter uma ideia o primeiro gerador fotovoltaico do DF foi instalado, conforme reconhece a própria CEB, apenas em 2011, na Embaixada da Itália. À época, houve insistência do governo daquele país, que estava interessado em reduzir gastos no consumo de energia de sua representação.

Além de não interessar ao GDF e muito menos aos representantes da população com assento na Câmara Distrital, a CEB cuida para que a instalação desses equipamentos nas residências se submetam a processo burocrático que obriga o consumidor a exportar a energia gerada excedente à rede, cobrando uma Taxa de Disponibilidade, acrescida ainda da Taxa de Iluminação Pública (TLP).

Não se compreende ainda a razão de o GDF postergar o estímulo a todos os prédios públicos da capital para que sejam alimentados exclusivamente por energia solar. De preferência vislumbrando o princípio da economia, não odo lucro. A prioridade agora deveria ser a produção de energia abundante, barata e limpa e não a lucratividade e os altos salários dos burocratas dessa empresa.

 

A frase que foi pronunciada

“Meu silêncio não está à venda”

Eduardo Cunha, em depoimento à PF

 

Falta de concorrência

Ao comprar uma passagem aérea, o consumidor brasileiro paga pelo assento(se for internacional), paga pelo despacho da bagagem e paga para se alimentar(se for Latan)

 

Ação e reação

Fazia tempo que uma quadrilha atuava nos clubes da cidade furtando objetos náuticos e de academias. O delegado Fernando César Costa estudou o caso e percebeu que os meliantes agiam onde havia brecha na segurança. Pouco tempo depois, a Polícia Civil conseguiu surpreender os criminosos e prendê-los.

 

Coincidência macabra

“Sua terrorista” são as palavras umbilicais que ligam o PT aos militares que a torturaram. A conclusão foi constatada com o ataque contra Míriam Leitão em um voo doméstico, em que delegados do Partido dos Trabalhadores a molestaram verbalmente.

 

História de Brasília

Com a abertura do paraquedas, o aparelho sofreu o impacto, saindo da pista. O comandante ainda o manteve sob meio controle, enquanto o engenheiro de vôo desligava os contatos e a bateria, para evitar faíscas que provocariam explosões. (Publicado em 29/9/1961)

 

Um processo de autoconstrução, ou não

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Entra e sai ano, e aqueles que têm o ensinar como nobre ofício continuam sem aprender uma lição básica: greves, sejam por quais motivos forem, não contam com o apoio da população. Pelo contrário. Para a maioria dos cidadãos, que depende, fundamentalmente, dos serviços públicos, os movimentos paredistas, de qualquer natureza, prejudicam justamente os mais necessitados e sofridos segmentos da sociedade.

As classes médias altas nem sequer tomam conhecimento desses movimentos, já que há muito tempo abandonaram os serviços de educação e de saúde públicos. O que os professores ainda não se deram conta é de que os serviços públicos atendem hoje quase, exclusivamente, as populações mais carentes. Justamente aquelas que os sindicatos dizem representar e proteger.

Enquanto o professorado se deixar utilizar como massa de manobra por sindicatos pelegos, que nada mais fazem do que seguir as cegas orientações de partidos políticos, as condições de trabalho e de salários permanecerão inalteradas. A equação dos sindicatos é simples: enquanto permanecer a precária situação na prestação de serviços públicos, haverá trabalho para os agentes profissionais do caos. Os sindicatos não têm compromisso com a educação. O que interessa a essas instituições é a disputa política, sobretudo, aquela que conduz rápido à tomada do poder.

Corte de salários, prejuízos ao processo de ensino, suspensão da sequência natural dos conteúdos programáticos administrados pelos professores, desânimo dos alunos com a interrupção das aulas, desprestígios acarretados à imagem dos educadores, depredação das escolas, meio milhão de crianças sem aulas, soltas nas ruas e outros flagelos não interessam aos sindicatos. O que importa é agitar a manada, dando algum sentido à própria existência desses organismos.

O que a categoria ainda não assimilou é que os sindicatos não lutam pela melhoria da qualidade do ensino público e, sim, pela hegemonia das legendas que representam. No modelo obsoleto e injusto de sindicalismo que adotamos, as greves são realizadas apenas para gáudio dos partidos. Nada mais. O que tem resultado de mais palpável, das inúmeras greves, é a decadência progressiva do ensino público. O que prova isso é que, cada vez mais, ocupamos a rabeira nos rankings mundiais quando o assunto é qualidade do ensino.

