O barato que sai caro. Carta de um concurseiro.

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VISTO, LIDO E OUVIDO
Criada por Ari Cunha (In memoriam)

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    Cara Circe Cunha, espero poder contar com o seu espaço para trazer a voz de milhares de concurseiros à sua coluna no Correio Braziliense. Brasília é a capital dos concursos e estamos totalmente desamparados. No dia 02 de outubro de 2018, foi publicado o edital nº 01 do concurso público para provimento de vagas em cargos de nível superior da Advocacia Geral da União (AGU), abrangendo os cargos de Administrador, Analista Técnico-Administrativo, Arquivista, Bibliotecário, Contador, Técnico em Assuntos Educacionais e Técnico em Comunicação Social. A banca responsável pelo certame foi IDECAN e as provas estavam marcadas para o dia 09 de dezembro. Concurseiros de todo o Brasil, aguardavam desde 2014, por uma nova oportunidade de ingressar em um órgão tão significativo do Poder Executivo.

   Vida de concurseiro, pelo menos aqui em Brasília, todos sabem como é: gastos com cursinhos preparatórios, aulões e livros; abstenção de momentos em família e entre amigos; em média 8 a 12 horas de estudos por dia, de domingo a domingo, forma sistematizada entre os estudantes; um sacrifício maior ainda por parte daqueles que precisam conciliar os estudos com o trabalho, esposa e filhos, como é o meu caso. A rotina que já é cultura em nossa cidade. Além dos conteúdos básicos e específicos para cada prova, é essencial um bom conhecimento da banca, da sua tradição. O IDECAN, uma banca até então sem relevância nacional, especialista apenas em concursos pequenos de prefeituras,  lançou-se por baixo custo a grandes editais.

   Em Brasília, o IDECAN venceu a licitação para realizar o concurso do CBMDF por um valor de R$ 2.012.900 reais. Resultado: no dia da prova do cargo: qbmg02 os candidatos não receberam o cartão de respostas com os nomes corretos e deveriam, a pedido da banca, riscar à caneta o nome diferente da sua identidade que estava impresso no cartão de respostas e escrever o próprio nome por cima, ato que por si só seria suficiente para anular a integridade do Concurso. Na prova de oficiais o despreparo da banca foi ainda mais escandaloso. O que seria uma simples tarefa não foi executada. O IDECAN foi incapaz de entregar a folha de redação para todos os candidatos. A instrução a seguir foi a  de escrever a redação, em uma folha A4 em branco,  e colocar todos os dados pessoais. Um verdadeiro absurdo. Final da novela. As provas foram anuladas a pedido do Ministério Público do Distrito Federal que recomendou sob alegação de “inconsistência relativa à ausência de folhas de respostas da prova discursiva”. Depois disso pelo baixo preço cobrado, a PMDF havia escolhido o IDECAN para a realização do certame da corporação, entretanto, com sensatez, diante do circo de horrores, decidiu por desclassificá-la e contratar o segundo colocado.

   Pois bem. Não é novidade para ninguém que o concurso da Advocacia Geral da União também foi marcado por diversos problemas, a começar pelo cancelamento das provas aplicadas no período matutino e para o cargo de Técnico em Comunicação Social . O motivo teria sido uma falha na logística que causou o atraso e até mesmo a não entrega dos cadernos de provas em quatro cidades: Cuiabá (MT), Florianópolis (SC), Rio de Janeiro (RJ) e São Luís (MA). Como um dos candidatos ao concurso, cheguei ao local de provas com mais de uma hora de antecedência, verifiquei se o meu nome constava na lista fixada no lado de fora da universidade e aguardei a abertura dos portões.

   Às 8 horas liberaram a entrada e, aparentemente, tudo corria bem. Até que me deparei com a primeira questão: Por que não passamos por detectores de metais ao entrarmos nas salas? Geralmente, é o que acontece, como podem atestar quem tem experiência com bancas mais competentes. Sendo assim, qualquer candidato mal intencionado poderia entrar com qualquer artifício que facilitasse uma possível fraude e permanecer até o final das provas, sem que ninguém percebesse.

   A segunda questão diz respeito ao despreparo dos fiscais de prova. Na minha sala, a orientação quanto aos horários foi passada de forma incorreta e, como é proibido o uso de relógios e qualquer tipo de eletrônico durante a realização das provas, dependemos dos fiscais para estimar o nosso tempo. Mesmo com essas falhas, quem estava ali não imaginava  o que  estava por vir.

   Cara Circe Cunha, espero poder contar com o seu espaço para trazer a voz de milhares de concurseiros à sua coluna. Brasília é a capital dos concursos e estamos totalmente desamparados

   Falo do concurso para provimento de vagas em cargos de nível superior da Advocacia Geral da União (AGU), abrangendo os cargos de Administrador, Analista Técnico-Administrativo, Arquivista, Bibliotecário, Contador, Técnico em Assuntos Educacionais e Técnico em Comunicação Social. As provas se encerraram às 13h 30min e as próximas iniciariam às 15h. Como deveria estar presente às 14h, almocei no carro e voltei à universidade para a segunda etapa.

   As falhas ocorridas no período da manhã se repetiram. Além disso, em outras salas, problemas muito piores ocorreram. Em um dos pacotes de cadernos de provas para o cargo de Analista Técnico-Administrativo havia uma abertura de cerca de 15 centímetros, e um dos cadernos, de cor azul, que estava dentro do pacote, apresentava indícios de que havia sido manuseado, segundo o candidato que se recusou a fazer a prova e abriu um boletim de ocorrência na Delegacia da Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo ele, todos os demais candidatos que presenciaram a cena testemunharam uma possível fraude no concurso. Veja a reportagem clicando aqui.   Como se não bastasse, em outras salas, ficais autorizaram candidatos a folhear os cadernos de prova antes do horário de início. Houve também candidato passando a prova à lápis sem ser repreendido por nenhum fiscal. Um candidato com nanismo, que solicitou atendimento especial no ato da inscrição do concurso, não teve, sequer, uma cadeira adaptada; uma situação totalmente constrangedora e desrespeitosa. A cadeira em que sentei estava grande para mim, imagino a dificuldade que deve ter sido para ele. É de praxe também que todas as provas iniciem e terminem no mesmo horário, por medidas de segurança. Isso não ocorreu no período vespertino, com uma diferença de tempo que beirou 20 minutos.

   Por fim, na sexta-feira que antecedeu o concurso, os candidatos receberam uma retificação do edital. Uma das alterações dizia respeito a entrega da prova discursiva: “O candidato, ao término da realização da prova discursiva, deverá, obrigatoriamente, devolver a folha de textos definitivos, sendo obrigatória a retirada da folha de identificação anexa, pelo fiscal de sala.” Ao entregar a minha prova, questionei à fiscal sobre a retirada da folha de identificação da minha redação e obtive a resposta de que isso seria feito depois. Observei que o mesmo aconteceu com os outros candidatos da minha sala.

