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Levante-se: Grupo brasiliense faz experimento teatral sobre a mulher na sociedade

Publicado em Artes Cênicas, Teatro

Dialogar sobre as vivências da mulher na sociedade atual, examinar a linguagem e o comportamento das mulheres de seu tempo. São esses os principais objetivos do projeto Levante-se, que se inspirou na escritora Alice Birch para criar um espetáculo original de Brasília.

A direção de Levante-se fica por conta de Rosanna Viegas, ao lado de um elenco formado por quatro mulheres e um homem. Para dar vida ao texto, o grupo conta com a arrecadação de fundos através da plataforma catarse.

No palco, questões pertinentes a toda mulher do século XXI, mostradas em situações cotidianas e pertinentes aos corpos atuais. As atitudes, a sexualidade, o corpo e o papel da mulher, ainda são questionados e, por isso, ganham espaço primordial no espetáculo.

Questões atuais em Levante-se

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O espetáculo aborda questões relacionadas ao feminino e ao feminismo e se propõe a uma criação questionadora, provocativa, engraçada, irreverente e caótica.

Para Renata Soares, uma das atrizes do elenco de Levante-se, é essencial o debate a respeito da experiência da mulher na sociedade atual. A atriz destaca que o tema tem sido comentado com grande força nas redes sociais, mas muitas questões, dúvidas e conflito de opiniões ainda permanecem entre homens e mulheres.

“É válido manter a discussão aberta. Não é pra definir feminismo ou empoderamento da mulher pra ninguém, não é esse tipo de peça. Mas é sobre levantar questões que estão tão enraizadas na sociedade e deixar a plateia chegar às suas próprias conclusões.

Essa peça não tem respostas, só perguntas. Mas provoca a plateia a perceber que só o pensamento não é mais suficiente, que ele tem que se transformar em ação em algum momento”, destaca Renata Soares.

A atriz Renata Soares está no elenco do espetáculo Foto: Philipp Sander)
A atriz Renata Soares está no elenco do espetáculo Foto: Philipp Sander)

As discussões a respeito de gênero cresceram nos últimos anos, mas o teatro ainda têm forças para expandir o diálogo e a troca de conhecimento. Mudar padrões sociais demanda tempo e esforço e, para o grupo, é esse tipo de questionamento que o teatro pode e deve levantar.

A vontade não é a de impor respostas, mas colocar em pauta. A presença física, a troca de olhares e a atenção total ao instante fazem do teatro um poderoso instrumento de reflexão e é nessa potência que o grupo quer se apoiar.


 

Para financiar a produção o grupo conta com uma campanha no Catarse e, para colaborar com qualquer quantia e conhecer melhor o projeto, basta clicar nesse link:
https://www.catarse.me/levante_se_


 

Confira entrevista com Renata Soares

levante-seQue experiências da sua vivência teatral em outro país você pretende trazer para essa produção?
A produção teatral em Nova York é muito intensa, então eu acabei conhecendo o trabalho de diversos escritores americanos e britânicos, principalmente, como o da Alice Birch, que virou nosso ponto de partida pra esse projeto.

Brasília gera muitos espetáculos autorais, o que é maravilhoso, mas também podemos ficar de olho no que está sendo feito lá fora, porque tem muita coisa muito boa. Mas também estamos deixando a peça mais pessoal, acrescentando relatos nossos, referências mais brasileiras até.

Que diferenças você nota no movimento cultural e teatral da cidade agora?
Essa é uma pergunta pra qual eu não tenho uma resposta certa. Não é um algo concreto, é uma energia que senti quando cheguei em Brasília. Mas acho que, por estarmos sofrendo com a falta de espaços teatrais, a falta de dinheiro e a falta de incentivo, os artistas, sabendo que não podem parar de fazer arte, começaram a se articular e a se movimentar de formas alternativas.

E essa vontade da cidade casou com a minha vontade também de colaborar e trazer um pouco do que aprendi e vivi fora do país pra cá.

O diálogo com os novos públicos 

O teatro ainda tem força para dialogar com os novos públicos?
Tem. E o estilo em que estamos construindo esse texto se relaciona bem com o tipo de linguagem que o público de hoje está acostumado a consumir. É uma linguagem rápida, em formato de esquetes, como a que consumimos diariamente na internet.

Agora, se houvesse mais investimento e apoio para as produções independentes, conseguiríamos levar esse diálogo pra outras plateias também, que até carecem de cultura para fomentar e formar mais público.