É preciso notar ainda que esta greve tem início com menos de 10% de aprovação da categoria, já que a maioria dos professores, desiludidos, sequer se deu ao trabalho de comparecer à assembleia para votar.

>>A frase que foi pronunciada

“A tendência democrática de escola não pode consistir apenas em que um operário manual se torne qualificado, mas em que cada cidadão possa se tornar governante.”

Antônio Gramsci

Chance

>> Se estiver reclamando da água no DF, eis o convite. Virada do Cerrado 2017. A primeira reunião do Comitê Criativo vai ser amanhã, no Centro de Convenções na sala da Condetur, de 9h às 12h.

Enova

>> Val e a pena, ama nhã, quinta-feira, passar na feira de produtos autorais no Clandestino Café da 413 Norte, das 14h às 21 h. Oficina de turbantes, mercado Étnico. Artesãos, designers e estilistas de Brasília expõem bijuterias, semijoias e moda. As oficinas são gratuitas. Inscrições no Facebook enovafeiraderua. Procure pela Cíntia. Ela sabe tudo.

Regra básica

>> Enfim, uma autoridade traduz o que o cidadão pensa. A senadora Lúcia Vânia, tão logo ocupou a responsabilidade da Presidência da Comissão de Educação, Cultura e Esporte, propôs que o colegiado participe mais efetivamente no monitoramento da execução das despesas e da elaboração da proposta orçamentária da educação. O dinheiro vai, mas não há o mínimo de controle do que é feito com ele, já que não há rubrica que limite os fins do uso.

Desde 2000

>>Entra e sai ano, e os deputados não se dão conta de que o Brasil perde muito mais não brigando pelas suas patentes, mas pelejando contra piratas. Se o bina, criado por Nelio Nicolai, brasileiro, fosse cobrado no planeta pelo seu uso, imaginem o que o país lucraria. O Canadá reconheceu o inventor, o Brasil teima em subjugá-lo.

>>História de Brasília

»Mas quem não conhece bem o Brasil é a própria Ford, porque põe carnaubal no Maranhão, e babaçu no Piauí, quando todo o mundo sabe que é ao contrário. De fato, Maranhão produz carnaúba, e o Piauí, babaçu. Mas no inverso, os dois são os maiores produtores. Desculpem.

(Publicado em 23/9/1961)

República das empresas. Com elas, por elas e para elas

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Em decisão definitiva, proferida em setembro de 2015, o Supremo Tribunal Federal (STF), ao considerar inconstitucional o modelo até então vigente de financiamento dos partidos e dos políticos, proibiu que pessoas jurídicas continuassem a financiar as milionárias campanhas eleitorais. O que, a primeira vista, parecia o início do fim do caixa 2 e da plutocratização do processo político mostrou-se, com o assentar das ideias, apenas um esparadrapo fixado na base de uma grande represa que ameaçava romper.

Graças à Operação Lava-Jato foi posto a nu um dos mais antigos e principais mecanismos que, desde sempre, vinha solapando as colunas que sustentam a República. Se a corrupção política era uma velha conhecida dos brasileiros, o que não se sabia, até então, e vai sendo revelado aos poucos, era o enorme grau de influência das grandes empresas na máquina do Estado.

É sabido que empresas não votam, investem, e o fazem com alto grau de retorno. Milhões despejadas em múltiplos candidatos a cada eleição representam apenas uma ínfima parcela dos que estão prestes a receber em paga. Com elas, por elas e para elas foi eleito um número expressivo de políticos. Não seria demais considerar que as empresas têm hoje a maior bancada de representantes no Congresso, além das assembleias legislativas espalhadas por todo o país.

É preciso ressaltar que o apoderamento dessas empresas sobre o aparelho do Estado se deu graças ao próprio sistema eleitoral, que permitiu, e até incentivou, a formação desse verdadeiro poder paralelo. Pelas pequenas brechas da lei, escapam, justamente, aqueles que não têm estatura moral e grandeza cívica.

Por longo tempo, a existência dessas eminências pardas funcionou, simultaneamente, como um governo oculto. Não é por outro motivo que as grandes obras públicas foram entregues aos poderosos conglomerados. E não é por outra razão que os maiores financiamentos de bancos do Estado foram concedidos também a esses grupos. A onipresença dos mesmos grupos econômicos no governo resultou em situações surreais. O poder emana do povo e pelo voto a seus representantes que tramam leis, sob medida, para atender aos interesses exclusivos dessas empresas ,e não ao que reza a Carta Magna.