   Ontem a banca IDECAN emitiu uma nota confirmando a reaplicação das provas que ocorreram no período matutino – cargos de Administrador, Contador, Arquivista e Técnico em Assuntos Educacionais – e para o cargo de Técnico em Comunicação Social, que ocorreu no período vespertino, para o dia 27 de janeiro de 2019. Afirmou também, na mesma nota, que “as provas para os cargos de Analista Técnico-Administrativo e Bibliotecário não precisarão ser reaplicadas.” Um prejuízo gigantesco para todos aqueles que se prepararam para esse concurso e, principalmente, para aqueles que se deslocaram de outros estados para a realização das provas. Resta saber se, no dia 27 de janeiro, a banca já terá uma cadeira adaptada para o candidato com nanismo e se respeitará tantas outras solicitações de atendimento especial.

   O que mais causa indignação entre os candidatos é o fato de um órgão tão renomado quanto à AGU contratar uma banca como a IDECAN (que se intitula como um Instituto de Desenvolvimento Educacional, Cultural e Assistência Nacional), visto o seu histórico “peculiar” em realização de certames. A pergunta que ecoa entre os estudantes participantes desse concurso é: A realização do último concurso do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal não foi suficiente para atestar a incompetência da banca? Fica a reflexão.

A frase que foi pronunciada:

Se você quer ser bem-sucedido, precisa ter dedicação total, buscar seu último limite e dar o melhor de si mesmo.

 Ayrton Senna , que não teve oportunidade de conhecer o IDECAN

IBAMA

   Superintendentes do IBAMA no Acre, Amazonas, Roraima e Rondônia enviaram uma carta oficial ao presidente eleito Jair Bolsonaro denunciando aparelhamento no órgão e empecilhos para o cumprimento de fiscalizações ambientais. Um destaque interessante é sobre o Decreto de Temer que converteu multas em serviços de preservação ambiental. Diz a carta que “após um ano da publicação do decreto, o IBAMA ainda não estabeleceu em regulamento próprio as regras para julgamento dos pedidos de conversão em multa, provocando uma desconfiança ou descontentamento generalizado, levando ao descrédito do estado brasileiro.” Em outro trecho, criticando o loteamento de cargos pelo PT, PSOL, MDB e PCdoB, eles dizem: “a maior autoridade em instrução processual do IBAMA em Brasília é um dos maiores advogados do MST” e mais. O documento afirma que pessoas desses partidos foram identificadas com nome, CPF , SIAPE, cargos, filiação partidária e os papéis que desempenham contra o Estado brasileiro. Leia a carta clicando aqui.

 

 

Natal Solidário

   O restaurante Carpe Diem (104 Sul), em parceria com o grupo Setec, está arrecadando brinquedos novos e usados, em boas condições, que serão doados à Creche Fale. A instituição, localizada no Recanto das Emas, cuida de centenas de crianças portadoras do vírus HIV. Os objetos podem ser entregues nos pontos de coleta: Carpe Diem (104 Sul), The Room Bar e lavanderia Acqua Flash, até o dia 21 de dezembro.

Cartaz: facebook.com/CarpeDiemBSB

Outro lado

   Em sua coluna de 12/12, há uma nota sob o título É Natal. Esclarecemos que não é papel do Sindivarejista a formação de mão de obra para o comércio de entrequadras e shoppings. Fundado há 48 anos, o Sindivarejista reúne hoje 35 mil lojas.  Cabe a cada uma delas decidir sobre as formas e metodologia de atendimento envolvendo empregados e consumidores. O sindicato defende o bom atendimento como forma de fidelizar clientes e dinamizar o comércio. Por derradeiro, com todo o respeito, discordamos da coluna quando ela afirma que, no quesito atendimento de lojas, “Brasília é um desastre”. A generalização é um equívoco que pode ser corrigido. A perspectiva é do amigo Kleber Sampaio, assessor de imprensa do Sindivarejista.

Escândalo

   Segundo ambientalistas que trabalham em áreas remotas e em condições de risco de morte, existe hoje um incentivo velado ao desmatamento para a extração de madeira a baixo custo.

Arte e Cultura

   O Google Arts & Culture, disponível em site e aplicativo (iOS e  Android), tem parceria com mais de 1800 instituições culturais de 70 países, que disponibilizam seus trabalhos ao alcance global. São mais de 6 milhões de fotos, vídeos, manuscritos e outros documentos de arte, cultura e história, representados por mais de 7.000 exposições digitais em toda a plataforma. Veja um passeio no Museu Nacional CLICANDO AQUI.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA 

            As cidades satélites estão sem transportes, e sem abastecimento do governo. Os moradores ficam expostos aos exploradores particulares.(Publicado em 07.11.1961)

Visão panorâmica

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Uma coisa é subir no palanque e fazer campanha eleitoral, outra muito diferente é subir a rampa do Planalto para governar um país complexo como o Brasil. Obviamente que diante da realidade que se apresenta ao eleito, sempre existiu aquele que prefere tomar um atalho mais fácil e governar o país ,cooptando com benesses, todas as forças políticas ao redor, dentro do velho esquema do presidencialismo de coalizão, onde todos lucram, menos a população que é chamada apenas para pagar a conta desses acertos escusos.

Com isso , para cada passo que o país avançava em frente, correspondia a dois passos recuando, ou seja, ficava patinando. Prova disso é que em praticamente todas as metas que o país estabeleceu nos últimos anos , como na questão do Plano Nacional de Educação (PNE), apenas uma , entre as vinte metas estabelecidas, foi efetivamente cumprida e saiu do papel.

Mesmo em questões prementes como o aquecimento global, que diz respeito à própria sobrevivência da espécie humana, o Brasil ameaça recuar e se retirar do Acordo de Paris. Pelo menos foi essa a promessa do então candidato Jair Bolsonaro. Agora, a um passo de ser empossado e diante dos fatos que lhe são apresentados, como a possibilidade de uma parceria bilionária com a União Europeia, o futuro presidente tem pensado melhor e mais profundamente no assunto.

Nesse caso, seguir os passos do presidente americano Donald Trump, definitivamente não seria uma boa ideia. Mesmo as alegações, em parte verdadeiras, sobre questões de possíveis perdas da soberania nacional, parecem não possuir o condão de levar adiante essa ideia formulada em palanque. Até as intenções de investir contra as inúmeras Unidades de Conservação, caem no vazio e se mostram apenas retórica de palanque. Monitoramento da Cobertura e Uso da Terra do Brasil, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que entre os anos 2000 e 2016 o país perdeu 7,5% de suas florestas. Uma área equivalente a 4.017.505 Km² foi reduzida para 3.719.801 Km² em 2016. Um território maior em tamanho que muitos países do globo. O avanço do agronegócio nas bordas do bioma amazônico é uma realidade vista facilmente por todo o mundo e isso acaba por comprometer a aceitação de nossos produtos, num mercado atento para os problemas do aquecimento global.

