cátia damasceno
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Cátia Damasceno chega ao teatro para falar de sexo e mulheres sem tabus

Publicado em Artes Cênicas, Teatro

A fisioterapeuta e sexóloga Cátia Damasceno decidiu quebrar barreiras e tabus ao falar abertamente na internet sobre a relação entre mulheres e sexo. Para alcançar um público amplo e diverso ela escolheu lançar suas histórias no YouTube, criando um dos canais de maior sucesso no tema atualmente.

As narrativas tratam de temas variados de forma bem-humorada, aproveitando a fórmula da leveza para levar bom conteúdo às suas alunas e seguidoras. Para expandir ainda mais os horizontes, a especialista em relacionamentos decidiu criar um espetáculo, adaptando parte de seu repertório online para os palcos. O resultado é o divertido monólogo O que pode dar errado na cama?

No youtube, Cátia Damasceno acumula mais de 1,8 milhões de inscritos e mais de 100 milhões de visualizações. Na comédia, ela reúne histórias e a experiências de mais de uma década de carreira e transcreve de maneira muito bem-humorada, direta e livre de preconceito tudo que ronda o tome relacionamento e sexo.

Criadora do movimento Mulheres bem resolvidas, ela acredita no poder do bom conteúdo para modificar antigos padrões.

Com a adaptação, Cátia Damasceno mostra que a criação cênica pode e deve transitar entre as possibilidades de sua própria contemporaneidade, reunindo diferentes formatos e dialogando com novas plataformas. Para ela, o sucesso pode ser creditado à vontade de homens e mulheres em alcançar boa informação.

A ideia é criar um conteúdo para que todos se sintam acolhidos. A sexóloga lembra que sexo e relacionamento ainda são cercados de muito tabu, vergonha e preconceito. Sem exitar, Cátia criou um formato simples e direto para dialogar com o público, respondendo perguntas e produzindo conteúdo a partir de histórias reais.

Confira entrevista completa com Cátia Damasceno

Cátia trata de temas diversos no canal e no espetáculo teatral
Cátia trata de temas diversos no canal e no espetáculo teatral

Quando você começou a ter interesse em falar sobre a sexualidade no Youtube e por que acha que o tema faz tanto sucesso online?

Ir pro Youtube foi um processo meio natural, pra expandir e atingir mais pessoas. Minha primeira formação é em Fisioterapia com especialização em Uroginecologia e durante algum tempo tive a minha clínica onde atendia mulheres gestantes, usando as técnicas da Ginástica Íntima, também conhecida como Pompoarismo para auxiliar no parto. Elas começaram a ter benefícios também na vida sexual com os exercícios e os pedidos para fazer eventos sobre o assunto começaram a surgir.

Resolvi aproveitar a oportunidade e a cada dia mais e mais convites surgiam. Foi quando conheci os meus sócios, eles enxergaram que podia dar muito certo no Youtube porque a minha linguagem sempre foi muito simples, didática e bem-humorada.

Comecei com os vídeos e dai não paramos mais. Realmente me encontrei com o canal, o retorno é enorme e saber que a minha informação chega para quase 10 milhões de pessoas mensalmente não tem preço. (Cátia Damasceno)

Você dá destaque à relação das mulheres com o sexo? Essa relação ainda é muito diferente a dos homens na sociedade atual?

O meu público principal são as mulheres, o meu objetivo é empoderar essas mulheres através da sexualidade, porque quando uma mulher se conhece, conhece seu corpo e suas vontades, ela é muito mais dona de si, da sua autoestima. Ela vai conseguir tomar melhores decisões na sua vida amorosa, não vai aceitar qualquer relacionamento porque sabe quem é e o que merece.

Mas felizmente muito homens me acompanham sim, inclusive maridos das minhas seguidoras e alunas. E isso é muito bacana, porque quando os dois aprendem e se ouvem, os resultados são ainda maiores. (Cátia Damasceno)

Entre todas as idades

A ideia é expandir ainda mais o público com a chega aos palcos
A ideia é expandir ainda mais o público com a chega aos palcos

Acredito que evoluímos em alguns aspectos, mas a sociedade ainda é muito machista. Ainda existe preconceito com as mulheres que são donas da própria sexualidade, que transam com quem querem, que sabem o que querem da vida e dos relacionamentos.

Isso começa lá na criação, para as meninas são dirigidas frases do tipo fecha as pernas, é feio se tocar. Para os meninos é diferente. E o meu trabalho é pra isso, para diminuir o número de mulheres que acham que precisam satisfazer o homem na relação e deixam de lado as próprias vontades. (Cátia Damasceno)

Você costuma dialogar com o público de que idades?

Majoritariamente meu público possui entre 25 e 34 anos, mas podendo chegar até os 55 anos ou mais. Com a expansão do canal, tenho conseguido atingir também um público grande de18 a 24 anos mais ou menos. No Instagram cerca de 95% são mulheres, mas no canal tenho aproximadamente de 14% do público masculino.

Das telas para os palcos

Cátia damascenoE o espetáculo, sobre o que ele fala? Que narrativas ele leva para o palco?

O espetáculo foi mais uma forma que encontramos de quebrar a barreira, de ir até mais uma parte do público que é carente dessa informação. E também mais uma forma levar isso de maneira bem-humorada. A peça é um monólogo onde eu reúno uma porção da experiência desses quase 15 anos trabalhando com sexualidade e relacionamentos.

Eu queria construir algo que não fosse só para os casais, nem só para mulheres, mas uma peça pra ir com as amigas, com o marido ou a esposa, para ir com os amigos aprender mais sobre a sexualidade das mulheres e deles próprios.

Como você escolhe as histórias que serão levadas para o canal e para o paco?

Acredito que penso quantas pessoas vão se identificar com aquela história, quantas das pessoas que estarão do outro lado do canal ou na plateia vão se reconhecer naquela história, que já passaram ou passarão pela mesma coisa. As vezes é um caso mais isolado, porém que conseguirei dar uma dica bacana, importante. Tanto pra peça, quanto no canal e nas palestras, eu chego com uma ideia central, mas sempre lembro de algo e se acho que cabe abordo. E a cada dia conheço novas pessoas, novas histórias, e tudo isso vai acrescentando.

Como foi adaptar os temas trabalhados no Youtube para o teatro? Você criou histórias, diálogos e situações?

Quando fomos criar a peça o que queríamos era entregar algo diferente, queríamos manter o que é nosso DNA, que é a informação com o humor, porém que fosse algo interativo. Então eu não vou simplesmente subir no palco e me apresentar, o público vai ser parte fundamental do espetáculo.

O conteúdo é inédito, com novas histórias, tanto pessoais quanto de alunas que compartilharam comigo e do meu público em geral. Não posso abrir muito do que vai ter na peça, mas posso dizer que o nosso objetivo é desconstruir tabus, então vamos falar de tudo mesmo. E depois, trechos da peça vão ser disponibilizados no Youtube, então o público que ainda vai conferir a peça em outros estados e cidades vai poder ter um gostinho.

Acredita que há mais liberdade para falar abertamente sobre sexo atualmente?

Eu acredito que evoluímos muito, porém ainda tem muito o que evoluir. Estamos longe de falar de sexualidade como deveria ser, de forma natural. As pessoas ainda aceitam relacionamentos ruins, uma vida sexual de qualquer maneira, não cuidam da saúde intima, não conhecem o próprio corpo . Então acredito que ainda temos um longo caminho a percorrer.