Outras normas foram extirpadas da legislação porque prejudicavam seus negócios. Perdões e isenções fiscais de toda a ordem foram estabelecidas apenas para o benefício desses campeões nacionais. Mesmo agora, com o descerrar do pano pela polícia, ensaia-se, em larga escala, o espetáculo dos acordos de leniência, que nada mais são do que um amplo portal de saída, construído e financiado por essas mesmas empresas, para escapar das condenações que se anunciam no horizonte.

A frase que foi pronunciada

“Quando um Estado se transforma em marionete de grandes grupos empresariais, as garantias e os direitos constitucionais da sociedade civil passam a valer tanto quanto promessa de político.”

Doutor Ulisses Guimarães, de onde estiver.

Total

» Onde entra, o Ecad ganha. Clarisse Escorel, do jurídico, comemora a vitória no STJ para os artistas que têm suas obras exploradas economicamente na Internet. Quanto à transparência na redistribuição dos valores arrecadados, não há novidades.

Reunião

» Senador Paim deve estar com todos os radares voltados para o resultado do encontro entre o presidente do Senado, Eunício Oliveira ,e o presidente da CNI, Robson Andrade. Eles trataram do Refis, regularização tributária. Sobre a terceirização, Andrade declarou que deseja que se “possa terceirizar qualquer trabalho, qualquer serviço.”

H2A

» Uma obra em verde é o mais recente livro de Eugênio Giovenardi, ecossociólogo que convida cada um dos leitores a fazer sua parte para salvar o planeta Terra com atitudes efetivas que, independentemente da idade, são dadas aos sábios: investir no tempo, trabalho e paciência com a fórmula mágica, árvore e água.

Doenças

» Nosso amigo José Rabello denuncia a quantidade de açúcar em alimentos industrializados. “Até torradas e pão preto t”em açúcar em excesso.” Ultrapassa o limite saudável. Assim como o sal que a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda o consumo máximo de 2 gramas de sódio por dia.

Varjão

» A Casa São José, no Varjão, aguarda voluntários advogados, psicólogos, músicos, dentistas, recreadores, secretárias e quem mais quiser contribuir com a instituição.

História de Brasília

Brasília, que é diferente em tudo, tem outra coisa: umidade relativa. E os comentários vão para a frente. Em São Paulo, a umidade é de 98%, aqui é de 30%. O corpo humano precisa de tanto para suportar a vida e, em Brasília, está descendo muito. O clima é muito seco. “Fulano está com a pele toda rachada” e vão por aí os comentários. (Publicado em 23/9/1961)

Dom Bosco e o leite e mel da Caesb

Publicado em Íntegra, ÍNTEGRA

Desde 1960

jornalista_aricunha@outlook.com

com Circe Cunha e MAMFIL

Mesmo para um país que, por séculos, tem convivido com as mais flagrantes desigualdades sociais e econômicas, causa espanto que, em tempos de crise profunda, o governo insista, abertamente, em eleger, como prioridade, o atendimento das necessidades da elite. De outra forma, como explicar que, em meio à séria crise hídrica que assola a capital, o GDF inclua no sistema de racionamento e corte de água as escolas públicas, prejudicando milhares de estudantes e, ao mesmo tempo, permita o abastecimento normal para os palácios e outros prédios que abrigam o alto escalão da república? É esse tipo de prioridade que faz com que o Brasil permaneça eternamente estagnado nos rankings mundiais quando o assunto é desenvolvimento humano.

O certo é que, em países normais e em tempos de aflição, as primeiras a serem protegidas contra os flagelos sejam, justamente, as populações formadas por crianças, idosos e mulheres. Se há falta de água, os últimos a sentirem seus efeitos deveriam ser os pequenos. Troca de informações eletrônicas sugerem que político algum faria falta se parasse de trabalhar e deixasse de receber seus gordos proventos. Por isso, o corte de água e de luz deveria começar nas residências dos que detêm o poder.

Para fazer frente aos altíssimos e injustos salários que adornam os contracheques dos empregados da Caesb, essa triste empresa não demonstra constrangimento algum, nem em meio à maior crise hídrica da atualidade, em aumentar os preços das tarifas de água e aplicar porcentuais extraordinários nas contas dos consumidores. Vale ressaltar que, na mesma medida da falta de cuidado em prestar um bom serviço, não há o mínimo de atenção em relação à qualidade do produto oferecido à população. A Caesb proíbe e retira o equipamento comprado pela clientela para anular o ar que dispara o ponteiro acusando consumo de água na volta do líquido depois da interrupção do fornecimento, quando, na verdade, o que veio pelo cano foi ar.