Agora mesmo na COP24 , realizada pela ONU , na Polônia e que trata da questão climática, o Brasil ensaiou um recuo pedindo que os países em desenvolvimento não sejam marginalizados nas negociações dessa nova conferênci. Com isso Bolsonaro se verá obrigado a rever suas posições sobre o tema.

Um argumento forte que chama a atenção para uma melhor reflexão sobre o assunto clima foi dado pelos cientistas que demostraram que uma redução significativa na poluição do ar, e mesmo das águas, salvaria milhões de vidas nas próximas décadas, reduzindo também, enormemente, os gastos com saúde pública.

Os compromissos assumidos perante o mundo nos Acordos de Paris, considerados na ocasião ambiciosos, não podem ser rasgados sob pena de o mundo perder, de vez, a confiança no Brasil. Colocado na berlinda entre os ruralistas e um mundo em rápido processo de destruição, Bolsonaro terá que escolher entre a razão e as ambições desse grupo que o apoia. O que está em jogo é a perda de mercados para os produtos do Brasil. Nesse caso específico é preciso que o Brasil recue dois passos atrás para avançar na agenda ambiental, não apenas por que todo o mundo está e olho nos próximos movimentos do novo governo, mas sobretudo por que entre os 18 países com mais perdas econômicas decorrentes dos desastres climáticos, o Brasil aparece na dianteira.

Segundo a organização alemã Germnwatch o Brasil pode sofrer perdas da ordem de bilhões de reais a cada ano com eventos extremos, como tempestades e inundações e outros acontecimentos naturais , caso insista em desprezar os acordos climáticos. Não temos aqui mecanismos para prever desastres, nem Defesa Civil para prevenir e combater perigos iminentes.  Com isso, ao descer do palanque e subir a rampa do Planalto ao novo mandatário é possibilitado uma visão panorâmica e abrangente do Brasil e do mundo e isso é bom e necessário.

As frases que foram pronunciadas:

Lula: “Bolsonaro só venceu porque não concorreu contra mim.”

Bolsonaro: “Só não concorri com Lula porque ele está preso.”

Natal vermelho

Mais ou menos R$1.500 uma passagem ida e volta para Curitiba, de Brasília. Nada de museus, igrejas, centros culturais, passeios de trem. O convite da deputada Benedita da Silva é para passear em um lugar sem muito atrativo turístico. O prédio da Superintendência Regional da PF.

Incrível

Inaz do Pará, banca do concurso da Novacap adia o certame por falta de espaço. É preciso uma regulamentação nessa festa que desrespeita quem passa anos abrindo mão da vida social para estudar.

De graça

Programa de primeira na Torre de TV. Estação Cerrado encerra as atividades no dia 15, sábado. Todas as atividades são gratuitas ao público. Veja no blog do Ari Cunha o que você pode aprender nessas férias. Desde oficina de Turbantes Étnicos até marketing em projetos culturais. Veja a programação completa clicando AQUI

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA 

O Setor de Indústrias e Abastecimento, onde está todo o dinheiro de Brasília, não tem água, luz, esgotos, nem telefones. Os comerciantes são obrigados ao uso de estações de rádio clandestinas, para comunicações com os escritórios na cidade.(Publicado em 07.11.1961)

Meio ambiente deve estar no centro das atenções

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Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

No que pese o excelente nível técnico do quadro ministerial que vem sendo montado pelo presidente eleito, Jair Bolsonaro, persiste ainda uma lacuna sensível e preocupante quanto ao nome do futuro ministro que ocupara a pasta do Meio Ambiente. São inúmeras as razões para se preocupar hoje com a escolha desse nome, não só no plano interno, onde há muito a ser feito para combater o desmatamento e a depredação irracional de nossa flora, mas também com relação à imagem do Brasil perante um mundo que vai, aos poucos, percebendo que ninguém sairá lucrando com a destruição dos recursos naturais do planeta.

As provas de que o planeta começa a apresentar uma certa fadiga ambiental vêm sendo sentidas por toda a parte. Enchentes terríveis, secas devastadoras, tornados e furacões cada vez mais violentos, desgelo acelerado das calotas polares, poluição, sem precedentes do ar e dos mares e diversas outras alterações bruscas, provocadas claramente pelos seres humanos, mostram que nosso pequeno mundo entrou numa área cinzenta, o que necessariamente irá nos obrigar a mudar de rumos se quisermos que nossos descendentes continuem a habitar esse planeta.

Com relação ao Brasil, as preocupações na área ambiental precisam ser redobradas e vistas com um olhar puramente técnico e científico, distante, pois, de conjunturas políticas. De preferência, distantes dos anseios desmedidos e imediatistas da chamada bancada ruralista. A destruição de nossos recursos naturais, principalmente nas regiões Centro-Oeste e nas bordas da Amazônia, para a expansão de um agronegócio ganancioso e sem escrúpulos, trará prejuízos incalculáveis ao país, na forma de desertificação irreversível de enormes áreas rurais, com morte de rios, de animais e de espécies únicas de nossa flora.

As declarações desencontradas do futuro presidente ao longo desses últimos meses têm servido para aumentar o desassossego de todos aqueles que conhecem a importância da preservação do meio ambiente. As afirmações vão desde uma possível extinção do Ministério do Meio Ambiente, para dar maior espaço e liberdade às pretensões dos produtores rurais, até críticas ácidas à atividade, qualificada como “xiita”, dos fiscais do meio ambiente.

Discursos como esses não ajudam em nada a imagem do país, além de servir de incentivo para novas investidas daqueles que enxergam a questão de modo enviesado e com base apenas nos lucros rápidos. Mesmo quando o futuro presidente fala em acabar com o excesso de áreas sob proteção e de reservas indígenas, essas pretensões acabam encontrando um eco bastante negativo para o país, resultando inclusive num boicote aos nossos produtos, obtidos, segundo creem, às custas da destruição irracional da natureza.

A última afirmação de Bolsonaro nas redes sociais e que tem gerado mais inquietação é a de que o nome para o Ministério do Meio Ambiente irá sair de um consenso direto da bancada ruralista. Caso isso venha acontecer, de fato, o passivo da nova gestão nacional para a área ambiental só irá crescer a partir de 2019, fazendo de nosso país um caso único de um Estado em conflito direto com o resto do planeta, numa época em que ações desse tipo já não serão mais consentidas.