“Quando se vierem a escavar as minas escondidas no meio destes montes, aparecerá aqui a terra prometida, de onde jorrará leite e mel. Será uma riqueza inconcebível.” Parece que dom Bosco vislumbrava a Caesb. A água cheia de barro da cor de um bom mel ou cheia de químicos, da cor de leite, além do lucro de alguns funcionários da companhia que reina sem concorrência.

Enquanto, para a população, o abastecimento de água é visto como uma necessidade vital básica, para esses “novos empresários públicos”, o líquido é garantia de altos rendimentos, principalmente a sua escassez.

A água não pode ser encarada como um bem econômico qualquer, sujeito às leis flutuantes da oferta e da procura, próprio dos mercados . Trata-se do maior e mais estratégico bem, sem o qual as possibilidades de colapso da sociedade são patentes. Por isso mesmo, a administração desse precioso líquido, desde a coleta, o tratamento e a distribuição, deveria se submeter a critérios absolutamente transparentes, se possível, dentro dos princípios que regem a própria segurança nacional. José Walter Vasquez, da Adasa, declarou, em audiência pública, que “ a população está sendo penalizada demais pela taxa e pelo não fornecimento de água”. Mas, mesmo sendo o regulador da companhia, não foi efetivamente além disso. A sociedade não irá permitir que a água continue a ser negociada como uma mercadoria qualquer e, ainda mais, por uma empresa que tem encarado, desde sempre, o fornecimento desse produto apenas sob o aspecto de lucro fácil e certo.

A frase que foi pronunciada

“Aprendi que a seca não é só quando falta água, é quando sobra corrupção.”

Raimundo Nonato, pensando no sertão

Release

» A Emater do DF estimula a meliponicultura. Para a pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Carmen Pires, incentivara meliponicultura no país é também uma forma de contribuir para a preservação de espécies nativas de abelhas. Somente no Brasil, há cerca de 250 espécies de abelhas indígenas sem ferrão já descritas, muitas delas com características específicas e propícias para o uso em polinização de plantas cultivadas. Mais informações cenargen.nco@embrapa.br ou (61) 3418-4768

Informação

» O Brasil é o quinto maior mercado de alimentos e bebidas saudáveis. O volume de vendas foi superior a US$ 25 bilhões em 2015.

Concurso

» Promovido anualmente, a Câmara Mirim é um programa de simulação da atividade parlamentar similar ao Jovem Senador. Crianças e adolescentes são incentivados a redigir projetos de lei. A lista dos professores que enviaram projetos para participar já está na página da Câmara dos Deputados.

Passado e futuro

» Foi emocionante o encontro com a professora Neuza Garbin, no Uniceub. Discutíamos sobre a impossibilidade deste pais alcançar um nível educacional adequado sem professores capacitados. Pedagogia é um curso fundamental para dar suporte aos profissionais da educação.

História de Brasília

Em São Paulo, no Paraná, em toda a parte, enfim, quando os termômetros descem, todo o mundo comenta a temperatura. Tantos graus abaixo de zero, ontem, geou em tal parte, aconteceu isto, e aquilo. (Publicado em 23/9/1961)

República do quid pro quo

Publicado em Íntegra

DESDE 1960 »

aricunha@dabr.com.br

com Circe Cunha com MAMFIL

Alguns estudiosos do comportamento humano reconhecem que o homem é o único ser vivo que tem suas ações e movimentos guiados quase que exclusivamente pelo sentido da oportunidade e interesse. De fato, o interesse é condição natural do ser humano. Há muito, sabe-se que o interesse move o mundo. A própria vida em coletividade reforça a ideia de interesses mútuos e vitais. Viver em comunidade é se ajustar, a cada dia, a interesses diversos.

No despacho que redigiu, aceitando a denúncia do Ministério Público contra o ex-presidente Lula , dona Marisa, Paulo Okamoto, Léo Pinheiro e mais quatro pessoas, o juiz Sérgio Moro, a certa altura do texto em que justifica sua decisão, citou a expressão latina “quid pro quo” para dizer que os pagamentos mensais feitos pela OAS, para o custeio da armazenagem dos pertences, a Lula, bem como a reforma do tríplex no Guarujá, foram em troca de contratos milionários e criminosos com a Petrobras.