Caso o Brasil venha, de fato, a comprar briga com os ambientalistas do resto do mundo, por questões domésticas do tipo nacionalistas ou independentistas, o prejuízo, nem é preciso dizer, atingirá, além da nossa imagem, o que ainda resta de áreas naturais preservadas.

 

A frase que não foi pronunciada:

“Nós só queremos respeito. Tentamos sobreviver desde a chegada dos portugueses. Antes disso, sabíamos o que era paz.”

Joênia Wapichana, pensando em um discurso

Charge do Jorge (naturezaepaz.blogspot.com)

Sem limites

Continua forte o lobby dos cartórios no parlamento brasileiro. Com preços bem acima da inflação, o assunto será discutido na CCJ do Senado. Só para se ter uma ideia a sugestão apresentada para o valor do reconhecimento de firma para transferência de carro, por exemplo, passaria de R3,90 para R$ 31,59. O registro de casamento seria R$245,70 e não mais R$ 164,75, que já é um absurdo. Não é possível que os representantes do povo comprem essa ideia.

Foto: protestomg.com.br

EUA

Enquanto isso, há países que optaram pela dispensa de cartórios em relação a autenticação de documentos e reconhecimento de firma. Notários públicos fazem o serviço depois de serem certificados pelo Executivo dos estados com mandatos que podem durar até 10 anos. Trabalham por conta própria.

Charge do Mandrade

Com crise ou sem crise

Só para que os brasileiros tenham uma noção da força desse lobby, no ano passado, o faturamento desses estabelecimentos chegou a R$14 bilhões.

Charge do Velati

Expressão

Conta Rainer Gonçalves Sousa, no Brasil Escola, que a origem da expressão “Culpa no Cartório” vem do Tribunal da Santa Inquisição. Nesse momento da história, por volta do século XIII, a Igreja combatia os movimentos contra a doutrina católica. Os acusados sofriam um processo judicial que ia desde uma simples penitência até a morte na fogueira. O controle dos rebeldes era registrado em um cartório mantido pela própria Igreja. Daí a expressão muito usada também nos países ibéricos, para caçoar ex-condenados com “culpa no cartório”.

 

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Como   poder   arrecadador, o   governo   precisa   dar   mais   atenção   aos   seus funcionários e aos contribuintes. Queremos nos referir ao Departamento de Trânsito. (Publicado em 04.11.1961)

Fronteiras cegas e sem lei

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

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colunadoaricunha@gmail.com;

Charge: gauchazh.clicrbs.com.br
Charge: gauchazh.clicrbs.com.br

          Com quase 17 mil quilômetros de fronteira seca entre o Brasil e dez países da América do Sul, sendo que mais de 95% dessas áreas não possuam qualquer sistema de monitoramento eficaz, não surpreende que o nosso país venha, há tempos, experimentando problemas de toda a ordem, alguns inclusive de difícil solução, por envolver sérias questões humanitárias. De fato, desde a formação territorial do Brasil, com os diversos tratados que se seguiram, nosso país, em tempo algum, viveu num clima de total tranquilidade com seus vizinhos, principalmente por conta dos frequentes episódios de instabilidade política que esses países fronteiriços atravessaram ao longo da sua história.

          Sendo a nação a mais rica e desenvolvida da região, o Brasil é visto por nossos vizinhos sul americanos como uma espécie de país imperialista, responsável, inclusive por muitas mazelas que acometem essas nações de cultura hispânica. O fato é que o gigantismo do Brasil é também seu ponto fraco, principalmente quando se trata dessas distantes regiões de fronteiras, esquecidas durante muito tempo das autoridades e das benesses do progresso. Ocorre que, de uns tempos para cá, essa permeabilidade excessiva de nossas fronteiras começou a ameaçar, inclusive, a própria segurança nacional, dado o descontrole que se verifica na entrada contínua de pessoas e produtos sem qualquer conhecimento por parte dos órgãos de controle.

           Especialistas no assunto concordam que um dos elementos principais que tornam possível a soberania de um país é justamente o controle incisivo e permanente de suas fronteiras. Acontece que o que faz o estabelecimento desses limites, na prática, é a presença diuturna da autoridade fronteiriça. Sabedores da fragilidade do Brasil em suas fronteiras, criminosos que lidam com o contrabando e o tráfico de pessoas, armas e drogas passaram a agir nessas localidades, impondo e constituindo verdadeiros e extensos territórios sob seu controle, onde até mesmos magistrados são perseguidos e assassinados.

     A facilidade com que passaram a agir nesses territórios possibilitou, inclusive, a organização e a internacionalização de bandos de criminosos que passaram a agir de um lado e de outro das fronteiras, globalizando e fortalecendo essas organizações do crime que agem com desenvoltura, subornando autoridades, assassinado outras e impondo a lei da barbárie nesses distantes rincões.

         Há muito se sabe também que boa parte da economia de muitos desses países fronteiriços é feita graças a suspeito olhar displicente das autoridades locais, quando não incentivadas pelas mesmas, como meio de sobrevivência. O que se sucede agora, com o agonizante regime da Venezuela, tem gerado um enorme problema humanitário, põe a nu uma situação que era empurrada para debaixo do tapete dos interesses.

            Notícias dando conta de que o governo de Maduro teria escancarado as portas de seus presídios e empurrado o grosso da marginalidade rumo à fronteira com o Brasil é de conhecimento de muitos. Misturados a horda de refugiados que adentram nossas fronteiras todos os dias, esses criminosos, à semelhança do que ocorreu há algumas décadas entre Cuba e os Estados Unidos, chegaram para engrossar o caldo de violência que assola nosso país.

             Também chega ao conhecimento das autoridades que grupos criminosos têm aliciado pessoas, em situação de desespero, para serviços ilícitos de toda a ordem. Com isso, um problema que era grande e esquecido, como o das nossas fronteiras abandonadas, entrou para o radar das autoridades. E a população apavorada se preocupa, cada vez mais, com essa perigosa liberalidade que põe em risco a paz de todos e do nosso próprio futuro.

 

A frase que foi pronunciada:

“En Venezuela no hay comida. ¿Cómo se dice aquí en Brasil? ¿Obrigado? Obrigado, porque aquí en Brasil hay comida”.

Refugiada em Pacaraima, Roraima

Charge: Senna
Charge: Senna

Pardal

O TSE disponibilizou um aplicativo onde qualquer tipo de infração eleitoral pode ser denunciada. Não custa nada. O “Pardal” pode ser baixado em smartphones e tablets. O nome é infeliz, pelo menos para os brasilienses, que têm o “pardal” como um nome impopular. A iniciativa é válida se for acompanhada pelo tribunal.

Foto: tvsolcomunidade.com.br
Foto: tvsolcomunidade.com.br

Oposição & Situação

Aliás, é uma situação que chamou bastante atenção nas últimas eleições. Os fiscais de partido que dividiam espaço nas seções eram muito poucos.

Convite

Logo: auditoriacidada.org.br
Logo: auditoriacidada.org.br

Por falar em eleições, Maria Lucia Fattorelli é quem manda o convite para o dia 3 de setembro. Oficina presencial da auditoria cidadã da dívida. O mote é: O que você precisa cobrar de seus candidatos nas eleições de 2018. E pergunta: Seu candidato sabe que quase a metade do orçamento federal vai para pagar gastos com a dívida? Das 9h até as 17h, no auditório da FioCruz, na UnB. Basta enviar um email para a auditoriacidada@gmail.com.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA

Os goianos tiveram muita sorte na eleição do suplente do sr. Juscelino, no Senado. Sendo o sr. José Feliciano, Goiás está muito melhor servido, do que se estivesse na cadeira o seu titular, sempre ausente. (Publicado em 27.10.1961)

Fernando Gomide: pré-candidato a Deputado Distrital

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ARI CUNHA

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A coluna Visto, Lido e Ouvido abrirá espaço aos pré-candidatos a Deputado Distrital. Toda segunda-feira, será divulgado um video ou texto dos pré-candidatos. Para participar basta enviar o material para colunadoaricunha@gmail.com. Desse modo, o blog oferece mais um espaço para que os candidatos divulguem suas ideias.      

Como discutir o problema da corrupção com corruptos?

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ARI CUNHA

Visto, lido e ouvido

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charge: latuff cartoons
charge: latuff cartoons

         Um fato tem a unanimidade dos analistas da cena política nacional em relação as próximas eleições: serão as mais imprevisíveis de todos os tempos. Isso porque alguns fatores totalmente novos estarão em jogo. O principal deles, e que podem alterar qualquer prognóstico futuro é com relação ao desgaste de imagem dos políticos de um modo geral.

         As manifestações de rua, ocorridas recentemente, tiveram como elemento comum esse repúdio aos políticos e aos partidos de um modo amplo. O que alguns cientistas políticos descrevem como as eleições mais polarizadas jamais vistas, a população enxerga como um certo sentimento de desencanto com fortes doses de pessimismo.

         Desde 2005, quando veio à tona o escândalo do Mensalão, revelando o fato aterrador do Poder Executivo estar comprando, com maços de dinheiro vivo, o apoio político de parte significativa do parlamento, não houve um só dia , de lá para cá, em que não chegasse ao grande público, novas e intermináveis denúncias de corrupção .

         A maioria dessa torrente de denúncias envolve, quase sempre, os mesmos personagens formados por políticos e empresários. Chegamos a posição inusitada e motivo de chacota em todo o mundo de possuirmos parlamentares que durante o dia exercem suas funções no Congresso e à noite são recolhidos ao xadrez. Mesmo nas próximas eleições o Partido dos Trabalhadores, pretende lançar como seu candidato oficial, alguém que esta condenado e preso. Numa hipótese surrealista , caso a candidatura de Lula seja autorizada pelo TSE, os votos não sejam auditados, teríamos, quem sabe, em caso de vitória nas urnas desse candidato, um presidente governando um país, diretamente da cadeia ou tendo que se recolher ao presídio ao final do expediente.

         Para um país como o Brasil, caminhando há anos no limbo entre a realidade e as versões, seria algo totalmente crível. O que a sociedade já tem claro em sua avaliação da cena nacional é que a corrupção está por detrás de todos os males que afligem o país. Sabe também, que seus representantes legais, são os responsáveis diretos por esses fatos .

         Enquanto não aparece um político com coragem suficiente para apresentar uma proposta proibindo a candidatura em 2018 de todo e qualquer político ficha-suja, bem como seus prepostos, os mesmos personagens que há décadas flagelam a vida republicana continuarão ativos. O que a experiência mostra, aqui e em diversos países é que sem a participação da sociedade a tarefa de combate a corrupção é praticamente impossível, dada a amplitude desse fenômeno, sua rede de proteção interna e externa e, no nosso caso, a conhecida morosidade e leniência permitidas pelas nossas leis, principalmente pelo idoso Código Penal.

         A Transparência Internacional, que tem entre suas metas a luta contra a corrupção na política, nos contratos internacionais, no setor privado, nas convenções internacionais e nas questões de pobreza e de desenvolvimento, há anos vem alertando para o fato de os seguidos casos de corrupção detectados nas últimas décadas no Brasil, contribuíram para o aumento da desigualdade social e da miséria, com reflexos extremamente negativos para o desenvolvimento.

         No caso específico da Petrobras , o esquema do chamado petrolão mostrou que o esquema de corrupção obedece à um padrão sistêmico na relação entre o setor privado e o poder público, em que a prática do suborno acaba criando novos ambientes de negócios que privilegiam determinados grupos, distante e contrário ao interesse público, o que resulta sempre em distorções e desigualdades.

         Outro aspecto que se revela quando os setores públicos e privados passam a agir em desobediência as leis e a ética se reflete sobre a infraestrutura, criando uma espécie de colapso nesse setor, com obras de baixa qualidade, superfaturadas, inacabadas ou que deixam de atender aos interesses presentes. Os efeitos da corrupção sistêmica não se esgotam em seus efeitos puramente econômicos e se estendem para todos os setores da vida do país, havendo inclusive uma correlação evidente entre corrupção e violação dos Direitos Humanos, o que comumente acabam resultando em massacres e assassinatos.

         Com isso, quem acaba sentindo os efeitos da corrupção é justamente a populações mais vulnerável, já que é ela quem mais sente as deficiências do Estado e dos serviços públicos.

         O problema nas próximas eleições é como debater de forma sincera e clara o tema premente da corrupção com candidatos diretamente envolvidos em escândalos de corrupção. A questão aqui, posta de forma clara, é como discutir o problema da corrupção com corruptos?

A frase que foi pronunciada:

“ Somente o exercício do voto é secreto para garantir ao cidadão a liberdade de escolha. O ato seguinte é um ato administrativo. A contagem de um voto é um ato administrativo e se submete a um requisito de validade sob pena de ser nulo. Trata-se do princípio da publicidade. Qualquer ato administrativo deve ser público. Nós queremos auditar o fato jurídico e não a urna eletrônica.”    Felipe Marcelo Gimenez, procurador de M.S., durante o debate sobre a segurança do sistema eletrônico de votação no Brasil.

HISTÓRIA DE BRASÍLIA 

         Agora se sabe porque os moradores do Iapfesp (104 e 304) nunca terão suas superquadras urbanizadas. O Delegado dr. Aracaty foi quem autorizou a construção de casas de alvenaria no canteiro de obras.(Publicado em 21.10.1961)

Transparência Internacional entra na luta contra a corrupção no Brasil

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ARI CUNHA

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com Circe Cunha e Mamfil

colunadoaricunha@gmail.com;

          Com o lançamento, nessa semana, de um pacote intitulado Novas Medidas Contra a Corrupção, a Transparência Internacional, uma Organização da sociedade civil global que lidera o combate a esse mal , os brasileiros passam a contar com um importante aliado, especializado no assunto e que desde 1993 vem liderando a luta contra os abusos e desvios de poder em todo o planeta.