A expressão, significando tomar uma coisa em troca de outra, se aproxima muito de outra muito conhecida pelos políticos brasileiros: “É dando que se recebe”. Com a evolução natural da linguagem, a expressão se aportuguesou e ganhou um sentido que mais se aproxima de confusão, desordem, baderna. Na realidade, o seu significado atual expressa, de modo conciso, a situação vexaminosa a que chegamos com o chamado presidencialismo de coalizão.

O escândalo do mensalão, que eclodiu em 2005, mostrou de modo preciso como funcionava a maquinaria do “quid pro quo”. Em troca de pagamentos mensais, desviados dos cofres públicos, uma parcela expressiva de parlamentares dava apoio total às proposições vindas do Executivo e, com isso, garantiam a sustentação política do governo. Quando, no futuro, os historiadores forem se debruçar sobre esse período de 13 anos que marcaram a gestão petista no comando do país, um bom subtítulo para este capítulo poderá ser exatamente “A república do quid pro quo”.

Acontece que, com a mudança dos ventos e o aparecimento casual de uma certa República de Curitiba, o que era um tom lá dá cá deslavado se transformou no maior quiprocó da história jurídica desse país, virando a República de cabeça para baixo. Com as prospecções, indo cada vez mais fundo, da força tarefa do Ministério Público, foi encontrado o verdadeiro pré-sal da corrupção dentro da então maior empresa estatal brasileira.

Para os contribuintes que, ao fim, arcarão com os rombos bilionários, o quid pro quo da altíssima carga tributária em troca de serviços equivalentes e de qualidade, continuará sendo ficção longínqua e impossibilitada justamente pelos desvios continuados do dinheiro público e, principalmente, pela péssima qualidade dos representantes políticos que dispõem.

A frase que não foi pronunciada

“ O direito penal não tira a vantagem econômica da corrupção. É possível apostar no fim da corrupção enquanto ela for economicamente rentável?”
Aloisio Freire, no JusBrasil

Tragicomédia
» Conversa vai, conversa vem lembrou a inauguração do cinedistrital. Era uma sala de cinema na Câmara Legislativa, que seria inaugurada com pompa e circunstância. Só que quem escolheu o filme sabia de coisas que a cidade não tinha conhecimento e deu o recado de uma forma que, até hoje, arranca gargalhadas e lágrimas. O primeiro filme apresentado: “Roubo as alturas”.

Fraldas
» Por falar em Câmara Legislativa, deputados que rasgam as críticas e mandam emoldurar os elogios são maioria. Isso mostra como são principiantes os representantes da população da capital.

Celeuma a semana
» Cobrança de IPI em importação para revenda é inconstitucional, defende a Dra. Alessandra Monti Badalotti. Na Corte, os magistrados entenderam que “os produtos importados estão sujeitos a uma nova incidência do IPI quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda, mesmo que não tenham sofrido industrialização no Brasil”. A discussão do assunto promete importantes mudanças.

O preço de um rio
» Quem acessa o portal da Samarco parece estar diante de uma empresa celeste, mesmo que a vida de milhões de brasileiros possa virar um inferno com a morte de um rio. Uma multinacional controla uma empresa que mata um rio do país e pronto. Essa seria uma grande oportunidade de os brasileiros voltarem com a bandeira verde e amarela nos carros. Por que atingiu população ribeirinha fica por isso mesmo?

História de Brasília

Por outro lado, continua sem luz, força, água, telefone e esgotos, o Setor de Indústria e Abastecimento. (Publicado em 14/9/1961)

ONU como esperança da paz

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DESDE 1960 »

aricunha@dabr.com.br

com Circe Cunha e MAMFIL

Um aspecto comum presente tanto nos discursos do presidente Michel Temer, quanto nos do seu colega americano, Barack Obama, foi o sentimento de que as principais nações com assento na ONU busquem, o mais rápido possível, medidas e mecanismos eficazes que, de alguma forma, atenda às múltiplas necessidades de um planeta convulsionado e em acelerada transformação sob vários aspectos. “A realidade andou mais depressa do que nossa capacidade coletiva de lidar com ela.” reconheceu Temer, para quem o mundo atual é marcado sob o signo das incertezas e da instabilidade.

É preciso, no entanto, reconhecer que naquela tribuna planetária, especificamente, qualquer assunto de natureza doméstica que não envolva diretamente a coletividade humana corre o risco de passar despercebido e de não ser levado a sério por ninguém. Diante da magnitude dos problemas globais, assuntos internos são para serem resolvidos intramuros. Tanto Michel Temer quanto Barack Obama se referiram à escalada do terrorismo como ponto central a ser resolvido, de imediato.