                   Para a TI o Brasil vem se tornando um país altamente estratégico na luta contra a corrupção , graças não só aos esforços que vêm sendo promovidos por parte do judiciário local , com o apoio do Ministério Público no combate a essa praga, mas , sobretudo, pelas consequências que esses movimentos de saneamento da vida pública pode ter globalmente, mormente no continente Latino americano.

                    Trata-se de um pacote, já considerado o maior do mundo, contendo 70 propostas legislativas na forma de projetos de lei, propostas de emenda constitucional e outras resoluções elaboradas em conjunto com 373 instituições brasileiras, que sintetizaram num documento, redigido e revisado por mais de 200 especialistas na área, todas as medidas possíveis para estancar, de vez, as relações criminosas que, há décadas vem comprometendo o futuro do país.

                 A Transparência Internacional sabe bem que essa será uma tarefa difícil, já que outras tentativas do gênero, até mais enxutas, como as Dez Medidas Contra a Corrupção, apresentadas pelo Ministério Público, com o apoio significativo da população, encontram no Congresso um forte opositor à essas regras. Depois de serem completamente desfiguradas pelos parlamentares, as Dez Medidas, caíram no esquecimento e o debate público foi encerrado precocemente.

         A TI compilou o que chama de melhores práticas nacionais e internacionais para criar uma plataforma de propostas de reforma legislativa e institucional com vistas a buscar as causas sistêmicas da corrupção, para o enfrentamento de longo prazo desse que é hoje identificado como o maior desafio de todos os tempos que se apresenta a sociedade brasileira e mundial. Para a TI, a apresentação desse amplo documento se dá justamente pelo entendimento de que há, nesse momento preciso uma janela de oportunidades se abrindo que, portanto, não deve ser desperdiçada.

         Obviamente que o trabalho de juízes como Sérgio Moro e o Ministério Público de Curitiba à frente da Operação Lava Jato, bem como a atuação esparsa de outros magistrados pelo país, chamaram a atenção da TI para a luta desigual desses brasileiros contra o dragão da corrupção.

         Também as gigantescas manifestações de rua, promovidas espontaneamente pela população contra a atuação de políticos corruptos, contribuíram para incentivar a TI a materialização dessas 70 sugestões que abrangendo temas diversos como eleições, persecução criminal, transparência e integridade nos setores públicos e privados.

         O pacote vem nesse momento que antecede as eleições de outubro, por que há uma percepção geral e por parte da TI, de que nesse próximo pleito, o assunto corrupção poderá influenciar enormemente a decisão dos eleitores. Leia o documento completo clicando aqui.

A frase que foi pronunciada:

“O exercício do voto é secreto, mas a contagem dos votos é um ato público. A seita do santo byte tem no altar o B.U. Ele informa o total de votos e só. Nem no condomínio onde eu moro aceitariam uma eleição assim. Imagine se eu fosse candidato a síndico, colhesse a urna, levasse para a minha casa e voltasse para comunicar aos condôminos: Aqui está o resultado. Eu fui eleito!” Felipe Marcelo Gimenez, procurador de M.S., durante o debate sobre a segurança do sistema eletrônico de votação no Brasil.

Poeira e batom

Ontem foi a apresentação do filme sobre os primeiros dias de Brasília pela vida das mulheres. Poeira e Batom aplaudido dessa vez, no Campus do Instituto Federal de Brasília em Samambaia. “Poeira e Batom no Planalto Central: 50 mulheres na construção de Brasília”. A exibição faz parte da Semana de Arte, Ciência e Tecnologia (Seacitec), que acontece no campus até hoje. A mostra começa às 19h30.

IPB

Nasce em Brasília o Instituto Piano Brasileiro pelas mãos de Alexandre Dias com o objetivo de manter viva a música pianística brasileira.Nessa segunda-feira, às 17h, será a exposição com documentos raros do acervo. Meia hora depois, Alexandre, coordenador do local, fará uma palestra que será seguida de um belo sarau com diversos músicos. O IPB fica na CLN 412 bloco B sala  26.

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HISTÓRIA DE BRASÍLIA 

         Os moradores do Setor de Residências Econômicas continuam apelando, agora não se sabe mais para quem. Mas é isto: não há um ponto de táxi, não há comércio, não há assistência médica, não há nada. As cobras estão soltas, e ninguém acode a população daquele bairro. (Publicado em 21.10.1961)

Desfigurando a capital dos figurões

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ARI CUNHA

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foto: Marcelo FerreiraCBD.A Press
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             Mulher foi dar queixa do marido ao rabino da aldeia. Depois de escutar atentamente os motivos da mulher o rabino declarou: você tem razão. Voltando-se para o marido da queixosa, que não havia concordado com a sentença, disse : você tem razão. A mulher do rabino, que tudo escutava, estranhando tamanho veredito, não se conteve. Como você pode dar a mesma razão a duas partes conflitantes? O rabino então disse a esposa: quer saber, Você também tem razão. A história acima ilustra bem a querela envolvendo, empresário da comunicação e a imensa trupe daqueles se posicionaram contra a decisão do GDF de retirar um imenso painel eletrônico instalado na empena cega de um prédio no setor bancário Sul. Só que nesse caso específico, surpreendentemente nenhuma das partes envolvidas na questão possui razão. A começar pelo jornal, que como veículo responsável de comunicação da cidade, deveria ser o primeiro a sair em defesa da capital, do seu tombamento e não se aliar aqueles que diariamente encontram um jeito de burlar a legislação, instalando gigantescos painéis eletrônicos de propaganda, poluindo visualmente a cidade.

         Notem-se que painéis dessa dimensão e de qualquer outra, instalados e visíveis por motoristas, acabam contribuindo para dispersar a atenção dos condutores, favorecendo acidentes no trânsito. Erram advogados, juízes e políticos da oposição que se solidarizaram com o jornal, classificando a decisão do GDF de retirar esses outdoors eletrônicos de censura e outros qualificativos. Todos os que deveriam se posicionar a favor da capital, contra, portanto a invasão dessas publicidades que, a despeito de se mostrarem moderninhas e antenadas com o progresso e a tecnologia, emprestam uma feição terceiro mundista a moderna capital, através dos exageros e do oportunismo da propaganda estampada sem critérios por toda a área tombada da cidade.

         Até mesmo os juízes da 5ª Turma do Tribunal de Justiça do DF e dos Territórios (TJDFT) ,de quem se esperaria uma decisão apoiando a imediata retirada desses painéis, em nome do bom senso e a favor de uma cidade ordeira e limpa, o que restou do veredito pela suspensão da retirada do painel , foi a certeza e a jurisprudência confirmada de que doravante todos os empresários da cidade poderão usar as empenas cegas dos edifícios para a colocação de painéis com reclames publicitários de seus negócios, transformando a cidade numa imenso faroeste sem leis e ordenamentos urbanos.

             Dos políticos, sejam eles de oposição ou não, a população nada pode esperar além do conhecido oportunismo e falta de cidadania e o desamor pela cidade. O governador e seu governo, mormente a Agefis, erraram ao não vetar , logo no início a colocação desse painel disforme e despropositado . O Iphan e os órgãos responsáveis pelo ordenamento urbano e preservação da capital, ao se omitirem nessa querela , também erraram por omissão. Certos mesmos ficaram apenas os pioneiros cidadãos candangos, indignados com a desfiguração cotidiana da capital feitas pela união de políticos oportunistas, empresários espertalhões e juízes e advogados sem compromisso com a cidade.

A frase que foi pronunciada:

“Não me arrependo do que fiz, não me arrependo de ter levado em consideração o interesse de preservar o nosso dia de amanhã – o futuro da Pátria Brasileira”   Juscelino Kubitschek

Ouvidoria BB

             Melhor canal para reclamações de qualquer banco é a ouvidoria. O Banco do Brasil é exemplar nesse quesito. A reclamação tratava da agência do Lago Norte que em uma conta recém aberta não entregou o cartão prometido em 10 dias. A ouvidoria foi acionada, ligou pedindo desculpas para a cliente e prometeu que o cartão será entregue. Avisaremos tão logo o seja.

foto: bb.com.br
foto: bb.com.br

Fica a dica

             Muitas vezes quando damos uma nota com o teor da nota acima, a instituição nosso liga para saber como pode ajudar. A resposta é sempre a mesma. Ajude todos os clientes que reclamam. Esse é o melhor a fazer pela imagem da empresa.

Revoltante

         Não há razão para fazerem uma coisa dessas com árvores que levaram mais de 40 anos para crescer. Eletroserras precisam ser controladas, monitoradas. No eixão sul, perto do posto Jarjour e em outras quadras, árvores longe da pista, sem oferecer perigo algum foram cortadas na base. Vejam as fotos:

Design sem nome

Boas vindas

           Que me perdoem os patrícios, mas a piada real na chegada do voo de ontem era essa. Assim que o avião pousou no aeroporto de Brasília vindo de Lisboa, os passageiros bateram palmas. Emmanuel, de 2 anos não entendeu a razão. Ao ver o espanto da criança o passageiro ao lado explicou: Graças a Deus estamos longe do país da burocracia!

HISTÓRIA DE BRASÍLIA 

            Espírito democrático está presidindo as comemorações da Semana da Asa em Brasília. Oficiais da Aeronáutica estão acompanhando as pessoas nas visitas aos aviões, dando todas as explicações necessárias.(Publicado em 21.10.1961)

Corrupção sistêmica – consequências.

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ARI CUNHA

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Charge disponível em: https://www.jornalvs.com.br/
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                Que relação haveria entre o fato de o Brasil haver registrado a marca histórica de 62.517 assassinatos apenas no ano de 2016  e a piora do país no ranking que avalia a percepção da corrupção no ano passado? O que aparentemente são assuntos e temas distintos no tempo e no espaço, possuem, na verdade, uma ligação umbilical , indicando, neste caso específico, que o morticínio de seres humanos, jamais visto em todo o planeta em tempos de paz , decorre, dentre outros fatores,  justamente do  mal funcionamento dos órgãos de justiça e do  aparelho de segurança internos, emperrados que estão, em razão da ferrugem produzida pela corrupção sistêmica que tomou conta da máquina do Estado.

         Em  ofício enviado agora ao ministro do STF, Gilmar Mendes, por ocasião do vigésimo habeas corpus concedido, por ele,  a presos da Operação Lava Jato, no Rio de Janeiro, o juiz Marcelo Bretas chamou  a atenção de que “casos de corrupção e delitos  relacionados não podem ser tratados como crimes menores, pois  a gravidade de ilícitos penais  não deve ser medida apenas sob o enfoque da violência física imediata. Os  casos que envolvem corrupção de agentes públicos têm enorme potencial para atingir, com severidade, um número infinitamente maior de pessoas, bastando, para tanto, considerar que os recursos públicos que são desviados por práticas corruptas deixam de ser utilizados em serviços públicos essenciais, como saúde e segurança públicas e, no caso específico, educação.” Prova disso, é que foi preciso a intervenção federal , com tropas do exército, na área de segurança do estado, tamanha as consequências advindas da corrupção que grassou durante o governo de Sérgio Cabral.

               Em qualquer área do país que se examine as razões das precariedades verificadas  na saúde na educação e nos serviços de   infraestrutura de saneamento básicos, a questão da corrupção e do desvio de recursos públicos, surgem como elementos principais . O pior é quando se verifica que no centro desse problema , agindo como protagonistas diretos desse descalabro, estão justamente aqueles a quem a população outorgou, pelo voto, a missão de cuidar dos assuntos públicos.

             Para especialistas no assunto como o historiador Daniel Aarão Reis, “ O sistema político brasileiro é um cadáver, apodrecendo a céu aberto”. Não seria exagero afirmar que todo e qualquer caso que revele o mau funcionamento do Estado, possui um ou mais  fios conectados diretamente a episódios de corrupção e malversação de recursos .

                Para complicar , ainda mais esse quadro, Operações como a Lava Jato demonstraram que os políticos e os muitos partidos implicados nesses episódios, não agem sozinhos. Com eles, estão também, na rapinagem do Estado, a maioria das lideranças empresariais do país, agindo livremente por décadas, graças a cegueira proposital dos órgãos de fiscalização, muitos deles  implicados também direta ou indiretamente nesses episódios.

              As manifestações  gigantescas de 2013 ocorridas em todo o país serviram, por algum tempo para chamar a atenção, principalmente dos políticos para o fenômeno da corrupção. Nesses movimentos, invariavelmente a classe política não foi apenas alvo principal dos protestos. Tão logo se anunciava a presença de alguns representantes eleitos entre a multidão os assessores davam cobertura na fuga depois das vaias.

          Medidas visando aperfeiçoar o sistema anticorrupção foram tentadas de forma tímida, como é o caso encampado  pelo Ministério Público Federal em 2015 e sintetizado no documento 10 Medidas Anticorrupção. Nesse pacote, contendo sugestões e medidas legais para o combate a corrupção e no qual a população depositava alguma esperança, dada a situação do país, foi levado, até de forma ingênua para a apreciação justamente do Congresso, onde estavam os principais protagonistas arrolados nos episódios de corrupção.