Temer discursou sobre as ameaças incontidas do fundamentalismo violento, sobre os refugiados e o recrudescimento do terrorismo que nos deixa um sentimento de perplexidade. Obama foi na mesma direção, discursando sobre os conflitos mundiais e a pobreza. “Embora proclamemos nosso amor pela paz e o ódio da guerra, existem convulsões em nosso mundo que nos colocam em perigo,” disse o presidente do país, tachado de arrogante pelos fundamentalistas.

Na avaliação do presidente Temer, há pessimismo quanto aos focos de tensão que parecem crescer sem cessar: “Uma quase paralisia política leva a guerras que se prolongam sem solução. Paralisia essa que acumula interesses velados em petróleo, em venda de armas, e por aí vai o lado obscuro da humanidade.” A incapacidade de o sistema reagir com autenticidade ante os conflitos agrava os ciclos de destruição. A vulnerabilidade social de muitos, em vários países, é explorada pelo discurso do medo e do entrincheiramento. Há um retorno da xenofobia.

Os nacionalismos exacerbados ganham espaço. Em todos os continentes, diferentes manifestações de demagogia trazem sérios riscos. Obama foi mais otimista ao declarar que “foi uma década difícil. Mas hoje chegamos a uma encruzilhada da história com a chance de caminharmos decisivamente na direção da paz. Para isso, precisamos reincorporar a sabedoria daqueles que criaram esta instituição. A Carta das Nações nos exorta a unir nossas forças para manter a paz e a segurança internacionais” . Temer cobrou uma atuação mais afirmativa da ONU e que vá além dos discursos da alta cúpula. Resta saber se a ONU conquistou o respeito mundial para se fazer ouvida.

O presidente Obama cobrou uma Organização das Nações Unidas capaz de assumir o seu papel, enfrentando os desafios de um mundo manchado por chagas e feridas abertas por interesses econômicos. Nos escritórios atapetados, são resolvidas as vidas de milhões de pessoas. Crianças que não conseguem entender a razão de tantas diferenças na sociedade. O presidente do país mais poderoso do mundo, inclusive um dos que sustenta a própria ONU, sugere que a organização seja projetada nos mercados de Cabul, mostre sua presença nas ruas parisienses, marque presença nas ruínas de Aleppo.

Apesar de o mundo querer a Paz, os governantes não conseguem estimulá-la. Vale lembrar aqui, o caráter brasileiro que marcou Porretta Terme, vilarejo ao norte da Itália, quando soldados levados para matar foram recebidos por pessoas famintas. Não tiveram dúvida. Dividiram água e mantimentos. Não foi necessário um organismo internacional dar essa ordem. A intenção que se sobrepõe às regras nem sempre é nociva, como foi esse caso e tantos outros. Durante quase sete décadas, mesmo que as Nações Unidas tenham contribuído para impedir uma terceira Guerra Mundial, ainda vivemos num mundo marcado por conflitos e assolados pela pobreza. O que nos põe em perigo é a falta de solidariedade e de inteligência dos líderes mundiais para perceber que a humanidade é de uma só raça: A raça humana. Se quisermos continuar sobrevivendo, vamos ter que tratar as riquezas naturais com mais respeito, porque dependemos delas para viver. Não é complicado de entender.

A frase que foi pronunciada

“De uma coisa sabemos. A terra não pertence ao homem: é o homem que pertence à terra, disso temos certeza. Todas as coisas estão interligadas, como o sangue que une uma família. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto agride a terra, agride os filhos da terra. Não foi o homem quem teceu a trama da vida: ele é meramente um fio da mesma. Tudo o que ele fizer à trama, a si próprio fará.”

Chefe Seatle

Leitor

» Sérgio Pedro pergunta o que foi feito das armas devolvidas com boa fé durante a campanha do desarmamento. Não seriam essas armas que estariam chegando, a preços baixos, às mãos dos assaltantes dotados de pequeníssimo poder aquisitivo? Durante a campanha, a promessa era a de destruição total das armas entregues em delegacias, quartéis da polícia e, ainda, em igrejas. Foram mesmo destruídas? Existem termos de destruição destas armas?

Questiona o leitor.

História de Brasília
Voltaram a queimar, com abundância, as lâmpadas nos apartamentos em Brasília. Enquanto isso, o transformador da estação da Celg não entra em funcionamento. (Publicado em 14/9/1961)