             Nesse caso, não foi surpresa para ninguém que os parlamentares, numa pantomina ensaiada, devolvessem para a sociedade um rol de medidas inócuas , desfigurando completamente as 10 Medidas originais e tornando letra morta qualquer medida saneadora.

A frase que foi pronunciada:

 “O Meio é a Mensagem.”      Marshall McLuhan

Educação

Aconteceu com uma criança no Canadá. A hóspede brasileira estranhou o menino chegar da escola com os bolsos cheios de papeis descartáveis. Ele explicou espontaneamente quando percebeu a interrogação na testa da tia. Se eu produzo um lixo, sou responsável por ele. Por isso tenho que descartar na minha casa. É assim que Lilia Britto vê, com orgulho, seu sobrinho crescer.

Iniciativa

Enquanto isso, Brasília e o governador Rollemberg se esforçam. Está na cidade o I Congresso Cidades Lixo Zero, organizada pelo grupo Circo Teatro Udi Grudi. Aquarela do Brasil e Trenzinho Caipira tocados por instrumentos feitos de material reciclado. A seleção musical é de primeira linha e a iniciativa também. Vai até amanhã, no Centro de Convenções. Veja a programação completa clicando AQUI.

Cidades-Lixo-Zero

Navegando

Por falar em Blog, um amigo pergunta como se chega lá. É simples meus amigos. É só digitar no Google blog do Ari Cunha. Sem senha, sem barreiras. Leia à vontade.

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Democraticamente vamos reservar o blog do Ari Cunha na segunda-feira para divulgar as ideias e projetos de futuro elaborados pelos candidatos que concorrerão as eleições em 2018. É só enviar para colunadoaricunha@gmail.com

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Imposto sindical: o gigante dos pés de barro

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ARI CUNHA

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Disponível: tribunadainternet.com.br
                                                                                                                        Disponível: tribunadainternet.com.br

          Levantamento elaborado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) ainda em janeiro de 2017, dava conta de que o Brasil possuía, na ocasião 16.491 organizações de representação dos interesses econômicos e profissionais. De lá para cá, esse número ultrapassou a casa dos 17 mil sindicatos devidamente registrados. A grande maioria dessas instituições foi criada nos governos Lula e Dilma, graças a política de portas escancaradas, patrocinada pelo comando do PDT no Ministério do Trabalho.         O Brasil tornou-se assim, o campeão mundial quando o assunto é esse tipo de corporação. Para se ter uma ideia, nos Estados Unidos, esse número não chega a duas centenas.

       O número expressivo de sindicatos , criados de afogadilho , dentro da estratégia de expandir os tentáculos do Partido dos Trabalhadores sobre a máquina do Estado, deixou patente que, ao lado das Organizações não-governamentais (ONGs), que tiveram também um crescimento exponencial nessa última década, que o estabelecimento dessas entidades eram, além de um projeto de poder bem urdido, um excelente negócio, principalmente para aqueles que passaram a comandar, com mão de ferro, essas associações, ditas de defesa dos interesses dos trabalhadores e das minorias.

         Segundo o Diário da Causa Operária, que circula com o dístico da foice e do martelo estampado orgulhosamente em suas edições, a reforma trabalhista, promovida pelo governo “golpista” de Michel Temer, estabelecendo o fim do imposto sindical obrigatório, provocou uma queda de arrecadação de 88% no caixa dos sindicatos, apenas nos primeiros meses de 2018, o que teria representado um duro ataque do Estado contra os trabalhadores e suas organizações sindicais.

      O que esse tipo de análise deixa de fora, e que pesquisas demonstram é que mais de 80% dos trabalhadores sindicalizados não só aplaudiram como endossaram o fim da obrigatoriedade de um imposto que somente no ano de 2016 sorveu dos brasileiros a quantia fabulosa de R$ 3,5 bilhões, isso sem nenhuma fiscalização dos órgãos de controle financeiro do Estado. Trabalhadores não sindicalizados que tinham o desconto em folha começam a buscar os tribunais.

      Transformados em satélites políticos dos partidos de esquerda, os sindicatos, na era petista, passaram a atuar apenas como arregimentadores das massas para suporte das diretrizes dessas legendas, deixando em segundo plano os interesses daqueles que custeavam compulsoriamente essas manobras.

       Obviamente que desmontar uma estrutura gigante como essa, não é tarefa fácil e não poderá ser levada a cabo apenas por uma legislação, ainda mais quando se sabe que dentro do próprio Supremo Tribunal Federal, que tem assumido as vezes de legisladores há ministros , como Edson Fachin, claramente contra o fim desse imposto.

    Recentemente esse magistrado afirmou que o fim desse imposto coloca em risco direitos garantidos pela Constituição Federal. A decisão pelo STF sobre essa questão se dada em 28 de junho próximo. Qualquer que seja o veredito nesse assunto, uma coisa é certa: a hipertrofia dos sindicatos materializou a figura do gigante de pés de barro, deixando claro que até mesmo sobre essas entidades a herança legada pelo lulopetismo contaminou, de modo fatal, a representação de classes.

A frase que ainda não foi pronunciada:

“ Futebol? Não, obrigado. Nós queremos outro Brasil.” Campanha já declarada por muitos brasileiros

Façam para valer

           Entra ano, sai ano, os legisladores brilham com a ideia da obrigatoriedade do esporte nas escolas. Faltam professores preparados, falta material, falta ginásio coberto. As escolas públicas de todo o país até hoje não conseguiram formar times representativos em qualquer esporte. Exceção: Os complexos aquáticos.

Crianças jogando futebol no interior de Itapetinga. Disponivel em: sudoestehoje.com.br

Incoerente

          Por falar em competição, o Colégio Militar, que é público, com excelentes desportistas, músicos e matemáticos, sofre com as Olimpíadas de Matemática. São tão bons que a organização quer afastá-los, já que sempre vencem.

Disponível: eb.mil.br
Disponível: eb.mil.br

Reconhecimento

          Em uma dessas gravações no Whatsapp, o motorista chorava porque depois de 10 dias nas estradas comendo pão adormecido, longe do filho recém nascido, via gente pagando R$9 pela gasolina. Nem tudo está perdido. Os caminhoneiros são heróis por não terem ficado só batendo em panelas. Valeu o susto dado, mostrando que o gigante só tira uma soneca.Disponível: revistaforum.com.br

                                         Disponível: revistaforum.com.br

HISTÓRIA DE BRASÍLIA 

         Há um grande número de interessados, e os pedidos são feitos para que o sr. Menezes Côrtes não obstrua a votação do projeto, com a apresentação de emendas.

(Publicado em 21.10.1961)